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2. JURIDISK HOMOHISTORIE I DANMARK OG NORGE

2.3 Juridisk beskyttelse av homofile parforhold

Ainda hoje se conserva na localidade de Juba, uma forma “primitiva” de propriedade de produção. Segundo Marx, este modelo de propriedade constitui como,

“[...] a propriedade da tribo. [...] corresponde a esse estágio de trabalho rudimentar da produção, quando um povo se alimenta da caça e da pesca [...] da agricultura. [...] a divisão de trabalho é ainda muito pouco desenvolvida e se limita a maior extensão da divisão natural do trabalho que é oferecida pela família” (MARX, 1996, p. 47).

Dentro desta ótica fica evidente a responsabilidade de mulheres e homens, no processo de produção de suas representações entrelaçadas aos saberes, às práticas, às narrativas, às memórias, como fundamentos do princípio do trabalho educativo formal e informal das mulheres andirobeiras. Neste quadro de atribuições, é possível observar as tarefas destinadas a cada sujeito que compõe a família, mesmo àqueles cuja força de trabalho é bem menor, como é o caso das pessoas mais velhas. Portanto, na lógica de distribuição de atividade, de trabalho, todos os indivíduos da família colaboram e executam suas obrigações referentes à produção do azeite de andiroba, sem que esta atividade interfira nas outras atividades cotidianas de cada indivíduo. Um fato a ser levado em consideração neste estudo é a presença das crianças no processo de extração do óleo de andiroba.

As crianças desempenham um papel fundamental dentro da atividade de extração do azeite de andiroba. Uma vez, que são elas que, na maioria das vezes, fazem grande parte da coleta das sementes, tanto no mato, quanto nos rios e igarapés. Portanto, todo o processo de coleta, seleção das sementes de andiroba e beneficiamento do azeite ou óleo passa a gravitar o universo imaginário das crianças. Para elas, a atividade de coletar as sementes de andiroba não tem um significado propriamente dito de

obrigatoriedade. Pelo contrário, é visto como uma espécie de brincadeira, associado ao prazer de poder contribuir com a renda da família e a perspectiva de com o trabalho poder adquirir alguns objetos e até alimento. Essa atividade de coleta das sementes desperta o sentimento de fazer parte, de ser parte dessa atividade, simboliza que a criança tem certo destaque entre a família, pois já tem condições de fazer parte desta atividade na sua grande maioria, de responsabilidade dos adultos. Podemos identificar tal questão na fala da menina Laura55, 10 anos de idade: “[...] eu gosto de ir pro mato com a mamãe catar o azeite [as sementes de andiroba],agente entra no mato e ela vai me ensinando o nome das plantas, dos bichos, eu gosto”.

Perceber –se que, neste caso, a criança demonstra ter uma certa satisfação em poder ajudar na economia da família, e também de fazer parte desse universo que envolve a andiroba. Podemos ainda inferir que a criança ao ser ensinada, passa a ter um certo poder sobre o espaço onde mora, e que um dia aquele espaço territorial lhe pertencerá. Porém, para elas, as sementes de andiroba, também representam a entrada de coisas novas na economia da casa, uma vez que, serão vendidas in natura ou então transformadas em óleo, que também será vendido, e desta forma, transformando-se em algo concreto para seu universo material. Portanto, a relação de intimidade que as mulheres desenvolvem desde cedo com a floresta, darão a elas um conhecimento maior e melhor da biodiversidade e dos recursos naturais (SIMONIAN, 2001, p. 39).

É importante ressaltar, que quando as crianças executam a atividade de coleta da andiroba na mata, na maioria das vezes, são acompanhadas por um adulto, como uma tia, a madrinha, o pai ou por alguma pessoa conhecido da família. Pois, esta tarefa pode ser perigosa para elas, uma vez que o período da coleta acontece entre os meses de dezembro a maio, este período do ano considerado muito perigoso, devido a quantidade de chuva na região, o que ocasiona uma maior incidência de acidentes com insetos e cobras venenosas. Aliás, os ribeirinhos acreditam que neste período as cobras estão mais venenosas, porque estão se reproduzindo.

Por outro lado, pode-se notar a presença constante das crianças e dos jovens nas atividades referentes aos processos de extração do azeite de andiroba ou

55 O nome Laura, 10 anos de idade, trata-se de um pseudônimo, uma forma de proteger a identidade de

uma das crianças entrevistadas durante a pesquisa, seu nome verdadeiro constará na relação de fontes orais, porém sem a identificação pela idade.

como dizem as mulheres andirobeiras: processo de estilar56, o azeite. Foi possível

observar durante a pesquisa, que é nestas etapas que o conhecimento a cerca desse saber é repassado com mais intensidade, uma vez que, tanto os jovens, quanto as crianças acompanham e desempenham importantes papeis neste processo de aprendizagem. Pois, o conhecimento adquirido com esta experiência prática, vai passar a fazer parte internamente de seu universo cultural e imaginário, compondo por assim dizer, um espaço significativo nas suas vivências e nas suas práticas cotidianas.

É desta forma que a tradição está sendo mantida e repassada de uma geração para outra. As crianças paulatinamente vão incorporando, construindo e constituindo as matrizes das tradições das comunidades do campo da Amazônia ribeirinha. Elas estão em permanente processo de aprendizagem e de ensino juntamente com os adultos. Todos precisam aprender e ensinar os saberes e as práticas, a fim também de darem prosseguimento à reconstituição das memórias da cultura e da história de vida dos homens e das mulheres dos homens e das mulheres ribeirinhas.

Durante a pesquisa alguns questionamentos surgiram em relação a presença das crianças na atividade relacionada ao processo de extração da andiroba, onde questiono um garoto dizendo: você gosta de recolher no mato as sementes de andiroba? E ele dá um sorriso e responde balançando a cabeça em sincronia à resposta: “[...] eu gosto! Eu vou pro mato juntar o azeite [as sementes de andiroba], teve uma vez, que eu juntei cem quilos de azeite,[risos] agente vende, troca o azeite por biscoito, açúcar, café, agente traz pra casa.” Antônio57, 8 anos de idade. Podemos constatar

através das palavras do entrevistado, que esta atividade acontece cotidianamente, a partir da dinâmica das atividades domésticas e dos pequenos trabalhos executados pelas crianças da família (HÉBETTE; MAGALHÃES; MANESCHY, 2002, p. 96).

Queira ver a seguir um quadro das atividades desenvolvidas por homens, mulheres, jovens, crianças e idosos em torno da extração do azeite ou óleo de andiroba, na Ilha de Juba:

56 Este termo é utilizado pelas senhoras mais velhas, que significa o mesmo que extrair o óleo das

sementes de andiroba. Informações coletadas durante a pesquisa de campo – Julho de 2007.

57 O nome Antônio, 8 anos de idade, trata-se de um pseudônimo, uma forma de proteger a identidade de

um dos entrevistados durante a pesquisa, seu nome verdadeiro constará na relação de fontes orais, porém sem a identificação pela idade.