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Ramme 6. Innvandring, regional utvikling, bolig

3.3 Merknader fra komiteen til de enkelte kapit- kapit-lene under rammeområde 6

3.3.5 Kap. 496 Bosetting av flyktninger og tiltak for innvandrere

Conforme ressaltado no item anterior, uma das primeiras definições apontadas pela estratégia de pesquisa diz respeito ao setor econômico no qual estão inseridas as empresas pesquisadas. Esta definição vai ao encontro do que foi proposto por Wu et al. (2012), quando sugerem que tanto as práticas operacionais, quanto as capacidades operacionais, sejam avaliadas sob outros contextos empresariais. Esta iniciativa auxilia na possível generalização dos resultados encontrados pelos referidos autores. Assim, dentre os setores disponíveis, optou-se pelo setor agroindustrial, devido às suas características peculiares,

não apenas no que diz respeito à relevância econômica em si. Além disso, destaca-se o fato de ser um setor que está diretamente ligado às necessidades básicas da sociedade mundial.

A atividade agroindustrial possui relevância para a economia, principalmente para os países em desenvolvimento e os subdesenvolvidos, considerados aqueles de geração de “média renda” ou “baixa renda”, respectivamente (BEINTEMA, NIENKE; AVILA; FACHINI, 2010). Estes acabam por se beneficiarem proporcionalmente mais das atividades agroindustriais do que os países desenvolvidos, em termos econômicos. Isto se deve ao fato de apresentarem participação reduzidas em outras atividades de maior valor agregado. Os países em desenvolvimento são responsáveis por gerar cerca de 75% do valor agregado ao setor agroindustrial, que contribui com até 30% do Produto Interno Bruto (PIB) destas economias. Assim, a agroindústria possui significativa participação na economia dos países, mesmo que em diferentes proporções. No caso do Brasil, o agronegócio apresentou participação média de, aproximadamente, 24% do PIB nos anos de 1994 a 2013, o que demonstra sua relevância para a economia nacional (CEPEA, 2015).

Outro ponto que merece destaque é o mercado consumidor dos produtos agroindustriais, que pode ser entendido como a população mundial. Esta dobrou sua quantidade da década de 1970 aos dias atuais, com demonstrações de manutenção de crescimento até o final do século XXI. Estima-se que até 2050 a população mundial chegue a 9 bilhões de pessoas, tendo a demanda por produtos agroindustriais um incremento de 60%, quando comparado com os níveis dos anos de 2005 a 2007. (FAO, 2013). Estas informações alertam para o destaque mundial que a produção agrícola possui, não só no sentido de prover ganhos de mercados e de receitas, quanto também no que diz respeito à segurança alimentar (ERCSEY-RAVASZ et al., 2012).

Ao analisar-se o setor agroindustrial no Brasil, sua amplitude geográfica e quantidade de terras disponíveis para a agricultura favorecem a multiplicidade de culturas agrícolas. Consequentemente, é ampla a variedade de produtos processados a partir destas matérias primas. Isto permite que a produção local, tanto de produtos agrícolas quanto de produtos processados, possa se adequar às demandas tanto do mercado interno quanto externo. Tal fato fornece mais dinamicidade ao setor, atraindo mais empresas e ampliando a

concorrência. Porém, esta quantidade de atores também pode propiciar a busca do setor por características que diferencie suas empresas, tornando-as competitivas frente às alterações de mercado (OECD, 2014).

Uma das opções para a busca por diferenciações, nos diversos setores, se dá com a introdução de novas tecnologias, que consigam agregar ganhos nos processos produtivos da cadeia de suprimentos. Estes ganhos podem ser de forma incremental ou com a abertura de novas oportunidades de negócios, com inovações radicais, por exemplo (HERTOG, 2000). O mesmo ocorre com o setor agroindustrial, que tem experimentado avanços em seus indicadores de produção e comercialização. Isto se deve, entre outros fatores, à inserção de inovações tecnológicas em seus processos produtivos, quer sejam na fase agrícola ou na fase de processamento agroindustrial (FAO, 2013). Diante do papel da inovação tecnológica para o setor agroindustrial, os governos têm ampliado os recursos de investimento em P&D, específicos para este setor. Somente entre os anos de 2000 a 2008 tais investimentos tiveram incremento na ordem de 22%, saindo de US$26.1 bilhões para US$31.7 bilhões. Os países de “alta renda” são os maiores investidores em valores brutos. Apesar disso, os principais países que contribuíram para este crescimento, em proporção de incremento nas contribuições, foram aqueles considerados como de “média renda”, tais como China, Índia, Brasil, Rússia, dentre outros (BEINTEMA, NIENKE et al., 2012).

Especificamente com relação à região da América Latina e Caribe, o Brasil é o país que concentrou o maior grau de investimento. Este país foi responsável por 42% do total de US$3,1 bilhões da região como um todo. Boa parte deste recurso tem sido investido em ações de P&D para produtos agrícolas, através das instituições governamentais de pesquisas e seus parceiros (BEINTEMA, NIENKE M.; STADS, 2010). Para os países em desenvolvimento, percebe-se forte interação e incentivo dos governos nos setores econômicos, mais precisamente no setor agroindustriais. Isto deve-se à necessidade de que estes países possam se destacar no mercado mundial e auxiliarem na promoção do desenvolvimento local, com o incremento de ganhos. A mesma lógica é estendida às empresas de processamento deste produtos as quais, salvo as de grande porte, dependem de tecnologias externas para serem inseridas em seus processos produtivos (PAULA; BASTOS, 2009). Assim, a participação governamental em ações de desenvolvimento de tecnologias para o setor agroindustrial faz-se necessária devido a dois fatores principais.

Um deles é o grau de incerteza que envolve tais projetos, o que afasta as empresas que não possuem capital suficiente para investir em projetos de risco. O outro é a necessidade de que os resultados sejam difundidos de forma ampla aos diversos atores participantes das cadeias de suprimentos, promovendo o incremento do setor como um todo (MAZZUCATO, 2011).

Estes investimentos governamentais são recuperados por duas vias principais. A primeira delas se dá com o incremento das atividades do setor agrícola. Este pode apresentar maior oferta de matéria prima e tecnologias, que auxiliam tanto na produção e na venda, quanto no processamento de produtos advindos do campo. A segunda via se dá com a comercialização destes produtos no mercado internacional. Isto ocorre, principalmente, com produtos essenciais para o consumo, bem como com aqueles que possuem maior valor agregado. Neste quesito, os produtos provenientes de frutas e verduras (in natura ou processadas) têm apresentado a maior contribuição em termos de acréscimo de volume de exportação e de ganhos pecuniários proporcionais. Tais produtos apresentaram crescimento de mais de 11% ao ano, no período de 2000 a 2010, tendo o continente asiático como seu maior expoente, com crescimento de 17% (FAO, 2013).

Outros fatores também influenciam na dinâmica de produção e comercialização internacional de produtos agroindustriais: localidade de produção; localidade de consumo; especificidades de mercado; potencial aquisitivo e de consumo; tipo de comercialização em atacado, varejo, lojas especializadas, dentre outros (OECD, 2014). Com o aumento populacional e do poder de compra, a demanda por alimentos fez com que o comércio internacional aumentasse cinco vezes seu volume em 50 anos (FAO, 2013). O crescente aumento da demanda, aliado aos fatores que influenciam na dinâmica da produção, geram desafios tecnológicos operacionais, não só quanto a produção agrícola, como processamento, transporte e venda destes produtos perecíveis em mercado global. No caso de produtos advindos de frutas e verduras, a busca por alimentos mais saudáveis e com reconhecidos valores nutricionais têm contribuindo para o aumento de consumo. A China, por exemplo, se destaca como o país que mais importa este tipo de produto. O que gera um movimento internacional pela oferta de produtos desta categoria e que consigam vencer os desafios logísticos (modais e temporais), para garantir seu consumo em condições aceitáveis. Com relação aos exportadores, no âmbito da América Latina, os países que mais se destacam são Brasil e Argentina (FAO, 2013). Estes são

países que necessitam de tecnologias que viabilizem este tipo de comércio, não apenas para o mercado interno, quanto para o mercado externo.

Para atender as demandas deste setor, as empresas deparam-se com desafios operacionais. Estes vão desde a aquisição das matérias primas, passando pelo processamento, até a entrega dos produtos aos consumidores. Além disso, sofrem variações de locais, preços, preferências, prazos para consumo, além de atendimentos à normas internacionais de produção agrícola, processamento e armazenagem, por se tratarem de produtos perecíveis. Tais variações fazem com que os desafios sejam difusos de acordo com os diferentes contextos do setor agroindustrial (YANES-ESTÉVEZ; OREJA- RODRÍGUEZ; GARCÍA-PÉREZ, 2010). Todas estas variáveis contribuem para a busca por diferenciais operacionais que forneçam às empresas condições de se destacarem em seus mercados. Para isto, a utilização de tecnologias nos processos produtivos tende a ser vista como uma opção válida no alcance deste diferencial (PAULA; BASTOS, 2009).

No entanto, ao serem implementadas, tais tecnologias podem contribuir para ajustes nos processos, práticas e rotinas das empresas. Isto tende a influenciar nas capacidades operacionais, para que sejam obtidos reflexos satisfatórios nos desempenhos (WU; MELNYK; SWINK, 2012). Tais mudanças tendem a trazer alterações, também, nas demais empresas da cadeia do setor agroindustrial (tanto de produção quanto de processamento). Isto ocorre devido ao fato de que as relações entre elos são tidas como necessárias para o funcionamento da cadeia. Com isso, tal movimento de adoção de tecnologias também pode influenciar nas rotinas e práticas das cadeias de suprimentos, (MORASH, 2001). Vale destacar que este tipo de cadeia de suprimentos é considerado pela literatura como exemplo de buyer-driven, orientada pelo mercado (FLEURY; FLEURY; BORINI, 2013). Assim, ela é caracterizada como de ampla fragmentação e competição ao nível dos fornecedores e processadores, porém com concentração de mercado em poucos distribuidores. Com isso, os fornecedores e processadores buscam por tecnologias e diferenciais que os forneça condições de barganha e inserção comercial.

Cadeia de Suprimentos

Agroindustrial Características dos elos

Agricultura

Alta fragmentação do setor; Empreendedores antigos;

Empreendedores com pouca formação profissional; Baixo poder de barganha com fornecedores e clientes; Baixo conhecimento de mercado da cadeia de suprimentos.

Agroindústria

Indústria fragmentada (pequenas e médias empresas), mas com grandes grupos de alimentos nacionais ou internacionais;

Sujeito ao poder de distribuição em massa;

Tendência à concentração de Mercado (produtos e distribuidores); Forte concorrência entre empresas.

Distribuição

Setor concentrado com poucos concorrentes; Alto poder de barganha com fornecedores; Forte concorrência nos preços;

Implementação de novas tecnologias de informação; Distribuição em massa não só em produtos agroalimentares; Gradual desaparecimento de muitas pequenas empresas tradicionais. Quadro 10 – Características dos elos de cadeias de suprimentos agroindustriais.

Fonte: Adaptado de Yanes-Estévez, Oreja-Rodríguez e García-Pérez (2010, p. 690).

Diante do exposto, pode-se afirmar que o setor agroindustrial possui relevância não só em termos econômicos, mas também com relação às particularidades relativas ao tipo de produto comercializado, que possui mercado tanto em âmbito nacional quanto internacional. Mais precisamente, o mercado de frutas e verduras apresenta destaque pelo seu potencial de agregação de valor e crescimento em consumo. Tal fato o torna bastante atrativo para as empresas envolvidas em sua produção e comercialização. Por outro lado, verifica-se que estas cadeias são marcadas pela necessidade de aquisição de tecnologias externas com o intuito de obtenção de diferenciais operacionais. Estes possuem potencial para o desenvolvimento de capacidades operacionais que afetem, consequentemente, os indicadores resultados das empresas e da cadeia como um todo. Assim, para fins de pesquisa, dado o referido panorama, dentro do setor agroindustrial, optou-se pela área de produção e processamento de frutos.