3. Rammeområde 6 – Innvandring, regional utvikling og bolig
3.3 Merknader fra komiteen til de enkelte kapitlene under rammeområde 6
3.3.4 Kap. 490 Utlendingsdirektoratet
O modelo representado em baixo é uma adaptação ao chamado “modelo de associações de ideias”, de Mary Spink (2000: 93-122). Este modelo, permite agrupar o discurso dos entrevistados por tópicos gerais, explicações, associações e qualificadores. Tentamos assim perceber, em diferentes entrevistados, que explicação, associação e qualificador é que eles usam sobre o tema ‘Percepção’.
Tópico geral Associações Explicações Qualificadores
Estamos tão entusiasmados que lá ficamos mais um bocado.
(Duarte)
A gente quer ficar mais um bocadinho
Nós às vezes temos o apetite de estar
No Hi5 a gente pode entrar lá e ver a qualquer altura e tal (Soraia)
No Messenger já não é à hora que quisermos
Em casa estou mais concentrada
Percepções
Mostra logo o que é dito (Ismael)
Isto ao entrar controla logo
quem visitou É assim (…)
olho bastante para os comentários e para as imagens(Liliana)
A mim não me interessa tanto a pessoa
É mais os interesses, o que dizem
O HI5 pode ser perigoso ou não(Soraia)
Há crianças, com 10 e 11 anos, e eles não têm a noção do que é o HI5
tive o máximo de cuidado com a privacidade. Tabela 3. Associação de ideias
A percepção de tempo e de espaço é referida de forma curiosa. A ideia de que “estamos tão entusiasmados que lá ficamos mais um bocado” dá um sentido terreno e localizado ao lá, mas pode ser ao mesmo tempo em qualquer lado (em casa, na escola, etc.). O “lá ficamos” ou o “entrar lá” sugere algo indefinido mas real ao mesmo tempo. É um emaranhado que funde o espaço e o tempo. ‘Ficar lá’ e ‘entrar lá’ a qualquer altura faz com que esse ‘lá’, o hi5, seja uma galáxia aberta, sem tempo e sem espaço definido mas sempre pronto a permitir a viagem. E permite uma viagem apetitosa, tal como qualifica o Duarte (“Nós às vezes temos o apetite de estar”).
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Ao contrário do Messenger, como sugere a Soraia, o hi5 é livre de tempos e espaços pois a qualquer altura se pode entrar lá. Todavia, ainda que o hi5 emane uma (re) presentação de ausência de fixação, as dimensões espaciais permitem facilitar e melhorar as interacções entre os utilizadores e o software. A Soraia, por exemplo, qualifica a casa como um lugar que permite uma maior concentração para interagir no hi5. Isto é, embora o ‘lá’ possa ser um qualquer lugar desde que em frente a um ecrã, a verdade é que esse lá sofre influências de um ‘lá’ territorializado. Entre a Soraia e o ecrã está implícita toda uma experiência que é também o resultado do agenciamento do contexto físico e espacial. Isto mostra que a concentração, o risco e a propensão para as adições tendem a ser influenciadas por todo um contexto físico, ainda que a afectação seja ligeira.
O hi5 é também percebido como um sistema de controlo e de gestão das conexões e das interacções. O Ismael parece não perceber muito bem porque é que é assim, mas percebe a dimensão dos registos como forma de alertar o utilizador do assédio comunicativo e conectivo. Associa ao controlo, à existência de um sistema de segurança, uma instantânea (logo) exposição do que foi dito, como se fosse um cérebro a descodificar uma mensagem. Esta posição do Ismael remete-nos para a constatação de Perniola (2004) de que a relação entre humano e tecnologia é algo horizontal, próxima, coincidente e par. A percepção de Ismael vai no sentido de que o computador é um ‘ele’, que o avisa, como se fosse um amigo de carne e osso, com sentidos e capaz de ser fiel. Isto mostra que o Ismael capturou uma essência cyborg no próprio computador, percebendo nas entranhas cibernéticas o orgânico humano. Todavia, o Ismael também incorporou o inorgânico da exactidão tecnológica. O “mostra logo” é o reflexo dessa captura. A exactidão tecnológica é o que todos os utilizadores pretendem e exigem do hi5.
Por outro lado, também interessa que o hi5 seja capaz de mostrar os outros, mas não apenas como uma figura ou como a expressão de um corpo. Interessa também olhar para os vastos comentários e imagens, como refere a Liliana. Portanto, isto é a expressão do ver, racional, mas também de um olhar, mais intuitivo que tenta ordenar e dar coerência à articulação entre as imagens e os comentários. É numa certa ordenação intuitiva que a Liliana, por exemplo, se move. Para ela, a pessoa em si enquanto ser físico não lhe interessa propriamente. É o que dizem e do que gostam que parece encantar esta jovem, e por isso a busca visual dela segue mais uma articulação inconsciente entre os interesses e as afirmações do que aquilo que propriamente consegue ver através do ‘olho da mente’, como refere o estudo de Pearson (2008).
Para a Soraia, o hi5 também esconde perigos grandes, de forma a fazer com que os utilizadores mais novos não tenham a noção desse perigo. Para ela, o hi5 pode ser perigoso ou não, e isso parece depender do cuidado que cada membro tenha com a privacidade. Também para ela, tal como para a Andreia, o sistema de privacidade é uma garantia de segurança. É este sistema, através da ordem dada pelo utilizador, que faz a filtragem de quem interessa ou não interessa. Este sistema é como uma espécie de empatia virtual que permite conectar com quem aparenta interessar. No entanto, é aparentemente mais eficaz, pois não é seduzido por interacções empáticas. É, antes de mais, exactamente cego porque não faz distinção por interacção mas completamente fiel porque só permite entrar quem já penetrou nas defesas racionais da Soraia. Quando ela diz “o Hi5 pode também ser visto por todos ou pode ser só visto pelos amigos. Por aqueles amigos mesmo”., supõe que todos os que foram classificados como amigos são amigos mesmo. No fundo, aquilo que ela faz com a selecção dos ‘verdadeiros amigos’ é cegar o sistema e torná-lo aparentemente mais seguro. Introduz aqui um critério de fidelidade que pressupõe uma fidelização do seu próprio critério. Por isso mesmo, age exactamente igual ao hi5, baseada numa percepção cyborg: usa cegamente o seu critério de amigo fiel e limita e/ou excluiu a possibilidade de interacção aleatória. Afinal de contas, não é isso que se faz mais hoje? Como referem Singly e Lipovetsky, hoje estabelecemos mais laços sociais mas de forma mais selectiva e electiva.