• No results found

Key awareness issues

In document Human Rights Monitoring (sider 25-36)

O estágio centrou-se, sobretudo, na observação de aulas regidas pelas orientadoras cooperantes de cada uma das disciplinas. Nesta fase do percurso académico, o período de observação de aulas revelou-se de maior importância sendo que permitiu conhecer os alunos mas também tomar consciência dos deveres e responsabilidade que a profissão acarreta. As aulas observadas serviram como fonte de inspiração e motivação para as aulas que lecionei.

Assim, os dados reunidos a partir da observação do ensino/aprendizagem foram fundamentais para a compreensão desta prática profissional. As reflexões que se seguem centrar-se-ão na apresentação e discussão desta experiência.

4.1 Aulas de Português

O período de observação das aulas de Português coincidiu com a lecionação dos seguintes conteúdos pragmáticos: Fernando Pessoa – Texto lírico; Mensagem e Os

Lusíadas; Felizmente Há Luar! de Luís de Sttau Monteiro e Memorial do Convento de

José Saramago.

Ao longo das diferentes unidades temáticas, a professora coperante promoveu várias estratégias e atividades que permitiram trabalhar os principais domínios da

47

disciplina de Português, não esquecendo que “ uma das funções básicas da escola é proporcionar aos aprendentes, mediante o convívio reflectido com os textos, o desenvolvimento pleno das capacidades inerentes ao acto da leitura e da escrita, quer dos hábitos e valores que as promovem e transformam em práticas culturais efectivas”.

Uma das estratégias consistia em colocar uma questão no início da aula, de modo a avaliar os conhecimentos e cativar a atenção dos alunos, mas também prepará-los para o momento de leitura que se seguia. A leitura era realizada, normalmente, por um aluno escolhido de forma aleatória. No caso de este não conseguir ler de forma expressiva, a professora interrompia a leitura e exemplificava, permitindo ao aluno repensar a sua prática. No final da leitura dos textos (poemas, excerto de obras, textos de apoio….), era realizada pela professora e alunos um breve resumo do que foi dito, permitindo à professora tomar consciência do que foi aprendido e as dificuldades ainda presentes.

Durante as aulas foi realizada a leitura de excertos pertinentes das obras

Felizmente Há Luar! e Memorial do Convento, exigindo da parte da professora um

maior esforço no sentido de estimular os alunos. No caso de Memorial do Convento, embora os alunos já tivessem assistido à representação teatral da obra, a professora começou por facultar uma visão abrangente da mesma, em relação ao seu conteúdo, complexidade e interesse. Esta estratégia permitiu fomentar interesses e expetativas de leitura nos alunos. A leitura foi orientada no sentido de proporcionar no contexto de sala de aula momentos de diálogo e de reflexão, permitindo aos alunos partilhar de forma crítica acerca do que leram e viram. Este momento permitiu que os alunos vivenciassem a pluralidade de significados de um texto.

Assim, consciente de que a leitura é um elemento fundamental no processo de aprendizagem, organização e construção do conhecimento, a professora procurou proporcionar a melhoria do desempenho e gosto por esta entre os alunos. Porém, sendo que “a literatura não rouba tempo à escrita, antes abre espaço à atenção de determinados fenómenos linguísticos e retóricos essenciais à aquisição da competência de uso escrito”, a escrita teve o seu momento de planificação e execução em sala de aula, permitindo ao aluno apropriar-se dos mecanismos básicos que a sustentam.

O processo de escrita fez-se notar nas aulas de português, essencialmente, em atividades relacionadas com a leitura, tomada de notas e momentos de avaliação. Porém, destaco a aula do dia 18 de janeiro de 2012, na qual a professora trabalhou com os alunos os sub-processos da escrita: a planificação, produção e revisão.

48

A professora começou por pedir aos alunos que escrevessem no caderno o seguinte excerto:

“A mesma esquizofrénica humanidade capaz de enviar instrumentos a um planeta para estudar a composição das suas rochas, assiste indiferente à morte de milhões de pessoas assiste indiferente à morte de milhões de pessoas pela fome. Chega-se mais facilmente a Marte do que o nosso próprio semelhante”. Saramago

O primeiro passo, que consistiu em identificar a palavra-chave da citação, não representou qualquer dificuldade para os alunos. Em seguida, a professora pediu que, a partir da palavra-chave, identificassem os aspetos mais importantes para que pudessem passar para a planificação do texto.

Antes da realização do plano os alunos colocaram a questão se podiam discordar da citação. A professora explicou que no caso de discordarem deveriam referi-lo na introdução, mesmo que seja de forma subtil. Esclarecida a dúvida, seguiu-se a planificação do texto que resultou no seguinte esquema:

Introdução

Apresentação do tema: bipolaridade da humanidade. Desenvolvimento:

1. Argumento: Evolução da ciência e da tecnologia. Exemplo: aparelhos informatizados (sondas, satélites).

2. Argumento: A indiferença da humanidade face ao sofrimento dos homens. Exemplo: a crise humanitária.

3. Argumento: Tentativas inúteis de combate à fome: reuniões de grandes potências (burocracias).

Conclusão

Visão pessoal sobre o tema. Apresentação de uma proposta, pensamento ou retoma da citação.

Terminado o esquema, a professora fez referência à importância de reverem o texto produzido, a fim de identificar alguns erros. Embora o exercício não tenha resultado na produção de um texto escrito, revelou-se de maior importância tendo em conta que a maioria dos alunos não realiza a planificação e a revisão do texto.

49

A oralidade esteve presente na sala de aula, sobretudo, como meio para a transmissão de conteúdos, partilha de saberes, opiniões nas apresentações nas obras de leitura contratual. Porém, a professora tentou propiciar momentos de avaliação oral, por exemplo, pedindo aos alunos que realizassem uma síntese oral do conteúdo de aulas anteriores.

4.2 Aulas de Latim

O período de observação das aulas de Latim coincidiu com a lecionação dos seguintes conteúdos pragmáticos: A educação e o ensino – Puerorum Educativo; a organização social – De Romanae socioetatis classibus; o orador: o político e o forense e as profissões – De polpuli romani negotiis; a vida em sociedade – De populi romani

otiis e a expansão de Roma no Mediterrâneo – Romae extra Italiam prolatio.

Tendo como princípio o de que o estudo da língua latina deve partir sempre do texto e não de frases isoladas ou descontextualizadas, grande parte das aulas de latim foram dedicadas à leitura, tradução e análise de textos. E porque aprender latim passa por entender/conhecer uma outra cultura, as aulas do início de cada unidade didática incidiram sobre o estudo da civilização e cultura clássicas. Os alunos puderam assim beneficiar no momento da tradução de um conjunto de conhecimentos pré-adquiridos, que facilitaram a contextualização do texto.

No que diz respeito à leitura de textos latinos, a professora optou por pedir aos alunos que realizassem uma primeira leitura em casa. Depois, no contexto de sala de aula, a leitura realizada pelos alunos foi seguida atentamente pela professora, que interrompeu sempre que necessário. Findada a leitura, seguiu-se o momento de tradução textual.

Confrontada com as dificuldades de alguns alunos, a professora permitiu que, sobre o seu olhar atento, trabalhassem a tradução em pares, para que o aluno mais “capaz” pudesse estimular o aluno com mais dificuldades. À medida que a tradução ia sendo realizada, a professora foi solicitando a alguns alunos que apresentassem a sua proposta de tradução, da frase em questão, no quadro. A tradução era precedida da análise morfossintática o que permitiu que a tradução se tornasse mais clara para o aluno. Sempre que um aluno apresentava uma proposta de tradução, a professora

50

perguntava se alguém tinha traduzido de maneira diferente. É importante que os alunos percebam que a mesma frase em latim pode apresentar diferentes traduções.

O estudo da gramática surge em seguimento da tradução do texto, através dos exercícios propostos pelo manual ou pela professora. Partir do texto para o estudo da gramática facilita a aprendizagem uma vez que o vocabulário é do conhecimento do aluno.

Importa neste momento referir que durante o período de estágio tive a oportunidade de assistir à lecionação das aulas da minha colega de estágio. Assistir à atuação de alguém com o mesmo tipo de formação, confrontada com situações análogas àquelas com que também eu tinha de lidar, permitiu-me aprender algo mais enquanto professora e refletir com um outro olhar sobre o papel e desempenho do professor estagiário. Permitiu que nos apoiássemos e trocássemos ideias sobre os conteúdos e as turmas, tornando a aprendizagem mais agradável e enriquecedora.

51

In document Human Rights Monitoring (sider 25-36)