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De acordo com Olabuenaga e Ispiúza (apud MORAES, 1999), a análise de conteúdo é uma técnica utilizada para a leitura e interpretação do conteúdo proveniente de qualquer classe de documentos que, quando analisados adequadamente, nos possibilita o acesso ao conhecimento dos aspectos e fenômenos da vida social. Essa análise foi realizada em cinco etapas, conforme definição de Moraes (1999), organizadas da seguinte maneira:

1ª Etapa: Preparação das informações: Nesta etapa, realizamos a codificação dos elementos da pesquisa, onde estabelecemos um código para cada participante. Observando os procedimentos e princípios da ética recomendados para a realização da coleta de dados com seres humanos, identificamos os participantes com letras combinadas com números. Dessa forma, as mães foram identificadas pela letra “m” maiúscula, seguida do número correspondente à ordem da coleta realizada: M1...,

M2..., M3... O mesmo ocorreu ao registrarmos as entrevistas com os profissionais, os quais foram identificados pela letra “p” maiúscula: P1, P2 e P3, conforme consta nos quadros acima.

Ainda nesta primeira etapa, buscou-se um processo de familiarização com os dados, no qual cada entrevista transcrita foi codificada, lida diversas vezes, juntamente com uma nova escuta da gravação. Este procedimento teve como objetivo verificar a transcrição correta das falas e outros aspectos cruciais como pausas, silêncios, ênfases, etc. Ao completarmos esta importante fase de preparação do material, passamos para a fase seguinte.

2ª Etapa: Unitarização do conteúdo: Após prepararmos e relermos cuidadosamente os materiais, iniciamos o processo de transformação dos dados brutos em unidades de análise. Cada texto de cada entrevista sofreu o que Moraes (2006) chama de “desconstrução e unitarização” do texto. Elegemos e destacamos alguns termos amplos e questões que freqüentemente apareciam nos relatos, os quais estavam diretamente implicados com o objetivo geral de nossa pesquisa. Agrupamos as falas de acordo com os termos e as identificamos, utilizando numerais. Por exemplo, a entrevista M1 recebeu em suas unidades o código 1.1, 1.2, 1.3 e assim por diante. Dessa forma, conseguimos isolar nossas “unidades de significado”, que são os elementos com os quais trabalhamos na etapa seguinte.

3ª Etapa: Classificação das unidades em categorias: Nesta etapa, também conhecida como etapa de categorização, passamos a agrupar dados semelhantes observados a partir das unidades de significado destacadas em cada entrevista. Neste processo, algumas categorias emergiram e outras tantas foram definidas a priori. Este exercício de agrupar dados semelhantes foi realizado diversas vezes, pois em alguns momentos em que voltávamos a ler um material já classificado, percebíamos a necessidade de reagruparmos para uma melhor classificação. Passamos então para a quarta etapa.

4ª Etapa: Descrição: De acordo com Moraes (1999), após a definição das categorias, o próximo passo é a descrição, o qual constitui-se no primeiro momento da comunicação dos resultados do trabalho. Para cada categoria eleita, produzimos um pequeno texto, através do qual expressamos os significados captados e intuídos nas mensagens lidas.

5ª Etapa: Interpretação: Nesta última etapa do processo, interpretamos todos os significados captados e destacados, fazendo uma ponte com a fundamentação teórica pesquisada,

Ao nos preocuparmos em seguir uma determinada metodologia para a análise dos dados coletados, buscamos alcançar a rigorosidade científica necessária a qualquer pesquisa, seja ela qualitativa ou quantitativa. O resultado poderá ser conferido na seção seguinte.

7 ANÁLISE DE DADOS

Nesta seção apresentamos a análise dos discursos de mães de bebês deficientes visuais (cegos e com baixa visão), procurando identificar o processo de adaptação destas mães, a partir da constatação da deficiência de seu (sua) filho (a). A maior parte das mães entrevistadas tiveram a oportunidade de serem atendidas por serviços de intervenção precoce, fato também observado em nossa análise. Após, analisamos os discursos de profissionais envolvidos com estes atendimentos, a fim de verificarmos suas crenças e teorias a respeito do trabalho de intervenção precoce com bebês deficientes da visão.

A partir da apresentação e análise dos discursos, propomos uma inter-relação entre os resultados apresentados, elucidando convergências entre o ponto de vista das mães e dos profissionais. O critério para a escolha dos entrevistados, no caso das mães, baseou-se na exigência de terem filhos com deficiência visual, cujas crianças apresentaram esta deficiência desde o início da vida. Para os profissionais, o critério escolhido foi o envolvimento atual com algum serviço de estimulação precoce para bebês com deficiência visual, ou mesmo a experiência passada de forma significativa em trabalho de intervenção com esta clientela.

Para o melhor aproveitamento do material coletado, os discursos foram agrupados em categorias e subcategorias, que foram criadas a partir do recorte e agrupamento das falas dos entrevistados, de acordo com a orientação recebida a partir do estudo da análise textual. A partir da análise dos discursos das mães, surgiram as seguintes categorias:

Quadro 4 - Categorias e subcategorias das mães (M) CATEGORIAS SUBCATEGORIAS Angústia Desorientação Sentimento de culpa Emoções emergentes Baixa-estima

Relação mãe-bebê Tipo de vínculo estabelecido O olhar das outras pessoas Influências sociais na relação mãe-

bebê A comunicação do diagnóstico

Enfrentando a realidade

Indícios de uma adaptação positiva Contribuições da intervenção precoce Adaptação materna à realidade

Importância do contato com outras mães

Da mesma forma, as informações a partir das entrevistas realizadas com os profissionais também foram organizadas em categorias e subcategorias, configurando o seguinte quadro:

Quadro 5 - Categorias e subcategorias profissionais (P):

CATEGORIAS SUBCATEGORIAS Conhecimentos específicos Habilidades O perfil do profissional Competências Fundamentos Teóricos Objetivos do trabalho Metodologia Foco do trabalho O trabalho de intervenção

precoce e sua estrutura

Planejamento e avaliação