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Karbonmonoksid (CO)

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2 Måleprogram

2.2 Målemetoder, mulige kilder til forurensning og mulige

2.2.5 Karbonmonoksid (CO)

Segundo Marc-Henry Soulet, é possível considerar que as teorias da acção são esquematicamente estruturadas em torno de uma dupla tensão. Por um lado, os teóricos da escolha racional, que defendem o pressuposto de que os fins conduzem a acção em função do interesse ou da utilidade; e por outro lado, os teóricos da convencionalidade, que defendem ser o respeito pelas normas e o desejo de preservar as pertenças sociais que estruturam a acção dos indivíduos. Quer a orientação pelos fins da acção, quer a orientação pelas normas sociais, segundo este autor, têm limitações na compreensão da acção social, sobretudo em contextos onde existe uma grande variabilidade e ilisibilidade das normas, como é o caso dos contextos de acção marcados pela incerteza (Soulet, 2003:133). Haenni-Emery e Soulet (2006:4) elaboram três tipos-ideais dos quadros da acção, de forma a realçar a especificidade do agir em contexto de in- quietude (Soulet, 2006a:27). O quadro de acção marcado pela “estabilidade estrutural”, dando como exemplo o caso da acção no contexto da burocracia estatal. O quadro de acção marcado pela “estabilidade instável”, dando como exemplo o autor, as trocas de mercado. O quadro de acção marcado pela “instabilidade estrutural”, cujo exemplo tipo encontra no trabalho social.

Os três quadros de acção segundo Haenni-Emery e Marc-Henry Soulet:

A instituição total (Estabilidade estrutural) A instituição instituinte (Estabilidade instável) A instituição incerta (Instabilidade estrutural) Relação ao futuro

Certeza de que tudo é estável

Incerteza relativa Certeza de que tudo é incerto

Relação à instituição

Fiança Confiança Desconfiança

Condições formais da acção

Agir supõe seguir a certeza

Agir supõe jogar com o risco para o tentar controlar

Agir supõe reduzir a incerteza

Natureza do agir

Agir conforme Agir estratégico Agir poiético Quadro adaptado de Haenni-Emery e Soulet (2006:4).

50 Num quadro de acção marcado pela “estabilidade estrutural” e pelo constrangimento normativo, predomina um peso elevado da rotina, uma presença excessiva de regras no ordenamento da vida quotidiana e uma crença na continuidade inabalável do cimento do mundo. Este contexto é caracterizado por um agir conforme, o que pressupõe que se siga a certeza, ou em alternativa, um agir de resistência, para contornar o excesso de constrangimento (Soulet, 2006a:27). Num quadro de acção deste tipo o mundo social é percebido como “indo por si” e a acção pode ser programada e planificada para que os meios da acção se ajustem aos fins da acção. No caso do segundo cenário, o de um quadro de acção marcado pela “estabilidade instável” estamos em presença de um modelo caracterizado pela presença, suficiente mas não excessiva, de normas e de estruturas da acção social. Este é um quadro que permite um mínimo de previsibilidade, mas ao mesmo tempo é suficientemente flexível para permitir o evoluir do curso da acção. O risco existe, mas é passível de controlo, a acção é incerta no que toca aos seus resultados, mas decorre num quadro configuracional, que por ser conhecido, permite uma insegurança relativa. A confiança é central neste contexto de acção, confiança na estabilidade do enquadramento da acção, confiança na capacidade de se chegar a resultados desejáveis e confiança nos próprios recursos mobilizáveis para agir (Soulet, 2006a:28). O agir supõe aqui jogar com o risco para o tentar controlar e ao contrário do quadro de acção marcado pela estabilidade estrutural onde predomina um agir conforme, aqui ganha centralidade o agir estratégico. O quadro de acção caracterizado pela incerteza estrutural é marcado por possibilidades do agir assentes num “deficit” de regras e de regulações normativas. A incerteza diz respeito não só aos resultados da acção mas também ao enquadramento em que esta se desenrola. Na relação dos actores ao futuro a única certeza possível é que toda a acção é incerta, o que torna muito difícil fazer projecções e construir acções dirigidas para um fim aprioristicamente definido. A relação às instituições é marcada pela desconfiança e as condições formais da acção assentam na busca da redução da incerteza. Reduzir as incertezas, num quadro de acção marcado pela instabilidade estrutural torna-se o motor principal da acção, a sua finalidade principal (Haenni-Emery e Soulet, 2006:5).

Como referem estes dois autores:

“As características de um contexto deste tipo encerram neste sentido a acção num prazo muito

curto e impedem toda a projecção, inclusivamente num futuro próximo. A incerteza, enquanto quadro de acção, impede o actor de identificar as regras do jogo e fazendo isto, priva-o de um

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quadro normativo claro sobre os quais os recursos do agir se fundam habitualmente. Desde logo, torna-se praticamente impossível de prever os resultados da sua acção assim como a acção do outro em retorno” (idem:5).

Também a avaliação da pertinência dos recursos disponíveis levanta problemas num contexto de acção de frágil estruturação normativa. A pertinência dos recursos a mobilizar no decurso da acção só é possível descortinar no decorrer da própria acção. A natureza do agir em contexto de instabilidade estrutural é marcada pelo agir poiético. A acção realiza-se no decorrer da acção. Ela faz-se à medida que se faz fazendo. Segundo Haenni-Emery e Soulet (2006:5) os trabalhadores do social, tais como os assistentes sociais e os educadores, experimentam quotidianamente a incerteza nos seus contextos de trabalho, sendo a característica fundamental do seu agir esta capacidade de lidar com a ausência de regras e de suportes. Os trabalhadores sociais são confrontados em permanência com a dupla injunção, uma vez que têm que co-construir com os utentes uma ideia de futuro, um projecto de vida e em simultâneo, têm eles próprios, que dar conta de dificuldades consideráveis ligadas à incerteza do seu próprio contexto de acção. Para além disso confrontam-se ainda com um terceiro grande desafio, o de terem que ser muitas das vezes os artesãos da constituição da sua instituição de pertença. Como referem Haenni-Emery e Soulet: “Não somente a instituição não assegura mais o

seu papel de suporte ao agir dos intervenientes mas a sua própria existência depende dos actos que eles realizam, contribuindo assim para a (re) criação diária” (idem: 2006:5). Fica claro então que um quadro de acção marcado pela incerteza levanta problemas novos à acção.

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