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2.2 Logopedisk behandling av løpsk tale

2.2.1 Kartlegging

O terceiro ciclo começou a se formar com a construção de Brasília, que veio fortalecer o crescimento das cidades em Goiás e Mato Grosso. Os primeiros fluxos migratórios da década de 1960 começaram a exercer pressão sobre a cidade, de estrutura urbana despreparada para absorvê-la. Com o início da construção da rodovia Cuiabá/Porto Velho, Cuiabá deixou de ser uma cidade de fim de linha para assumir a posição de medianeira urbana do projeto de ‘integração nacional’ da Amazônia; “o povo começa a ser expropriado de seu papel histórico de artífice do urbano e o capital, através da especulação imobiliária, assume as decisões sobre o crescimento da cidade, impondo regras de seu interesse.” (FREIRE, 1988, p.55-57) As frentes pioneiras avançavam sobre o norte mato-grossense e Cuiabá se transformava em uma importante base urbana de apoio ao processo de expansão. FIGUEIREDO (1979, p.174) explica a sede de progresso e modernidade que invadiu Cuiabá nesse período. “O moderno caracterizou-se pela aversão ao antigo que, imediatamente, passou a significar atraso, anacronismo, incapacidade para o progresso. A rivalidade com Campo Grande acentuava-se na medida que esta se enriquecia e se transformava. Goiânia, de sua parte, contribuía também para que Cuiabá sentisse mais diretamente os ‘desconfortos do antigo’, pois era exemplo de cidade moderna e progressista.(...) De certa forma, tudo isso gerou uma inibição que levou o cuiabano a esquecer a sua tradição e importância, dando as costas para o passado no intento de receber uma imagem progressista e inovadora.” Para FREIRE (1988, p.65-66) “esse processo caracteriza-se pela oscilação entre perda e ganho. Inicialmente, a perda se materializa na destruição da arquitetura tradicional; o ganho se concretiza na modernização de suas funções, no campo econômico e cultural. (...) Essas contradições fazem do centro um espaço de ambiguidades. É, ao mesmo tempo, interiorano e cosmopolita, aconchegante e inóspito.”

FREIRE (1992, p.55) afirma que o cuiabano questionava a importância das tradições de sua cidade, da arquitetura de seus casarões e edifícios públicos, baseando-se em novos conceitos e preconceitos sobre o progresso. Para muitos, os modelos para as novas construções e os novos caminhos para o crescimento da cidade deveriam ser buscados lá fora e não no interior das nossas tradições, já que o progresso caminhava de fora para dentro. Ao lado das novas construções, tudo parecia velho e ultrapassado. O que fosse diferente do velho, não importando a sua qualidade, impunha-se como expressão do novo, do moderno. O preço do progresso passou a ser a imposição do novo pela destruição do velho, instalando-se assim um doloroso e agressivo processo de modernização para a cidade. “O antigo começou a ser visto como um entrave ao progresso. A arquitetura cuiabana foi desprezada por endinheirados e poderosos que, por sua vez, ergueram pelos quatro cantos da cidade as residências modernosas, com colunatas do Palácio da Alvorada, cravadas de pedras, colunas em V ou palitos, na famigerada ânsia de parecer opulento e avançado.” (FIGUEIREDO, 1979, p.174-175) Com a demolição dos antigos edifícios, a cidade encontrou um passe livre para a sua descaracterização. Sem as suas referências, a sociedade foi desestimulada a preservar sua cidade, suas casas, suas tradições.

Após um longo período de estagnação, devido principalmente à distância e ao seu isolamento das grandes cidades, Cuiabá vem se transformando rapidamente, muitas

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vezes ignorando as limitações existentes no centro antigo da cidade. “No caso da estrutura espacial da Região Centro-Oeste, na atualidade, identificam-se espaços construídos na fase em que a mineração do ouro foi o fator de um processo de apropriação do solo e construção de espaços. Os núcleos urbanos surgidos naquela época estão na estrutura espacial atual, como marcos daquele processo. Isto é evidenciado na paisagem urbana de Cuiabá, no trecho correspondente ao centro comercial antigo, com o casario, o traçado das ruas e as igrejas construídas no Século XVIII.”(IBGE, 1988, p.243).

Foi marcante o acelerado processo de urbanização que ocorreu principalmente a partir da segunda metade da década de 1970 na cidade de Cuiabá, contrastando com a situação anterior relativamente estável. PÓVOAS (1980, p.27) comenta o “violento processo de transformação da velha cidade colonial. As antigas casas, no centro urbano, foram cedendo lugar aos edifícios destinados às sedes dos hotéis, dos bancos, das repartições públicas, das lojas e das galerias. As grandes residências foram sendo divididas e transformadas as suas fachadas: por entre elas foram surgindo construções de moderna arquitetura; ruas foram sendo alargadas; avenidas foram sendo rasgadas; novos bairros foram surgindo e por toda a parte o requintado gosto das novas construções foi transformando inteiramente o aspecto da vetusta capital mato-grossense.”

Para FREIRE (1992) a área central é a própria história da cidade; o espaço urbano e a arquitetura conferem-lhe personalidade (fig.6.24). Porém, o acelerado desenvolvimento dos últimos anos vem exercendo forte pressão sobre o centro, provocando sua descaracterização e alterando as relações entre seus componentes. A estrutura das ruas, delineada no século XVIII (fig.6.25 a 6.27), não comporta a verticalização maciça que hoje cerca a área central da cidade. O trânsito foi ficando cada vez mais difícil nessas áreas e, hoje, o acesso de veículos já não é permitido em algumas ruas, transformadas em calçadões. Restam pouquíssimos moradores no centro histórico. Os edifícios foram transformados em lojas, galerias comerciais e repartições públicas; uns encontram-se bem conservados, outros descaracterizados e muitos em estado de abandono. Nas ruas do centro, algumas antigas construções ainda resistem, apesar de descaracterizadas ou escondidas sob as falsas marquises e os anúncios do comércio. Em alguns trechos, o trânsito de veículos ainda é permitido, mesmo com ruas e calçadas extremamente estreitas.

Figura 6.24 - Vista do centro antigo da cidade em janeiro de 1995. Comparar com as figuras 6.3 e 6.12, que mostram o mesmo local em meados do século XVIII e início do século XX,

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Figura 6.25 - Rua Galdino Pimentel, conhecida como Rua de Baixo, no centro antigo de Cuiabá. (foto D. Duarte)

Figura 6.26- Rua Campo Grande, no centro antigo de Cuiabá. (foto D. Duarte)

Figura 6.27- Entroncamento da Rua do Meio com a Travessa 21 de Abril, conhecida como Beco Torto, no centro antigo de Cuiabá. (foto J. Calsinski)

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Nos anos 1970 o PDLI – Plano de Desenvolvimento Local Integrado traçou as diretrizes da organização físico-territorial do espaço urbano de Cuiabá, e propostas do projeto CURA - Comunidades Urbanas de Renovação Acelerada, para os bairros Lixeira, Quilombo e Araés (fig.6.28), foram colocadas em prática. As propostas incluíam a criação de praças, considerando os vazios existentes em algumas quadras que eram utilizados como campo de pelada, e onde era perfeitamente viável a implantação de equipamentos de lazer. Foram previstos grandes canteiros entrecortados por caminhos e patamares dotados de bancos e equipamentos de play- ground, com arborização intensa utilizando-se espécies nativas (Cuiabá. Projeto Cura Cuiabá, [s.d.]). Na época, em muitos bairros antigos predominava a ocupação espontânea, isenta de qualquer diretriz inicial, que acabou resultando num sistema viário bastante desordenado. As vias locais eram pouco definidas, e não se podia identificar sequer um alinhamento para as construções mais antigas. A maioria delas se encontrava junto às vias públicas, sem recuo frontal, com áreas verdes privativas nos centros das quadras.

Figura 6.28 – Bairro Araés antes e depois da intervenção do CURA. (fonte: Cuiabá. Prefeitura Municipal de Cuiabá. Projeto Cura Cuiabá)

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A partir dos anos 1970 a ocupação de novas áreas, além dos limites ocupados pela cidade, tornou-se uma necessidade frente ao crescimento que a cidade vivia na época. Uma das áreas mais importantes foi o CPA, que surgiu com a decisão de se direcionar um dos eixos de crescimento da cidade para essa região e transferir os órgãos do Governo do Estado para a nova área (fig.6.29 e 6.30). De acordo com FREIRE (1992, p.10-15), o CPA foi uma proposta dos técnicos ligados à Prefeitura Municipal e ao Governo do Estado, no final dos anos 60, trabalhando sobre a planta de Cuiabá e sobre sua realidade. “Havia urgência de que a cidade se estruturasse para crescer sem maiores sofrimentos. Novas áreas deveriam ser planejadas e dotadas de infra-estrutura básica necessária à sua ocupação racional (...) O centro da cidade, espaço inicial do surgimento de Cuiabá, começava a se congestionar pelo movimento provocado essencialmente pelos órgãos do governo localizados nessa área e pela rede bancária em expansão.”

A área hoje conhecida como CPA “reuniu maior número de vantagens: facilidade para apropriação do terreno pelos vários projetos a serem implantados; maior facilidade para lançamento da infra-estrutura; qualidade do solo; área com mais de 100 metros de altitude, em média, acima do centro da cidade, propiciando melhores condições de clima; terras pertencentes ao Estado, com apenas 12% de terrenos titulados de propriedade particular; e, fator muito relevante, prolongamento natural do principal eixo urbano, a avenida Tenente Coronel Duarte, a nossa avenida da Prainha. A 5 quilômetros de Cuiabá, a nova sede do Governo seria um polo de atração do crescimento da cidade, formando com o Centro Histórico e a Universidade Federal um triângulo de forças que deveriam provocar o adensamento da cidade em áreas mais favoráveis, possibilitando, ainda, a preservação do nosso patrimônio arquitetônico, encontrado, basicamente, na área setecentista do centro. (...) A avenida do CPA, hoje Rubens de Mendonça, então projetada, não seria apenas uma ligação do Centro Histórico com o Centro Político. Atravessando Zona prioritária para o replanejamento, deveria assumir o papel de eixo ordenador do espaço nas suas vizinhanças (...) uma grande avenida com infra-estrutura que dá suporte à adequada verticalização dos edifícios (...)” Na opinião de FREIRE (1992, p.16) não há dúvida quanto ao acerto da decisão. Hoje, após a implantação dos conjuntos habitacionais CPA I, II, III e IV, próximos aos Centro Político Administrativo, a área tem mais de 150.000 habitantes (fig.6.31).

De acordo com FREIRE (1992, p.32, 51-52), hoje, um dos maiores problemas da cidade está no crescimento urbano sem o aumento significativo da produção agrícola e industrial, sem o suporte do desenvolvimento de uma economia urbana consistente, submetendo a cidade a um verdadeiro ‘inchamento’ urbano. “Estamos vivendo uma incrível experiência, nestes tempos em que Cuiabá, após duzentos e tantos anos de crescimento vegetativo e lento, viu-se alcançada e invadida por um processo que estrangula e estraçalha, e ao mesmo tempo redescobre seu destino. Ponto de apoio decisivo à conquista e expansão de novas fronteiras, recebe gente de todos os cantos, todas as pronúncias, todos os costumes, todas as diferentes nuances que compõem esse rico tecido das culturas brasileiras. (...) Sob o encanto da promessa de progresso, estamos vivendo um momento de conflito entre preservar e desenvolver, quando a cultura tradicional se antepõe às formas de produção tecnológica. De resto, uma luta assistida por todas as sociedades do mundo moderno.“

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Figura 6.29 – Vista da Av. do CPA em 1980, próximo ao viaduto da Av. Miguel Sutil, no sentido Centro-CPA. (foto: A. Duarte)

Figura 6.30– Vista do CPA em 1980 no sentido CPA-Centro.(foto: A. Duarte)

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