6 Funn fra evalueringen
6.1 KAT-deltakernes erfaringer
Na pesquisa social empírica, é comum o contraste entre esses dois modelos de investigação em que, de um lado teríamos pesquisas de caráter explicativo causal a nível macro e, de outro, pesquisas contextuais que se realizam a partir do entendimento das razões dos indivíduos, deixando de lado qualquer pretensão explicativa e centrando-se na compreensão interpretativa das relações sociais. Por vezes, esse entendimento também acompanha outras divisões, como a que entende que ao primeiro modelo estaria restrito o estudo quantitativo e ao segundo o trabalho qualitativo.
Essas afinidades ocorrem por alguns motivos. Muitas vezes, a pesquisa quantitativa tem o experimento como ideal a ser buscado e o uso de contrafactuais serve a esse fim, na medida em que se compara e controla dois grupos idênticos com um elemento diferente em um dos grupos, para se avaliar o efeito específico desse elemento selecionado: o controle estatístico nas regressões tenta se aproximar desse ideal experimental (BABBIE, 2003, pág. 56). Além do mais, modelos de regressão só funcionam com uma série de pressupostos
sobre a distribuição normal dos dados, pressuposto também na natureza, fundamentando- se, então, na busca por regularidades, fundamentalmente.
Por outro lado, a pesquisa qualitativa se distinguiria por aquilo que Geertz chama de “descrição densa” (GEERTZ, 2008) o esgotamento da descrição dos fenômenos e a ideia de que o entendimento do que ocorre está nas ações e nas motivações dos indivíduos e não em fatores externos aos mesmos, seguindo aqui a linha traçada por Weber do estudo do sentido subjetivamente visado pelos indivíduos. Tal metodologia está bem presente em trabalhos qualitativos, etnografias de maneira geral e análises de discurso.
Os analistas de discurso estão interessados nos textos em si mesmos, em vez de considerá-los como um meio de “chegar a” alguma realidade que é pensada como existindo por detrás do discurso – seja ela social, psicológica ou material. Este enfoque separa claramente analistas de discurso de alguns outros cientistas sociais, cujo interesse na linguagem é geralmente limitado a descobrir “o que realmente aconteceu”, ou qual é realmente a atitude de um indivíduo com respeito a X,Y ou Z. Ao invés de ver o discurso como um caminho para outra realidade, os analistas de discurso estão interessados no conteúdo e na organização dos textos (BAUER & GASKELL,2002 ,pág. 247).
Além do mais, parece ser o caso que pesquisas quantitativas tendem a buscar maior validade externa (generalização para outros fenômenos semelhantes ou para a sociedade em geral) e que pesquisas qualitativas separem menos o âmbito narrativo dos entrevistados e o plano factual em estudo, como vimos na pesquisa sobre a atuação do PCC.
Apesar dessas afinidades entre métodos e princípios de investigação, o que pretendemos explorar nessa dissertação é a via média ocupada por Giddens nessa suposta separação. Se alguns princípios metodológicos não são privilégio de uma ou outra abordagem – como, por exemplo, o combate ao viés de confirmação; a busca da neutralidade axiológica,; e o interesse por padrões sociais (BABBIE, 2003) – veremos como Giddens entende que a explicação causal também não o é, através de uma ontologia social que contempla a dissolução de outros supostos dualismos, mas tendo, nesse trabalho, a causalidade como núcleo de interesse central.
Como veremos no último capítulo, a posição de Giddens é que as separações não são tao radicais assim, visto que, se de um lado pesquisas etnográficas como a que realizamos estão plenamente autorizadas a afirmar a existência de causalidades, sem com
isso se comprometer com qualquer relação invariante no mundo social, por outro é exigido amplo conhecimento hermenêutico e contextual em pesquisas quantitativas.22 Além do
mais, em alguns casos a pesquisa qualitativa pode buscar generalizações e a pesquisa quantitativa não é necessariamente causal, em grande parte das vezes possuindo caráter descritivo ou exploratório e necessitando da dimensão contextual significante na investigação. Antes de chegar lá, porém, discutiremos os fundamentos teóricos e filosóficos que fundamentam tal divisão nas ciências sociais, especialmente no que se refere ao lugar da causalidade, problema estreitamente relacionado a questão do naturalismo metodológico. Vejamos.
22 “Apesar da distinção aparentemente clara entre métodos qualitativos e quantitativos, alguns sociólogos afirmam que a divisão não é tão sólida como se pensava. Alguns métodos qualitativos também envolvem métricas numéricas e, por outro lado, alguns métodos ostensivamente quantitativos analisam declarações consideradas significativas (Bryman, 2012). Os pesquisadores qualitativos usam softwares para analisar enormes quantidades de texto e material de entrevistas, codificando, classificando e quantificando-os, enquanto alguns estudos quantitativos são realizados por meio de entrevistas semiestruturadas que permitem aos participantes ir além da estrutura fixa de questionários de pesquisadores. O estudo de pesquisas também se interessa pelas atitudes e opiniões das pessoas, o que sugere uma preocupação com significados e interpretação, ao passo que as conclusões retiradas de muitos estudos observacionais da interação social pressupõem implicitamente uma aplicação mais geral. (…) Alguns pesquisadores qualitativos argumentam que mensuração e verificação estatística não são adequadas para o estudo de seres humanos criadores de significado, enquanto pesquisadores quantitativos acham muitos dos métodos adotados por sociólogos qualitativos subjetivos demais para serem confiáveis e irremediavelmente individualistas. Contudo, um número cada vez maior de projetos adota hoje abordagens de ‘métodos mistos’, que aplicam tanto o método quantitativo quanto o qualitativo. As descobertas consistentes com os métodos quantitativos e qualitativos tendem a ser mais válidas e confiáveis do que as obtidas aplicando-se apenas um deles” (GIDDENS & SUTTON, 2017,pág. 56 e 57).