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4. VARIABLENE

4.2 D EFINISJON AV VARIABLER

4.2.3 Justeringer og kilder

A partir da busca de respostas ao desafio teórico de compreender o gênero como uma categoria de análise, aflora seu potencial para problematizar não apenas o que se refere à fa- mília e ao sexo, mas também às esferas econômica, política e cultural da vida e das tempora- lidades das/os professoras/es. Mobilizar a categoria de gênero nos remete a todas as formas de construção social, cultural e linguística, implicadas com processos que diferenciam mulheres de homens, incluindo aqueles processos que produzem seus corpos, distinguindo-os e nome- ando-os como corpos dotados de sexo, gênero e sexualidade, conforme nos advertem Joan Scott (1995), Judith Butler (2003), Guacira Louro (1997), dentre outras.

Nesse sentido, a preocupação não é fazer uma descrição superficial da experiência co- tidiana dos tempos livres de professoras e professores, mas extrair em profundidade, dessas experiências, as relações de poder, mostras de desigualdades, igualdades e equidades nas rela- ções sociais e nas práticas culturais desses atores. Entendemos o gênero como “um elemento constitutivo de relações sociais baseadas nas diferenças percebidas entre os sexos”, como “u- ma forma primária de dar significado às relações de poder” (Joan SCOTT, 1995, p. 78-79). Essa categoria pode ser um meio de se decodificar o significado e de compreender as comple- xas conexões entre as várias formas de professoras e professores viverem os tempos livres fora da escola.

Ainda no contexto dos gêneros, como se constitui, na experiência cotidiana do tempo, a relação entre corpo, trabalho e temporalidades? De outra parte, que sentimentos as/os docen- tes designam, sentem e interpretam a sua relação com o corpo?

Pensar nos gêneros remete diretamente à corporeidade, assim como pensar nas tempo- ralidades remete-nos à corporeidade, aos gêneros e vice-versa. Primeiro porque, na expressão de David Le Breton (2010; 2012), a existência da mulher e do homem é corporal, uma vez que existir significa mover-se, agir, ser, subsistir, transformar-se. Sendo assim, o corpo é uma construção social e cultural, assim como é fluxo e movimento, objeto de representações e i- maginários relativos ao gênero, aos ciclos da vida e outros sistemas simbólicos de ordem temporal e outras tantas.

45 O autor declara que todas as ações que tecem a trama da vida cotidiana, desde as mais fúteis àquelas mais importantes, envolvem a mediação da corporeidade, o que faz do corpo um vetor semântico pelo qual mulheres e homens constroem a sua relação com o mundo, a- través do trabalho, da expressão dos sentimentos, dos ritos de interação, da produção da apa- rência, da relação com a dor, com o sofrimento, dentre outros. Do corpo nascem e se propa- gam as significações que fundamentam a existência individual e coletiva, tornando-o o eixo da relação com o mundo, o lugar e tempo nos quais a existência toma forma através da ex- pressão singular do indivíduo, lugar de rompimento e de diferencial, ou seja, é pela corporei- dade que o indivíduo constrói suas experiências (David LE BRETON, 2012).

No mundo contemporâneo vê-se diversas construções da corporeidade humana. Nesta pesquisa, nos atentaremos, de um lado, às relações entre corporeidade humana, práticas labo- rais e processos de compensação e regeneração do corpo, ou seja, o corpo como motor que executa o trabalho. Contudo, esse corpo necessita recompor as suas forças, em tempos e ativi- dades apropriadas para isso, conforme Erich Weber (1968). Por outro lado, interessam-nos as relações implicadas na corporeidade inscrita no trabalho docente, na corporeidade implicada na condição docente – as faces do corpo na condição docente, nos termos de Marlene Araújo (2004). De igual forma, é necessária a discussão da produção da aparência, o controle em re- lação às necessidades físicas, a obrigação de manter o corpo inserido no padrão social e cultu- ral vigente, seja de forma estética e/ou física, sem distinção entre mulheres e homens, na vida social em geral e no exercício da docência, em especial. O corpo passou a ser modelado, ma- nipulado, trabalhado, enfeitado e imitado, o que faz do Brasil o terceiro mercado consumidor de cosméticos do mundo, consoante Mirian Goldenberb (2007).

O conjunto das considerações acima nos faz pensar que a experiência dos tempos li- vres cotidianos de professoras e professores fora da escola está atravessada por um conjunto de desafios, tensões e conflitos, os quais demonstram que elas e eles vivem em um misto de excesso e falta do tempo, como já destacou Inês Teixeira (1998). Também vivem imersas/os num turbilhão de trabalhos sem fim, como os estudos sobre a ampliação e intensificação (Inês Teixeira (1998); Andy Hargreaves (1998); Michael Apple (1998)) já evidenciaram. Professo- ras e professores vivem em meio à precarização do trabalho, devido à falta de políticas de valorização da escola pública e do/a trabalhador/a docente, sobretudo no decorrer das refor- mas decorrentes da globalização atual, conforme Dalila de Oliveira (2003; 2004), Graça Druck (2002), dentre outros, demonstraram em suas pesquisas. Desse modo, é possível supor que a cada dia que passa as/os docentes tem menos tempo livre.

46 Segundo Danilo Martuccelli (2007), um dos maiores desafios dos indivíduos, na con- temporaneidade, tem sido a articulação temporal das diferentes esferas da sua vida, a qual tem se revelado, não unicamente, como “uma experiência marcada por desequilíbrios temporais e que se inscreve como uma conjuntura particular” (Khatya ARAUJO e Danilo MARTUCCELLI, 2012. p. 161). O indivíduo tem sido marcado por uma sobrecarga de traba- lho, por isso pouco circula livremente e sem preocupações pelos espaços e lugares de vivên- cia, pouco convive com os familiares ou tem estabelecido novos vínculos sociais e novas prá- ticas culturais. Seus tempos livres cotidianos tornam-se cada vez mais raros. O excesso per- manente de atividades torna-o cada dia mais distante da sua própria vida e da vida das pessoas mais próximas. Constantemente ele está acumulando funções, submetido ao cansaço, ao es- tresse, à urgência, em meio a uma falta crônica de tempo (Khatya ARAUJO e Danilo MARTUCCELLI, 2012).