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Karakterutvikling: flate og runde karakterer

4. Karakter- og identitetsutvikling

4.1. Karakterutvikling: flate og runde karakterer

Quanto aos aspectos metodológicos, foi feita uma revisão da literatura, cujo desenho metodológico tem caráter qualitativo por mostrar-se o mais apropriado para se entrar em contato com a natureza do fenômeno em estudo (ontologia), de acordo com seus aspectos epistemológicos. Para Flick (2009), a pesquisa qualitativa é de particular relevância ao estudo das relações sociais devido à pluralização das esferas de vida, que se dirige à análise de casos concretos, partindo das expressões e atividades das pessoas em seus contextos locais e temporais. Assim, os métodos adotados foram a Análise Comparativa Qualitativa (Ragin, 1987) e a Análise de Conteúdo (Bardin, 1977), conforme detalhamento neste capítulo.

Este trabalho tem como objeto de estudo múltiplos casos e busca fazer um estudo comparativo entre países. Nesse sentido, uma vertente de análise empírica qualitativa que parece relevante, que começa a ser conhecida e utilizada também no Brasil, é o método denominado de Análise Comparativa Qualitativa ou, do inglês, Qualitative Comparative Analysis (QCA), originalmente proposta por Charles C. Ragin, estudioso norte-americano que publicou The Comparative Method em 1987, e fez chegar esse método a um público mais amplo. Além disso, a abreviação em inglês (QCA) da Análise Comparativa Qualitativa, como também é utilizada em outras línguas, foi adotada neste trabalho.

Segundo Wagemann (2012), o subtítulo que Ragin deu a seu livro, Moving Beyond Qualitative and Quantitative Strategies, indica que observou seu trabalho também como parte de

uma discussão metodológica mais ampla, entre perspectivas qualitativas e quantitativas, muito importante no período em que nasceu o livro The Comparative Method, que teve uma influência nos anos sucessivos. Ariza e Gandini (2012) esclarecem que é precisamente a seleção dos casos de estudo e alguns supostos epistemológicos os que inclinam esse método mais em direção ao espectro das perspectivas metodológicas qualitativas que quantitativas: i) a validade da análise não se sustenta na variabilidade estatística, mas na avaliação qualitativa do conjunto, condições e situações causais vinculadas com o resultado; ii) os casos observados não têm importância por seu peso quantitativo, mas por sua singularidade, onde um tem o mesmo peso ou relevância de muitos; iii) os casos examinados são tratados de maneira holística, ou seja, cada um deles é visto como uma unidade integrada por uma complexa combinação de propriedades; iv) as combinações causais obtidas são contextuais e adquirem inteligibilidade por meio de um cuidadoso processo de interpretação do pesquisador em estreito diálogo com a teoria, que não são autoevidentes e tampouco constituem um produto per se dos recursos técnicos empregados (álgebra booleana, pacotes computacionais); v) a ênfase do esforço analítico se situa na profundidade do conhecimento dos casos.

Nos últimos anos, foram publicadas várias obras que descrevem e ensinam sobre o método QCA (Ragin, 1987; 2000; 2007; Rihoux, 2006; Rihoux e Ragin, 2009; Schneider e Wagemann, 2012). Isso porque a introdução do QCA contribuiu de maneira essencial ao desenvolvimento da metodologia das ciências sociais pelo menos por quatro razões (WAGEMANN, 2012):

1. Com o livro, Ragin oferece à pesquisa comparada um método sistemático, preciso e fundamentado na matemática (álgebra booleana e álgebra fuzzy) e na lógica formal, a qual – desde sua perspectiva – fazia falta. A álgebra e os algoritmos expostos por Ragin imediatamente levaram os pesquisadores a usar técnicas estandardizadas e bem-definidas inclusive na pesquisa não estatística.

2. Por meio da Análise Qualitativa Comparativa (QCA), Ragin propôs uma técnica que permitia analisar, inclusive, um número mediano de casos, pois a numerosidade podia ser muito alta para o uso de técnicas empregadas nos estudos de caso, mas, ao mesmo tempo, muito baixa para desenvolver uma análise estatística.

3. A QCA é também um método que permite que o número de variáveis seja superior ao número de casos – questão que é considerada um vínculo relevante na maior parte das

pesquisas comparadas.

4. Ragin apresentou o método QCA como uma estratégia para analisar hipóteses baseadas em set-theoretic relations, ou seja, relações entre conjuntos (hipóteses do tipo «se… então…»). Esse aspecto se converteu em um ponto relevante desse método.

Apesar dessa grande contribuição da QCA, na América Latina e em geral no mundo de língua espanhola, a discussão sobre esse método não é ainda amplo, como ocorre em outros países, como Bélgica, Alemanha, Suíça, nos países escandinavos e, inclusive, no Japão (WAGEMANN, 2012).

Por definição, o método comparativo é usado somente quando o número de casos relevantes é muito pequeno para permitir que o pesquisador estabeleça controle estatístico sobre as condições e causas de variação em fenômenos sociais. Embora o número de casos relevantes para uma análise certamente imponha restrições ao rigor, muitas vezes, é a combinação natural das explicações de ciência social comparativa e o caráter holístico do método comparativo que militam contra esse tipo de rigor (RAGIN, 1987). Nesse tipo de amostragem, a seleção dos casos não procura alcançar a representatividade estatística, mas aproveitar ao máximo a informação que possa se derivar de um conjunto reduzido de casos, ou de casos considerados únicos dentro da problemática que se estuda (FLYVBJERG, 2004).

Desde a visão de Ragin (1987), o número de casos não é uma limitação, mas uma opção deliberada do pesquisador, pois um objetivo central da pesquisa comparativa é conseguir a estreita familiarização com cada caso. O conhecimento dos casos é um fim em si mesmo que não pode ser alcançado quando esses são muito numerosos, mas além de qualquer outro fim que se persiga (RAGIN, 2007).

Nesses desafios gerais que enfrentam as metodologias qualitativas, a Análise Qualitativa Comparativa (QCA) responde de duas maneiras complementares: 1) propõe uma cuidadosa seleção, teoricamente fundamentada, dos casos a comparar; 2) recorre, com apoio da álgebra booleana, a métodos formais de sistematização da informação e de exploração exaustiva das condições causais logicamente possíveis, que dotem de precisão a interpretação causal, permitam a transparência e a replicabilidade da análise empírica, e fortaleçam a capacidade de generalização. A cuidadosa seleção dos casos a contrastar e o minucioso tratamento analítico da informação, como proposto por Ragin (1987), servem à finalidade de assegurar a validade e a confiabilidade da pesquisa (RIHOUX; RAGIN, 2009).

Finalmente, Ragin (1987, p. 16) destaca que “o método comparativo obriga o pesquisador a se familiarizar com os casos relevantes para a análise”. Nessa perspectiva, utilizou-se como metódo complementar a Análise de Conteúdo, que permitiu o aprofundamento no conhecimento de cada caso, bem como a ampliação da capacidade explicativa do fênomeno em estudo.

Obra mais popular sobre esse método no Brasil é o da professora de psicologia da Universidade da Paris, Laurence Bardin, que publicou o livro L’analyse de contenu, em 1977, traduzido no mesmo ano para a língua portuguesa, na versão impressa em Portugal, com o título Análise de Conteúdo.

Contudo, a análise de conteúdo desenvolveu-se nos Estados Unidos, no início do século XX, a partir dos estudos na Escola de Jornalismo de Columbia, no qual H. Lasswell é considerado um dos pioneiros e que, contando com o aumento de pesquisadores especializados, publicou obras sobre o tema com diversos colaboradores (BARDIN, 1977).

De acordo com Bardin (1977), a análise de conteúdo é um conjunto de técnicas de análise das comunicações que utiliza procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, cuja intenção é a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção ou, eventualmente, de recepção, que recorre a indicadores, quantitativos ou não. Além disso, Bardin (1977, p. 158) ressalta que a análise qualitativa não rejeita toda e qualquer forma de quantificação. “A análise de conteúdo é um método que pode ser aplicado tanto na pesquisa quantitativa como na investigação qualitativa, mas com aplicação diferente”.

Esse método, que começou com a análise de material jornalístico, hoje é muito utilizado no tratamento de transcrições de entrevistas e de documentos institucionais. E há mais de dez anos, a análise de conteúdo já se mostrava como uma das técnicas de análise de dados mais utilizadas no campo da administração no Brasil, especialmente nas pesquisas qualitativas (Dellagnelo; Silva, 2005), e isso foi ratificado mais recentemente por Mozzato e Grzybovski (2011). E, segundo pesquisas atuais, a análise de conteúdo também têm grande destaque em nível internacional (VALLET-BELLMUNT, MARTÍNEZ-FERNÁNDEZ, CAPÓ-VICEDO, 2011; CAPÓ-VICEDO et al., 2011; MARTÍNEZ-FERNÁNDEZ, CAPÓ-VICEDO, VALLET- BELLMUNT, 2012).

Nesse sentido, a análise de conteúdo foi escolhida como procedimento adequado para análise dos dados coletados (em entrevistas) e que foram trabalhados em consonância com o objetivo desse método. Para Bardin (1977, p. 46), o objetivo da “análise de conteúdo é a

manipulação de mensagens (conteúdo e expressão desse conteúdo) para evidenciar os indicadores que permitam inferir sobre uma outra realidade que não a da mensagem”.

Cabe destacar que a aplicação da Análise de Conteúdo na pesquisa qualitativa se deu principalmente porque o foco foi na relevância dos elementos, ou seja, nas peculiaridades e as relações entre eles, procedendo-se com a comparação e confrontação dos resultados com a teoria, ao invés da análise restrita na frequência de elementos (por meio de técnicas estatísticas mais robustas como a análise fatorial ou de variância), pois corre-se o risco de perder o que está ausente ou é raro.

Portanto, optou-se pela escolha de dois métodos – Análise Comparativa Qualitativa e Análise de Conteúdo – para análise dos dados deste trabalho, devido a sua adequação ao estudo do fenômeno proposto. De acordo com Mozzato e Grzybovski (2011), as múltiplas escolhas podem ser realizadas e, em alguns casos, devem ser múltiplas para que se proporcione uma aproximação mais adequada ou abrangente ao tema a ser estudado. Ainda para esses autores (2011), o campo da pesquisa em administração não nega nem minimiza a importância da coexistência de métodos; contudo a coerência entre esses é premissa básica.

Por fim, quanto à finalidade desta pesquisa, tomou-se como base a taxonomia de Vergara (2007) para classificá-la como descritiva e explicativa. Descritiva, por expor características de redes temporárias (dinâmicas) e estabelecer as relações de influência entre variáveis por meio da descrição da percepção e entendimento dos líderes de redes de pesquisa no setor agropecuário. Explicativa, porque objetiva tornar inteligível o fenômeno estudado com a representação de um modelo teórico-conceitual, ou seja, identificar os motivos para a estratégia de formação de redes interorganizacionais e caracterizar os fatores (atributos essenciais e recursos da rede) que influenciaram, de alguma forma, o desempenho inovativo.