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1 KAPITTEL INNLEDNING

5.4 K VALITET I TJENESTEN

Se na leitura do livro é aberta a possibilidade de Mr. Tambourine Man estar escrevendo seu texto em um blog, ao assistir o longa-metragem tal suspeita é confirmada logo no início do filme. Isto pode ser constatado a partir da Figura 1 que retiramos do longa-metragem de Esmir Filho, em que se nota que a construção do personagem passa pela caracterização de seus momentos na internet como um blogger.

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Figura 1Cena de Os famosos e os duendes da morte (2009)

Dessa maneira, no filme se explicita por meio das imagens, o que no livro são apenas possibilidades e inferências. Assim como é possível ver a estética do blog, representada na Figura 2 e na Figura 3, também referente às primeiras cenas do filme, nos deparamos com a imagem do blog, cujo texto se assemelha à página de abertura do romance.

Figura 2 Cena de Os famosos e os duendes da morte (2009)

No romance, o texto está disposto da seguinte forma:

Naquela cidade cada um sonhava um segredo.

O menino sem nome conheceu o garoto sem pernas. Ele não tinha pernas e, mesmo assim, não precisava de ninguém para ir embora.

Eles tentaram.

O garoto sem pernas mostrou o mundo como conhecia. O que não tinha nome embarcou. Como quem nunca mais quer voltar.

Por um tempo eles olharam para a mesma direção.

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Ele nunca lhe trouxe pernas.

O que para um era sina, para outro era o mistério.

Por algum tempo, eles poderiam ter andado juntos sobre o mesmo trilho. Mas nunca seriam esmagados pelo mesmo trem. (CANEPPELE, 2010, p. 5)

Nesse sentido, é interessante perceber as diferentes maneiras como o texto se movimenta em diferentes mídias. Pensando nisso, vale a pena sublinhar que os blogs alimentados e acessados por Tambourine e pelos outros personagens que aparecem no filme Os famosos e os duendes da morte (2009), quando pesquisados na web estão disponíveis para acesso. Nesse sentido, constatamos que o conteúdo, integrante do filme, é disponibilizado na internet para os usuários, em uma tensão entre ficção e não-ficção. Os blogs foram criados com os nomes das personagens do romance. Especificamente no blog pertencente a Tambourine (www.garotosemnome.blogspot.com.br), uma das postagens feitas resgata o texto de abertura do romance, que também está presente na cenas iniciais do longa-metragem.

Figura 3 Screenshot do blog de Tambourine

É possível observar que a primeira postagem feita nesse blog nos remete à primeira página do romance e às cenas iniciais do longa-metragem. Todavia, no caso do

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blog da personagem, o texto está reduzido, quando comparado ao texto do romance. Assim como no filme, Jingle Jangle é descrita no gênero feminino. A postagem foi feita em abril de 2005, isto é, quatro anos antes da estreia do filme e cinco anos antes da publicação do livro pela editora Iluminuras. Apesar dessas confluências entre livro, filme e blog, um ponto de diferença entre os textos diz respeito ao gênero do garoto sem pernas, em outros momentos denominado como Jingle Jangle. Enquanto no decorrer do romance Jingle Jangle é tratado, pelo trabalho com as palavras, como uma pessoa do gênero masculino, no filme o contrário fica claro: Jingle Jangle é uma garota. Não podemos afirmar o porquê da mudança e da escolha dessas diferentes soluções formais em cada uma dessas mídias, mas uma possibilidade de interpretação seria a própria busca de Jingle Jangle pela construção de sua identidade, o que incluiria o descobrimento de sua sexualidade e sua identificação de gênero. Mais adiante veremos que, no romance, quando se trata da articulação com o Youtube, e na capa do livro, a imagem de Jingle Jangle é representada por uma menina, interpretada por Tuanne Eggers. Isso demostra que a interpretação do romance em questão pode ir se modificando de acordo com a relação que o leitor/navegador estabelece com as mídias que compõem esse fenômeno. Assim sendo, podemos compreender que a relação entre romance e filme é, de certa forma, mediada pelo contexto digital, visto que por meio da convergência das mídias digitais (JENKINS, 2009), é possível construir significados outros a cada um dos universos dos textos de Ismael Caneppele. Essa dinâmica de produção de fenômenos culturais pode ser entendida nos termos da convergência midiática (JENKINS, 2009), que pode ser compreendida justamente pela convivência e imbricação das diferentes mídias, seus produtos, suas linguagens e suas práticas de inscrição e circulação. Isto é, o estudioso da cultura contemporânea Henry Jenkins (2009) compreende que os meios de comunicação funcionam como um “sistema cultural”; desse modo, afirma que reduzir o desenvolvimento dos meios e mídias comunicacionais a somente transformações tecnológicas, ignorando os níveis culturais que essas mudanças envolvem, seria uma falácia. Nesse sentido, a convergência das mídias envolve uma mudança no modo de produzir e, consequentemente na maneira em que as pessoas vão se relacionar com as mídias, com o conteúdo produzido e com as outras pessoas.

Nessa perspectiva, no caso do blog de Tambourine, há um diferencial significativo no que concerne à produção e leitura dos textos: a possibilidade dos leitores/navegadores comentarem as postagens, demonstrando um retorno a respeito dos

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textos que vão ler naquela plataforma. Na Figura 3, por exemplo, verificamos dois comentários de usuários. Os comentários feitos pelos usurários, potenciais leitores ou espectadores, datam depois do lançamento do livro e estreia do longa-metragem. Esse recurso de comentar propicia ao autor um contato com as interpretações e reações de seu público.

Assim como é possível perceber a presença da escrita em blogs desenvolvida por meio de soluções formais diferentes no filme e no romance, observamos em nosso percurso que a música também está presente nas duas obras, apresentando semelhanças e diferenças para a constituição de cada produção de Caneppele. Nesse sentido, a próxima seção desse capítulo apresenta algumas relações que tanto o livro quanto o filme estabelecem com a música, especificamente com as canções de Bob Dylan.