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Esta hipótese pretende estudar a possível influência da extensão silábica, ou seja, do comprimento dos itens, no desempenho da repetição de pseudo-palavras. Desta forma, na tabela seguinte (Tabela 18) são apresentados os dados da análise descritiva das variáveis, para a totalidade da amostra (n=86).

Extensão Silábica Ѕ Amplitude Total %

S1 7/8 0,83 [5 - 8] 612/688 88%

S2 7/8 0,74 [5 – 8] 636/688 92%

S3 7/8 1,14 [2 – 8] 584/688 85%

S4 11/12 1,24 [5 – 12] 932/1032 90%

S5 10/14 2,55 [1 – 14] 876/1204 73%

- média de respostas correctas ; Ѕ’ – desvio-padrão

Tabela 18. Análise descritiva do Desempenho na Repetição de Pseudo-palavras por grupos de Extensão Silábica

Na tabela seguinte (Tabela 19) é possível observar-se a existência de diferenças estatisticamente significativas entre os grupos de extensão silábica considerando a totalidade da amostra (p = 0,00). Esta análise foi realizada com recurso ao Teste de Friedman, adequado para a comparação não-paramétrica de médias em amostras emparelhadas.

Teste de Friedman Desempenho na Repetição de Pseudo-palavras

Extensão Silábica valor p

0,000

Tabela 19. Comparação do Desempenho na Repetição de Pseudo-palavras nos grupos de Extensão Silábica

Para estudar quais os pares de grupos de extensão silábica que, na totalidade da amostra, diferem estatisticamente entre si, recorreu-se do Teste de Wilcoxon (Tabela 20). Os resultados obtidos indicam a existência de diferenças estatisticamente significativas entre todos os grupos silábicos (p < 0,05) com excepção dos pares “S1-S4” (grupo de itens monossilábicos e o grupo de itens de 4 sílabas) (p = 0,456) e “S2-S4” (grupo de itens dissilábicos e o grupo de itens de 4 sílabas) (p = 0,093).

50 Teste de Wilcoxon S1 S2 S3 S4 S5 S1 S2 0,033 S3 0,042 0,000 S4 0,456 0,093 0,002 S5 0,000 0,000 0,000 0,000

Tabela 20. Comparação do Desempenho na Repetição de Pseudo-palavras nos grupos de Extensão Silábica

Considerando os resultados totais por item, descritos na Tabela 2 verifica-se a existência de estímulos com uma percentagem de acerto inferior a 50% (“péu”, “viogem”, “ilufonteido” e

iscôdatévil”). O fraco desempenho obtido na repetição desses quatro estímulos, parece justificar o

facto de os itens monossilábicos apresentarem resultados inferiores (88%) estatisticamente significativos (p = 0,033) aos resultados apresentados para os itens dissilábicos (92%), ocorrendo o mesmo para os itens trissilábicos (85%) em comparação com os estímulos de 4 sílabas (90%) (p =0,002). Poderá, igualmente, justificar os baixos resultados obtidos para os itens de maior comprimento – 5 sílabas (73%).

Desta forma, repetiu-se a análise estatística descritiva e inferencial realizada para estudo desta hipótese, desta vez sem considerar os quatro estímulos cujos resultados totais foram inferiores a 50%. O objectivo deste procedimento é analisar o potencial enviesamento provocado pelos resultados nestes itens no estudo desta hipótese.

No gráfico 1 são apresentados os resultados totais (%) para cada grupo de extensão silábica, após a exclusão dos quatro itens referidos anteriormente.

Gráfico 1. Desempenho na Repetição de Pseudo-palavras por grupo de Extensão Silábica (sem os 4 itens) 70 75 80 85 90 95 S1 S2 S3 S4 S5 95% 92% 91% 90% 80%

51 Observou-se, então, que os resultados dos estímulos monossilábicos (S1), trissilábicos (S3) e de 5 sílabas (S5) aumentaram consideravelmente. A significância deste aumento de resultados foi observada (p = 0,000) através do teste de Wilcoxon, comparando, para cada um dos três grupos de extensão silábica, os resultados obtidos com a totalidade dos itens e os resultados obtidos na ausência dos itens considerados fracos (<50%). Observou-se, ainda, o decréscimo no desempenho na repetição de pseudo-palavras à medida que a extensão silábica aumenta.

Procedeu-se, então, à comparação dos resultados dos grupos de extensão silábica, através do Teste de Friedman, com os valores ajustados, isto é, excluindo os quatro estímulos considerados fracos. Os resultados desta análise são apresentados na tabela seguinte (Tabela 21).

Teste de Friedman Desempenho na Repetição de Pseudo-palavras

Extensão Silábica valor p

0,000

Tabela 21. Comparação do Desempenho nos grupos de Extensão Silábica (excluindo 4 itens)

Conforme se constata, os resultados obtidos revelam a existência de diferenças significativas entre o desempenho na repetição de pseudo-palavras nos vários grupos de extensão silábica (p = 0,000). O estudo para identificar quais os pares de grupos de extensão silábica que diferem estatisticamente foi realizado através do Teste Wilcoxon (Tabela 22).

Teste de Wilcoxon S1 S2 S3 S4 S5 S1 S2 0,225 S3 0,007 0,034 S4 0,000 0,132 0,530 S5 0,000 0,000 0,000 0,000

Tabela 22. Comparação do Desempenho na Repetição de Pseudo-palavras entre os grupos de Extensão Silábica (excluindo 4 itens)

Conforme se pode constatar, através da análise da Tabela 22, existem diferenças significativas entre os pares “S1 – S3” (p =0 007); “S1 – S4” (p = 0 000); “S1 – S5” (p = 0,000); “S2 – S3” (p =0 034); “S2 – S5” (p = 0 000); “S3 – S5” (p = 0 000); “S4 – S5” (p = 0,000). Desta

52 forma conclui-se que, na ausência dos quatro itens, o grupo de estímulos com 5 sílabas (S5) apresenta um resultado significativamente inferior ao dos restantes grupos (S1, S2, S3 e S4); o desempenho na repetição de pseudo-palavras monossilábicas (S1) é estatisticamente superior ao dos restantes grupos (S1, S3 e S4), com excepção do grupo de itens dissilábicos (S2); os estímulos dissilábicos (S2) apresentam maior acuidade de repetição do que os estímulos trissilábicos (S3).

Posteriormente, e como se verificaram diferenças significativas quer para os grupos de idade como de escolaridade (Hipóteses 1 e 2), foi realizada a análise de resultados considerando essas variáveis. Considerando a idade e a escolaridade, observaram-se os seguintes resultados (%) para os grupos de extensão silábica por faixa etária/nível de escolaridade (Tabela 23).

Considerando que se verificou, inicialmente, que os quatro itens da prova com resultados inferiores a 50% influenciavam significativamente a análise por extensão silábica, optou-se por analisar igualmente o desempenho na repetição de pseudo-palavras nas diferentes faixas etárias excluindo esses itens. Na tabela 24, é possível observar os resultados obtidos após a exclusão dos itens. % [6;5-6;11] 1º ano [7;0-7;11] 1º ano [7;0-7;11] 2º ano [8;0-8;11] 2º ano [8;0-8;11] 3º ano [9;0-9;11] 3º ano [9;0-9;11] 4º ano [10;0-10;11] 4º ano S1 97% 87% 90% 94% 93% 95% 93% 93% S2 90% 91% 97% 94% 91% 89% 98% 94% S3 86% 87% 92% 94% 93% 95% 93% 93% S4 86% 81% 92% 95% 92% 99% 92% 96% S5 66% 74% 83% 89% 88% 84% 85% 90%

Tabela 23.Desempenho na repetição de pseudo-palavras (%) por grupo de idade/escolaridade e Extensão silábica % [6;5-6;11] 1º ano [7;0-7;11] 1º ano [7;0-7;11] 2º ano [8;0-8;11] 2º ano [8;0-8;11] 3º ano [9;0-9;11] 3º ano [9;0-9;11] 4º ano [10;0-10;11] 4º ano S1 90% 86% 79% 91% 89% 8% 94% 94% S2 90% 91% 97% 94% 91% 89% 98% 94% S3 80% 82% 86% 92% 85% 89% 81% 89% S4 86% 81% 92% 95% 92% 99% 92% 96% S5 59% 68% 78% 80% 79% 76% 80% 86%

Tabela 24. Desempenho na Repetição de Pseudo-palavras (%) por grupos de Idade/Escolaridade e Extensão Silábica após exclusão dos 4 itens “problemáticos”

53 Na tabela seguinte (Tabela 25), são apresentados os resultados da comparação entre o desempenho na repetição de pseudo-palavras dos diferentes grupos de extensão silábica, por faixa etária, considerando ainda o número de itens da prova. A análise foi realizada recorrendo ao Teste de Friedman.

Tabela 25. Comparação do Desempenho na Repetição de Pseudo-palavras em cada grupo de Idade /Escolaridade

Segundo a análise estatística apresentada na Tabela 26, conclui-se que a exclusão dos 4 itens (“péu”, “viogem”, “ilufonteido”, “iscôdatévil”) permite observar diferenças entre os resultados por

extensão silábica para cada um dos grupos de crianças (de acordo com a idade e escolaridade), com excepção do grupo de crianças mais velhas (dos [10;0-10;4] anos no 4º ano).

Na totalidade dos itens da prova, apenas se observam diferenças entre grupos de extensão silábica nos grupos de crianças na faixa etária dos [6;5-6;11] no 1ºano, na faixa etária dos [7;0- 7;11] no 2ºano e na faixa etária dos [9;0-9;11] no 3ºano. O facto de não se verificarem diferenças significativas entre os grupos de extensão silábica para as crianças na faixa etária [10;0-10;4] no 4ºano, quer na totalidade dos itens (p = 0,148) como excluindo os 4 itens (p = 0,064) pode ser justificado pela elevada taxa de sucesso nesta idade. A identificação dos pares de grupos de extensão silábica onde se observam diferenças significativas para os grupos de crianças de acordo com a idade e escolaridade é apresentada no Apêndice O.

Analisando os resultados verifica-se que, no 1º ano, as crianças de 6 anos, para a totalidade da prova, apresentam um desempenho significativamente inferior nos itens de 5 sílabas

Teste de Friedman

valor p Extensão Silábica (nº itens = 50) Extensão Silábica (nº itens = 46)

[6;5-6;11] – 1ºano 0,000 0,000 [7;0-7;11] – 1ºano 0,097 0,001 [7;0-7;11] – 2ºano 0,008 0,011 [8;0-8;11] – 2ºano 0,286 0,002 [8;0-8;11] – 3ºano 0,751 0,010 [9;0-9;11] – 3ºano 0,027 0,000 [9;0-9;11] – 4ºano 0,294 0,001 [10;0-10;4] – 4ºano 0,635 0,071

54 do que nos itens com menos sílabas. Ao excluir os quatro itens anteriormente referidos, verifica- se um efeito de extensão silábica (S1>S3>S5 e S2>S3>S5). Já as crianças de 7 anos apresentam um desempenho inferior nos estímulos de maior extensão silábica (S4 e S5) comparativamente ao desempenho de estímulos mais curtos (S1, S2 e S3), ressalvando que entre estímulos de 3 (S3) e 4 sílabas (S4) o desempenho é semelhante.

Na mesma idade (7anos) mas a frequentarem o 2º ano, o desempenho apresenta variações de acordo com o aumento da extensão silábica para a totalidade da prova (50 itens) (S2 e S4> S1 e S5), sem se observarem diferenças relativamente a S3. Para os 46 itens da prova (resultantes da exclusão dos 4 itens fracos), S2 é o grupo de itens repetido com maior acuidade e S4>S5.

Aos 8 anos, independentemente do nível de escolaridade, as crianças repetem com menor acuidade estímulos de 5 sílabas comparativamente aos restantes grupos de extensão silábica.

Relativamente às crianças de 9 anos, no 3ºano, apresentam um melhor desempenho em itens de 4 sílabas (S4) mesmo com a exclusão dos itens fracos e, revelam menor precisão de repetição de itens de 5 sílabas (S5). No 4º ano, repetem com maior precisão itens mais curtos (S1 e S2).

Desta forma, confirma-se esta hipótese verificando-se um efeito de comprimento na repetição de pseudo-palavras, com melhor desempenho para itens mais curtos do que para itens mais longos, corroborando, assim, o descrito na bibliografia (Archibald & Gathercole, 2006; Chiat & Roy, 2007; Ellis Weismer et al, 2000; Gallon et al, 2007; Ibertsson et al, 2008; Rispens & Parigger, 2010; Santos & Bueno, 2003; Santos et al, 2006) as variações de desempenho entre grupos e extensões silábicas dos estímulos foi também encontrada nos estudos consultados. Para este estudo, coloca-se ainda, como já foi referido, a hipótese da qualidade individual de cada estímulo como factor de variação.