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juni Nr. 614 2011

In document N ORSK L OVTIDEND (sider 80-89)

O termo emoção deriva do latim movere, mover, pôr em movimento. Para Barreto e Silva (2010) “ a emoção é um movimento de dentro para fora, um modo de comunicar os nossos mais importantes estados e necessidades internas.” (p. 387)

De acordo com Damásio (2000), as emoções são conjuntos de respostas químicas e neurais que formam um padrão. Neste sentido, todas as emoções desempenham um papel regulador que conduz, de uma forma ou de outra, à criação de circunstâncias vantajosas para o organismo. Assim, as emoções estão relacionadas com a vida de um organismo, e o seu papel é ajudar o organismo a manter-se vivo. Para este autor, homens, mulheres e crianças de todas as idades e culturas têm emoções, estão atentos às emoções dos outros e governam as suas vidas, procurando a felicidade.

Goleman (2006) refere, “quanto a mim, interpreto emoção como referindo-se a um sentimento e aos raciocínios daí derivados, estados psicológicos e biológicos, e o leque de propensões para a ação. Há centenas de emoções, incluindo respetivas combinações, variações mutações e tonalidades.” (p.367)

19 “Emoções, como tristeza, alegria e medo, são reações subjetivas a experiências associadas às variações fisiológicas e comportamentais. Todos os seres humanos normais possuem a mesma gama de emoções, mas as pessoas diferem quanto à frequência com que sentem uma determinada emoção, os tipos de eventos que podem produzi-la, as manifestações físicas que apresentam. O padrão característico das reações emocionais de uma pessoa começa a se desenvolver desde muito cedo e é um elemento básico da personalidade.” (p.231)

Segundo Moreira (2007) “As experiências da vida provocam emoções muito variadas: umas emoções deixam-nos abertos e predispostos para a interação e para a exploração (ex. alegria) e outras deixam-nos com pouca energia, com vontade de nos isolarmos e pouco disponíveis para a interação com os outros e para a exploração do meio (ex. tristeza)” (p.2)

Damásio (2000) distingue vários tipos de emoções: emoções primárias, emoções secundárias e emoções de fundo. As emoções primárias são consideradas inatas e comuns a todos os seres humanos (alegria, tristeza, medo, nojo, raiva e surpresa. Relativamente às emoções secundárias, estas são consideradas mais complexas que as primárias e dependem de fatores socioculturais. Exemplos dessas emoções são: a culpa, a vergonha, a gratidão, a simpatia, a compaixão, o orgulho, a inveja, o desprezo, entre outros. Por fim, as emoções de fundo, para este autor, estão relacionadas com o bem-estar ou com o mal- estar interno.

Jensen (2002) afirma que “As emoções são geradas por percursos biologicamente automatizados. ” (p. 113). A alegria, a medo, a surpresa, o repúdio, a raiva e a tristeza são seis emoções universais. Destas seis, apenas o medo e a surpresa, têm um local específico no cérebro.

Os seres humanos, muitas vezes, expressam as suas emoções através do rosto. Charles Darwin, citado porGleitman, Fridlund, Reisberg, defendeu:

(…) a hipótese de que existe um conjunto de expressões faciais universais que representam vestígios de padrões adaptativos revelados pelos nossos antepassados. Por exemplo, a nossa cara “zangada”, frequentemente expressa por sobrancelhas baixas, olhos esbugalhados e boca aberta com os dentes expostos, (…) (Gleitman, Fridlund, Reisberg , 2011, p. 650)

Conforme defende este autor, emoção e sentimento são muitas vezes confundidos e tratados como sinónimos, no entanto, possuem diferenças acentuadas. Moreira (2007) refere, que a “partir das emoções constroem-se e geram-se sentimentos que vão determinar a forma como nos comportamos.” (p.3).

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Damásio (2000), por sua vez, refere que o que distingue sentimento de emoção é que emoção é orientado para o interior e o sentimento é eminentemente exterior, ou seja, “As emoções ocorrem no teatro do corpo” (…) “Os sentimentos ocorrem no teatro da mente”. O termo sentimento é, portanto, definido pela experiência mental de uma emoção, enquanto que o termo emoção é usado para designar o conjunto de reações, muitas delas observáveis. Damásio (1994) defende que “alguns sentimentos estão relacionados com as emoções, mas existem muitos que não estão. Todas as emoções originam sentimentos, se se estiver desperto e atento, mas nem todos os sentimentos provêm de emoções.” Para Jensen (2002), o sentimento corresponde “as nossas respostas às circunstâncias, desenvolvidas ambiental e culturalmente. Incluem-se exemplos como: preocupação, antecipação, frustração, cinismo, optimismo” (p. 113).

Com base nos estudos de Goleman e Bilbao (2016) defende-se que:

Tal como há uma inteligência racional que utilizamos para resolver problemas lógicos, há uma emotiva que nos ajuda a atingir as nossas metas e a sentirmo-nos bem connosco e com os outros. (…) o cérebro humano tem um âmbito de processamento ao qual chamamos «cérebro emocional» e que se encarrega da faceta emotiva da pessoa. Umas das principais contribuições da inteligência emocional foi a de destacar os sentimentos e as emoções das pessoas. (p.102)

Numa perspetiva etológica, “as emoções desempenham diversas funções importantes para a sobrevivência e o bem-estar humanos” (Papalia, Olds & Feldman, 2006, p.231) A primeira função é a comunicação, que se torna crucial para os bebés que dependem dos adultos para responder às suas necessidades básicas. A segunda função é orientar e regular o comportamento. Esta função ocorre durante a primeira infância e começa a ser transferida do educador para a criança. Brazelton e Sparrow (2003) debruçam-se sobre as teorias do desenvolvimento da criança a nível emocional, referindo que “a aprendizagem das emoções começa pouco depois do nascimento” (p.33). Aos quatro meses a criança começa a explorar e a perceber o impacto que tem nos sentimentos dos outros, principalmente nos seus progenitores. A partir dos seis meses a criança já é capaz de reconhecer e expressar sete emoções diferentes, nomeadamente a alegria, a tristeza, a raiva, o medo, a surpresa, o aborrecimento e o interesse. Durante os nove meses a criança tenta aprimorar a sua leitura nas expressões faciais das outras pessoas, de forma a entender o que estas “têm a dizer-lhes sobre o mundo” (ibidem p.33) Nesta fase, a criança está a construir o seu elo de ligação com as pessoas e a aperceber-se do quanto são importantes para ela. Geralmente, aos dois ou três anos a criança sofre por causa de sentimentos

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contraditórios e de desejos impossíveis. Nesta fase, a criança tenta reconhecer aquilo que se passa dentro de si (ibidem).

Segundo Sroufe (1997), citado por Papalia, Olds e Feldman (2006)

No decorrer do tempo, os bebês respondem mais às pessoas com sorrisos, arrulhos, estendendo os braços (…) Esses primeiros sinais ou indícios dos sentimentos dos bebês são passos importantes no desenvolvimento. Quando os bebês querem algo ou precisam de alguma coisa, choram; quando se sentem sociáveis, sorriem ou riem. (…) No decorrer do tempo, o significado dos sinais emocionais dos bebês muda. Inicialmente, chorar significa desconforto físico; posteriormente, isso mais comumente expresso sofrimento psicológico. O sorriso surge de modo espontâneo como expressão de bem- estar; em torno de 3 a 6 semanas, um sorriso pode demonstrar prazer no contato social. A medida que o tempo passa, os sorrisos e o riso em situações novas ou incongruentes refletem o crescimento da consciência cognitiva e da capacidade de lidar com a excitação (p. 232)

Assim, de acordo com Moreira (2007) as emoções desempenham, “um papel fundamental na sobrevivência e na evolução do homem”, funcionando como resposta do nosso organismo àquilo que acontece à nossa volta. (p.2)

In document N ORSK L OVTIDEND (sider 80-89)