1.3 Kritikken av identitetstenkningen
1.3.4 Kant, Hegel og den negative dialektikk
No primeiro dia de aula, dia 31 de janeiro de 2014, fiz a apresentação da disciplina, do livro didático e da proposta do Enfoque por Tarefas, e como havia apenas um estudante novato na turma, pedi aos demais que me apresentassem a ele e, conforme o escrito no diário de bordo da professora-pesquisadora, doravante DBPP, “fiquei feliz com a maneira com que
fui apresentada, os estudantes demonstraram ter carinho por mim e me conhecer bastante”
(Aline, 31/01/2014).
Dando continuidade, fiz uma avaliação diagnóstica informal com a turma com a seguinte pergunta: O que você espera para este semestre? As respostas coincidiram nos desejos de falar mais, aprender mais vocabulário. Outra pergunta foi: você consegue
identificar qual a sua maior dificuldade na aprendizagem da Língua Espanhola? Todos
foram unânimes em dizer que a gramática é a parte mais difícil, mas mencionaram que por não ter muito vocabulário acabam não conseguindo falar. Por último perguntei: o que você faz
para sanar essa(s) dificuldade(s)? Essa pergunta não recebeu respostas tão enfáticas quanto
as outras duas, mas alguns comentaram que escutam músicas, veem filmes, leem etc. Nessa conversa, pude avaliar o quanto eles avançaram na Língua Espanhola, estavam se esforçando para se comunicar na língua, claro com muitos erros e interferências da língua materna, mas dentro do esperado. Com isso, fiz elogios ao grupo e identifiquei que eles ficaram felizes e motivados a fazer um bom semestre letivo.
Depois disso, apresentei a minha pesquisa em linhas gerais sem mencionar nenhum constructo. Disse apenas que gostaria de investigar a minha prática com a intenção de colaborar com os estudos de aprendizagem de língua estrangeira, em especial de Língua Espanhola no contexto universitário e possibilitar a construção do conhecimento de todos os envolvidos neste processo. Optei por esse caminho para tentar evitar o “paradoxo do observador” (LABOV, 1972) que ocorre quando na pesquisa, o indivíduo, por saber que está
sendo observado, age de maneira diferente do usual, deixa de ser espontâneo. Apesar de ter ciência disso, em meu DBPP, relatei: “-me sinto angustiada por não revelar por que os escolhi e sobre que constructos está fundamentada minha pesquisa, a omissão me traz certa culpa” (Aline, 31/01/2014). Entretanto, para manter a fidelidade à pesquisa era preciso
separar a pessoa da professora-pesquisadora.
Distribuí os cadernos para o diário de bordo e a Ficha para a escrita da Narrativa de Aprendizagem (APÊNDICE C). Os cadernos não foram suficientes, pois acreditei que alguns não teriam interesse em participar, logo pedi que redigissem o primeiro dia do diário de bordo do aprendiz-participante, doravante DBAP, e me encaminhassem por e-mail. Expliquei que para o bom andamento da pesquisa era fundamental que a escrita ocorresse após a aula, ou no máximo no mesmo dia para que os registros fossem os mais fiéis possíveis e para que criassem uma rotina de escrita. Ressaltei que precisaria receber os DBAP’s com antecedência da próxima aula e combinei com eles que às segundas-feiras seria um bom dia para a devolução dos diários, visto que a disciplina era ministrada às sextas-feiras. Expliquei que nos DBAP’s deveriam ser escritas considerações sobre a aula, a professora, sobre si e os colegas. Alguns estudantes elogiaram a ideia e se sentiram privilegiados em participar de uma pesquisa científica e, no geral, todos receberam bem a ideia.
Após todos os esclarecimentos e depois do intervalo, continuei a aula com uma dinâmica de apresentação pessoal proposta pelo livro GENTE 2, na qual os estudantes deveriam entrevistar dois colegas da turma com perguntas sobre tópicos já definidos como: um lugar que gostaria de morar, um prato preferido, um livro, uma mania, uma qualidade que admira etc. O resultado foi impressionante, pois, por mais que eles já estivessem estudando juntos durante um ano, puderam conhecer um pouco mais um do outro, identificaram semelhanças nos gostos e preferências, assim como coincidiram em muitos itens, como o livro preferido e se divertiram com as manias de cada um. No DBPP isso ficou claro:
[...]a atividade Conociéndonos mejor foi o ponto alto da aula, não pensei que a atividade fosse durar tanto e render tantos comentários positivos, gastamos bastante tempo nela, mas valeu a pena. Fiquei surpresa quando me pediram para responder às mesmas perguntas, mas foi bom, pois quebrou o protocolo de que quem propõe a atividade sou eu para que eles a façam [...] (Aline, 31/01/2014).
O saldo do primeiro dia foi muito positivo conforme relatado nos DBAP’s:
[...] estamos gostando de como o 3º semestre começou [...] creio que nosso primeiro dia na sua disciplina foi muito bom. (Cora Coralina, 31/01/2014)
[...] os alunos neste semestre parecem estar mais animados com a volta as aulas [...] os alunos estão participando mais, não sei se é uma visão ilusória do início do semestre, mas seria perfeito que continuasse sempre assim. (Ana Clara, 31/01/2014) Hoje algo me deixou feliz, na sua aula, o fato de que eu senti sono, mas não dormi [...] até esqueci do meu celular! (Joana, 31/01/2014)
Apesar da grande adesão à pesquisa, dos onze diários de bordo que recebi na segunda- feira posterior, apenas dois mencionavam algo sobre ela, sendo que ao final apenas um deles foi considerado, pelos motivos relatados acima que definiram os quatro aprendizes- participantes. Acredito que isso se deve pelo fato deles terem sido orientados a escrever sobre a aula, a professora, sobre si e os colegas, ficando a pesquisa para outro plano. Vejo isso como positivo, afinal quanto mais natural seja a inserção da pesquisa no dia a dia da sala de aula melhor.
Sobre a pesquisa Joana escreveu:
[...] Eu achei super interessante sua pesquisa, acho que poucos professores teriam coragem para ‘dar a cara a bater’ assim, risos. Espero muito contribuir até o final, pois são poucas as chances nessa vida de se fazermos sermos ouvidos [...]. (Joana, 31/01/2014, grifo nosso)
Noto aqui que a visão de professor e de aluno que a Joana tem é aquela que perdurou durante décadas, na qual o professor controlava todo o processo de ensino-aprendizagem, restando ao aprendiz, o ato de aprender, a qualquer custo, independente de como e por que, em um ambiente onde sua palavra não era levada em consideração.
Hoje, conforme Ortiz Alvarez (2007, p. 223)
“os professores devem investigar sua prática, interagir com os seus alunos, aceitar as sugestões e opiniões deles tentando construir juntos o significado social. A sala de aula tida sempre só como um ambiente de ensino, hoje se transformou num contexto de pesquisa, rico em dados que podem nos levar a descobrir nossas próprias falhas, a refletir sobre nossas crenças, ações e atitudes para melhorar a qualidade do ensino.