rumo ao sumo
Disfarça, tem gente olhando. Uns, olham pro alto,
cometas, luas, galáxias. Outros, olham de banda, lunetas, luares, sintaxes. De frente ou de lado, sempre tem gente olhando, olhando ou sendo olhado. Outros olham para baixo, procurando algum vestígio do tempo que a gente acha, em busca do espaço perdido.
Raros olham pra dentro, já que dentro não tem nada. Apenas um peso imenso, a alma, esse conto de fada
(LEMINSKI, 2013, p. 267).
O olhar carrega consigo uma dialogicidade ímpar e é o elemento de constituição, ligação e vinculação de praticamente todas as nossas experiências. Uma coisa parece certa: sem o órgão da visão, a história da humanidade seria completamente diferente, pois estaria calcada em outras bases físicas e também metafísicas. Uma primeira constatação é que o olhar foi e é fundante para a história da humanidade e para cada pessoa que nasceu, que nasce ou que nascerá, mesmo ela sendo ou tendo ficado cega. Por meio do ato de ver, os homens e as mulheres estabelecem relações com o mundo e com o cosmos, com os demais e consigo mesmos, fundando assim o que podemos chamar de regimes de visibilidade.
Não nascemos vendo claramente e nem nos reconhecemos na primeira olhada que damos em um espelho. Sabemos que o olhar não é o único meio pelo qual estabelecemos relações com o espaço. Mas, na história da evolução humana nos parece claro que esse modo se mostrou muito eficaz. Olhando o espaço ao nosso redor, a posição e a situação nossa e dos objetos é que constituímos uma série de relações e de princípios. Assim, a segunda constatação é a de que o olhar é um elemento constituinte de realidades, tanto internas quanto externas.
Consequência dessas duas constatações – sabedores de outras tantas que poderiam ser pensadas –, apontamos que o olhar foi determinante na constituição da humanidade. Não é diferente se analisarmos as espécies animais munidas de aparato visual. Determinante em primeiro lugar na fundação e na constituição de um tipo de ser humano que, sem a visão, seria completamente diferente. Determinante, também, no sentido que, utilizando este órgão (o olho) e esta ação (o olhar), as relações, representações e dimensões nas quais se organiza a si mesmo e o seu ambiente se processam visualmente. A visualidade participa da constituição de princípios de temporalidade e de espacialidade, de fundamentos lógico-matemáticos e de conceitos físicos (movimentos, velocidades, fenômenos óticos, entre outros) e químicos (reações, cores, eletricidade, entre outros), bem como subjetivos e ideológicos (visão de mundo, ponto de vista, a cor da moda, a estética e a beleza corporal, entre outros).
Sem querer sobrepujar a visão em relação aos demais sentidos, ousamos afirmar que o olhar funda, constitui e determina o ser humano. Calcados nessa reflexão, buscaremos avançar na tese de que a perspectiva que adotamos para a compreensão do olhar, do ver e/ou do enxergar determina a construção de conhecimento em seus métodos, seus processos, seus produtos, suas
formas e suas finalidades. Em termos práticos, apontamos que as dialéticas do olhar que se estabelecem em uma sala de aula, por exemplo, determinam as ações ali impetradas. A visão de mundo que carrega, desde a organização escolar, o sistema educacional e curricular, até aquela contida nos materiais didáticos, bem como a visão do docente do que é educar, de quem são os sujeitos de sua ação, passando pelo olhar dos discentes sobre si mesmos, sobre a escola11, sobre os docentes, estabelecem uma rede de visualidades sob determinados pontos de vista. Essa reflexão poderia ser generalizada para outros campos nos quais se dão processos educativos como, por exemplo, a família ou a cidade. Mas, especificamente nos limites precisos da reflexão aqui proposta, pretendemos problematizar que, dependendo da visão que se tem da aproximação entre as TDICE e a educação, podem-se determinar e obter diferentes olhares e perspectivas.
Não por acaso, Platão (2000), em uma das primeiras tentativas de explicar o funcionamento do conhecimento humano, cria a Alegoria da Caverna baseada na visão, em suas condições e em seus problemas para apontar a forma como conhecemos e o método para se chegar ao conhecimento tido como verdadeiro. Outro ponto importante a ser destacado é que tal processo, segundo o filósofo, se dá a partir da leitura e reconhecimento de imagens e, ainda, da análise e da avaliação de suas veracidades. Do olho mantido na escuridão e que vê somente as sombras projetadas, metáfora do aprisionamento, ao olhar que deve se acostumar paulatinamente à luminosidade plena e, para isso, vai das imagens refletidas à visão direta do sol, tal olho deve ser libertado, treinado, habilitado e projetado para (re)conhecer a verdade. Refletindo sobre a problemática envolvendo a diferenciação entre aparência e realidade e atualizando-a, Lebrun (1988, p. 27) afirma que “o que é lastimável não é que os homens tenham de se relacionar com imagens: é que não sabem que são imagens”.
Qual emoção nomeia, melhor do que a agonia, o que os leitores do livro de José Saramago (1995) e os espectadores do filme dirigido por Fernando Meirelles (2008), Ensaio sobre a
Cegueira, sentiram ao cogitar a hipótese de uma cegueira total atingir a humanidade? E, pior do que isso, apenas uma pessoa continuar a usufruir da visão? Uma das críticas possíveis, partindo do escrito por Saramago, é a de que a cegueira é um dos maiores temores da humanidade e, talvez, sua maior característica atual. Porém, no filme, o que nos espanta e nos intimida é percebermos que muito provavelmente as crueldades que se passam seriam eventualmente essas mesmas, caso a hipótese da cegueira generalizada se tornasse, de fato, realidade. Mais do que isso, por meio da
11O termo escola na presente fundamentação teórica se deu pela sua frequente utilização no campo realizado –
que será apresentado em sua totalidade na próxima parte –, por este ter ocorrido em uma Faculdade de Educação e com participantes majoritariamente ligados à formação de professores (cursos de licenciaturas e pedagogia). Foi empregado como sinônimo de instituições (colégio, universidade etc.) e espaços (Educação a Distância) de educação formal.
cegueira, Saramago nos força a fazer uma leitura de uma face da humanidade: cega, brutal e violenta.
Há inúmeras possibilidades de enfoques filosóficos, artísticos, antropológicos, religiosos e culturais para alcançar o objetivo de apontar as potencialidades do olhar do sujeito da experiência diante das mídias comunicacionais na contemporaneidade, bem como para responder as questões de (a) como alçar o olhar à categoria de pesquisa? e (b) como, em que termos e sob quais circunstâncias abordar a experiência do olhar para avançar nas reflexões sobre educação, TDICE e imagens? Iniciaremos nossa fundamentação teórica em torno dessas questões a partir de um livro intitulado O olhar, organizado por Adauto Novaes (1988), que também foi um curso livre ofertado em diversas capitais (Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e, também, Brasília). A pluralidade e profundidade das diversas e diferentes abordagens e reflexões na obra justificam tal escolha.
Provocativo e profundo, no primeiro texto que funciona, a nosso ver, como uma introdução ao livro, o organizador faz três afirmações intrigantes: (a) “só existe mundo da ordem para quem nunca se dispôs a ver”; (b) “O olhar deseja sempre mais do que o que lhe é dado a ver”; e (c) “O homem que contempla é absorvido pelo que contempla” (NOVAES, 1988, p. 9). A disposição para ver, o desejo de olhar e a contemplação que absorve, citadas pelo autor, são elementos caros à nossa discussão, pois relacionam o ato de ver à experiência de olhar feita por um sujeito concreto. Diante de um mundo onde a imagem e o imagético permeiam toda a visualidade, principalmente em termos de tecnologias digitais em rede, a experiência de ver está no centro de um fenômeno complexo, discussão que aprofundaremos mais adiante.
Na referida obra, Marilena Chauí (1988) parte da descrição de inúmeras referências que o olho, o olhar e a visão possuem no cotidiano. Ao afirmar que “olhar é, ao mesmo tempo, sair de si e trazer o mundo para dentro de si”, a filósofa (1988, p. 33) apresenta sua tese das duas dimensões do olhar. A primeira, de passividade, na qual a visão depende de nós. A segunda de atividade, na qual a visão depende das coisas/objetos. Através de perguntas e afirmações ao longo do texto, deixadas como faróis para aprofundar a reflexão, a filósofa (1988) apresenta um roteiro interessante: “o que é ver?” (p. 35), “Quem olha, olha de algum lugar” (p. 35), “Há variação no olhar” (1988, p. 36), “De onde vem este privilégio do olhar?” (p. 38), “Como e por que se dá a passagem do olhar ao saber intelectual, mantendo-se para este as categorias daquele?” (p. 40) e “Espelhos, jaulas ou faróis, os olhos estão no limite entre a materialidade e a espiritualidade” (1988, p. 42). A digressão feita pela filósofa em seu texto varre boa parte da história da filosofia e a tradição epistemológica ocidental.
Concluindo sua análise baseada no fenômeno do olhar, Marilena Chauí (1988) finaliza o seu texto com três interessantes questões: “quem é o sujeito do olhar?” (p. 57), “Que aconteceria se a filosofia, abandonando o espectador intelectual e absoluto, regressasse ao vidente? [...] à experiência do ver, o olhar?” (p. 57-58) e “O que é a visão analítica que purifica a promiscuidade do visível?” (p. 59) e conclui afirmando:
Só ao término da visão – de minha ausência de mim mesma – fecho-me sobre mim. O que a filosofia da visão ensina à filosofia? Que ver não é pensar e pensar não é ver, mas que sem a visão não podemos pensar, que o pensamento nasce da sublimação do sensível no corpo glorioso da palavra que configura campos de sentido a que damos o nome de ideias. Que o pensamento não são enunciados, juízos, proposições, mas afastamentos determinantes no interior do Ser. Que não é contacto invisível de si consigo, interioridade transparente e presença de si, mas excentricidade perante nós a partir de nós, ‘estrelas de Van Gogh’ e espinhos em nossa carne. Que o conceito não é representação completamente determinada, mas ‘generalidade de horizonte’ e a ideia não é a essência, significação completa sem data e sem lugar, mas ‘eixo de equivalências’, constelação provisória e aberta do sentido. Ensina que, assim como o visível é atapetado pelo forro do invisível, também o pensado é habitado pelo impensado. Este não é o que não foi pensado por outrem, nem o que, pensado por ele, não foi por ele expresso. Não é o tácito, o implícito, a entrelinha. É o que, no pensamento de outrem, porque pensado por ele, nos dá a pensar o que ele nos deixou para pensar ao pensar o que pensou. O olhar ensina um pensar generoso que, entrando em si, sai de si pelo pensamento de outrem que o apanha e o prossegue. O olhar, identidade do sair e do entrar em si, é a definição mesma do espírito (CHAUÍ, 1988, p. 60-61).
Essa dialética do olhar explicada por Chauí, a nosso ver, aponta para as possíveis dialéticas entre educação, TDICE e imagens, ultrapassando visões simplistas e instrumentais.
Analisando as traduções dos termos olho e olhar em diversas línguas, Alfredo Bosi (1988) aponta uma sutilidade linguística na tradução para o órgão (olho) e o ato (olhar): espanhol: ojo e mirada; francês: oeil e regard/regarder; inglês: eye e look; italiano: occhio e sguardo. A língua portuguesa, conforme observa o autor (1988, p. 78), é a única em que “os dois termos aparentemente se casam”, ou seja, são semelhantes em sua grafia e compartilham a mesma raiz. Afirmando que “é no uso das palavras que os homens trançam os fios lógicos e os fios expressivos do olhar”, o autor (1988, p. 68) cita o contemplar, o considerar, o respeitar e o admirar como exemplos de termos que apontam como o olhar se (trans)figura em linguagem em nosso cotidiano12.
Essas construções a respeito do olhar, nas dimensões apresentadas, o pensar, o ver, o interior, o exterior, o eu e o outro, nos parecem salutares para essa reflexão, pois dão contornos ao que podemos denominar de uma dialética do olhar. Também mergulhando nessa problemática,
12“Contemplar é olhar religiosamente (com-templum). Considerar é olhar com maravilha, assim como os
pastores errantes fitavam a luz noturna dos astros (con-sidus). Respeitar é olhar para trás (ou olhar de novo), tomando-se as devidas distâncias (re-spicio). E admirar é olhar com encanto movendo a alma até a soleira do objeto (ad-mirar)” (BOSI, 1988, p. 78, grifos do autor).
Sergio Paulo Rouanet (1988) apresenta seu ponto de vista pela reflexão do “olhar ilustrado”13 e da
proposta do “olhar iluminista”. Essa análise nos parece interessante na medida em que aponta uma determinada evolução histórica do olhar que as concepções visuais educativas herdaram. O autor parte de duas afirmações para desenvolver sua reflexão. A primeira, retirada da Encyclopedie (século XVIII) afirma que “não se vê sempre o que se olha, mas se olha sempre o que se vê” e a segunda quando o autor (1988, p. 127) diz que “sem o olhar a visão é ilusória, sem a visão o olhar é inútil. [...] a Ilustração é as duas coisas: olhar a serviço da visão, visão funcionalizada pelo olhar”.
Poder-se-ia acrescentar a essas formas e modelos de ver, os atuais olhares proporcionados e criados pelas TDICE: o olhar digital e/ou cibercultural. Ao estudar o olhar sob a ótica da experiência que se tem com essa ação, ao nos propormos olhar para o sujeito de tal experiência, pretendemos ultrapassar a mera leitura ou releitura de imagens, descrição ou observação de figuras ou relação pedagógica entre texto e ilustrações. Entre os exercícios como o tradicional siga o modelo dos cadernos de caligrafia, até as salas de aulas monitoradas por câmeras de vídeo e a visão wikipediana do mundo, que faz com que os olhares de aprendentes e docentes muitas vezes não se cruzem mais, concordamos com Rouanet (1988, p. 128) que é momento de falar de uma nova e necessária “pedagogia do olhar”.
Ao tratar dessa temática, Rouanet (1988, p. 137) repassa os principais pensadores das Idades Moderna e Contemporânea quando, por exemplo, aludindo a Rousseau, afirma que “cada olhar se aliena no olhar do outro e nessa alienação se reencontra, no momento em que é reconhecido”. Fazendo menção a Habermas, o pensador (1988, p. 143) aponta que “só a visão comunicativa permite fundir as perspectivas parciais numa totalidade visível”. O autor (1988, p. 144), refletindo sobre a crítica do olhar em Marx, afirma que “o olhar comunicativo, plural, foi substituído pelo olhar fetichista, solitário. [...] podemos falar numa privatização do olhar”. Usando Freud como interlocutor, ele (1988, p. 144) ressalta que “é fugindo do princípio da realidade que no mundo humano é sempre a realidade plural da palavra e da ação coletiva, que o indivíduo se proíbe de enxergar, tornando invisível seja seu universo exterior, seja o interior”.
13 “O Iluminismo seria uma tendência transepocal, não limitada a nenhum período específico, que se caracteriza
por uma atitude racional e crítica. Ela combate o mito e o poder, usando a razão como instrumento de dissolução do existente e de construção de uma nova realidade. Chamo de Ilustração o movimento de ideias que se aglutinou, no século XVIII, em torno dos filósofos enciclopedistas: Diderot, Voltaire, d’Alembert. A Ilustração foi a mais importante das realizações históricas do Iluminismo, mas não a primeira, nem a última. Como unidade de razão crítica e de crítica racional, o Iluminismo continua vivo, ainda que sem identidade conceitual clara. Para dar contornos mais definidos a essa identidade, sugeri tomarmos a Ilustração como a matriz mais geral do pensamento iluminista, dela derivando estruturas abstratas que ajustadas às realidades contemporâneas pudessem ajudar-nos a construir um Iluminismo moderno” (ROUANET, 1988, p. 125).
Observando as características do olhar em outros dois momentos históricos, Bosi (1988) acrescenta à sua reflexão uma comparação entre o racionalismo clássico e o renascimento. Sobre o primeiro período, o autor (1988, p. 77, grifo do autor) afirma que “o olho do racionalismo clássico examina, compara, esquadrinha, mede, analisa, separa... mas nunca exprime. É um olho só capaz de perceber, no objeto, a sua objetualidade; logo, tudo tratar como objeto, não-sujeito”. Já na Renascença, segundo o autor, o olhar chama-se perspectiva e seu maior mestre e expoente é Leonardo da Vinci14. O pintor-cientista deve “aprender a olhar” para “criar a nova ciência” e, assim, “descobrir as leis inscritas tanto no voo dos pássaros quanto na órbita dos planetas” (1988, p. 74). Trazendo a discussão para a contemporaneidade, analisando Freud e Marx, Bosi aponta o olhar como estando sob suspeita e em necessidade de resgate15. Esse é, em grande parte, nosso objetivo quando apostamos nessa categoria para esta investigação.
O Iluminismo quer ver tudo, porque o que se esquiva à visão está sob a suspeita a priori de servir a propósitos anti-humanos, e quer olhar corretamente, porque de outro modo a noite não seria verdadeiramente devassada. [...] Ver tudo significa investigar o que precisa ser investigado, iluminar a treva atrás da qual se esconde a autoridade ilegítima. [...] Olhar corretamente significa usar a vista com astúcia e com inocência (ROUANET, 1988, p. 147).
Colocar em questão esse “ver tudo” e esse “olhar corretamente” é outro de nossos objetivos. Nas respostas a esse questionamento percebemos chaves de leitura para uma discussão dos moldes da construção de conhecimentos e suas mudanças atuais com a realidade imagética complexa que habitamos e, somadas a essas, a compreensão das tecnologias digitais hodiernas povoadas de imagens e que colocam em suspenso a visualidade dos sujeitos e sua experiência do olhar, bem como o olhar da experiência16. Na próxima seção aprofundaremos nosso olhar em um olhar emblemático e que muitas visões causou em Benjamin: o Angelus Novus.
14“O olhar renascentista nada perde: nem a linha, que não existe, enquanto tal, na natureza; nem a massa, nem o
relevo, nem a proporção, nem os tons. Esplendor do real natural, mas também ostinato rigore, a pintura é uma ciência da visão que, a partir de Leonardo, não decairá nunca dessa dignidade. Em Paul Klee ela aparecerá como um método que ‘faz ver’, tornando visível o objeto do nosso olhar” (BOSI, 1988, p. 75).
15“A crise na ordem das certezas (que, de um certo ponto de vista, começara com o criticismo de Kant) marca a
passagem da Era das Luzes para era da suspeita. É nesta que têm a sua hora o pensamento de Marx, de Kierkegaard, de Nietzsche, de Freud, de Max Weber, de Heidegger, de Sartre. Aí se vê o selo da nossa contemporaneidade: um olhar que já não absolutiza o cogito, porque o situa no interior de uma existência finita e vulnerável, mas sempre inquieta, interrogante” (BOSI, 1988, p. 80).
16“A hegemonia da visão na produção do conhecimento está claramente expressa desde Aristóteles, mas
Bachelard mostra que ela fatalmente leva à consideração do mundo enquanto espetáculo, enquanto teatro, enquanto panorama. O sujeito do conhecimento é conduzido à posição contemplativa de espectador, enquanto o objeto do conhecimento tende a fundir-se em unidade homogênea e totalizadora. [...] Dessa hegemonia do olhar surge a pretensão de razão unitária” (GONÇALVES FILHO, 1988, p. 154).