A partir da observação que fizemos na redacção do Público online e tendo em conta as reflexões acima expostas podemos confirmar as hipóteses 3 e 4 propostas neste estudo.
Concluímos, portanto, que os ciberjornalistas fazem pouco ou nenhum uso do hipertexto para indicar fontes adicionais ou de contextualização e também que, ainda que as especificidades do meio proporcionem o uso de novas linguagens a rotina do ciberjornal – condicionada pelas questões de tempo, pelo baixo numero de integrantes da equipe, pela falta de alguns recursos tecnológicos e por alguma resistência em aplicar ao ciberjornalismo às especificidades da Internet – os ciberjornalistas não conseguem aproveitar as potencialidades da Internet para uma pluralização das fontes utilizadas, ainda que este ponto seja unanimidade enquanto factor potencializador da qualidade do produto jornalístico
CONCLUSÃO
Através dos dados obtidos na análise de conteúdo e na observação realizada na redacção do Público online encontramos resultados que, para além de confirmarem as hipóteses propostas neste trabalho, servem para construir uma imagem de como os ciberjornalistas portugueses trabalham, quais os constrangimentos que os afectam mais e a sua implicação no processo de produção da notícia.
Com base nos dados que encontramos, por mais que outros tipos de fontes sejam utilizados, um número considerável de notícias (37,3%) é construída com base em uma única fonte de informação e o número de peças com pelo menos uma fonte de cada tipo é muito baixo (6,8%). Ainda que alguns ciberjornais tenham tido melhor desempenho que outros (o Público teve o melhor desempenho, e o Correio da Manhã o pior), os números ficam aquém do ideal, demonstrando, portanto, que a diversidade das fontes utilizadas é muito baixa, confirmando, assim, a Hipótese 1, também corroborada pelo facto de que o número de peças que citam o cidadão enquanto produtor de conteúdo online como fonte é muito baixo, seja em forma de citação em peças (1,5%) ou através de links para o espaço onde o conteúdo é publicado (4,5%).
Com relação aos tipos de fontes utilizadas, concluímos que a grande maioria das fontes consultadas e citadas são fontes autorizadas (36,6%) e representativas (23,7%), tanto no resultado global, quanto nos resultados individuais de cada ciberjornal, confirmando, portanto, a Hipótese 2 destes trabalho.
A análise que realizamos demonstrou também que os ciberjornalistas utilizam poucos links para indicar novas fontes ou fontes originais (surgem em apenas 11,8% das peças). Através das entrevistas e da observação constatamos que o hipertexto também é pouquíssimo usado na construção da narrativa ciberjornalística. A junção desses dados confirma a Hipótese 3 que propusemos. Estes resultados são, pelo que pudemo s observar na redacção do Público Online, resultado dos desfasamentos tecnológicos e pelo facto de a maior parte dos ciberjornalistas ainda não estarem totalmente convencidos da narrativa ciberjornalística construída em blocos e ligada por hisperlinks. Ainda que alguns demonstrem estar cientes da importância desse aspecto do ciberjornalismo, a opção por não utilizar links em quantidade é uma regra editorial que, ainda que não seja oficial, é seida pela mair parte dos jornalistas. Entre os que não concordam com o uso de links intratextuais, por exemplo, a justificativa é estética, sob o
argumento de que a ideia de que os links no meio do texto confundem e atrapalham o leitor.
Ainda que sob uma perspectiva relativista, tendo em conta que as rotinas mudam de redacção para redacção, a imagem que conseguimos construir das rotinas e modos de produção do ciberjornalismo permitem-nos afirmar que alguns elementos da rotina do ciberjornalista não permitem que estes aproveitem todas as potencialidades do meio. Sendo assim, durante a observação e tendo em conta os dados colectados nas entrevistas, confirmamos a Hipótese 4 ao constatar que: o número reduzido de membros nas equipes, somado à rapidez com que se tem de executar as tarefas e ainda ao facto de o ciberjornal ter menos atenção e recursos materiais que as outras versões da marca editorial, fazem com que os ciberjornalistas não disponham de meios para desenvolver mais trabalhos multimédia e tempo para ter contactos mais aproximados com as fontes e cultivá-las, de forma a poder chegar a novas fontes sobre o mesmo assunto. Os desfasamentos técnicos também influenciam no uso do hipertexto e a interactividade – real, entre jornalistas e o público – fica prejudicada pela falta de tempo e de pessoal.
Conseguimos responder, portanto, a nossa pergunta de investigação, propondo que o espectro de fontes de informação utilizadas pelos ciberjornalistas não tem mais pluralidade pela conjugação dos factores acima citados, que, dento da rotina e da organização de trabalho dos ciberjornalistas contribuem para os resultados apresentados. Concluímos também que, a pluralidade das fontes de informação, apesar de atribuir qualidade ao produto noticioso ainda não pode ser considerado um parâmetro de qualidade específico do ciberjornalismo, enquanto os ciberjornalistas não tiverem meios e possibilidades para explorar as potencialidades da Internet que possibilitam essa pluralização de facto.
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