Um dos primeiros estudos a avaliar os benefícios da AtenFar ocorreu entre junho de 1992 a novembro de 1995, através do estudo Minnesota Pharmaceutical
Care Project conduzido por Strand, Cipolle e Morley. Contou-se com a colaboração
de 54 farmacêuticos de 20 farmácias comunitárias do estado de Minnesota nos Estados Unidos, além da indústria farmacêutica, organizações do setor farmacêutico entre outros. O estudo envolveu uma população, após um ano, de 5480 indivíduos alocados em dois grupos diferentes, os mais jovens (com idade maior ou igual a 21 anos) e os mais velhos (igual ou superior a 65 anos). Após um ano da aplicação, constatou-se que a maioria dos pacientes alcançou seus resultados farmacoterapêuticos e, ainda, mostrou uma relação custo-benefício favorável (CIPOLLE; STRAND; MORLEY, 2000).
Outro estudo de importância foi o de Hepler e Grainger-Rosseau (1995), em que aplicou o Therapeutic Outcomes Monitoring (TOM) a pacientes com asma. Os pacientes responderam de maneira positiva ao processo de AtenFar.
Muitos estudos têm sido publicados na literatura desde a publicação de Hepler e Strand (1990). Llimós, Faus e Martin (2001), em artigo de revisão,
analisaram a evolução dos estudos promovidos em Atenfar durante a década de 90. Cerca de 2.510 trabalhos foram achados com o verbete “pharmaceutical care”. Os países que mais contribuíram com publicações foram: EUA (1.984), Reino Unido (139), Holanda (107), Canadá (92), Alemanha (61), Espanha (40) entre outros.
Várias condições clínicas são estudadas em AtenFar, desde ao acompanhamento de pacientes em condições clínicas especializadas (por exemplo, pacientes com asma) ao atendimento global, entendendo-se como prestação de AtenFar a pacientes com diferentes condições clínicas em um mesmo grupo de estudo (COSTA; DUGAN; Van MIL, 2004). É importante ressaltar, também, a contribuição dos estudos para os diversos níveis de atuação do farmacêutico, que pode ser realizado em ambulatórios, domicílios, hospitais, entre outros.
Um estudo realizado por Armando et al. (2001) na província de Córdoba, Argentina, envolveu 31 farmacêuticos atendendo a 129 pacientes. Foi realizado um treinamento com esses profissionais, utilizando-se a metodologia Dáder de Seguimento Farmacoterapêutico, dividindo-os em grupos com reuniões de casos clínicos realizados a cada 3 semanas. Constatou-se que 81 PRM ocorreram em 34% desses pacientes, dos quais 80% foram resolucionados por meio das intervenções realizadas frente aos prescritores e pacientes.
Castro et al. (2004), acompanhando 22 pacientes ingressos em um hospital de Córdoba, detectaram 108 PRM (1 PRM para cada 2,6 paciente-dia ingresso). Desses, 64 eram evitáveis o que levou a 97 intervenções farmacêuticas (89,8% dos casos), atuando com a equipe médica em 63 (58%) dos PRM detectados e resolvendo 46 PRM (42%).
Morancho Echevarría et al. (2004) avaliaram o impacto de um programa de AtenFar na adesão aos anti-retrovirais. Tratou-se de um estudo multicêntrico observacional e prospectivo, o qual captou pacientes de 19 hospitais espanhóis incluindo-se 541 pacientes. Concluem, com dados estatisticamente significativos, que os pacientes em estudo apresentaram uma boa evolução virológica e imunológica, além de haver uma tendência à adesão ao tratamento com anti- retrovirais.
Clifford et al. (2005) acompanharam 198 pacientes diabéticos tipo II na Austrália, demonstrando que, após 12 meses de acompanhamento por um programa de AtenFar, pode-se constatar reduções benéficas de fatores de risco cardiovascular, mais notadamente, do controle glicêmico e pressão arterial
sangüínea. Concluíram, ainda, que a AtenFar pode promover melhorias dos níveis de hemoglobina glicada nesses pacientes mesmo sem alterações na farmacoterapia desses pacientes.
Amariles e Giraldo (2003) relataram o impacto de um programa de AtenFar promovido na Colômbia. Utilizando a metodologia Dáder de Seguimento Farmacoterapêutico, acompanharam 498 pacientes em duas etapas: a primeira, de fevereiro a junho de 2002; a segunda, de fevereiro a junho de 2003. Foram detectados 92 PRM (0,2 PRM por paciente), além de 508 problemas relacionados ao uso de medicamentos (PRUM), que é relativo a causas preveníveis de PRM (prescrição, dispensação, administração ou uso por parte do paciente ou cuidador, incluindo-se falhas no sistema de abastecimento e distribuição de medicamentos). Resolveram-se 90,2% dos PRM e 87,2% dos PRUM. Esses autores avaliaram, também, que houve uma redução de U$ 8.959,7 dólares em gastos de saúde com os pacientes do programa, quando comparado ao mesmo período de tempo do ano anterior.
Embora muitos estudos tenham demonstrado resultados positivos, essa nova prática necessita ser mais explorada e estudada, com metodologias apropriadas que dêem maior consistência e acurácia aos resultados. Propõe-se que sejam delineados estudos experimentais, controlados a fim de comprovar a eficácia da AtenFar, baseando-se em resultados clínicos, humanísticos e econômicos. Essa prática, no entanto, é complexa e de acordo com Wong e equipe colaboradora (2004) pode-se estudá-la seguindo-se as etapas propostas para ensaios clínicos.
Diante dessa proposta, vários autores realizaram ensaios clínicos a fim de mensurar, mediante estudos controlados e randomizados, a eficácia de programas de AtenFar a diferentes pacientes com diversas morbidades, tais como: hipertensão arterial sistêmica, depressão, insuficiência cardíaca congestiva, entre outras condições clínicas (CASTRO et al., 2006; BROOK et al., 2003; SADIK; YOUSIF; MCELNAY, 2005).
No Brasil, há uma evolução dos estudos promovidos nessa área, pode-se citar os estudos promovidos por Castro et al. (2006), Lyra (2005) envolvendo pacientes hipertensos. O primeiro baseou-se em ensaio clínico, o qual demonstrou que a atuação do farmacêutico mostrou significância clínica dos resultados. O segundo, acompanhou 30 pacientes por um ano mostrando resultados clínicos e humanísticos favoráveis.
Um fato marcante para pesquisa em AtenFar no Brasil decorre da publicação do edital lançado no final de 2005, o Edital MCT-CNPq/MS-SCTIEDECIT-DAF – N° 54/2005, que contemplou 11 projetos de pesquisa na área em diferentes aplicabilidades, incluindo-se Doença de Chagas. Alem disso, em maio de 2006 foi realizado o 1º. Seminário Internacional para Implementação da AtenFar no SUS (BRASIL, 2006). Nesse foram apresentados vários trabalhos realizados em todo Brasil, enfatizando-se que há uma disseminação da prática profissional e uma preocupação em pesquisá-la.
3 OBJETIVOS
3.1 Geral
• Analisar os agravos à saúde provocados pelo tratamento com BNZ em pacientes chagásicos a partir de índices de qualidade de vida e da prevalência de problema relacionado a medicamento (PRM)
3.2 Específicos
• Descrever as características sociodemográficas, clínicas e farmacológicas dos usuários de BNZ;
• Analisar a prevalência de PRM e verificar suas causas e conseqüências na qualidade de vida desses pacientes;
• Analisar a ocorrência e causas de RAM durante o tratamento com BNZ;
• Comparar os resultados de qualidade de vida antes e após o tratamento com BNZ.