Esta parte do estudo, iniciada em fevereiro de 2003, constou da aplicação de quatro tipos de manejo preventivo ao entupimento, quais sejam: I) controle (sem manejo preventivo além de filtragem); II) aplicação de solução de água residuária com cloro ao final da irrigação; III) aplicação de ar comprimido entre as irrigações; e IV) aplicação de água residuária com cloro ao final da irrigação e ar comprimido entre as irrigações (II + III).
A respeito dos tipos de manejo, também se pode mencionar o seguinte: o tratamento I é o padrão, também chamado controle, sem injeção de produtos para prevenção ao entupimento. Em todos os tratamentos foram utilizados os mesmos filtros de areia, de disco e de tela estabelecidos no cabeçal de controle.
Os filtros foram dispostos junto ao conjunto moto-bomba e aos registros de controle dos tratamentos, permitindo melhor controle manual das retrolavagens no filtro de areia, limpeza dos demais filtros e subseqüente ajuste da pressão no cabeçal de controle para a irrigação requerida.
No manejo II ocorreu a aplicação de 50 L de hipoclorito de sódio (10%)
na dosagem de 20 mg L-1 de cloro, nos 15 minutos finais da irrigação a cada dia
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(II e IV). As aplicações foram feitas a cada irrigação e a concentração atingida
na saída dos emissores ao final da tubulação gotejadora foi de 0,5 mg L-1 de
cloro residual livre. O volume de 25 L de solução clorada corresponde ao volume interno da tubulação gotejadora que recebia o tratamento.
A dosagem de solução clorada foi ajustada a 20 mg L-1 pela checagem
de 0,5 mg L-1 de cloro residual livre no gotejador mais distante. Esta
concentração foi baseada no princípio de que todo cloro reage com compostos presentes na água, incluindo a ação sobre bactérias formadoras de biofilme. A
pequena concentração restante (0,5 mg L-1), representa apenas uma margem
de segurança residual das reações. Outros motivos da escolha dessa concentração foram a baixa possibilidade de ocorrência de fitotoxidez e o menor custo em aquisição do produto clorado. A concentração utilizada também foi baseada nas referências de Keller & Bliesner (1990) e Tajrishy et al. (1994),
os quais também sugerem concentrações relativamente baixas, como 2 mg L-1
intermitentemente e 1 mg L-1 ou 0,4 mg L-1 continuamente.
Utilizou-se 15 minutos para a aplicação do produto químico, pois correspondia ao tempo de deslocamento do mesmo até o final das linhas de irrigação. Nesse tempo, permitia-se que as reações com a amônia e com os compostos orgânicos, de ferro e de enxofre ocorressem. Acredita-se que esse tempo foi suficiente para a ocorrência destas reações, pois Lopez et al. (1997) a maior parte dos virus e bactérias são inativados de 10 a 30 minutos de contato e em pesquisas desenvolvidas na Estação de Tratamento de Esgoto em Lins, Estado de São Paulo, utilizou-se tempos de contato do cloro similares
(15 minutos)4 com propósitos de desinfecção. Além disso, a presença de
acessórios na tubulação tais como curvas, tês, registros e reduções, e o regime turbulento na adutora auxiliam na mistura do hipoclorito de sódio à água e conseqüentemente auxiliaram nas reações com as substâncias presentes na água, permanecendo ao final o cloro residual livre na forma de OCl- e/ou HOCl-, de acordo com o pH.
O manejo III consistiu da adição de ar no interior da tubulação à pressão de 1,96 kPa. O ar foi introduzido nas linhas gotejadoras durante os períodos em que o sistema não estava sendo utilizado para irrigar, visando secar os gotejadores, dificultando desta forma o desenvolvimento de algas, fungos e bactérias e também expulsando os sólidos.
A indisponibilidade de energia elétrica próxima às parcelas de manejo de
ar comprimido, conduziu a instalação do compressor junto ao cabeçal de controle. Com isso, houve redução de pressão em relação a pressão inicial do compressor devido ao desnível geométrico (30 m) e perdas na tubulação e emissores, restando apenas a pressão de 1,96 kPa na entrada dos gotejadores (medida no final da linha de irrigação pelo uso de piezômetro). Uma solução para este problema seria usar um compressor de maior pressão, porém usualmente este é de elevado custo de aquisição. O interessante seria a instalação próxima às parcelas, economizando energia, porém, em virtude do mencionado anteriormente, isto não foi possível.
Outro item a relatar é que se seguiu a hipótese de que mesmo à baixa pressão o objetivo de minimização poderia ser alcançado; o que foi considerado fundamental foi permitir a chegada do ar aos emissores. Assim, baseado nesses fatores, e ainda considerando que o ar é aproximadamente 700 vezes mais leve que a água, escolheu-se o compressor disponível no comércio que permitisse alta vazão mas a baixa pressão em comparação aos existentes, bem como aquele que fosse de baixa amperagem (3,5 A), pois funcionaria por longos períodos, sendo importante a economia de energia elétrica cedida pela ETE da Bacia do Ribeirão Piracicamirim.
A vazão de ar foi limitada ao modelo de gotejador, correspondendo em maiores vazões em emissores como o modelo B (emissor com característica de alta vazão quando membrana elástica não está em funcionamento, ou seja, a baixa pressão) e D (emissor com maior vazão de água entre os testados). As vazões de ar variaram de duas a sete vezes a vazão nominal de água dos
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emissores. As vazões de ar foram medidas pelo processo volumétrico utilizando uma proveta com água, cronometrando-se o tempo para coletar-se 200 ml de ar que ocupava o espaço da água no interior da proveta.
O manejo IV combinou a ação dos manejos II e III, com o propósito de efetuar uma melhor prevenção ao entupimento, como sugerido em literatura.