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Hypotese 4 - kollegastøtte og turnover

5.3 K ONKLUSJON

A Hipótese da Carga Informacional, formulada por Almor (1999), trata do sintagma nominal anafórico visto por uma perspectiva psicológica e não estritamente linguística. Almor (1999) procura investigar as relações que os sintagmas nominais anafóricos estabelecem com a memória de trabalho. Não delimita sua abordagem ao escopo da frase, mas se interessa pelas ativações e processamento da informação semântica no âmbito do discurso.

Sua hipótese de trabalho entende a anáfora como um processo de otimização baseado no custo de processamento, que define como sendo os custos de ativação da informação semântica.

Para Almor (1999), a anáfora tem uma função discursiva. Os experimentos que conduziu, fazendo variar o foco discursivo e as relações semânticas entre anáfora e seus antecedentes, o levaram a concluir que o custo de processamento dos sintagmas nominais anafóricos é um reflexo de sua justificativa funcional. Encontrou que as anáforas com menor custo de processamento possuíam maior justificativa funcional. Seus resultados corroboram a Teoria da Acessibilidade (ARIEL, 1991) que apresenta uma gradação de expressões anafóricas em função da acessibilidade do referente.

A Hipótese da Carga Informacional de Almor (1999), em suma, defende que o processamento das expressões anafóricas reflete a máxima da quantidade, um dos princípios pragmáticos griceanos (GRICE, 1975), segundo o qual a informação deve ser dada na medida em que é necessária, ou seja, a complexidade da informação deve ser proporcional ao seu propósito comunicativo.

Mas, segundo Almor (1999), para compreender sua teoria, é preciso lançar mão de mais duas afirmativas, além da máxima da quantidade de Grice (1975). A primeira diz respeito à complexidade. Na Hipótese da Carga Informacional, a complexidade é representada pela medida da carga informacional, uma noção que expressa as restrições da memória de

trabalho para armazenar e processar simultaneamente a informação verbal. A segunda afirmativa diz respeito à informação. A informação veiculada pela expressão anafórica pode ser de dois tipos ou a combinação de ambos: informação necessária para identificar os antecedentes e/ou informação nova.

O princípio pragmático que descreve o processamento anafórico de acordo com a Hipótese da Carga Informacional é, portanto, o seguinte: a carga informacional de uma anáfora em relação a um antecedente dado deve ter uma justificativa funcional, a de auxiliar a identificar o antecedente ou a de adicionar nova informação ao antecedente, ou ambas. (ALMOR, 1999)

O papel da memória de trabalho19 é uma noção fundamental para esta teoria. A memória de trabalho possui uma limitada capacidade, que é usada tanto para armazenar quanto para processar informação. Por isso, muitos pesquisadores acreditam que o uso de expressões anafóricas no discurso é um reflexo desta limitação. Já foi provado que o aumento da distância entre um antecedente e uma anáfora sem conteúdo semântico, como pronomes e categorias vazias torna o processamento extremamente custoso (SANFORD; GARROD, 1981). A superespecificação de uma expressão anafórica, que retoma um antecedente próximo ou altamente acessível, pode levar igualmente a uma sobreposição de informação que esgota os recursos da memória de trabalho.

No entanto, como esclarece Almor (1999), o uso de uma expressão anafórica do tipo “descrição definida”, que aporta informação nova ao antecedente em foco, nem sempre é desfavorecido, como pode ficar sugerido pelo modo como os resultados de Gordon, Grosz e Gilliom (1993) foram interpretados. Almor (1999) esclarece que, no trabalho sobre a penalidade do nome repetido (ver seção 2. 3.2.1), os autores encontraram tempos maiores na leitura de expressões anafóricas repetidas e concluíram, a partir destes achados, que se tratava da violação da Regra 1 da Teoria da Centralização, que diz que o pronome deve ser preferido para retomar um centro catafórico ou, em outras palavras, um antecedente em foco.

Segundo Almor (1999), se a interpretação dos dados de Gordon e colegas estivesse correta, deveria haver penalidade para qualquer expressão anafórica com conteúdo semântico, ou seja, penalidade para qualquer expressão anafórica que não fosse um pronome (nulo ou pleno).

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A memória de trabalho é um sistema mental que permite a ativação e manipulação de múltiplas partes de informação transitória. Uma definição precisa sobre o conceito de memória de trabalho foge aos objetivos desta tese.

Almor (1999) defende, portanto, que não há penalidade do nome repetido, uma vez que a repetição de um nome para retomar um antecedente ou o uso de uma descrição definida como expressão anafórica pode ter uma justificativa funcional no discurso. Almor (1999) não contradiz os resultados de Gordon, Grosz e Gilliom (1993), que muito provavelmente têm razão quando se compara o custo de um pronome com o de um sintagma nominal repetido. Sua crítica se centra, sobretudo, na interpretação dos achados sobre os maiores custos no contexto experimental testado. Assim, o conjunto experimental de Almor (1999) sugere que o custo de processamento de uma expressão anafórica sob a forma de uma descrição definida deve ser avaliado em relação à sua funcionalidade no discurso.

Este capítulo apresentou as principais teorias e hipóteses que guiam nossa investigação. Definimos o conceito de correferência anafórica no âmbito da gramática e do discurso. Nosso interesse não foi o de discutir os conceitos e seus fundamentos, mas o de apresentar os conceitos que se tornam operacionais na investigação que empreendemos nesta tese. Optamos por apresentar neste capítulo de fundamentação os trabalhos a partir dos quais muitas investigações sobre o Português Brasileiro foram conduzidas. Nos capítulos 5 e 6, assim como em nossas considerações finais, procuramos articular nossa investigação com os trabalhos já realizados para a língua portuguesa.

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