Inicialmente, salienta-se que a palavra “turismo” advém do francês, especificamente do vocábulo “tour”, que significa regressar ao ponto do qual se partiu. Os primeiros registros de conceituações da atividade turística definiam o turismo como sendo o deslocamento de indivíduos que possuíam em comum as mesmas características da viagem, tais como: destino, duração, hospedagem. Nos ensinamentos La Torre (1992), citado por Barretto (2003, p.13):
O turismo é um fenômeno social, que consiste no deslocamento voluntário e temporário de indivíduos ou grupos de pessoas que, fundamentalmente por motivos de recreação, descanso, cultura ou saúde, saem do seu local de residência habitual para outro, no qual não exercem nenhuma atividade lucrativa nem remunerada, gerando múltiplas inter-relações de importância social, econômica e cultural.
Nesse contexto, o aspecto social da atividade turística envolve interrelações sociais, econômicas e culturais, proporcionadas entre o turista e o núcleo receptor.
Baldissera (2003, p.23) ensina também que o “[...] turismo não se esgota em si mesmo, antes estabelece uma rede de relações com, pode-se dizer, a totalidade das outras áreas, mesmo que em diferentes níveis e formas”.
Este mesmo sentido entende Wahab (1991, p.26), que conceitua turismo como:
Uma atividade humana intencional que serve como meio de comunicação e como elo da interação entre povos, tanto dentro de um mesmo país como fora dos limites geográficos dos países. Envolve o deslocamento temporário de pessoas para outra região,
país ou continente, visando à satisfação de necessidades outras que não o exercício de uma função remunerada para o país receptor, o turismo é uma indústria cujos produtos são consumidos no local formando exportações invisíveis. Os benefícios originários deste fenômeno podem ser verificados na vida econômica, política, cultural e psicossociológica da comunidade.
Segundo Barretto (1998), o aspecto social da atividade turística é tão importante quanto o econômico, pois possibilita o desenvolvimento do ser humano, seu crescimento, além da diversão, o contato com outras culturas e lugares.
Conforme aborda Crisóstomo (2004), o turismo é um setor que não se limita a aspectos econômicos. De forma mais abrangente, tenta-se definir o turismo como busca de mudança de lugar no tempo livre das pessoas e, a partir disso, são gerados fenômenos sociais, econômicos, políticos, culturais e turísticos. O agrupamento desses fenômenos deu origem a um conjunto de atividades, bens e serviços que são oferecidos a uma determinada sociedade.
Já a Organização Mundial do Turismo (OMT) define o turismo como sendo:
[…] as atividades que realizam as pessoas durante suas viagens e estadias em lugares diferentes ao seu entorno habitual, por um período de tempo, consecutivo inferior a um ano com fins de descanso, negócios e outros motivos. (OMT, 2001, p. 44).
Muitos são os conceitos existentes que definem o turismo, sendo impossível e inviável listar neste estudo, todos eles, sendo que, conforme a OMT (Organização Mundial do Turismo) “não existe definição correta ou incorreta, uma vez que todas contribuem de alguma maneira para aprofundar o entendimento do turismo” (OMT, 2001, p. 35).
Em suma, o fato de o Turismo encontrar-se ligado praticamente, os quase todos os setores da atividade social humana é o principal causa da grande variedade de conceito, todos eles válidos enquanto se circunscrevem aos campos em que é estudado. Não se pode dizer que esse ou aquele conceito é errôneo ou inadequado quando se pretende conceituar o Turismo sob uma ótica diferente, já que isso levaria a discussões estéreis. Estas poriam justamente em evidência as limitações conceituais existentes sobre o fenômeno.
Em virtude de sua complexidade, tendo em vista que é constituído por vários elementos por ter um caráter multidisciplinar, o conceito de turismo deve sempre ser analisado por inúmeras perspectivas (OMT, 2001).
Todavia, Lage e Milone (2000, p.26) relativizam esse enfoque, ao afirmar que:
[...] o turismo moderno não precisa ter um conceito absoluto, mas importa no conhecimento do mecanismo dinâmico que integra. Especificamente sob a análise da teoria microeconômica, quando aplicada a um estudo do setor turístico particular, por se tratar de uma abordagem restrita do comportamento dos indivíduos e das empresas, não se incorporando aspecto global pode ser estudado em três partes: demanda oferta e mercado turístico.
Acerenza (2002) considera três elementos essenciais para o conceito de turismo, que na sua visão são: o turista, o destino e o núcleo receptor.
Por muito tempo, os conceitos de turismo baseavam-se somente na figura do turista e aos serviços a este disponibilizado. Somente nos últimos tempos é que este quadro se modificou e os autores passaram a considerar em suas definições do termo turismo, não só o turista, mas também os núcleos receptores, ou seja, as comunidades na qual a atividade turística ocorre, já que de acordo com Molina (2005, p. 13) o “[...] turista faz parte de um todo maior denominado turismo”.
[...] aquele que se desloca para fora do seu local de residência permanente, por mais de 24 horas, realizando pernoite, por motivo outro que não o de fixar residência ou exercer atividade remunerada, realizando gastos de qualquer espécie com renda auferida fora do local visitado.
Para Cooper et al. ( 2007), a região de destino turístico representa o lado mais instável do conceito de turismo, pois é nele que todo o impacto do turismo será sentido, e que as estratégias de planejamento e de gestão serão implementados.
Segundo Rojek e Urry (1997), citado por Cooper et al. (2007, p. 37):
O destino é também a razão de ser do turismo, onde uma série de atrativos especiais se distinguem do cotidiano por sua importância cultural, histórica ou natural.
O núcleo receptor é a região de destinação de turistas, e conforme Barretto (2003, p.14), é outro importante elemento para definir o turismo, pois nele consiste todo o arcabouço e toda a preparação envolvida.
[...] Para que uma pessoa possa viajar existe toda uma equipe que fez o planejamento do receptor e que presta serviços no local; que providencia vias de acesso, saneamento básico, alojamento, alimentação, recreação.
Contudo, pode-se afirmar que a atividade turística, atualmente, deve ser compreendida como uma atividade econômica capaz de gerar renda, empregar pessoas, dentre outros benefícios, ou seja, que possuir múltiplas funções. Além disso, esta atividade além de produzir, também consome território e ainda, os recursos naturais que existem nesses territórios, o que remete as discussões sobre desenvolvimento sustentável.