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2. Rammeområde 2

2.4 Komiteens merknader til de enkelte kapitlene under rammeområde 2

2.4.13 Kap. 855 Statlig forvaltning av barnevernet, jf. kap. 3855

Recentemente, a Comissão Europeia publicou um novo documento denominado “Entrepreneurship Education: A road to success”, constituído pela compilação de evidências do impacto das estratégias e medidas de educação empreendedora desenvolvidas nos diversos países europeus (European Commission, 2015).

De facto, tendo em consideração o papel significativo atribuído à educação empreendedora para permitir o atingimento dos objetivos da estratégia da Europa 2020, a Comissão Europeia, através da sua Direção Geral da Empresa e da Indústria, desenvolveu um estudo com vista a efetuar um enquadramento das intervenções desenvolvidas nos vários países da Europa no âmbito da estratégia europeia para a educação empreendedora, procurando recolher informação mais alargada relativamente ao impacto da mesma (nomeadamente através de impactos quantificados nos indivíduos, nas instituições educativas, na sociedade e na economia) e às metodologias de avaliação específicas utilizadas para a geração dessas evidências. Nesse sentido, podemos afirmar que o estudo desenvolvido possuía essencialmente três grandes objetivos:

1) – Identificar exemplos de medida do impacto da educação empreendedora a nível micro (indivíduo, instituições) e macro (sociedade e economia), através de pesquisa sistemática em todos os 28 estados-membros da União Europeia, bem como em 15 países adicionais não pertencentes à União Europeia;

2) – Preparar estudos de casos que permitam definir como têm vindo a ser desenvolvidos os diferentes tipos de iniciativas, o seu impacto e o processo que tem levado a esses resultados;

3) – Apresentar um quadro de leitura global com as principais descobertas.

Neste sentido, no estudo desenvolvido foram analisadas 91 intervenções de educação empreendedora, desenvolvidas em 23 países diferentes. Cerca de 84 dessas intervenções diziam respeito a iniciativas de nível nacional e 7 dos exemplos estudados reportavam-se a intervenções de nível transnacional, realizadas em vários países (European Commission, 2015). Para análise das diferentes intervenções foi assumido pelos autores o quadro teórico de referência de uma espécie de “teoria de mudança” (Figura 18) associada à educação empreendedora (European Commission, 2015).

Figura 18 – Teoria de “mudança” subjacente à análise do impacto da educação empreendedora

(European Commission, 2015)

Esta formulação teórica pode ser descrita de acordo com os seguintes pressupostos:

a) - é assumido que a educação empreendedora tem um efeito sobre os indivíduos, que se traduz em resultados de aprendizagem (conhecimento, habilidades e atitudes) e em comportamentos;

b) - igualmente é assumido que a educação empreendedora causa uma mudança na cultura organizacional de uma instituição educativa;

c) - como consequência dos comportamentos e ações dos indivíduos e das instituições, a mudança social e económica é estimulada.

Através do estudo desenvolvido, foi procurado identificar evidências e exemplos que pudessem ilustrar aspetos destas relações e encadeamentos. Logo à partida foi antecipado que algumas das medidas e avaliações poderiam ser capazes de providenciar evidências dessas ligações causais entre os diferentes níveis, enquanto outras seriam apenas passíveis de demonstrar impacto ao nível de um único nível específico (European Commission, 2015).

A figura seguinte apresenta-nos o mapa concetual de relações possíveis e esperadas entre os diferentes níveis específicos de análise (Figura 19). A equipa responsável pelo estudo definiu que um requerimento essencial para o estabelecimento de uma relação causal seria a de que o

impacto medido (medição de mudança) deveria ser claramente associado a uma intervenção específica (European Commission, 2015).

Figura 19 – Mapa de avaliação do impacto da educação empreendedora – possíveis relações causais (European Commission, 2015)

Em termos de conclusões e resultados obtidos no estudo desenvolvido, procuramos sumariá-los na tabela que se apresenta de seguida (Tabela 16).

A impressão prevalecente que emergiu das evidências recolhidas é a de que a educação empreendedora, em termos gerais, funciona e produz impactos positivos significativos (European Commission, 2015).

De acordo com as conclusões deste estudo, os estudantes que participam em intervenções de educação empreendedora têm maior propensão para criar o seu próprio negócio e as suas empresas tendem a ser mais inovadoras e mais bem-sucedidas dos que as que são criadas por indivíduos sem experiência prévia de educação empreendedora. É ainda considerado que os alunos da educação empreendedora estarão em menor risco de ficarem desempregados e encontram, mais frequentemente, empregos estáveis, conseguindo melhores empregos e possuindo melhores salários. Além disso, estes efeitos tendem a ser cumulativos e conduzir a processos de aceleração, na medida em que quem participou num maior número de medidas de educação empreendedora tem tendência a beneficiar mais ao longo do tempo. Os efeitos positivos encontrados não são restritos aos estudantes, dados que para além do impacto sobre

os indivíduos, foram também encontradas evidências e exemplos ao longo do estudo desenvolvido de impactos positivos nas instituições educativas, na economia e na sociedade. Tabela 16

Principais impactos registados das intervenções de educação empreendedora em contexto educativo (adaptado de (European Commission, 2015))

Intervenções de educação empreendedora em contexto educativo

Impacto nos indivíduos

A educação empreendedora ajuda a desenvolver ambições de carreira. A educação empreendedora conduz a maior empregabilidade.

A educação empreendedora promove melhorias ao nível das competências e atitudes empreendedoras. A educação empreendedora provoca mudanças comportamentais, incrementando maiores intenções empreendedoras.

Intenções mais fortes de criação de negócio podem já ser promovidas e encontradas desde o nível de educação secundário.

Impacto nas instituições educativas

As instituições que implementam a educação empreendedora desenvolvem uma cultura empreendedora mais forte.

As instituições que implementam a educação empreendedora sentem um maior envolvimento dos professores.

As instituições que implementam a educação empreendedora intensificam o envolvimento e ligação com os elementos da comunidade.

Impacto na economia

A educação empreendedora promove uma maior taxa de start-ups e ajuda a criar negócios e empresas bem-sucedidos.

A educação empreendedora possui um impacto económico significativo.

Impacto na sociedade

A educação empreendedora pode ajudar a proteger os indivíduos contra a exclusão social.

Existe um retorno bastante alto e significativo para o investimento em medidas e atividades de educação empreendedora.

Dada a natureza da nossa própria investigação, interessa-nos explorar um pouco mais as conclusões obtidas ao nível do impacto dos projetos de intervenção de educação empreendedora realizados em contexto escolar, nomeadamente ao nível do ensino básico.

Assim, no que concerne às intervenções desenvolvidas no âmbito do ensino básico, as evidencias encontradas permitem concluir que, neste nível, os métodos são mais importantes do que o conteúdo (European Commission, 2015).

As conclusões encontradas relativamente ao ensino do empreendedorismo no nível escolar básico demonstraram que a abordagem do empreendedorismo como método (Vestergaard, Moberg & Jørgensen, 2012) aparenta ser a mais relevante para procurar desenvolver nos alunos competências empreendedoras de índole não-cognitiva, como por exemplo a criatividade, a capacidade de gerar novas ideias e como transformar essas ideias em ações. Estas intervenções não têm como objetivo fundamental incrementar o desejo da criança de se tornar um empreendedor, mas sim de equipar os alunos com a criatividade e a proatividade necessária para lidar com a incerteza e com a mudança. Para medir até que ponto este desiderato foi atingido, as crianças das escolas primárias foram questionadas acerca das competências empreendedoras não-cognitivas, sendo apresentado como estudo de referência na área o estudo de Huber e colaboradores (2012), bem como registadas melhorias ao nível da autoconfiança e das ambições das crianças.

Apresentamos, de seguida, uma pequena tabela com os principais efeitos encontrados ao nível do ensino básico, bem como a identificação dos principais estudos de referência que serviram de base para a identificação dos efeitos referidos (Tabela 17).

Tabela 17

Principais efeitos da educação empreendedora desenvolvida ao nível do ensino básico em diferentes países da União Europeia (adaptado de (European Commission, 2015))

Efeito Intervenção/País Conclusões

Aumento do interesse e da consciência

Plano de ação nacional - Holanda

Incremento da compreensão e do interesse dos alunos no nível primário relativamente ao fenómeno do empreendedorismo.

Após conclusão do projeto, dois em cada três alunos afirmaram que sabiam o que era um empreendedor e um em cada quatro afirmaram que estariam interessados em, eles próprios, se tornarem empreendedores no futuro. (Gibcus, Van der Linden & Overweel, 2013)

Incremento do conhecimento, das competências e das atitudes empreendedoras

Plano de ação nacional - Noruega

A participação nos projetos de intervenção teve um impacto positive nas competências empreendedoras (competências de colaboração, criatividade e resolução de problemas), quando comparada com um grupo de controlo. (Johansen & Mathisen, 2012)

Plano de ação nacional - Holanda

Um em cada três alunos avaliados e questionados afirmaram que sentiam que se tinham tornado mais empreendedores (autoavaliação). (Gibcus, Van der Linden & Overweel, 2013)

FFE-YE – educação empreendedora na Dinamarca

Aumento das competências e do comportamento empreendedor de alunos do nível básico e secundário em todas as competências avaliadas através de uma escala de avaliação de autoeficácia.

Alta correlação dos resultados com os métodos de ensino desenvolvidos e observados, nomeadamente para alunos mais novos.

As intenções empreendedoras de alunos do ensino primário e secundário foram mais positivamente influenciadas pelo ensino do empreendedorismo “como um método”, ou seja, através do uso de métodos de ensino que estimulem a criatividade e a inovação, ao invés de abordagens de ensino do empreendedorismo “como ocupação”, na qual se procura apenas desenvolver competências ligadas à criação de negócios.

Os estudos concluíram que os alunos que tiveram experiência de intervenções do “empreendedorismo como método” aumentaram ainda o seu nível de envolvimento com a escola, com os colegas e com os professores. (Moberg & Vestergaard, 2014; Vestergaard et al., 2012)

Efeito Intervenção/País Conclusões

Aumentar criatividade e flexibilidade

Programa UPI - ‘Creativity and innovation in school’ - Eslovénia

Impacto positivo na criatividade e flexibilidade dos alunos.

Os alunos tornaram-se mais conhecedores do processo de inovação, desde o processo de criação de uma ideia até à sua concretização, e as suas atitudes em relação à novidade e à inovação tornaram-se mais positivas.

A capacidade de criação de novas ideias aumentou e os alunos ficaram mais sensibilizados para a tentativa de concretização das mesmas, assumindo um “atitude visionária”.

No pós-teste, os alunos autoavaliaram-se de formar com elevada do que no pré-teste no que diz respeito à sua capacidades de se adaptarem a novas situações e de trabalharem em equipa, bem como revelaram níveis mais elevados no que concerne aos aspetos gerais de motivação (determinação, persistência e dedicação)

Os alunos tornaram-se ainda mais familiares com o processo de inovação e mais abertos à inovação em geral. (Halilović, 2013)

As conclusões da análise desenvolvida no relatório da União Europeia aqui referenciado (European Commission, 2015) remetem para a necessidade de se continuar a aprofundar os processos de avaliação do impacto das intervenções de educação empreendedora em contexto escolar. Simultaneamente, é considerado que deverá existir um maior investimento na produção de meios de avaliação e de medida dos efeitos que possam permitir uma maior comparabilidade entre os resultados obtidos nas intervenções desenvolvidas nos diferentes contextos e países, dado ser importante procurar clarificar efeitos eventualmente decorrentes de especificidades culturais ou sociais de cada país. Paralelamente, existe ainda a consciência de que, no que diz respeito à própria estruturação das intervenções desenvolvidas, os diferentes países da União Europeia encontram-se em fases bastantes distintas do seu processo evolutivo, existindo alguns países já com sistemas perfeitamente estruturados e implantados nos seus sistemas educativos (como por exemplo, a Finlândia ou a Holanda), mas também países ainda em fases precoces desse mesmo processo (como por exemplo, Portugal ou a Hungria) (European Foundation for the Improvement of Living and Working Conditions, 2015).

Com base nesta consciência, a União Europeia tem também procurado patrocinar, ao longo dos últimos anos, alguns projetos transnacionais de definição de boas práticas não só ao nível da estruturação de projetos específicos de educação empreendedora, mas também ao nível da tentativa de determinação de indicadores comuns e de metodologias estruturadas de avaliação do impacto dessas intervenções em contexto educativo.

Procuraremos, de seguida, a título exemplificativo, apresentar um dos projetos mais relevantes desse âmbito, desenvolvido ao longo destes últimos anos.

2.2 Harmonização de práticas avaliativas na educação empreendedora – o