4.0 ANALYSE
4.4.3 Justering og samkjøring av personell, systemer og partnerinfrastruktur
Esta pesquisa tratou da análise crítica da formação do tutor nos cursos de
Pedagogia na modalidade a distância. A mensagem de conteúdo acadêmico trouxe
informações obtidas por meio de coleta de dados nos documentos analisados. Para
compreendê-los, a interpretação da mensagem foi feita a partir da análise de
conteúdo.
Franco apud Bardin (2012) diz que
A análise de conteúdo é um conjunto de técnicas de análise de comunicações, que utiliza procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens... A intenção da análise de conteúdo é a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção e de recepção das mensagens, inferência esta que recorre a indicadores (quantitativos, ou não) (FRANCO apud BARDIN, 2012, p. 26).
A análise dos materiais, dentre eles os documentos que normatizaram a EaD
no Brasil; as leis e resoluções, portarias e pareceres; os gráficos e tabelas, objetivou
mostrar o caminho da EaD no Brasil, bem como a formação dos professores dos
anos iniciais da educação básica dentro dessa modalidade. Todos os documentos
corroboraram para a análise documental deste trabalho.
19 Os Gestores de Alta Performance (GAP) são assim denominados porque ocupam posições
estratégicas com desempenho reconhecido em atividades acadêmicas, administração pública, implantação de projetos e outras realizações.
Para Franco, como pré-análise de conteúdo, pode-se dizer que
A escolha dos documentos depende dos objetivos da investigação, o alcance dos objetivos só será possível a partir da disponibilidade dos documentos; os indicadores construídos em função das hipóteses, ou pode ser que as hipóteses venham a ser construídas em função da identificação de certos indicadores (FRANCO, 2012, p. 53).
Para a coleta de dados, foi realizado um mapeamento sobre a tutoria no curso
de Pedagogia, por meio de pesquisas realizadas na implementação da modalidade
EaD na UAB, no Portal do Educador, Censo de Educação Superior do Inep, e
também do Censo EaD.Br 2013.
Gráfico 1: Evolução das matrículas de educação superior de graduação, por modalidade de ensino – Brasil (2003-2013)
Fonte: MEC/Inep
No período de 2012-2013, observa-se que crescem as matrículas (3,9%)
nos cursos presenciais e nos cursos a distância (3,6%).
Os cursos a distância já contam com participação superior a 15%, na
matrícula de graduação.
Também é perceptível que o trabalho do tutor não é abordado nas
pesquisas. Não foram encontrados dados semelhantes em relação a professores e
tutores para que pudessem ser analisados.
Gráfico 2 – Evolução do número de ingressantes na educação superior de graduação, por modalidade de ensino – Brasil (2003-2013)
Fonte: MEC/Inep
Entre 2012 e 2013, o número de ingressantes se manteve praticamente
estável, com variação negativa de 0,2%. Os ingressos em cursos presenciais tiveram
variação positiva de 1,0%, enquanto que nos cursos EaD houve redução de 5,0%.
É possível observar que o número de matrículas cresceu, o de ingressantes
reduziu, logo, se conclui que há interesse pelos cursos, mas não se mantém.
E por que o interesse não se mantém? O que pode estar acontecendo para
que o número de ingressantes esteja reduzido, se o número de matrículas cresce?
Como coletar dados a respeito dos ingressantes na educação a distância para
compará-los com precisão? Nem mesmo o Inep nos dá pistas. Não encontramos
dados suficientes para comprová-los.
Observa-se, na Tabela 1, que os cursos de licenciatura têm participação
significativa (de 9,65%) de todos os cursos a distância. Se considerados apenas os
cursos de graduação a distância, os de licenciatura chegam a 29,63% do total.
Na Tabela 1, chamam a atenção os valores nos cursos de licenciatura, que
são bastante significativos. Do ponto de vista social, vemos que o mercado está
desvalorizando o profissional que cursa a licenciatura. Em qualquer curso da
graduação escolhido, não há reflexão acerca dessa situação.
Tabela 1 – Participação significativa nos cursos de licenciatura a distância
.
Fonte: Censo EAD.BR 2013
A Tabela 2 indica que as instituições buscam um mercado menos
demandante do que gostariam ou que ainda estão em processo de definição da sua
própria demanda.
Tabela 2 – Características institucionais de cursos regulamentados na EaD
Fonte: Censo EAD.BR 2013
Nas graduações, a média vai até 1.860 alunos por curso, em instituições que
ministram tanto bacharelado quanto licenciatura.
As regiões Sudeste e Sul sobressaem nos dados demonstrados nas tabelas.
O mesmo acontece para as áreas de conhecimento na EaD.
Ainda na Tabela 3, os dados demonstram, novamente, o predomínio das
regiões Sudeste e Sul no que se refere às Ciências Humanas e Sociais.
Tabela 3
– Cursos regulamentados totalmente a distância oferecidos pelas
instituições em 2013
Fonte: Censo EAD.BR 2013
Torna-se evidente, ainda mais, os predomínios econômico e de formação,
além da possibilidade de uma educação mais democrática. O predomínio de
formação de professores nos cursos presenciais também é visível. As IES utilizam
essas formações para mandar seus professores para outros lugares do País.
E, por fim, a pós-graduação aparece nesses centros como polo disseminador
de culturas, e berço de formação da EaD.
Na Tabela 4, verifica-se que o tutor recebe treinamento em instituições e/ou
empresas. O conhecimento da tecnologia, porém, não está evidenciado.
Tabela 4 - Treinamento de professores e tutores para o uso da tecnologia nos cursos
de instituições participantes do Censo EAD.BR 2013
Fonte: Censo EAD.BR 2013
A mesma constatação é demonstrada na Tabela 5.
Tabela 5 - Finalidade do treinamento de professores e tutores para a atuação nos
cursos oferecidos pelas instituições participantes no Censo EAD.BR 2013
Fonte: Censo EAD.BR 2013
A maioria das empresas (84,5%) realiza treinamento de professores e tutores
nas tecnologias adotadas;
Parte significativa das instituições oferece treinamentos para o uso do AVA
(37,5%) e das ferramentas utilizadas nos cursos (35,1%);
O menor número de respostas para treinamento refere-se à preparação e ao
desenvolvimento dos cursos (25,3%), apesar de corresponder a um total
significativo de respostas.
Gráfico 3 - Foco de investimentos de serviços realizados pelas instituições formadoras/fornecedoras de EaD participantes do Censo EAD.BR 2013 e dos previstos para 2014
Fonte: Censo EAD.BR 2013
Os maiores investimentos em 2013, apontados no Gráfico 2, foram em
produção de conteúdo, cursos completos a distância e capacitação de tutores
para EaD;
Previa-se para 2014 que essas áreas receberiam maior investimento também;
O maior decréscimo de investimentos previstos para 2014 foi na capacitação
de tutores.
Na amostra, verifica-se que a capacitação do tutor que atua na EaD ora está
em alta ora em baixa.
O próprio Censo EaD 2013.BR destaca que um dos fatores para o sucesso de
um programa de EaD é a capacitação e o acompanhamento contínuo dos docentes,
de modo a instrumentalizá-los para o uso efetivo das novas tecnologias, porém, não
há esclarecimentos sobre a formação dos novos educadores.
Para Almeida M. (2012, p. 212), o papel do tutor tem sido amplamente
investigado, porque é o profissional que acompanha o curso na EaD e orienta seu
aluno durante as aulas, os fóruns e as teleconferências. O tutor não é um mero
respondedor de perguntas, mas tem papel fundamental na política da EaD.
No Gráfico 2, os dados refletem que o menor investimento foi na capacitação
de tutores. Inegavelmente, há uma contradição, que mostra importância na
demonstração de dados quantitativos e não na formação em termos de qualidade.
Por esse motivo, esta pesquisa torna-se relevante aos propósitos da formação de
tutores.
Nessa perspectiva, vamos além do que o Gráfico 2 revela para compreender
o que não está explícito nas respostas oferecidas pelos sujeitos de estudo, no caso,
a formação de tutores versus investimentos.
Há interesse na pesquisa acadêmica, quanto à formação de professores,
mas, de fato, não acontece, no momento dos investimentos. Ademais, a perspectiva
de discussão é muito interessante, visto que a academia aborda incansavelmente a
tutoria, mas o investimento na formação desses profissionais acaba não existindo.
Segundo Mill,
Ao tutor, dentro das IES, é importante ter muita disciplina, organização e responsabilidade, inclusive para respeitar aos seus próprios tempos e espaços de trabalho e descanso. A disciplina, o planejamento e a execução do trabalho são processos obrigatórios para você vencer as intenções pedagógicas propostas. Mas se não investem nessa categoria como haverá qualidade na formação dos alunos? (MILL, 2006, p.244).
Contudo, melhorar o equipamento ou melhorar infraestrutura, não significa
que o profissional está melhor capacitado.
Um curso superior a distância precisa estar ancorado em um sistema de comunicação que permita ao estudante resolver, com rapidez, questões referentes ao material didático e seus conteúdos, bem como aspectos relativos à orientação de aprendizagem como um todo, articulando o estudante com docentes, tutores, colegas, coordenadores de curso e disciplinas e com os responsáveis pelo sistema de gerenciamento acadêmico e administrativo. Para atender às exigências de qualidade nos processos pedagógicos devem ser oferecidas e contempladas, prioritariamente, as condições de telecomunicação (telefone, fax, correio eletrônico, videoconferência, fórum de debate pela Internet, ambientes virtuais de aprendizagem, etc.), promovendo uma interação que permita uma maior integração entre professores, tutores e estudantes (BRASIL. MEC, p. 11).
Tutor e aluno devem sincronizar a partilha de conhecimentos e o trabalho em
equipe. Somente com essa conduta os resultados serão bons e, de fato, com a
qualidade desejada tanto pelo profissional quanto pela IES.
4 CURRÍCULO ESSENCIAL
A literatura especializada tem registrado, ao longo dos tempos, diferentes
significados para a palavra currículo e predominam os que associam currículo a
conteúdos e os que vêem currículo como experiências de aprendizagem.
Curriculum vem do latim, que significa o caminho, a escola (clássica),
relação que uma escola vai encarar.
Segundo Moreira (2001, p. 39), outras concepções apontam para a ideia de
currículo como plano, objetivos educacionais, texto e, mais recentemente, quase
sinônimo de avaliação.
Henry Giroux (1983) concebe o currículo como política cultural, sustentando
que não transmite apenas fatos e conhecimentos objetivos, mas também constrói
significados e valores sociais e culturais. Vê o currículo por meio dos conceitos de
emancipação e libertação.
Para Apple (2006, p.40),
o currículo representa, de forma hegemônica, as estruturas econômicas e sociais mais amplas. Assim, o currículo não é neutro, desinteressado. O conhecimento por ele corporificado é um conhecimento particular. Importa saber qual conhecimento é considerado verdadeiro. A reprodução social não se dá de forma tranquila, há sempre um processo de contestação, conflito, resistência (APPLE, 2006, p.40).
Admitir a importância e a necessária articulação dos diferentes elementos
enfatizados em cada uma das concepções apresentadas e, ao mesmo tempo,
considerar o conhecimento como a matéria-prima do currículo, faz entender, então,
currículo, como um “conjunto de experiências de conhecimento que a escola oferece
aos estudantes” (MOREIRA, 2001, p. 39).
Por ter papel fundamental, como citado anteriormente, dentro da atuação do
tutor, também faz-se primordial na investigação o significado de currículo.
Sacristán diz que currículo é tratado como conceito pedagógico há pouco
tempo.
no entanto, é uma realidade prévia muito bem estabelecida através de comportamentos didáticos, políticos, administrativos, econômicos, etc., atrás dos quais se encobrem muitos pressupostos, teorias parciais, esquemas de racionalidade, crenças, valores, etc., que condicionam teorização (SACRISTÁN, 2000, p.13).
A forma de inserção e abordagem do currículo na graduação de Pedagogia
na modalidade EAD é, em si mesma, indicadora de uma opção pedagógica de
propiciar ao aluno a construção de um conhecimento significativo em que ele se
revela ao mundo através da linguagem, quer seja ela natural, quer seja artificial,
como é o caso da linguagem computacional.
Fazer e elaborar o currículo na graduação a distância, mostrou-se tarefa na
qual a relação professor-aluno, as tarefas dialógicas e também problematizadoras,
acontecem num esquema teórico que funciona e se impõe de fora para dentro.
Os currículos são a expressão do equilíbrio de interesses e forças que gravitam sobre o sistema num dado momento, enquanto que através deles se realizam os fins da educação no ensino escolarizado. Por isso, querer reduzir os problemas relevantes do ensino à problemática técnica de instrumentar o currículo supõe uma redução que desconsidera os conflitos de interesses que estão presentes no mesmo (SACRISTÁN, 2000, p. 17).
Devido a essa imposição no currículo, o aluno, quando não é reconhecido
como sujeito do “fazer”, tem sua aprendizagem de forma unilateral, mecanizada e
com problemas técnicos. Portanto, o tutor, na posição de colaborador diante dos
fatos, compromete-se a discutir todo o percurso e asreflexões da prática docente
com e para os seus alunos.
Pensando na EaD como atividade privilegiada, do profissional em formação,
Freire (1996) contextualiza o respeito pelo conhecimento, cultura e autonomia dos
alunos, e a valorização dos saberes dos alunos. O professor/tutor é gestor da busca
emancipatória de conhecimentos por seus alunos. A solução acontecerá se houver,
em afinado consenso, a parceria democrática construída com o diálogo virtual ou
presencial. Cultivar essa aprendizagem colaborativa melhora consideravelmente a
qualidade da educação.
Devido a essa imposição, o tutor não é reconhecido como sujeito do “fazer
currículo”, pois esse currículo se apresenta de forma mecanicista e com problemas
técnicos.
Giroux (1987) ainda acrescenta que a participação é uma “ação qualificada
porque tem uma intencionalidade definida. Salienta que, desde o modo de aprender,
desde os conteúdos, tudo deverá e poderá ser questionado”.
Noffs (2003) também defende que é necessário descobrir formas de interligar
o ensino, transformar, para propiciar consciência crítica e o aprender apropriado.
Para tanto, o ser humano, através dos seus conhecimentos, transforma-o o
tempo todo, seja em ambiente virtual ou presencialmente.
Há que se refletir que novos caminhos serão abertos àqueles que lutam e
desejam fundamentar a escola em favor de e para seus alunos.
Freire defende o respeito pelo conhecimento, pela cultura e autonomia dos
alunos, e a valorização dos saberes dos alunos.
Nada que diga respeito ao ser humano, à possibilidade de seu aperfeiçoamento físico e moral, de sua inteligência sendo produzida e desafiada, os obstáculos ao seu crescimento, o que se possa fazer em favor da boniteza do mundo como de seu enfrentamento, a dominação do sujeito, a liberdade por que deve lutar, nada que diga respeito aos homens e às mulheres pode passar despercebido pelo educador progressista (FREIRE, 1996, p. 162).
Gatti (2008) relata com propriedade que a prática escolar não pode ficar
separada, na matriz curricular de formação dos professores. Chama a atenção que
devem ser articuladas com os fundamentos e conteúdos específicos.
O conceito básico que consta das orientações existentes sobre a formação de professores é que sua organização institucional deve ser realizada numa estrutura com identidade própria, sendo que as práticas, na matriz curricular, não devem ser reduzidas a um espaço isolado, mas que sejam postas em articulação com fundamentos e conteúdos específicos, devendo estar presentes desde o início do curso e permear toda a formação do professor. Os estudos mostram que os currículos oferecidos pelas IES estão longe de realizar na prática esse conceito (GATTI, 2008).
O currículo, na EaD, vive a dicotomia entre o professor que elabora o projeto
pedagógico e o tutor que acompanha o trabalho dos alunos. Como diria Freire
(1996) “isso colabora para a desesperança”. Mesmo na modalidade a distância, é
fundamental criar oportunidades e situações de estudo coletivo, discussões que
envolvam a docência, reconstruindo seus diversos papéis em colaboração com a
educação do próximo, ou seja, tutores e alunos futuros professores.
Nessas oportunidades, serão discutidas as estratégias e compreensões sobre como explorar as atividades junto aos estudantes, para que todos se sintam em parceria. Essa formação continuada da docência deve prosseguir periodicamente depois de iniciadas as aulas, apoiando-se nos resultados que estudantes forem apresentando. Somente docentes bem preparados e apoiados poderão superar as desesperanças e fazer uma educação progressista (ABED, 2014, p. 43).
Para Mello, os conteúdos necessários para o desempenho do tutor na
formação do professor da educação básica devem aprimorar as práticas
educacionais. Assim
A lei manda que o professor de educação básica construa em seus alunos a capacidade de aprender e de relacionar a teoria à prática em cada disciplina do currículo; mas como poderá ele realizar essa proeza se é preparado num curso de formação docente no qual o conhecimento de um objeto de ensino, ou seja, o conteúdo, que corresponde à teoria, foi desvinculado da prática, que corresponde ao conhecimento da transposição didática ou do aprendizado desse objeto? Enquanto a educação básica é um serviço principalmente do setor público, a formação de professores para a educação básica é realizada com importante aporte do setor privado. No futuro, a boa qualidade dos professores poderá eliminar os custos de organização dos grandes empreendimentos de capacitação ou educação continuada destinados a ensinar àqueles que, se tivessem aprendido a aprender, poderiam ser gestores da própria atualização profissional. Com professores bem preparados, a educação continuada poderia ser quase inteiramente realizada na escola, sem a parafernália dos grandes encontros de massa, que os tornam eventos de interesse maior para a hotelaria do que para a educação (MELLO, 2000, p. 100-101).