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7.1 Estudo Genotípico da região RRE da gp41 de vírus HIV-1 isolados de pacientes no Ceará

7.1.1 Caracterização clínica, epidemiológica, imunovirológica e terapêutica dos pacientes submetidos ao estudo genotípico do RRE

Amostra reduzida e pouco representativa em termos populacionais, mas apresentando maior prevalência do sexo masculino, composta de pacientes adultos jovens. Sd. Diarréica e Sd. Consuptiva prevaleceram como sintomas relacionados a AIDS apresentados. A via transmissional mais frequente foi heterossexual.

Houve maior beneficio imunológico ao longo do tempo no grupo T comparado ao grupo F. Não houve diferença quanto ao benefício virológico, percentual de indetecção da Carga Viral, entre os grupos em tratamento (Grupos T e F).

7.1.2 Definição das principais mutações individuais apresentadas por pacientes em terapia antirretroviral com Inibidor de Fusão (T20) com Genotipagem prévia da Transcriptase Reversa e Protease

Os Grupos T e F foram expostos previamente às três classes de drogas mais frequentemente utilizadas (Inibidores da Transcriptase Reversa e Protease). As mutações mais prevalentes encontradas nas Genotipagens realizadas no Grupo F para ITRN foram 41L, 67N e 214F, para ITRNN a K103N, e para IP a mutação não polimórfica mais prevalente foi 54V.

7.1.3 Análise do Perfil Mutacional da RRE de vírus sequenciados no Ceará

Nas sequências de vírus isoladas no Ceará a mutação de resistência 54M foi a mais prevalente nos três grupos, embora considerada com pouco impacto na susceptibilidade viral aos Inibidores de Fusão, em estudos prévios. Portanto, podendo ser considerada como polimorfismo natural nesta região.

A 32L foi estatisticamente mais prevalente no grupo N, sendo considerada polimorfismo natural, por não apresentar alteração da susceptibilidade viral. A 46K parece ser um polimorfismo característico das cepas regionais do Ceará e do Brasil e subtipo B, sendo encontrada em alta prevalência nos três grupos estudados comparadas a amostras de outras localidades mundiais. A 69I foi considerada polimorfismo de alta prevalência no grupo T.

Avaliando o impacto das mutações encontradas nos três grupos, no aumento da IC50, detectou-se perfil de resistência a Inibidores de Fusão

em três amostras sequenciadas no grupo F.

O subtipo B prevaleceu na amostragem, exceto por uma cepa do subtipo F no grupo virgem de terapia antirretroviral (N).

7.1.4 Avaliação das substituições de nucleotídeos na região dos aminoácidos 32 a 56 da RRE em vírus sequenciados no Ceará

A 49D parece ser um polimorfismo característico de vírus virgens de terapia na região do Ceará, comparada a amostragem brasileira.

Nos sítios primários de ligação do Rev-RRE das haste-alças IIB e IID foram encontradas mutações nos códons 27 e 28, com maior

predomínio da última no grupo F. Porém, sem alteração no nucleotídeo de ligação ao Rev.

Detectou-se alta prevalência de mutações sinônimas no Grupo N e diminuição destas nos Grupo T e F, sugerindo pressão seletiva na região HR1 da gp41, consequente ao decréscimo da variabilidade genética encontrada em cepas selvagens. Portanto, sugerindo uma tendência de mutações ou polimorfismos, na região HR1, em pacientes tratados com associações de antirretrovirais sem Enfuvirtida, que poderiam alterar a sensibilidade a esta classe de drogas.

7.2 Estudo Fenotípico e Citopático do vírus modificado pNL4-3 do HIV-1 com Mutação G→D no Códon 36

Não houve diferença nas curvas de replicação viral entre os vírus 36D e 36G, nos grupos controle e tratados com Enfuvirtida. O vírus 36D parece ter atividade fusogênica diminuída, embora mantenha a sua infectividade e consequente mortalidade celular comparável ao do vírus 36G. O vírus 36G é sensível ao T20, apresentando maior sobrevida celular, pela eficácia na inibição viral por esta droga.

Em conjunto, estes dados sugerem que o aminoácido na posição 36, na hélice N, é um crítico regulador para mudanças estruturais do ectodomínio da gp41. A capacidade de formação sincicial parece estar mais relacionada à mortalidade celular que à capacidade replicativa viral, apontando para a importância da inibição deste evento para preservação das células T in vitro.

8 CONCLUSÕES

8.1 Estudo Genotípico da região RRE da gp41 de vírus HIV-1 isolados de pacientes no Ceará

O resultado do estudo identificou baixa resistência aos inibidores de fusão em pacientes utilizando esta classe terapêutica.

A diminuição de mutações sinônimas em pacientes expostos à TARV sem inibidor de fusão evidencia pressão seletiva nesta região com possibilidade de desenvolvimento de resistência precoce a esta classe quando utilizada em regimes terapêuticos. Sugerimos que a escolha da terapia de resgate deva ser guiada por Genotipagem, com ampliação desta para a região do envelope.

As mutações 54M, 32L, 49D e 69I foram caracterizadas como polimorfismos virais no estudo e a 46K como polimorfismo regional do Brasil.

Este estudo mostrou alterações nos códons 27 e 28 de aminoácidos em sítios primários de ligação do RRE ao Rev, sugerindo polimorfismos e corroborando a hipótese de elevada conservação do RRE no HIV-1, independente da exposição a antirretrovirais contendo ou não inibidores de fusão.

8.2 Estudo Fenotípico e Citopático do vírus modificado pNL4-3 do HIV-1 com Mutação G→D no Códon 36

A mutação G36D demonstrou correlação com a atividade fusogênica e formação de sincício, podendo aumentar a sobrevida celular, embora sem impacto na replicação viral. Este dado sugere possível manutenção de efeito de atividade residual in vivo em pacientes falhando à Enfuvirtida na presença desta mutação.

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