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Kan russefeiringen bidra til økt risiko for utenforskap?

6   Diskusjon

6.1   Kan russefeiringen bidra til økt risiko for utenforskap?

Os contextos de controlo implícito caracterizam-se pela omissão de um dos argumentos do verbo e constituem um verdadeiro desafio para os sintaticistas.

A literatura clássica sugere a existência de dois tipos de argumentos nulos, os sintaticamente representados (PRO, pro) e os não representados, aqueles que são simplesmente subentendidos. Considerem-se os exemplos:

(54) a. It is impossible [PRO to visit me together]. b. *It is impossible [for me to be visited together]. c. They expected [PRO to leave the room angry]. d. *The room was left angry.

Chomsky (1986: 120-121) De acordo com Chomsky (1986), together e angry podem ser predicados de argumentos subentendidos em orações infinitivas (a. e d.), porque há um sujeito PRO com o qual os modificadores podem “correferir”. No caso do agente subentendido numa passiva (b. e d.), o mesmo já não é possível. Desta forma, o autor considerou que os argumentos implícitos em orações infinitivas estão sintaticamente representados como PRO, mas no segundo caso, o argumento implícito com o papel de agente não está representado sintaticamente e, portanto, a gramaticalidade decorre do facto de não haver nenhum elemento com o qual together e angry possam correferir.

Por não haver consenso sobre se, de facto, estão presentes nas representações sintáticas e se, estando presentes, estão ativos, os argumentos implícitos constituem um desafio para a sintaxe. Em geral, a literatura aceita a ideia de que os argumentos implícitos participam em relações de controlo e caracteriza-os como papéis temáticos não projetados (e.g. Rizzi 1986), admitindo, assim, que os argumentos implícitos não estão presentes na representação sintática. Vários autores desafiam, no entanto, esta opinião. Tal é o caso de Landau (2010). O autor defende que os argumentos implícitos estão sintaticamente representados, baseando-se no facto de os argumentos implícitos poderem intervir no controlo parcial e de o controlo parcial ter de estar codificado na sintaxe.

Os factos em (54) levam Landau (2010) a dividir os argumentos implícitos em fortes e fracos e a afirmar que os argumentos implícitos têm de ser fortes para legitimar um predicado secundário (55).

(55) a. Strong implicit argument (SIA) – PRO, pro

b. Weak implicit argument (WIA) – passive agent, implicit object c. An implicit object must be strong to license a secondary predicate.

Landau (2010: 359)

Com dados do hebraico, o autor afirma, ainda, que o controlo pode ser satisfeito com um argumento implícito fraco, o que o leva a questionar-se sobre qual o conteúdo linguístico dos argumentos implícitos fortes. Landau (2010) baseia-se, então, em Longobardi (1994), que afirma que, para um objeto linguístico saturar um predicado sintático, tem de se qualificar como um argumento sintático e que essa função pertence aos DP’s. É o núcleo D que atribui a um NP predicado o estatuto de argumento. Landau (2010) conclui, assim, que os argumentos implícitos fortes são DP’s e os argumentos implícitos fracos não.

O autor caracteriza ambos os tipos de argumentos como um conjunto de traços que diferem pouco entre si. A exceção é o traço [D], que é parte dos argumentos implícitos fortes (56).

(56) a) Strong implicit argument = def [D, phi-set] (= pro) b) Weak implicit argument = def [phi-set]

Landau (2010: 378) Landau (2010) menciona Rizzi (1986) e o facto de o autor defender que, no italiano, objetos indiretos implícitos podem ser controladores mas não podem ser binders a não ser que sejam genéricos. Os objetos diretos (OD), por outro lado, já são obrigatoriamente genéricos e não mostram nenhuma diferença entre ligação e controlo. Esta assimetria leva Landau (2010) a concluir que objetos diretos são argumentos implícitos fortes e objetos indiretos podem ser ambos (57).

(57) a) Direct objects may be Strong Implicit Arguments but not Weak Implicit Arguments

b) Indirect/Oblique objects may be either Strong Implicit Arguments or Weak Implicit Arguments

Landau (2010: 380) Quanto à interpretação destes argumentos, Landau (2010) afirma que, num argumento implícito fraco, o valor dos traços-phi é dependente do contexto, que pode ser deítico ou anafórico em relação a um elemento do

discurso, ou pode estar ligado por um operador frásico, que pode ser existencial ou genérico.

Deste modo, de acordo com Landau (2010), quando o objeto indireto do verbo dizer não se encontra realizado lexicalmente, o argumento implícito é o elemento com a função de controlador do sujeito nulo da oração encaixada. PRO irá ser controlado pela categoria vazia que ocupa o lugar do OI do verbo dizer (58).

(58) A Joanai disse [-]j para PROj/*i/*k comer o bolo.

Quanto à interpretação deste tipo de argumento implícito, Landau (2010) argumenta que os OI podem ser argumentos implícitos fortes ou fracos cuja projeção não é obrigatória. A categoria vazia representada em (58) é constituída por um conjunto de traços-phi sem marcação de Caso, sem traço [D], por essa razão, poder-se-á tratar de um argumento implícito cuja interpretação dependerá do contexto discursivo.

Concluindo, é sugerida, nesta dissertação, a existência de dois tipos, aparentes, de obviação referencial. A primeira, a obviação referencial canónica desencadeada por verbos de controlo de sujeito como querer. A segunda, a obviação referencial não canónica, desencadeada por verbos diretivos com as propriedades de dizer.

Em geral, as teorias expostas no ponto 2.1 apresentam uma explicação para a obviação referencial no seu sentido estrito (querer), mas não para o efeito obviativo decorrente do verbo dizer. A obviação que ocorre em complementos de conjuntivo selecionados pelo verbo dizer não parece decorrer da dependência temporal, como em Picallo (1985), nem de uma competição de modos, como em Farkas (1992) e Horstein & San Martin (2001).

Ao observar-se que, tanto em complementos de infinitivo, como de conjuntivo, o pronome nulo encaixado correfere obrigatoriamente com o OI na oração matriz, sugere-se, então, que o tipo de obviação que ocorre com

dizer poderá ser um caso de controlo finito, pois só em contextos de controlo

há correferência obrigatória com o antecedente que c-comanda o sujeito da oração encaixada.

Neste sentido, remete-se para Landau (2004) em que o autor defende que contextos de controlo não são exclusivos de complementos no modo infinitivo. O autor afirma que controlo em complementos finitos é possível, baseando-se em dados do hebraico e das línguas balcânicas. Nestas últimas,

destacam-se os conjuntivos-C (controlados), uma vez que os complementos de conjuntivo selecionados pelo verbo dizer poderão ser contextos idênticos.

Por último, uma vez que no PE é possível a omissão de um argumento matriz, discute-se a questão do controlo implícito. Para tal, adota-se a proposta de Landau (2010) que defende que os argumentos subentendidos são papéis temáticos presentes na sintaxe. Seguindo a linha do autor, o OI implícito do verbo dizer, composto por um conjunto de traços-phi, será o elemento controlador do pronome nulo encaixado, cuja interpretação poderá depender de um contexto no discurso. Manter-se-á, neste caso, uma relação de controlo entre o argumento subentendido e o sujeito encaixado de uma oração no modo infinitivo. Sugere-se que a mesma dependência se poderá manter em complementos de conjuntivo, uma vez que complementos no modo conjuntivo selecionados pelo verbo dizer poderão ser contextos de CO finito.