Como referi, esta metafunção consiste na exteriorização dos conteúdos da nossa experiência no mundo. Realiza-se através do sistema da Transitividade que é constituído por três componentes: Processos, Participantes e Elementos Circunstanciais. É o grupo verbal que determina o tipo de Processo presente numa oração. O grupo nominal, ou pronominal, determina os participantes, ou seja, o “quem” ou “o quê” realiza a acção ou o Processo. Os Elementos Circunstanciais são, geralmente, realizados através de grupos adverbiais ou preposicionais. Como refere Thompson a sua função é “to encode the
background against which the process takes place” (1996: 104), isto é, respondem ao “onde”, ao “quando” e ao “como” do Processo em causa. De acordo com Halliday estes Elementos Circunstanciais (por exemplo, as Circunstâncias temporais, espaciais, de modo e de causa) podem ocorrer livremente com todos os tipos de Processos (1994: 149). É de salientar que a cada tipo de Processo correspondem Participantes diferentes. Na GSF são três os Processos considerados centrais no sistema da Transitividade: Materiais, Mentais e Relacionais. Os processos Verbais, Comportamentais e Existenciais são encarados como menos centrais.
Os Processos Materiais descrevem o que está a acontecer ou a ser feito, envolvendo acções físicas como “correr”, “saltar”, entre outros, sendo o Participante que faz a acção denominado de “Actor”/”Agente” e, o Participante afectado pela acção designado de “Meta”, como ilustra o exemplo a seguir:
A França organiza a segunda cimeira UE-Brasil Texto 2 Actor Processo:
Material
Meta
Quando o elemento verbal envolve aspectos da cognição (sentir), percepção (ouvir, ver) e afecto (gostar, amar) estamos perante um Processo Mental. Aqui, os Participantes são denominados de “Experienciador” (o que realiza o Processo) e “Fenómeno” (elemento sentido pelo Experienciador). Conforme Thompson, estes Processos são relativos à representação do nosso mundo interior (1996: 82). A seguir, encontra-se um exemplo deste tipo de Processo:
O Processo Relacional pode ser atributivo ou identificativo. O que os distingue é que o Processo Relacional atributivo é geralmente expresso, ou por um grupo adjectival, ou por um grupo nominal indefinido, e tem como Participantes o Portador e o Atributo; no Relacional identificativo, o grupo
Portugal sees EU-African Union
…as priority
Texto 5 Experienciador Processo:
Mental
nominal é geralmente definido, e o Identificado e o Identificador são os Participantes. Exemplo:
Para Halliday os Processos Comportamentais situam-se entre os Materiais e os Mentais, e englobam comportamentos físicos e psicológicos (1994: 139), por exemplo, “chorar”, “rir”, entre outros. O Participante deste Processo é o Comportante, como se pode observar no exemplo a seguir, através de uma personificação:
Os Processos Verbais são “Processos de dizer” e, conforme Halliday, não necessitam de possuir um Participante humano. Os Participantes deste Processo são: o Dizente (aquele que diz), a Verbiagem (o que é dito), o Alvo (a entidade que é atingida pelo Processo), como ilustra o exemplo a seguir, com uma oração projectada:
A presidência é nossa Texto 3
Identificado Processo: Relacional identificativo Identificador The EU Treaty […]
is a rehash of the hated Constitution Texto 6 Portador Processo: Relacional atributivo Atributo
[…] a Europa pode olhar […] Texto 7 Comportante Processo
O Processo Existencial é geralmente realizado através de formas verbais como “haver” e “ existir”, e tem apenas um Participante, o Existente:
Da metafunção Lógico-experiencial também fazem parte as relações lógicas que se estabelecem entre orações, pois essas relações estão ligadas às representações de experiências linguísticas. De acordo com Halliday, a projecção é, juntamente com a expansão, um dos processos que liga orações para formar orações complexas (1994: 225). A projecção é definida como uma relação lógica em que uma oração funciona como uma representação de uma experiência linguística. Realiza-se através de Processos Mentais e de Processos Verbais (“de dizer”). Quando a segunda oração expande a primeira, estamos perante uma relação lógica por expansão. A expansão pode ainda ser transmitida por elaboração, extensão (adição, variação e alternação) ou intensificação23.
3.2.2. A Metafunção Interpessoal: a Modalidade e o Modo
Halliday define esta metafunção como aquela em que: “[…] the speaker
adopts for himself a particular speech role, and in so doing assigns to the listener a complementary role which he wishes him to adopt on his turn.”, (1994:
The Prime Minister said he agreed with Tory MP Ken Clarke Texto 6 Dizente Processo:
Verbal
Verbiagem (oração projectada)
[…] há problemas com a coreografia política da cimeira UE- África Texto 2 Processo:
Existencial
68). A Função Interpessoal é realizada através da Modalidade e do Modo (que especifica funções como sujeito, finito/operador verbal, e resíduo) e das formas de tratamento.
A modalidade pode ser de nível alto, médio ou baixo. É expressa através de graus de “probabilidade” como: possivelmente, provavelmente, certamente; e graus de “frequência” como: às vezes, muitas vezes e sempre. Existem também graus de “obrigação” expressos através de verbos como permitir, dever, exigir; e graus de “inclinação”, que representam, por exemplo, o nível de convicção. A modalidade pode ainda ser expressa através de: auxiliares modais (dever, poder, entre outros); verbos indicadores de opinião (achar, por exemplo); advérbios de modo, que por vezes podem assumir a função de adjuntos (por exemplo, lentamente); entre outros meios. Para Delu a modalidade é realizada por aquilo a que denomina de ‘papel social’, que é determinado por factores como a classe social, idade, sexo, e que são caracterizados por dois tipos de relações: status (poder e solidariedade) e familiaridade (1991: 289-294). Em suma, a modalidade diz respeito a opiniões, atitudes e juízos de valor, isto é, exprime, por exemplo, as intenções e as atitudes do emissor, informando e orientando o raciocínio do receptor, na troca comunicativa.
Na GSF é através do sistema de Modo que se manifestam as acções e as trocas sociais. Segundo a autora o Modo é realizado, entre outros factores (como os itens lexicais, o contexto da cultura e o da situação), pelo ‘papel interaccional’, isto é, através de interacções sociais determinadas por factores como fazer pedidos, perguntas, agradecimentos, entre outros (1991: 289-294).
Para Delu os participantes (intervenientes) realizam sempre três tipos de papéis simultaneamente: o textual, o social e o interaccional (1991: 289-290).
As relações que se estabelecem entre os participantes são, portanto, factores determinantes para a escolha do Modo e da Modalidade.