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In document Matematikk med leselist (sider 47-51)

Taiza Rubiane Silva Martins UNIR [email protected] Eliana Alves Pereira Leite UNIR [email protected]

Resumo:

A presente pesquisa está em andamento e trata de um Trabalho de Conclusão do Curso de Licenciatura em Matemática da Universidade Federal de Rondônia, Campus de Ji-Paraná. Tem-se por finalidade analisar a trajetória formativa e profissional de professores de matemática experientes revelada a partir da formação inicial, da formação continuada e da carreira docente. Metodologicamente a pesquisa é de abordagem qualitativa. Tem- se como sujeitos 4 professores de Matemática experientes, que atuam há mais de 5 anos na profissão docente. Como resultado da discussão teórica, destaca-se que a formação inicial, a prática profissional e a formação continuada contribuem para o processo de formação de tal forma que as experiências propiciadas nestes diferentes contextos se complementam, visto que cada qual tem sua importância e também limitação. Por isso a necessidade de se ter uma variedade de espaços para contribuir na formação de uma profissão tão complexa quanto a de ser professor. Assim, espera-se que os resultados desta pesquisa possibilitem reflexões a respeito da formação do professor de Matemática nos diferentes contextos formativos, bem como evidenciem suas contribuições e lacunas.

Palavras-chave: Professores de Matemática experientes; Formação inicial; Prática profissional; Formação Continuada.

1. Introdução

Durante a formação inicial, é comum se ouvir vários questionamentos como: Por que cursar Licenciatura em Matemática? Por que não trocar de curso? Ser professor é uma boa escolha profissional? Esses questionamentos estão ligados à desvalorização e ao desprestígio social para com a profissão docente.

Leite (2016, p. 17) destaca que o professor em início de carreira, além de “ter que lidar com a desvalorização e o desprestígio social para com a profissão docente, tem encontrado no cotidiano profissional inúmeras dificuldades, situações adversas e em especial a ausência de um suporte pedagógico tanto por parte da escola quanto da instituição formadora”.

Os aspectos mencionados pela autora ocorrem também com professores que estão há algum tempo na profissão, acrescentando como desafio para este professor lidar na escola com a indisciplina dos alunos, bem como má remuneração e o fato de ter uma carga horária

Em função disso, Diniz-Pereira (2011, p.46) salienta que “ser educador não se configura para maior parte dos jovens hoje uma opção para vida profissional”. Todavia, verifica-se que com todas essas dificuldades há estudantes que optam por cursos de licenciatura, motivados por diferentes aspectos. Para Gatti (2010, p. 1361), estudos recentes mostram que, dentre outros fatores, há estudantes que optam pela docência motivados por uma espécie de “seguro desemprego”, ou seja, como uma alternativa no caso de não haver possibilidade de exercício de outra atividade.

Assim, Souza (2015, p. 25) destaca que tal aspecto mostra de algum modo que “a escolha pela profissão docente pode estar ligada à expectativa de garantia de vagas no mercado profissional, uma vez que historicamente houve e há uma grande defasagem desses profissionais na sociedade”. Isso implica que “tal preocupação está relacionada especificadamente à obtenção de uma vaga de emprego posterior à formação acadêmica”.

Essa realidade e os questionamentos mencionados anteriormente, quanto à profissão docente, propiciam algumas reflexões aos acadêmicos de licenciatura, como a de exercer ou não a profissão docente e ainda o que motiva os professores, apesar de todas as dificuldades, ainda permanecerem na carreira docente.

De algum modo a trajetória e as vivências dos professores, sobretudo os que estão se aposentando na profissão, não é valorizada e consequentemente muitas das vezes não é dado voz a esse profissional para compartilhar seus saberes ou simplesmente contar sua história formativa.

Tal aspecto é relevante, visto que Ponte (2008, p.55) destaca, ao discorrer sobre a abrangência da Educação Matemática enquanto campo acadêmico e científico, que se trata de “um campo de formação, onde se transmite esse conhecimento a novas gerações de professores e de investigadores e também aos professores em serviço”.

Assim, entende-se que a realização desta pesquisa com professores de Matemática experientes poderá contribuir sobretudo para compreender sobre o processo de formação de um professor e ter elementos para se refletir tanto a formação inicial quanto a continuada, e as condições de trabalho no espaço escolar, agregando de algum modo para o campo da Educação Matemática, especialmente no cenário local.

A partir de Tardif, Lessard e Lahaye (1991, p. 229), considera-se como professor de Matemática experiente aquele que atua na profissão docente há mais de 5 anos, visto que os autores salientam que:

[...] Ao tornarem-se professore(a)s, descobrem os limites de seus saberes pedagógicos. [...] é no início de carreira (de 1 a 5 anos) que o(a)s professore(a)s acumulam, ao que parece, sua experiência fundamental. Essa aprendizagem rápida tem valor de confirmação: mergulhado(a)s na prática, tendo que aprender fazendo, o (a)s professore(a)s devem provar a si próprio(a)s e aos outros que são capazes de ensinar. Essa experiência fundamental tende a se fixar, em seguida, num estilo pessoal de ensinar, em macetes da profissão, em habitus, em traços da personalidade profissional.

Desse modo, buscando compreender a respeito desses momentos de formação e de desenvolvimento profissional especificamente do professor de Matemática é que se definiu como objetivo analisar a trajetória formativa e profissional de professores de matemática experientes reveladas a partir da formação inicial, formação continuada e da carreira docente.

2. Metodologia da pesquisa

Metodologicamente a pesquisa é de abordagem qualitativa. Essa opção se justifica pelo fato de no presente estudo se buscar compreender a partir de professores de Matemática experientes, que atuam há mais de 5 (cinco) anos na profissão, as contribuições e lacunas decorrentes dos diferentes contextos de formação.

Nesse tipo de pesquisa, dentre as características elencadas por Bogdan e Biklen (1994), chama-se atenção para as seguintes: A pesquisa qualitativa tem o ambiente natural como sua fonte direta de dados e o pesquisador como seu principal instrumento; os dados produzidos são predominantemente descritivos; e os investigadores qualitativos preocupam-se mais pelo processo do que meramente pelos resultados ou produto. Considera-se que essas características serão contempladas neste estudo o que, portanto, justifica a escolha pela abordagem qualitativa.

A pesquisa está sendo desenvolvida em 4 (quatro) escolas estaduais da cidade de Ji- Paraná, com 4 (quatro) professores de Matemática experientes, sendo um de cada escola.

Para a pesquisa de campo serão utilizados os seguintes instrumentos: Questionário e entrevista. No que diz respeito ao questionário, o mesmo será composto por questões fechadas e abertas, sendo um “instrumento de coleta de dados constituído por uma série de perguntas,

que devem ser respondidas por escrito” (MARCONI; LAKATOS, 1999, p.100). Para Gil (1999, p. 128), pode ser definido “como a técnica de investigação composta por um número mais ou menos elevado de questões apresentadas por escrito às pessoas, tendo por objetivo o conhecimento de opiniões, crenças, sentimentos, interesses, expectativas, situações vivenciadas etc”.

O questionário será aplicado com a finalidade de realizar a caracterização acadêmica e profissional dos professores, além disso, com esse instrumento será possível: Verificar os motivos da escolha e permanência na profissão docente; Identificar como se deu a formação inicial e quais foram as experiências vivenciadas na formação continuada.

A entrevista será realizada com a finalidade de averiguar e aprofundar alguns aspectos que dizem respeito aos diferentes contextos formativos vivenciados pelos professores de Matemática experientes. Sendo assim, os objetivos contemplados serão: Identificar como se deu a formação inicial e quais foram as experiências vivenciadas na formação continuada; Averiguar aspectos que se referem às contribuições e lacunas formativas da formação inicial e continuada; Verificar as experiências exitosas e dificuldades decorrentes da prática profissional.

Para Severino (2007, p. 124), a entrevista é uma “técnica de coleta de informações sobre um determinado assunto, diretamente solicitadas aos sujeitos pesquisados. Trata-se, portanto, de uma interação entre pesquisador e pesquisado”.

Com isso, espera-se compreender o fenômeno que se constitui em analisar a trajetória formativa e profissional de professores de Matemática experientes reveladas a partir da formação inicial, da formação continuada e da carreira docente.

3. Contextos formativos na trajetória de formação do professor

A formação do professor é entendida como um processo contínuo e que, portanto, não inicia e termina na formação inicial. Desse modo, “a formação se dá num continuum, ou seja, em um processo de desenvolvimento para a vida toda” (MIZUKAMI, 2010, p. 13). Quanto às diferentes experiências que podem contribuir na trajetória formativa do professor, Imbernón (2011, p. 60-61) destaca:

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