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O presente grupo de emoções não é definido como pertencente a um tipo de avaliação específico. Foram incluídas nos questionários porque fornecem bastantes diferenças estatisticamente significativas entre os vários grupos e subgrupos. No entanto os resultados obtidos não podem ser interpretados como se de um único grupo se tratasse. Aqui estão concentrados os diferentes tipos de avaliação, o que torna a sua análise dependente da compreensão dos grupos anteriores.

Esta observação é importante por dois motivos: em primeiro lugar esta análise só se pode fazer se se tiver compreendido a contribuição de cada um dos grupos anteriores para a avaliação das cadeiras de rodas; em segundo lugar, a maior concentração de diferenças estatisticamente significativas deste grupo mostra que foram bem escolhidas para integrarem os questionários.

A questão que se pode pôr neste momento é se apesar de se verificar um elevado número de diferenças na tabela, a análise que se faz deste grupo não será apenas uma constatação do que já foi observado nos grupos anteriores. Algumas respostas não resultam claras se apenas se observar esta tabela, que servirá aqui apenas como uma confirmação do que foi analisado até este ponto.

Para os utilizadores a cadeira 4 continua a ter uma conotação negativa para o subgrupo com elevado nível de escolaridade. As cadeiras 1, 2 e 6 também são avaliadas negativamente pelos subgrupos com situação profissional activa e/ou actividades fora do contexto profissional.

No grupo dos não utilizadores continua a verificar-se que o elevado nível de escolaridade tem uma influência negativa na escolha de cadeiras tradicionais como a 4 ou 5. O género e idade misturam-se com a escolaridade na escolha deste grupo de cadeiras, continuando o nível de escolaridade a ser um dos factores importantes na avaliação negativa das cadeiras tradicionais, 4 e 5.

Um dado curioso é o facto da cadeira 5 ser avaliada negativamente na Inspiração e

Divertimento por utilizadores mais idosos, e a cadeira 4 que é praticamente idêntica em

termos funcionais (e estéticos na sua maior parte) não ser avaliada da mesma forma. Estas três emoções tomam um carácter bastante particular, com um significado muito dependente da pessoa que está a avaliar, que é difícil identificar com apenas estes subgrupos.

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Tabela 36. Dados significativos entre o Desejo, Inspiração, Divertimento e cadeiras e subgrupos

Cadeira1 Cadeira2 Cadeira3 Cadeira4 Cadeira5 Cadeira6

U N U N U N U N U N U N

Desejo 4/5 2 4 4 5 3 3/5 3 4 2

Inspiração 4 2 4 1/5 3 3/5 2 3 4 1/2

Divertimento 3/4 1/2/3 1/5 1/5 3 3/5 2 3 1/2/5 Legenda da tabela: 1 - género; 2 - idade; 3 - escolaridade; 4 - situação profissional; 5 - actividades fora situação profissional; U - utilizadores; N - não utilizadores

Desejo - Esta emoção apresenta três tipos de avaliação que podem ser referidas como

desejo de consequência, de presença e de identidade. Como é natural verificou-se uma avaliação mais negativa deste ponto pelos não utilizadores de cadeiras de rodas ao longo de todos os inquéritos (ver tabela 1a).

Em algumas entrevistas foi notória uma enorme dificuldade em responder aos inquéritos porque o estigma da deficiência provocado pela cadeira de rodas impedia que fosse considerada um objecto de desejo. Foi mesmo necessário em algumas situações que as pessoas pensassem no objecto como se fosse para uso de outra pessoa que não elas próprias. Esta perspectiva foi geral a todas as emoções dos questionários pelos não utilizadores.

Os não utilizadores com idade mais avançada avaliam negativamente as cadeiras 1 e 6. O elevado nível de escolaridade é negativo em relação à atribuição desta emoção nas cadeiras 4 e 5. A idade mais avançada associa-se de forma negativa com a cadeira 1 e 6. Os utilizadores com elevado nível de escolaridade apresentam associações negativas com a cadeira 4 enquanto que os profissionalmente activos atribuem esta emoção negativamente ás cadeiras 1, 2, 3 e 6. A cadeira 4 apesar de não ser diferenciada pelos utilizadores activos, apresenta na sua média geral de aceitação pelos utilizadores, o valor mais baixo de todo o conjunto de cadeiras (tabela 7a).

Inspiração - A definição desta emoção e a sua manifestação através de novas ideias

aplicada à observação de uma cadeira de rodas tem nos não utilizadores duplo sentido. Uma cadeira de rodas, pelo que representa provoca na maioria dos não utilizadores um

Página | 174 conjunto de emoções contraditórias. Apenas alguns subgrupos atribuem uma maior importância a cadeiras mais evoluídas, ocorrendo o efeito contrário nas cadeiras mais tradicionais. É uma emoção, à semelhança de poucas outras, que potencia algum tipo de perspectiva especial em objectos e que, pelo contrário, avalia negativamente todos os outros.

Para os não utilizadores, as cadeiras 1 e 6 provoca uma menor inspiração para idades mais avançadas, assim como um nível de escolaridade superior avalia negativamente as cadeiras mais tradicionais como a 4 ou 5.

Os utilizadores apresentam regra geral uma atitude mais positiva na observação das cadeiras. No subgrupo de profissionais activos verifica-se uma avaliação negativa das cadeiras 1, 2 e 6. Factores como a instabilidade da cadeira ou a sua menor capacidade de transporte poderiam estar na base desta escolha, mas a cadeira 2 nestes pontos é diferente das outras duas. Ainda muitos utilizadores preferem cadeiras de fecho vertical, o que em alguns casos foi a razão apontada para a cadeira 2 ser incluída. Pode-se afirmar que para este subgrupo a base da escolha é maioritariamente através de critérios funcionais porque necessitam de uma grande mobilidade.

Divertimento - Esta emoção está normalmente associada a estímulos com humor

(Ruch, 1993). A presença de elementos incongruentes, inesperados e ilógicos são também uma constante neste tipo de estímulo. No caso das cadeiras de rodas esta emoção, se associada ao nível de escolaridade e a não utilizadores, não se encontra nenhum tipo de cadeira que seja estatisticamente significativa.

Já no género masculino encontramos uma atribuição positiva para as cadeiras 1, 2, 3 e 6. Só não se verifica esta diferença para as cadeiras 4 e 5, que são as mais tradicionais. O factor idade revela que são as pessoas mais novas a atribuir maior importância a esta emoção para as cadeiras 1 e 6.

Para o grupo de utilizadores e fazendo uma análise idêntica, observa-se que as pessoas com idade mais avançada atribuem menor significado a esta emoção perante a cadeira 5, tradicional. Uma situação profissional activa permite a atribuição de maior importância a esta emoção na cadeira 1. Já os inquiridos com elevado nível de escolaridade atribuem menor significado para as cadeiras 4 e maior para a cadeira 1. Em relação a utilizadores profissionalmente activos apenas a cadeira 1 se revela estatisticamente significativa e negativa.

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