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12.4 Justisdepartementet – lov om

Le Corbusier definiu as habitações como “uma casa é uma máquina de habitar. Banhos, sol, água quente, água fria, temperatura conforme a vontade, conservação dos alimentos, higiene, beleza na justa proporção. Uma cadeira é uma máquina de sentar-se, etc. (…) A nossa época fixa em cada dia o seu estilo. Aí está diante dos nossos olhos.” 31 O que

acabamos de transcrever, mostra claramente uma preocupação com a função social do arquiteto, no que respeita a questões do habitat. Corbusier abraça o princípio de uma arte para todos, enunciando “(…) em 1926 os Cinco pontos de uma nova arquitetura”32 onde

sintetizou os princípios gerais da arquitetura moderna: pilotis – elevou a construção do solo, conferindo-lhe leveza e elegância, permitindo a utilização do piso térreo; planta livre – para fluidez de espaço; fachada livre – as paredes da fachada podiam ser rasgadas, quebradas ou interrompidas livremente; janelas alongadas – melhoravam a iluminação interior, podiam correr de um lado ao outro da fachada; cobertura em terraço – transformou num espaço útil, aproveitando para zona de lazer com jardim.

Estes pontos tiveram a sua aplicação na Villa Savoye. O edifício eleva-se sobre pilotis libertando a área para circulação; a organização espacial da planta é livre; o alçado encontra- se livre, com janelas rasgadas longitudinalmente e a cobertura em terraço. Ao reduzir a arquitetura aos seus elementos construtivos como a parede, o pilar, a viga e a cobertura, a relação que estes elementos têm entre si no sentido de formar um conjunto harmonioso e ao mesmo tempo um objecto modelo, como acontece com os produtos oriundos da indústria, destinados ao consumo de massas, fruto da sua estandardização. Corbusier tinha uma visão

29 COHEN,Jean-Louis, Le Corbusier, Taschen, Koln, 2006, p. 8

30 LAGE,Alexandra; DIAS,Suzana, Desígnio vol.I Teoria do Design, Porto Editora, Porto, 2001, p. 111 31 C

ORBUSIER,LE, Por uma Arquitectura, tradução Ubirajara Rebouças, Perspectiva, São Paulo, 2006, p.65

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Kantiana da estética, o sentido estético, a arte, está relacionada com os sentimentos.33 Esta

visão é resultante da forma como os objetos na sua arquitetura se relacionam entre si, como se se tratassem de componentes mecânicos, sendo que a relação dos vários elementos entre si está carregada de sentimentos de quem lhe deu origem.

Em 1928, resultante de uma exposição de projetos de arquitetura, chegaram à conclusão que muitos arquitetos europeus defendiam os mesmos ideais. “As conceções de Le Corbusier, de Gropius e de Mies van der Rohe foram divulgadas e expandidas pelos CIAM Congresso Internacional de Arquitectos Modernos (…)”34 estes congressos realizaram-se em

várias cidades europeias, contribuindo para organizar as ideias do Movimento Moderno ou Estilo Internacional. “A designação «Estilo Internacional» aplicada à arquitetura surgiu na exposição de 1932 (…) da iniciativa de Hitchcock e Philip Johnson (…),”35 organizada em Nova

Iorque que serviu para mostrar a nova arquitetura que se espalhou por todos os continentes. Os organizadores da mostra salientaram que o Estilo Internacional destroçou a ornamentação aplicada e entendiam a arquitetura como volume. A exposição tentou estabelecer um padrão mais uniforme às diversas obras expostas, por meio da simplificação e sua redução a uma determinada arquitetura cúbica, lisa, de fachadas brancas ou adornos de metal e de vidro, de traçados funcionalistas e simples, o que é visível num dos símbolos do modernismo do século XX. “No delicioso pavilhão de Barcelona de Mies van der Rohe, a ordem de elementos estruturais mantém-se rigidamente geométrica, o espaço contínuo é cortado por planos verticais que nunca formam figuras fechadas, geometricamente estáticas (…).”36

Podemos comparar a um quadro de Mondrian em três dimensões, onde a nudez e a simplicidade revelava claramente os espaços e a intenção.”37

Mies foi um adepto incondicional da industrialização. Reduziu a arquitetura a soluções técnicas, os seus projectos resultavam de uma sobreposição de planos na composição da planta, introduzindo um grau de liberdade e abandonando a ideia de divisão fechada. Mies considerava que a estrutura era mais do que uma condição física e estrutural de um edifício.

Esta visão encontra-se bem patente em obras como no pavilhão de Barcelona e na casa Tugendhat, as quais transmitem a unidade dos edifícios, resultantes de um projeto pensado de forma global, onde a estrutura deveria ser olhada como um todo, baseada numa definição global em que o edifício se nos depara como um ser, dotado de necessidades bem determinadas e com uma forma própria, que não é resultante da necessidade da construção. O método utilizado na conceção espacial torna-se precioso, a regularidade como as colunas de aço são colocadas para apoiarem a laje do teto e sobre esta premissa, as imaculadas paredes para dividir os ambientes.

33 CORBUSIER,LE, Por uma Arquitectura, tradução Ubirajara Rebouças, Perspectiva, São Paulo, 2006, p.11 34 P

INTO,ANA LIDIA;MEIRELES,FERNANDA;CAMBOTAS,MANUELA; História da Cultura e das Artes, Porto Editora,

Porto, 2006, p.92

35 HASAN-UDDIN, Estilo Internacional, Arquit. Moderna de 1925 a 1965, Taschen, Koln Colónia, 2001, p. 65 36 Z

EVI,BRUNO, Saber ver a Arquitectura, Dinalivros, Lisboa, 1989, p. 124

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Mies van der Rohe também estabelece uma aliança entre a arquitetura e a tecnologia, onde a tecnologia alcança a sua verdadeira materialização, a arquitetura sobressai na aplicação de novos materiais em grandes construções claras e intimistas de pele e osso onde a estrutura é o todo, o concetual e a harmonia caracterizada por uma identidade absoluta, rejeitando assim a falsidade formal. Mies refere mesmo no seu artigo “A tecnologia é muito mais que um método, constitui um mundo em si mesmo. (…) a tecnologia alcança a sua verdadeira culminação, transcende a arquitetura.”38

38 N

EUMEYER,FRITZ,Mies van der Rohe, La palavra sin artificio, reflexiones sobre arquitectura 1922- 1968,

El Croquis editorial, Madrid, 1995, p.489 Fig. 6 – Desenho de casa de

campo em tijolo Fig.7ª e 7b - Pavilhão de Barcelona de Mies van der Rohe

6

7b

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Ao elevar deste modo a tecnologia, coloca-a num patamar muito para além de simples suprimento das necessidades da Arquitetura, para vencer os seus desafios. Mais do que um instrumento da arquitetura, a técnica permitiu aos arquitetos recriar a arquitetura e a construção.

Foram vários os contributos para alcançar a simplicidade da forma e aqui mais uma vez se constata a aproximação da Arquitetura às tecnologias, procurando, através da técnica a simplicidade da forma/função, atingir a homogeneidade, a humanização e a massificação que permitiria reduzir custos e processos construtivos.

Para Mies o advento da década de 20 e a explosão industrial que esta trouxe consigo, revelou-se como o momento de grande consciencialização da evolução do progresso técnico nas sociedades, nas ciências, nas artes e claro está na arquitetura. Esta evolução levou-o a poder formular novos conteúdos arquitetónicos, que tal como o próprio refere “Se conseguirmos levar adiante esta industrialização, as questões sociais, económicas, técnicas e também artísticas se resolverão adequadamente”39

Tal como Mies, também para Corbusier as novas tecnologias tornaram-se em elementos indispensáveis e de referência primordial nos seus projetos. Estas conjunturas marcaram definitivamente a forma de pensar e criar Arquitetura na década de 20, influenciando todo o século XX e que aparentemente essas influências ainda perduram, como questões operativas na Arquitetura contemporânea.

A preocupação dominante de “(…) Hitchcok e Johnson com as facetas formais do Estilo Internacional, baseavam-se na extrapolação de certos elementos – como a janela – que associavam a estética da máquina a um certo grau de simplicidade e requinte. (…) Viam Le Corbusier, Gropius e Mies como os Mestres do Estilo.”40 Nos anos 30, o Estilo Internacional

avança com uma abordagem inédita na construção dos edifícios concebidos por estes arquitetos, com a crença da funcionalidade, a forma segue a função (posteriormente Mies diria que a forma é função).

Podemos concluir que o Modernismo/Estilo Internacional, no início da década de vinte, teve no seu princípio um forte empenho social, em virtude da 1ª Grande Guerra e das suas consequências. O seu objectivo era a tentativa de inovação. Com o surgimento dos Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna CIAM, em 1928, o movimento ganhou força internacionalmente. Com isso a arquitetura tornou-se mais homogénea em todo o mundo. A partir da década de 30, procuraram humanizar a arquitetura. Criaram – arquiteturas - para um padrão de homem, o que resultou na homogeneidade e universalidade da produção deste período.

Pretende-se, deste modo, valorizar o essencial de diferentes campos de atuação, tendo por base os entendimentos formulados por estas duas referências incontornáveis da

39N

EUMEYER,FRITZ,Mies van der Rohe, La palavra sin artificio, Reflexiones sobre arquitectura 1922- 1968,

El Croquis Editorial, Madrid, 1995, p. 376

40H

ASAN-UDDIN, Estilo Internacional, Arquitectura Moderna de 1925 a 1965, Taschen, Koln Colónia, 2001,

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Arquitetura Mies e Corbusier. Com a composição de Corbusier e a abstracção de Mies, pretendemos entender se se mantêm presentes na Arquitetura através do estudo de caso.

1.4. UMA ARQUITETURA HOMOGÉNEA

A arquitetura, as artes plásticas, a arte no seu todo e a história têm uma ligação estreita com as próprias relações e o desenvolvimento cultural, social e científico. A arquitetura é um reflexo da forma como pensamos, agimos e coagimos. Enquanto estrutura social tem acompanhado a evolução e o idealismo da humanidade.

Dois aspetos importantíssimos e emergentes na década de 20 no século XX do Movimento Moderno foi a junção entre a abstração e a tecnologia na Arquitetura. Estes aspetos foram influenciadores de uma nova geração de arquitetos, como os vários diretores da Bauhaus, dos quais teremos de destacar dois, Walter Gropius e Mies van der Rohe e outro arquiteto fora da Bauhaus como Le Corbusier. Estes arquitetos apontavam para que a arquitetura se depurasse da dialética clássica, e a abstração tornar-se-ia num veículo de produção, num novo discurso dos arquitetos.

A Arquitetura é arte, é vida, é ciência, é magia, é fascínio, é identidade; a Arquitetura garante a nossa história, o nosso bem-estar, o mesmo se passa com a pintura que é encantamento, é feitiço, é deslumbramento e é também identidade. A arquitetura sofre influência das artes plásticas e procura nessa influência formas de expressar o seu conteúdo; a Arquitetura mostra-nos instantaneamente os conceitos pelos quais se orienta, assumindo um caracter pictórico e formalista. Um bom exemplo disso mesmo é a casa Schröder, onde a plasticidade e a geometrização desempenham um papel fundamental e o próprio espírito da arquitetura racionalista é demonstrado com clareza. A composição é conseguida através do uso da linha, seja ela horizontal ou vertical, o recurso a planos recortados e o uso das cores primárias, como o preto e branco, são o retrato da simplicidade neoplástica.

O racionalismo formalista foi uma corrente liderada pelo pintor Piet Mondrian e pelo arquiteto Theo van Doesburg da corrente artística De Stijl, cujo objetivo era o aperfeiçoamento da atividade criativa como se de um processo de purificação se tratasse, sem olhar à história, optando por um estado de imunidade histórica, primavam pela utilização de formas mínimas e figuras geométricas simples.

De Stijl foi

um movimento artístico e cultural, transversal a todas as formas de arte, tendo ficado marcado pela quebra que provocou na tradição da procura de novas expressões – da forma, da técnica e da estética – que melhor se harmonizassem com os progressos e os novos gostos que as sociedades ocidentais tinham desenvolvido. Essas novas tendências deram destaque à sensibilidade e à fantasia, ao requinte estético e à imaginação. “A sua ideologia

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prevê uma sociedade sem classes, propõe o nivelamento do modo de vida (…) reconhece ao artista-projetista uma posição de privilégio e uma função de guia”41

Segundo Carlo Argan42(1902-1992), dentro da corrente funcionalista temos que

destacar o racionalismo e o organicismo. E dentro do racionalismo temos ainda o formal de Corbusier na França, o metodológico didático da Bauhaus na Alemanha, o ideológico do Construtivismo russo, o formalista do Neoplasticismo holandês e o empírico de Alvar Alto (1898-1976). O organicismo foi liderado por Frank Lloyd Wright (1887-1959). O racionalismo foi uma tendência arquitetónica que originou o pensamento das correntes abstratas da arte moderna, que tinham como máxima a aplicação dos novos saberes científicos, a utilização dos novos equipamentos, o aproveitamento dos novos materiais, os modelos pré-fabricados e a utilização padronizada, levando a uma visão mais pragmática, menos poética, mais racionalista e tendo por base a funcionalidade da arquitetura.

As obras de arte revelam-se e assumem-se como formas de expressão, são o resultado das conexões urdidas entre a sensação e a razão, entre o sensitivo e o pensamento, a sensibilidade assume-se como algo inerente ao sujeito e a razão assume-se como o saber reunindo o que é resultante do conhecimento. A correlação e as influências que cada uma exerce sobre a outra concorrem para o desenvolvimento da ideia que irá culminar na produção artística.

41A

RGAN, Giulio Carlo, Arte e Critica de Arte, trad. Hel. Gubernatis, Editorial Estampa, Lisboa, 2010,p.40

42

ARGAN, Giulio Carlo, Arte moderna: do iluminismo aos movimentos contemporâneos, trad. Denise

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