Sekvens 6: Det sosiale klimaet i klassen
8. Elevsamtaler og lærelyst
8.2. Kan vi lære av elevfortellingene?
O restante da narrativa do reinado de Ezequias compreendeu dois episódios – a doença e cura do rei Ezequias (IIRs 20:1-11 // Is 38) e a visita dos embaixadores de Merodaque-Baladã, rei da Babilônia, ao rei Ezequias (IIRs 20:12-19 // Is 39) – e a fórmula de conclusão (IIRs 20:20-21).
Blenkinsopp defendeu que a ordem desses episódios foi costurada de forma a parecer cronológica. De acordo com a narrativa, o rei Ezequias ficou doente na época da invasão de Senaqueribe, conforme II Reis 20:1 (// Is 38:1): “Naqueles dias, adoeceu Ezequias de morte”. O profeta Isaías prometeu ao rei a cura da enfermidade e que a cidade de Jerusalém seria salva (Is 38:5-6); por fim, os emissários babilônicos visitaram o rei porque souberam que esteve doente e já havia convalescido (IIRs 20:12 // Is 39:1). Do ponto de vista da plausibilidade histórica, contudo, a ordem dos eventos parece improvável, pois, quando a rebelião na Babilônia foi sufocada alguns anos antes, Merodaque-Baladã fugiu, refugiando-se numa cidade elamita. Após a campanha contra Judá, Senaqueribe partiu em direção a Elam em busca do inimigo caldeu, em 700 a.E.C. Desse modo, historicamente parece mais plausível que a embaixada de Merodaque-Baladã tivesse vindo antes da terceira campanha, entre 704 e 702 a.E.C., a fim de ganhar o apoio de Judá na sua rebelião contra a Assíria. Além disso, tendo esvaziado seus tesouros para pagar o tributo ao rei Senaqueribe, o rei Ezequias não teria o que mostrar aos emissários babilônicos350.
Outro fator que contribuiu para essa hipótese foi que o último marcador temporal externo da narrativa do reinado de Ezequias apareceu em II Reis 18:13, que indicou a invasão do rei Senaqueribe no décimo quarto ano do reinado de Ezequias. Talvez o autor de Reis evitou deliberadamente empregar referências externas após esse verso porque os eventos narrados em II Reis 20 (a cura do rei e a visita de embaixadores babilônicos) provavelmente precediam a campanha assíria. Ao invés de marcadores temporais externos, o autor empregou marcadores internos
349 LONG, 1991, p. 193, 203.
menos específicos: “Naqueles dias” (IIRs 20:1) iniciou a narrativa da doença e recuperação milagrosa do rei Ezequias e “Naquele tempo” (IIRs 20:12) o relato da visita da embaixada do rei Merodaque-Baladã351.
De acordo com o autor de Reis, o rei Ezequias teria ficado enfermo na mesma época da campanha do rei Senaqueribe: “Naqueles dias, Ezequias adoeceu de uma enfermidade mortal; veio ter com ele o profeta Isaías, filho de Amoz, e lhe disse: Assim diz o SENHOR: Põe em ordem a tua casa, porque morrerás e não viverás.” (IIRs 20:1 // Is 38:1). O rei orou a Deus pedindo que lembrasse os seus atos de fidelidade. A resposta divina veio através do profeta Isaías, que lhe deu um sinal:
“Então, virou Ezequias o rosto para a parede e orou ao SENHOR, dizendo: Lembra-te, SENHOR, peço-te, de que andei diante de ti com fidelidade, com inteireza de coração, e fiz o que era reto aos teus olhos; e chorou muitíssimo. Antes que Isaías tivesse saído da parte central da cidade, veio a ele a palavra do SENHOR, dizendo: Volta e dize a Ezequias, príncipe do meu povo: Assim diz o SENHOR, o Deus de Davi, teu pai: Ouvi a tua oração e vi as tuas lágrimas; eis que eu te curarei; ao terceiro dia, subirás à Casa do SENHOR. Acrescentarei aos teus dias quinze anos e das mãos do rei da Assíria te livrarei, a ti e a esta cidade; e defenderei esta cidade por amor de mim e por amor de Davi, meu servo. Disse mais Isaías: Tomai uma pasta de figos; tomaram-na e a puseram sobre a úlcera; e ele recuperou a saúde. Ezequias disse a Isaías: Qual será o sinal de que o SENHOR me curará e de que, ao terceiro dia, subirei à Casa do SENHOR? Respondeu Isaías: Ser-te-á isto da parte do SENHOR como sinal de que ele cumprirá a palavra que disse: Adiantar-se-á a sombra dez graus ou os retrocederá? Então, disse Ezequias: É fácil que a sombra adiante dez graus; tal, porém, não aconteça; antes, retroceda dez graus. Então, o profeta Isaías clamou ao SENHOR; e fez retroceder dez graus a sombra lançada pelo sol declinante no relógio de Acaz.” (IIRs 20:2-8 11 // Is 38:2-8, 21)
A organização da história parece um pouco confusa, pois o rei pediu um sinal (IIRs 20:8) depois de ter se recuperado (IIRs 20:7). No livro de Isaías, os versos foram rearranjados de uma forma mais harmoniosa: a menção do sinal integrou o restante do oráculo (Is 38:7-8) e o procedimento do profeta com a pasta de figos foi colocado após a palavra profética (Is 38:21). Um salmo de ações de graças do rei integrou o relato do livro de Isaías (Is 38:9-20). É interessante observar a combinação entre a esfera divina e terrena no episódio, uma vez que o profeta desempenhou um papel ativo na cura do rei através da aplicação do emplasto352.
Ao rei foram concedidos quinze anos de vida a partir da cura da sua doença. Como ele reinou 29 anos e os assírios invadiram Judá no décimo quarto ano do seu
351 EVANS, 2008, p. 109-111.
reinado, Ezequias deveria ter adoecido no fim do décimo quarto ano ou no início do décimo quinto ano do seu reinado. Sua recuperação, portanto, seria uma analogia da recuperação de Jerusalém. A obra rabínica Seder Olam (séc. II E.C.), por exemplo, interpretou que Ezequias foi curado três dias antes da destruição do exército assírio. Clover associou a doença do rei com uma praga que teria acometido o exército assírio353.
De acordo com a narrativa bíblica, à propósito da recuperação do rei, emissários do rei da Babilônia, Merodaque-Baladã, vieram a Jerusalém visitar Ezequias, que lhe mostrou os tesouros do palácio:
“Nesse tempo, Merodaque-Baladã, filho de Baladã, rei da Babilônia, enviou cartas e um presente a Ezequias, porque soube que estivera doente. Ezequias se agradou dos mensageiros e lhes mostrou toda a casa do seu tesouro, a prata, o ouro, as especiarias, os óleos finos, o seu arsenal e tudo quanto se achava nos seus tesouros; nenhuma coisa houve, nem em sua casa, nem em todo o seu domínio que Ezequias não lhes mostrasse.” (IIRs 20:12-13 // Is 39:1-2)
O profeta Isaías foi ter com o rei para repreendê-lo e previu a deportação dos descendentes do monarca à Babilônia através de um oráculo:
“Então, Isaías, o profeta, veio ao rei Ezequias e lhe disse: Que foi que aqueles homens disseram e donde vieram a ti? Respondeu Ezequias: De uma terra longínqua vieram, da Babilônia. Perguntou ele: Que viram em tua casa? Respondeu Ezequias: Viram tudo quanto há em minha casa; coisa nenhuma há nos meus tesouros que eu não lhes mostrasse. Então, disse Isaías a Ezequias: Ouve a palavra do SENHOR: Eis que virão dias em que tudo quanto houver em tua casa, com o que entesouraram teus pais até ao dia de hoje, será levado para a Babilônia; não ficará coisa alguma, disse o SENHOR. Dos teus próprios filhos, que tu gerares, tomarão, para que sejam eunucos no palácio do rei da Babilônia. Então, disse Ezequias a Isaías: Boa é a palavra do SENHOR que disseste. Pois pensava: Haverá paz e segurança em meus dias.” (IIRs 20:14-19 // Is 39:3-8)
Todos os comentadores argumentaram que houve outras intenções para a visita dos oficiais babilônicos. Como a Babilônia era a principal inimiga da Assíria, a visita foi interpretada dentro de um contexto político mais amplo de resistência ao domínio assírio354.
Dentro da narrativa do reinado de Ezequias, o último oráculo do profeta Isaías funcionou como uma transição dos assírios como os principais inimigos do Reino de
353 WISEMAN, 1993, p. 287; CLOVER, 1995, p. 34-36. 354 COGAN, TADMOR, 2008, p. 260-262.
Judá para os babilônicos. Após a narrativa do rei Ezequias, a Assíria nunca mais foi mencionada como uma ameaça a Judá. Dessa forma, o reinado de Ezequias marcou o fim da ameaça assíria e o início da ameaça babilônica, que culminaria na destruição de Jerusalém e do templo em 586 a.E.C.355
Por fim, a fórmula de conclusão encerrou o relato do reinado de Ezequias, mencionando o seu maior empreendimento de construção, o Túnel de Ezequias:
“Quanto aos mais atos de Ezequias, e todo o seu poder, e como fez o açude e o aqueduto, e trouxe água para dentro da cidade, porventura, não estão escritos no Livro da História dos Reis de Judá? Descansou Ezequias com seus pais; e Manassés, seu filho, reinou em seu lugar.” (IIRs 20:20-21)
Pode-se concluir que o relato do reinado de Ezequias compôs uma unidade literária no livro de Reis que teve como objetivo salientar a piedade de Ezequias e contrastar dos destinos de Samaria e Jerusalém nas mãos dos assírios e de Jerusalém nas mãos dos assírios e dos babilônicos356.
7.2 Livro de Isaías