5.1 Læreres kunnskap
5.2.3 Kilder til mer kunnskap
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Os primeiros estudos de Fairclough em ACD culminam com a publicação, em 1992, de “Discourse and social change”, traduzido no Brasil, em 2001, sob a coordenação de Izabel Magalhães, da Universidade de Brasília. A atenção dos estudos críticos do discurso preconizados pela obra constroem um método crítico de análise que aborda aspectos do discurso que não são explícitos, mas subjacentes à própria produção textual, e revela as práticas sociais da comunidade em que vive e às quais ele se filia, seja consciente, seja inconscientemente15.
O modelo, ainda utilizado, tornou-se basilar dos estudos em ACD, porque entende claramente que o discurso é parte integrante de um processo social em que a linguagem pode limitar o poder do sujeito social. Propõe que os processos linguísticos imbricados no discurso podem empoderar o sujeito, ampliar a sua capacidade de ação e torná-lo agente consciente de seu poder. Sua base é a tridimensionalidade da produção comunicativa, dividida em três momentos claros (embora simultâneos) do discurso: o texto, a prática discursiva e a prática social. O autor, o autor engloba em sua proposta
[...] a tradição de análise textual e linguística detalhada na Linguística, a tradição macrossociológica de análise da prática social em relação às estruturas sociais e a tradição interpretativa ou macrossociológica de considerar que as pessoas produzem ativamente e entendem com base em procedimentos de senso comum partilhados. (FAIRCLOUGH, 2001, p. 100).
A figura a seguir ilusta a proposta:
Em uma análise top-down (de cima para baixo), a proposta do autor entende que são encontrados na análise da prática social os aspectos hegemônicos, nos quais se incluem os aspectos da prática social como orientações políticas, econômicas e
15 Sabidamente as discussões entre consciência e inconsciência das ideologias na prática discursiva é amplamente discutida na Academia. Vamos nos furtar desta discussão porque nossa proposta se imiscui num processo claro que envolve momentos de plena consciência, consciência parcial e inconsciência do sujeito quanto à ideologia (ou práxis) a que se filia. Uma discussão mais profunda a respeito pode ser vista, além dos trabalhos de Lacan e do próprio Freud, em LEBRUN, J.P. A perversão comum; viver juntos sem outro. Rio de Janeiro: Companhia de Freud, 2008.
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culturais; e ideológicos, que se consubstanciam nos sentidos atribuídos às palavras, no estilo textual, no uso metafórico e, ainda, nas pressuposições.
Na análise da prática discursiva, são relevantes as perspectivas determinadas pela produção, distribuição e consumo (visto que esses elementos consubstanciam o texto em determinado gênero) e o contexto, a força, a coerência e a intertextualidade que estabelece. E essas relações se formam parcialmente “fora do texto” e apontam para as implicações dos elementos contextuais de produção como, no caso da intertextualidade – por exemplo – a capacidade de os interlocutores efetivamente captarem as relações que um texto estabelece com outro.
Na análise textual são verificadas como as práticas discursiva e social se materializam. A análise volta-se para uma análise da estrutura textual, dos elementos gramaticais e coesivos e do próprio vocabulário. A figura a seguir ilustra melhor essas relações:
Figura 2 Análise top down (Fairclough 2001, adaptado)
Ao introduzir aspectos ideológicos e hegemônicos nos procedimentos de análise, automaticamente, são incluídos a historicidade, a relação do sujeito social com essa historicidade e o sistema de crenças e valores socioculturalmente formados. A linguagem é entendida como situada historicamente, constitutiva das relações e identidades sociais. A despeito da presença marcante de aspectos externos ao texto, alguns analistas mantêm a centralidade do texto na análise. Aspectos dos fraseados são tomados como foco, deixando de lado as outras relações que se imbricam na produção discursiva e a constituem como tal.
Isso se dá porque, para pôr em prática sua proposta, o autor passa a valer-se da LSF, seguindo as suas três macro-funções principais: a ideacional, a interpessoal e a textual.
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A figura a seguir mostra a relação entre texto e função textual, prática discursiva (ACD) e função interpessoal, e prática social e função ideacional (LSF):
MACRO-FUNÇÕES
LSF de Halliday
DIMENSÕES
ACD de Fairclough
Função Ideacional Prática social
(hegemonia e ideologia)
Função Interpessoal Prática discursiva
Função Textual Textos
Figura 3 Comparativo analítico ACD e LSF.
Fairclough entende a função ideacional mais fragmentada. Para ele, nos aspectos hegemônicos se entendem as relações do sujeito com o mundo (em que este se vale de metáforas, pressuposições e dos diversos sentidos possíveis no/do texto) e nos aspectos ideacionais, em que as relações socioculturais e econômicas orientam a sua prática discursiva, sem determiná-la ou delimitá-la.
Para cada nível de análise, na perspectiva tridimensional, são considerados aspectos distintos:
a) No nível textual, da prática linguística, temos a descrição de elementos materiais como as categorias linguísticas, lexicais, gramaticais e semânticas, o que se dá por intermédio da análise de operadores argumentativos, verbos, modalizadores, pronominalização etc.;
b) No nível da prática discursiva, temos a interpretação, que leva em consideração as condições de produção e circulação, a intertextualidade e o consumo de textos; e
c) No nível da prática social, entra a explicação dos dados considerando-se os aspectos hegemônicos, ideológicos e, por conseguinte, de mudança social. Este percurso é feito por meio de análises das relações hegemônicas, das transformações sociais, e das próprias ideologias subjacentes à prática linguística e discursiva.
A inserção de uma explicação dos aspectos hegemônicos que constituem o discurso e das relações deste com a transformação (ou mudança) social trazem uma perspectiva do próprio discurso como um lugar de poder, um lugar que o sujeito escolhe estar. Deixa de ser um lugar exercido pelo poder e passa a ser um lugar no qual o sujeito exerce o (seu) poder e luta por seus ideais e perspectivas. O discurso é o lugar em que o sujeito se legitima como pessoa com direito de fala; do qual pode manipular a ordem social.
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Na ACD, a relação estabelecida com o mundo se torna mais complexa, pois esta vê que em uma mesma identidade (ou identificação) do sujeito com o (e no) mundo persistem contradições dentro das próprias classes sociais por razões políticas e culturais. Isso faz com que as visões a que se filiam a ACD faircloughiana postulem movimentos sociais internos das classes. As classes não são estanques, como entende o Marxismo16, embora use a perspectiva de classe como um dos elementos constitutivos
da prática social.
As bases constitutivas da perspectiva de Fairclough (2001) se dão sob a influência clara de três grandes correntes de análise do século XX, a saber:
a) Karl Marx, especialmente o Marxismo Ocidental, que entende as relações de dominação e exploração como sendo determinadas e perpetuadas pela ideologia e pela cultura;
b) Michel Foucault, que traz as relações de poder intrínsecas à prática social para as relações discursivas e defende a linguagem como sendo um sistema de crenças capaz de regular a produção do saber e o exercício do poder com o objetivo de controlar a sociedade como um todo; e
c) Mikhail Bakhtin (Volochinov), que defende que toda produção discursiva é, automaticamente, uma produção ideológica e que ideologia é entendida enquanto componente do campo dos signos, elemento estrutural da sociedade e, ainda, como representação da realidade.
O passo seguinte do autor fomenta o entendimento de uma análise pentadimensional, que se forma especialmente da obra escrita em parceria com Lilie Chouliaraki, Discourse in late modernity: rethinking critical discourse analysis (1999), e de Analysing Discourse: textual analysis for social research (2003), ambas sem tradução para a Língua Portuguesa, mas amplamente utilizadas nos estudos em ACD no país.