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Karin og Halfvor: Den dagligdagse samtalen

Uma atividade é por definição um sistema formado por vozes múltiplas. A análise da atividade proporciona a sistematização e entendimento dessas vozes, com diferentes pontos de vista (ENGESTRÖN, 1999).

A atividade é determinada não só pelo desenvolvimento individual, mas também pelo desenvolvimento histórico sociocultural da sociedade (VIGOTSKY, 1978). Um indivíduo aprende normas, padrões e regras de comportamento que são desenvolvidas pela sociedade, logo o aspecto cultural é um importante elemento constituinte da atividade, que também pode ser vista como um conjunto de significados sociais compartilhados, os quais são internalizados pelos indivíduos na execução de uma tarefa (BEDNY et al., 2007).

O Homem age na natureza, indiretamente, por meio do uso de artefatos especiais que possuem uma função de mediação. Em primeira instância, há o uso físico do artefato, para depois ocorrer também um processo interno de ressignificação do mesmo (BEDNY et al., 2007). Sob o ponto de vista de Vigotsky (1978), a internalização envolve um processo social e mecanismos semióticos, ou seja, a incorporação de como o trabalhador ou usuário percebe o que o rodeia e quais reações esses elementos provocam.

O processo de internalização é acompanhado por uma mudança na estrutura da atividade, estando esta transformação relacionada ao trabalho colaborativo e às interações sociais (BEDNY e KARWOWSKY, 2007). É a internalização dos artefatos, ou seja, a significação dos mesmos sob os aspectos cultural e social, o que reforça a Teoria da Atividade. O uso dos artefatos condiciona e determina as ações durante a realização da atividade. O trabalho e o uso dos artefatos alteram a natureza do objeto de trabalho e o próprio trabalhador, levando a um processo dinâmico, em constante mudança, que diante da variabilidade e processos autorregulatórios, ocorre a realimentação entre atividade e ação (BÉGUIN, 2003; BEDNY e KARWOWSKY, 2007).

Por sua vez, Engeströn (1999) propõe um modelo que visa expor as inter-relações entre o sujeito e seu ambiente, em que por meio de artefatos físicos ou abstratos de mediação, o objeto de trabalho (objetivo prescrito) é moldado e transformado pela atividade em resultado (Figura 4).

Figura 4. Modelo de atividade de Engeströn (1999).

Fonte: Engeströn (1999).

Para o autor, o sujeito está organizado em comunidades formadas por múltiplos indivíduos e/ou subgrupos que compartilham do mesmo objeto. Por sua vez, as relações entre sujeito e comunidade são reguladas por meio de regras, normas e procedimentos que guiam essas interações. Já a comunidade relaciona-se com o objeto por meio da divisão do trabalho e distribuição de tarefas entre os participantes do sistema de atividade.

Em alguns casos, a alteração em um dos mediadores da atividade trazidos por Engeströn (1999), tais como o artefato, o objeto, o ator, as regras, a comunidade e a divisão do trabalho, pode funcionar como habilitador, permitindo a mudança da atividade em vários níveis, corroborando com a visão de Daniellou (2004; 2007). De acordo com Kaptelinin et al. (1997), esses mediadores conectam os sujeitos ao mundo, colaborando para a elaboração de estratégias de ação diante das situações encontradas e desenvolvimento do conhecimento acerca da situação e artefato.

“uma ferramenta media uma atividade que conecta um indivíduo não somente com o mundo dos objetos, mas também com outros indivíduos. Isso significa que a atividade de uma pessoa assimila a experiência da humanidade.” (LEONTIEV, 1978).

Para Bedny et al. (2007), a comunidade na qual o indivíduo está inserido media as regras que descrevem como os sujeitos devem atuar e suas crenças, o que influencia seu desempenho.

Durante o curso da história, os artefatos e métodos foram desenvolvidos, com suas características, gradualmente, acumuladas e selecionadas. O entendimento das mudanças e

Objeto Divisão do trabalho Comunidade Regras Sujeito Artefato Resultado

evolução do trabalho ao longo do tempo é importante para o estudo do desempenho humano e para o entendimento do desenvolvimento da gênese de determinada atividade. Logo, é importante o estudo do resultado da atividade e da lógica de transformação do artefato no produto desejado - instrumento.

A modificação do artefato pode incluir não só a transformação física do mesmo, mas também sua classificação, ou seja, a mudança de sua função, de acordo com o objetivo requisitado. Objetos também podem incluir elementos do contexto no qual os sujeitos executam sua tarefa. Isso é realizado com o intuito do usuário regular suas interações com o mundo externo e os outros.

Bucciarelli (1988; 1994) define o projeto como um processo social, que requer trocas e negociações entre os diferentes conjuntos de pessoas que o compõe, com perspectivas e valores distintos. Partindo deste contexto, tal conceito deriva do fato que cada participante do processo de projeto pensa e trabalha conforme seu próprio modelo instrumental, fundamentado em sua competência técnica. Pode-se falar que cada mundo objeto possui seu próprio sistema de símbolos, metáforas e modelos, instrumentos e sensibilidade para determinados ofícios.

Bucciarelli (2002; 2003) reafirma o conceito de mundo objeto e aponta que a linguagem de um mundo objeto é mais que palavras, símbolos e sinais e cita outros elementos que fazem parte deste mundo específico, como por exemplo, instrumentos especializados, protótipos, maquetes, ferramentas, formas gráficas de representação, esboços e desenhos mais formais.

Dada tais condições, o mesmo autor propõe a construção de pontes entre os mundos objetos para que propostas, preferências, reivindicações e requisitos dos participantes possam ter coerência entre eles, por meio do uso de uma linguagem comum ou menos especializada. Por meio desta, os artefatos que compõem os elementos de comunicação são os mesmos apresentados anteriormente: esboços, desenhos, maquetes, protótipos, entre outros. A diferença é que ao invés destes elementos serem construídos de forma individual, através de uma única perspectiva e com um nível alto de detalhamento, eles serão colocados à vista de todos desde o princípio, servindo como um quadro em aberto para a exploração e proposição das pessoas.

Se antes os participantes de projeto entregavam conhecimentos detalhados e exatos, agora eles devem prover um espaço para deliberação e tomada de decisão. Os elementos de troca propostos por Bucciarelli (2002; 2003) podem ser explorados e compreendidos pelos conceitos de objeto intermediário e objeto de fronteira.