Kapittel 3: Personer, konflikter og plot
3.2 Prosjekt- og konfliktakser i Vårnatt
3.2.5 Karl
Na era moderna, o corpo era tratado como uma máquina que precisava de consertos em suas partes, portanto, de ser recuperado para voltar a produzir. Foi assim que historicamente se aprendeu e se ensinou o cuidado, ensinamentos que ainda refletem na formação contemporânea. Os estudos mostraram, nesse contexto, um processo socioeconômico, político, evolutivo que culminou com a reforma sanitária brasileira de 1988, a qual trouxe novos conceitos sobre saúde e um novo modelo de atenção proposto pelo SUS.
O percurso epistemológico desta viagem nos levou a fazer importantes reflexões e aprendizados acerca da formação para o cuidado, sob diferentes pores-do-sol. Aprendemos que atenção, formação e gestão estão acopladas a uma estrutura organizacional do Sistema de Único de Saúde-SUS. Não se modificam estruturas sem afetar organizações. Para a verdadeira implantação do SUS no Brasil, precisa-se mudar, inicialmente, o pensamento dos
profissionais, educadores e gestores, e corporalizar este pensamento reformado no cotidiano dos serviços.
Como educadora, pesquisadora e Borboleta do Cuidado, tendo algum tempo atrás vivenciado o processo de metamorfose pelo pensamento moriniano, desejante por mudanças, voei em busca de novos espaços para a formação em Enfermagem, espaços que não tivessem territórios de conhecimentos individualizados, fronteiriços, mas que promovessem a religação e a incerteza, havendo um terceiro incluído; espaços que possibilitassem uma formação integral do ser cuidador.
Em busca desse lugar, visitei novos planetas, onde encontrei o universo da humanescência! Lá, aprende-se uma nova forma de ensinar a cuidar, pois se encontram as condições para corporalização do pensamento complexo. Foi possível conhecer a realidade de um mundo onde a ludicidade, criatividade, sensibilidade e reflexidade são essências lembradas e vivenciadas pelos humanos daquele universo. O lúdico é uma condição biológica humana capaz de unir o sensível e o racional no processo criativo. Foi maravilhoso sentir a energia daquele universo, dos seres que o habitavam, das suas luminescências. Tudo parecia se expandir naquele universo! Nada era estático, ou separado. Tudo era integrado, acoplado.
Conhecedora desse novo pôr-do-sol, pude voar mais alto, levando o Pequeno Príncipe a pousar comigo no Universo Humanescente Facex, meu lugar! Espaço onde vivenciamos a implantação de um curso de Enfermagem com currículo aberto à criatividade e à vida, que explora o desconhecido, acolhe o inesperado, possibilitando novas emergências e incentivando novas transcendências que vão além do conhecimento disciplinar.
Foi nesse universo que montei o casulo do sentipensar, o Ateliê de Formação Humana Autopoiética, lugar onde ocorreram as metamorfoses a partir dos sujeitos existenciais, onde educadores se auto-organizam mediante vivências de processos intersubjetivos, bem como da recuperação de suas histórias de vida, de suas memórias.
Naquele espaço, foram possibilitadas outras metamorfoses que geraram novas Borboletas, novos Educadores luminescentes! Foi a corporalização do pensamento complexo, dos acoplamentos, das adaptações estruturais, do transcender de novos horizontes, do humanescer como forma de ser e estar no mundo. O reencantar da educação!
No Ateliê de Formação Humana Autopoiética é vivenciada a capacidade peculiar da corporeidade de irradiar energia positiva quando se depara com situações e emoções que possibilitam a liberação de um fluxo energético multidirecional e multifocal para si, para os outros e para o entorno.
Considerando a minha implicabilidade, enquanto docente e pesquisadora desse processo, foi possível vivenciar algumas teorias (rejeitar algumas hipóteses) a partir das falas dos sujeitos humanopoiéticos, educadores (Borboletas luminescentes) pós-metamorfose e dos diferentes instrumentos construídos e vividos no decorrer daquela vivência no casulo do
sentipensar.
Para o pensamento complexo moriniano, os educadores são seres vivos da espécie
homo sapiens demens, que trazem em si potenciais genéticos, sociais e filéticos que poderão
se expandir em sua máxima plenitude, de acordo com as condições e seu tempo de existência; um potencial autopoiético docente, que, na cultura acadêmica atual, em sua maioria, está reprimido; uma cultura universitária que tem na ciência a totalidade do conhecimento, que não possibilita o diálogo entre ciência e tradição, emoção e razão.
As universidades, espaços de formação para o cuidado em saúde, de preparação para atuar com a integralidade no SUS, têm desconsiderado o educador como humano, ou seja, como o único ser consciente/reflexivo - dos que conhecemos - que foi brindado pela vida com o poder e a responsabilidade de tornar-se sujeito desse desenvolvimento, como pessoa e como coletividade, portanto, capaz de autofazer-se, de auto-reconhecer-se e de auto-organizar-se.
Vivenciar a implantação de um currículo transdisciplinar na formação em saúde/enfermagem tem me possibilitado uma constante aprendizagem, auto-organização, um ressignificar de muitos valores e crenças sobre o cuidado e a educação.
É fundamental, na implantação dessa realidade transdisciplinar, a própria possibilidade de não conseguir viabilizá-la, pois somos seres inacabados e, portanto, possíveis de limitações. Nas falas dos educadores (Borboletas luminescentes), muitos foram os desabafos, as dificuldades sentidas em relação a essa forma de desenvolver o processo educativo. No início, a transdisciplinaridade era vista como algo distante, teórico, complicado. Foi a partir das vivências que os saberes disciplinares se associaram aos saberes humanescentes, ocorrendo o fluir da organização interdisciplinar dos conteúdos para a atitude transdisciplinar docente.
Na maioria dos educadores (Borboletas luminescentes) que frequentaram o casulo do
sentipensar, os estados de autotelia, autoterritorialidade, autoconectividade, autovalia e
autofruição foram revelados. As metamorfoses auto-organizativas refletiam nos espaços do curso. A experiência se expandiu pelos espaços da Faculdade e do sistema de saúde. Hoje, a Formação Humanescente em Enfermagem ganhou asas para voar, chegando a outras instituições de formação e de gestão. Ministramos cursos e oficinas a profissionais de outras
instituições de ensino, aos profissionais da Secretaria Municipal de Saúde de Natal e da Secretaria Estadual de Saúde do Rio Grande do Norte.
A autopoiese docente também já fluiu por outros espaços da pesquisa. No decorrer desses três anos de implantação do curso, mais de vinte trabalhos foram apresentados em congressos nacionais e internacionais, referentes à experiência da formação humanescente transdisciplinar em Enfermagem.
Muitos foram os voos vivenciados na experiencialidade da implantação do curso de Enfermagem da Facex, especialmente da autopoiese docente, horizonte bifurcado, de diferentes possibilidades, onde todas as ações acontecem a partir de interações mútuas entre sujeito, entre sujeito e objeto ou o sujeito e seu meio. Ideias, pensamentos, sentimentos, emoções e valores influenciam a construção desse espaço humanescente. Nele, toda ação cognitiva é uma ação guiada, pois percepção e ação são inseparáveis nos processos cognitivos e evoluem juntos sob fluxos energéticos e informacionais. Este universo da humanescência impulsiona o aparecimento de novas configurações estruturais que continuamente emergem nos sistemas vivos que compõem o processo formativo. São as mudanças estruturais que ocorrem sem perda de organização viva.
A possibilidade de novos horizontes na formação para o cuidado em saúde/ enfermagem é sempre reafirmado. A experiência vivenciada no curso revelou a existência de caminhos que levam a um currículo e a uma atitude transdisciplinar. Foi possível transitar em diferentes territórios do conhecimento, aprendendo a conhecer, a fazer, a ser e a conviver, ou seja, envolvendo toda a corporeidade nos acoplamentos com o entorno, capacitando os discentes para um cuidado que visa à autonomia do sujeito.
A formação humana autopoiética do educador é, portanto, uma questão fundamental para o reencantar da educação, visto que a existência desse espaço viabiliza a ecologia dos saberes, o sentipensar: o fluir de novos fundamentos para iluminar as práticas educativas. Complexidade e transdisciplinaridade caminham juntas pelas trilhas da corporeidade.
Assim, chego ao término dessa outra viagem, agora epistemológica e transdisciplinar. Sei que todo momento de despedida é também um momento de emoção, de sensibilidade, de tristeza, mas não quero que fiquem tristes amigos leitores. Desejo que possam viver as emoções que me emocionaram durante todo este percurso, que possam se sensibilizar como me sensibilizei ao vivenciar uma nova forma de ensinar a cuidar, que acreditem nas possibilidades dos sonhos, como eu acreditei!
Esta viagem é a narrativa da transformação de um sonho em realidade. Um sonho que foi gerado por mim, com a ajuda das minhas mentoras intelectuais, há quatro anos, e que hoje
é uma realidade vivida por essa Borboleta encantada com a vida, com a enfermagem, com a educação e com a pesquisa.
Obrigada, amigos leitores, por terem tido a paciência de ler todo meu relato, e por terem indiretamente contribuído para a realização deste sonho. Não chorem, apenas abram seus corações!
5.2 A DESPEDIDA: PARTINDO MEU CORAÇÃO