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JULI AUGUST SEPTEMBER OKTOBER

O estudo da extensão universitária é parte da História da Educação no Brasil, mais precisamente da Universidade Brasileira e as transformações que ela sofreu e que produziu na sociedade.

Para Fávero (1997 apud SOUSA, 2000, p. 13):

Estudar a História da Extensão conduz a História da Educação, o que por sua vez leva a necessidade de conhecer mais sobre a Universidade. A Universidade tem não só objetivos pedagógicos em sua existência na Sociedade, mas também objetivos sociais, políticos e culturais. Além de suas funções de ensino, pesquisa, ela é chamada também assumir as atividades de Extensão Universitária.

A Universidade, como instituição social, tem incorporado, ao longo da história e em diferentes contextos, funções diversas, sendo o Ensino a função mais tradicional,

desenvolvendo-se na transmissão de conhecimentos e na busca da formação cultural e profissional dos universitários.

Há razoável consenso, na atualidade, de que as funções da universidade são as de produção, transmissão e extensão do saber, mas foi no início do século XIX que a Universidade de Berlim introduziu a Pesquisa como função própria da universidade. Já a Extensão só surgiu como função universitária, no final do século XIX, quando a Universidade Inglesa se viu forçada a diversificar suas atividades, visando à preparação de técnicos e atendendo às demandas sociais criadas com o advento da Revolução Industrial.

Para Sousa (2000) essa nova concepção de educação no século XIX levou as universidades a se preocuparem com a prestação de serviços que deveriam oferecer a comunidade, configurando a concepção de educação continuada. Foi nesse contexto que surgiu a Extensão como atividade da Universidade.

Na América Latina, a história da extensão universitária tem origem com o Manifesto de Córdoba (1918), na Argentina, escrito pelos estudantes. Nesse documento, reivindicavam a abertura e a sensibilidade da universidade para os problemas sociais resultantes do colonialismo vivido pelo povo latino-americano.

Segundo Bemvenuti (2002), a extensão universitária no Brasil é fruto de três versões históricas que repassam momentos de tensão política e econômica, como relacionamento de desenvolvimento tecnológico:

Primeira: a tradição latino-americana – envolvimento institucional menor e marcado pelo ativismo estudantil;

Segunda: a tradição americana – universidade de serviços para atender e capacitar a população em suas necessidades;

Terceira: a parceria – extensão de serviços, com compartilhamento de recursos, em especial de conhecimento mais especializado e dirigido ao setor produtivo.

No Brasil, a história da extensão está marcada por definições estatais, considerando as diversas legislações que a afetaram por políticas e planos educacionais dirigidos à reforma do ensino superior.

Mesmo durante os períodos históricos que se sucederam, as atividades de Extensão sempre se apresentaram em segundo plano na gestão universitária. Dispersa, mesmo

que significativas em alguns momentos, nem sempre conseguiram possibilitar uma aproximação com as forças mais representativas e abrangentes da sociedade.

A sua implementação no Brasil se deu a partir da implantação do Modelo Nacional Desenvolvimentista de 1930 até meados da década de 1950, com o processo de industrialização do País, seguido do surgimento da burguesia nacional e de um acelerado processo de urbanização, definindo uma nova conjuntura para a educação brasileira em geral e para a educação superior em particular.

Na década de 1930, a Extensão passou a ser definida como atividade capaz de difundir ideias e princípios baseados em altos interesses nacionais, bem como meio de elevação cultural de segmentos populacionais excluídos da vida universitária.

Nos anos 1960, após o Golpe Militar, a Extensão passou a ser vista como

instrumento de ajuste social e de consolidação de poder. Com a prestação de serviços às

comunidades carentes e marginalizadas, buscava-se integrá-las ao processo de desenvolvimento nacional, treinando os estudantes e realimentando a Universidade. São projetos expressivos desse período e representativos dessa concepção os campi avançados, o Centro Rural Universitário de Treinamento e Ação Comunitária (CRUTAC) e o Projeto Rondon.

Em 1975, o MEC elaborou o Plano de Trabalho da Extensão Universitária a ser desenvolvido pela Coordenadoria de Atividades de Extensão (CODAE), que organizou a Extensão em três conjuntos de atividades: difusão cultural, difusão de resultado de pesquisa e

ação comunitária. Com a coordenação centralizada no MEC, as atividades de extensão

passaram a subordinar-se aos programas e projetos estratégicos de governo.

A partir dos meados dos anos 1980, as Universidades passaram a desencadear uma série de iniciativas em favor de uma política de Extensão mais efetiva. Em 1987, foi instalado o Fórum de Pró-Reitores de Extensão das Universidades Públicas Brasileiras, sendo reconhecido como um importante espaço de discussão e crítica a respeito da Extensão nas Universidades Brasileiras, mesmo resguardando somente a participação das IES estatais.

O ano de 1995 foi marcado pelo início do governo Fernando Henrique Cardoso, cuja proposta apontou o MEC como organismo gestor e regulador da política educacional do país, em geral, e da política do ensino superior, em particular. As atividades de extensão universitária são descritas no art. 43 da LDB, como uma das finalidades da educação superior (BRASIL, 1996).

Segundo o Fórum de Pró-Reitores de Extensão das Universidades Públicas Brasileiras (2000), o Plano Nacional de Extensão (PNE), teve como principal objetivo reafirmar a Extensão Universitária como processo acadêmico e efetivado em função das exigências da realidade, indispensável na formação do aluno, na qualificação do professor e no intercâmbio com a sociedade, o que implica em relações multi, inter, transdisciplinares e interprofissionais.

O PNE apresenta metas balizadas nas seguintes áreas temáticas: • preservação e sustentabilidade do meio ambiente;

• promoção da saúde e da qualidade de vida; • educação básica;

• desenvolvimento da cultura;

• transferência de tecnologias apropriadas; • atenção integral à criança, adolescente e idoso;

• capacitação e qualidade de recursos humanos e de gestores político-públicos; • reforma agrária e trabalho rural.

Conforme o PNE, o financiamento da extensão universitária terá como fonte de recursos, os órgãos públicos federais, estaduais e municipais e as próprias universidades. O financiamento das metas relativas à articulação com a sociedade será definido a partir de parcerias com órgãos e instituições ligadas às áreas de interesse, e articulações políticas com agências de desenvolvimento. Por fim, cabe ressaltar, ainda, que os objetivos e metas contidas no plano serão avaliados sistematicamente pelo Fórum Nacional de Pró-Reitores de Extensão e pelo MEC.