Com a competitividade acirrada nos mercados consumidores, acelerada pela abertura
da economia a partir do governo Fernando Collor de Mello, as empresas tiveram que
intensificar suas ações e melhorar suas estratégias, principalmente no que tange à
administração e ao gerenciamento de pessoas.
De acordo com Castells (1999), a dinâmica tecnológica impulsiona o progresso
econômico e, com isso, faz-se necessário que as organizações tornem-se eficientes em seus
processos e estruturas. O autor evidencia a questão quando comenta sobre as novas regras e
tecnologias que aceleram o processo de mudança.
Mas, de fato, as empresas e os trabalhadores não terão muita escolha porque a concorrência, tanto local quanto global, impõe novas regras e novas tecnologias, eliminando gradualmente os agentes econômicos incapazes de obedecer às regras da nova economia. É por isso que a evolução da produtividade é inseparável das novas condições da competitividade. (CASTELLS, 1999, p. 136).
Decerto, a mão de obra em setores de alta tecnologia, como é o caso da EMBRAER,
requer trabalhadores preparados e capacitados para os desafios que uma indústria aeronáutica
global requer.
Grande parte desse processo iniciou-se com o modelo de reestruturação flexível dos
mercados de trabalho, dos produtos e padrões de consumo. O mercado de trabalho, de acordo
com Harvey (1992), passou por uma radical reestruturação, diante da forte volatilidade do
mercado, do aumento da competição e do estreitamento das margens de lucro; transformações
estas anteriormente apresentadas nas estruturas do mercado de trabalho pelo próprio Harvey.
Para o trabalhador da indústria global, o conhecimento técnico-científico aumenta sua
importância na luta pela competitividade e estabelecimento de seu emprego, proporcionando
maior capacidade de experiência e formação desta mão de obra. A valorização do trabalhador
se dará pelas ações do conhecimento, habilidades, atitudes e práticas que possa disponibilizar
para a organização na qual trabalha. Este conjunto de ações passa a ser entendido como um
modelo de competências necessário ao desenvolvimento do trabalhador na indústria global
moderna.
O conceito de competência pode ser utilizado como referência para a construção de
modelos de gestão e, também, como forma de compreender a gestão de pessoas em
organizações que conseguem responder às demandas impostas pelo ambiente, buscando
manter suas vantagens competitivas.
De acordo com Le Boterf e Zarifian (apud Dutra 2008, p.33), os autores exploram o
“conceito de competência associado à ideia de agregação de valor e entrega a determinado
contexto de forma independente do cargo, isto é, a partir da própria pessoa”.
Em Fleury (2002, p.55, Org.), o conceito de competências humanas pode ser definido
como: “um saber agir responsável e reconhecido que implica em mobilizar, integrar, transferir
conhecimentos, recursos, habilidades, que agregue valor econômico à organização e valor
social ao indivíduo”.
Para que esta mão de obra esteja preparada para os desafios competitivos globais, as
organizações veem na área de gestão de pessoas uma forte colaboração no processo de
recrutamento, treinamento e valorização das pessoas.
Segundo Dutra (2004), no Brasil dos anos 1990 inicia-se um novo olhar para a gestão
de pessoas, buscando não só sua integração com os objetivos estratégicos da empresa, mas
também a integração da gestão de pessoas em si.
Os grandes avanços vieram quando começamos a utilizar, com maior ênfase, o conceito de competência como entrega e agregação de valor, e a ele incorporamos conceitos complementares: o de complexidade e o de espaço ocupacional. A incorporação desses conceitos permitiu estender o uso da competência para trabalhar com questões ligadas a carreira e remuneração. Durante a segunda metade da década de 90, foi possível observar a rápida evolução do uso do conceito no aprimoramento
da gestão de pessoas. Hoje, a articulação entre os conceitos de competência, complexidade e espaço ocupacional permite maior envolvimento dos gestores na administração de pessoas e melhor avaliação das repercussões de suas decisões. (DUTRA, 2004, p. 35).