Como todo local de trabalho identifica-se devido à natureza da ocupação de uma área específica, de um conjunto de equipamentos e dos utensílios necessários ao bom desempenho das atividades de um operador, com os odontólogos isto é evidente em clinicas tanto particular quanto públicas.
3.1 Processos de intervenção ergonômica: análise ergonômica dos postos de trabalho
A denominação posto de trabalho ou estação de trabalho é usual nas descrições ergonômicas. Posto é uma palavra oriunda da linguagem militar, que indica um local onde uma pessoa é colocada para realizar uma determinada função ou tarefa, sendo, geralmente, uma localização situada dentro de um sistema de produção, ou seja, ele corresponde a um papel definido, que comporta instruções e procedimentos (o que fazer, quando fazer e como fazer) e meios (onde fazer, com quem fazer), a ser ocupado por um determinado sujeito.
3.1.1 Estudo do posto de trabalho: abordagem tradicional e ergonômica
A abordagem tradicional taylorista se baseia no estudo dos movimentos corporais do ser humano necessários para executar uma tarefa e na medida do tempo gasto em cada um desses movimentos, baseando-se em princípios de economia de movimentos, sendo o critério de escolha do melhor movimento, o de menor tempo. Essa abordagem visa somente à economia de tempo dos movimentos dos seres humanos, a fim de obter um maior rendimento e, consequentemente, maior lucro, não se importando, porém, com a qualidade de vida e a saúde do trabalhador que está executando a tarefa, sendo essa importância, observada pela abordagem ergonômica.
A análise ergonômica do trabalho exige conhecimentos sobre o comportamento do ser humano em atividade de trabalho, discussão dos objetivos do estudo com o conjunto das pessoas envolvidas, aceitação das
pessoas que ocupam o posto a ser analisado e esclarecimento das responsabilidades.
O estudo ergonômico do posto de trabalho é composto por três fases: análise da demanda, que define o problema a ser estudado, baseado na visão dos diversos atores sociais envolvidos; análise da tarefa, que analisa as condições ambientais, técnicas e organizacionais de trabalho e a análise das atividades, que analisa os comportamentos do ser humano no trabalho (gestuais, informacionais, regulatórios e cognitivos).
3.2 Análise ergonômica da demanda: Conceitos e práticas odontológicas relacionadas com a ergonomia
Vários trabalhos sofrem com doenças ocupacionais, hoje em dia, decorrente da má postura, realização de movimentos incorretos, objetos não ergonômicos etc. Uma dessas profissões, altamente atingida por esses problemas ergonômicos, é a odontologia, pois o profissional, odontólogo ou dentista, fica muito tempo em um posto de trabalho e na sua maioria do tempo sentado, por isso tem-se que tomar precauções maiores ainda, quanto à postura, movimento, ruídos etc., além do que, esses profissionais, também lidam com agentes químicos e objetos que podem trazer danos a sua saúde, como os perfuro cortantes, luzes, etc. Várias funções em um odontólogo são atingidas por questões profissionais, como: a função neuromuscular, a coluna vertebral, a visão, a audição, o tato, a propriocepção, dentre outras.
3.2.1 Posições de trabalho
Segundo Leitão Neto (1985, p. 61), a mais favorável posição de trabalho para o dentista a o assistente é a posição sentada, pois de acordo com o Central Institute for Ergonomics, que divulgou em suas pesquisas, que:
- A posição ou postura de trabalho sentado, com paciente reclinado é preferível, em princípio, para toda uma série de trabalhos;
- A posição de trabalho deve ser adequada a todas as pessoas participantes do procedimento;
- A visão direta deve ser sempre o objetivo. A visão direta da assistente é também importante por não poder esta seguir as fases do trabalho se não estiver visualizando o campo operatório.
A posição de trabalho com o dentista e a assistente sentados objetiva: 1. Acesso ao campo operatório;
2. Boa visibilidade;
3. Conforto para o dentista e assistente; 4. Conforto para o paciente.
Ou seja, uma boa posição de trabalho é aquela que evita extensos períodos de atividade muscular estática e que permite o relaxamento dos músculos não solicitados para a manutenção da postura.
Segundo Marquart (1977 apud LEITÃO NETO, 1985, p. 69), ele enumera como itens de uma boa posição de trabalho para o dentista, os seguintes:
- Evitar tensões nas partes posteriores e pélvis, mantendo a posição sentada, a maior parte do tempo;
- Evitar torções e inclinações laterais da coluna vertebral, mantendo os ombros descontraídos;
- Manter os braços contra o tronco;
- Manter os antebraços aproximadamente na horizontal e apoiados o melhor possível;
- Manter os dedos, pulso e mãos tão descontraídos quanto possível; - Manter as pernas sob o espaldar da cadeira odontológica, ficando a perna direita paralela à cadeira e formando com a perna esquerda um ângulo de 90 graus;
Sentado no mocho, as pernas devem formar um ângulo de 90 graus com a coxa, estando os dois pés apoiados no solo;
3.2.2 Os componentes do consultório
O posto de trabalho de um dentista compõe-se, basicamente, de um mocho, uma cadeira articulável para o paciente, um equipo deslizante e uma torre de iluminação, conforme será visto a seguir.
a) O Mocho
O mocho13, que é a cadeira do dentista e do assistente, serve para apoiá-los, mantendo uma postura estável durante as horas de trabalho e relaxando os músculos não envolvidos na tarefa, além de aliviar os pés.
Segundo Leitão Neto (1985, p.83), a altura do assento não deve ultrapassar a distancia que vai do chão à parte posterior da coxa, estando a perna dobrada em ângulo de 90 graus, pois as pressões exageradas na porção posterior da coxa, restringe a circulação sanguínea de retorno, provocando fadiga. O assento do mocho deve ser horizontal ou com uma inclinação de 5 graus para melhor o apoio, sendo o revestimento grosso e pouco macio, para facilitar a distribuição do peso, sucedendo o modelo antigo que consistia em apenas um banco giratório e móvel sobre rodízios.
Algumas características são importantes para um mocho, de acordo com Leitão Neto (1985, p.83), sendo elas:
- Apoio das nádegas;
- Apoio dos rins, com encosto móvel circular e vertical, para possibilitar este apoio;
- Apoio dos braços, importantíssimo, principalmente no mocho da assistente, por oferecer apoio nas inclinações para frente;
- Altura regulável, para se melhor ajustado à altura e compleição do corpo de quem o utiliza;
13 Mocho é um substantivo masculino de diversos significados, como por exemplo, cadeira sem encosto. Anteriormente os dentistas utilizavam um banco giratório com rodízios. Na terminologia odontológica recebe o significado de cadeira móvel. Disponível emiberam.pt/dlpo/mocho acesso em 06.06.2014
- Acesso fácil à cadeira: alguns mochos não permitem esse acesso por apresentarem suportes de pé com uma circunferência muito grande;
- Deslocamento fácil. É importante o fácil deslocamento com o mocho, porém se muito fácil haverá perda de estabilidade ou de posicionamento, por fácil deslizamento das rodas sobre o piso do consultório.
E algumas recomendações são:
- Os pés devem repousar no chão ou para a assistente, no aro do mocho; - A altura do mocho deve ser regulável de modo a não exceder o comprimento das pernas na posição sentada;
- A superfície do assento, deve ser horizontal ou com inclinação de 5 graus para trás;
- O encosto deve formar um ângulo de 90 graus com o assento;
- A textura do estofamento deve impedir o deslizamento, mas que não impessa as mudanças de posição do dentista;
- A superfície de trabalho não deve ser mais alta que a distancia do cotovelo até o chão, estando o dentista sentado;
- O cruzamento de perna pelo dentista e assistente, deve ser evitado, devido à irregularidade de pressão nas nádegas.
b) A Cadeira Odontológica
A cadeira odontológica, segundo Leitão Neto (1985, p.87), esta é a peça mais
importante para se executar um trabalho saudável no consultório. De modo a
permitir o ajuste na posição do paciente em relação ao dentistas, deve ser eletricamente comandada, reduzindo o trabalho do dentista e da assistente em posicionar o cliente. O espaldar ou encosto deve ser delgado, não impedindo o posicionamento da perna do dentista e da assistente sob o mesmo e nem apresentar saliências como ocorria nas cadeiras antigas que impediam a posição da perna sob o espaldar. A largura da cadeira também não deve interferir na correta aproximação do dentista e da assistente do campo
operatório, ou seja, da boca do paciente. O encosto da cabeça deverá ser móvel, para um melhor posicionamento e visão.
c) O Equipo
O equipo, segundo Leitão Neto (1985, p.89), é, basicamente, dividido em três tipos, sendo eles: o equipo acoplado à cadeira, o equipo tipo cart e o equipo para adaptação em móveis. De todos, o mais importante e que dá maior flexibilidade ao trabalho, é o equipo acoplado à cadeira por meio de braços articulados.
Ele evita deslocamentos e movimentos grandes por parte do dentista e da assistente, principalmente, para a pega de pontas, por ficarem próximas à boca do paciente. Outra grande vantagem do equipo acoplado à cadeira, é a de dispensar adaptação de pega por variação de altura entre a cadeira e o equipo. Se o braço articulado apresentar ajuste vertical para individualizar a altura a cada cliente, melhor será.
O equipo tipo cart, embora satisfatório quando usado à direita do dentista, obstrui, em salas clínicas de pequenas dimensões, o acesso do cliente à cadeira odontológica.
O equipo adaptado ao móvel é razoavelmente usado e quando bem posicionado, oferece condições de um perfeito trabalho.
d) O Refletor
O refletor, de acordo com Leitão Neto (1985, p.92), variando de 7 a 12 lux14 já tem uma capacidade de iluminação plenamente satisfatória, porém é importante, para prevenir problemas de visão, que não haja tanta diferença de luminosidade entre a faixa que ilumina a boca do cliente e o meio ambiente externo do consultório, tendo o mínimo possível de contraste, para que não seja nocivo para a visão do dentista, pois ele terá, a todo o momento, que ficar se adaptando às bruscas modificações de iluminação, o que pode vir a prejudicar o cristalino, que já se torna cada vez menos capaz de transmitir a luz ao fundo do olho com o envelhecimento da pessoa, fazendo com que a
quantidade de luz necessária para que este efeito seja obtido, se torne cada vez maior.
O refletor também deve possibilitar boa rotação e posicionamento para que, em qualquer circunstancia, a assistente possa incidir o feixe de luz à zona a ser visualizada.
Quando adaptado à cadeira odontológica, o refletor dispensa refocalizações constantes ao ser alterado a posição da cadeira por elevação ou abaixamento, porém, para melhor posicionamento da assistente, o refletor de teto é o ideal, por deixar o espaço à esquerda da assistente livre para uma boa posição da unidade auxiliar.
3.2.3 Epidemiologia das tecnopatias odontológicas (doenças
ocupacionais)
Segundo Naressi, Orenha e Naressi (2013, p.31), a adequação entre operador, equipamento e instrumental, geralmente, não é vista na realização do procedimento, e o profissional realiza posturas inadequadas de trabalho. Consequentemente, na execução da tarefa, haverá somatória de traumatismos que poderão originar as tecnopatias odontológicas.
Na Holanda, na Bélgica e em Luxemburgo foi realizado um estudo para avaliar a postura adotada por 1.250 cirurgiões-dentistas durante a execução de procedimentos odontológicos, denominado Projeto Sonde, como mostrado no quadro 3 abaixo. Os autores concluíram que altas porcentagens de desvios em relação à postura de trabalho adequada são praticadas pelos profissionais.
Quadro 3: SONDE: Pesquisa postural de dentistas.
- 89% demonstram flexão da cabeça para a frente excedendo 20-25°, o que é considerado limite para uma posição saudável;
- 61% demonstram rotação do pescoço em combinação com forte flexão para a frente;
- 63% demonstram flexão da parte superior do corpo excedendo 20°, o limite para uma posição saudável;
- 36% trabalham com o pescoço rotacionado combinado com torção na coluna;
- 35% mantêm os antebraços elevados além de 20°;
- 32% mantêm os braços em ângulo maior que 25° acima da linha horizontal;
- 25% trabalham com as mãos apoiadas inadequadamente;
- 47% não manuseiam corretamente os instrumentos;
- 20% demonstram forte flexão do punho;
- 65% trabalham com o mocho, cujo encosto proporciona apoio incorreto;
- 75% trabalham sem que a cabeça do paciente esteja simetricamente posicionada defronte a eles;
- 32% trabalham com os pés e as pernas mais distantes da cadeira odontológica do que o necessário;
- 55% trabalham sentados por mais de 7 horas diárias;
- 75% trabalham com iluminação e diferenças na distribuição de luz fora dos padrões.
Relativamente a problemas posturais, um estudo realizado na Universidade de São Francisco (EUA) mostrou que mais de 70% dos estudantes de odontologia se queixam de dor já no terceiro ano da faculdade. Mostrou também que esse número aumentou gradativamente do primeiro ao quarto ano. Os autores concluíram que o ensino da ergonomia deve ser mais elaborado e trabalhado durante a graduação.
Percebe-se que o cirurgião dentista está mais preocupado com o que está fazendo do que com a maneira de como está realizando, não estando devidamente conscientizado da necessidade de observar as medidas adequadas para proteção contra o cansaço (estresse mental e físico) e as doenças originadas pela postura inadequada na prática odontológica. Isso se deve provavelmente ao mau projeto ou ao uso inadequado do equipamento, dos sistemas e das tarefas, podendo gerar doenças do sistema osteomuscular, como lesão por esforço repetitivo (LER) e distúrbio osteomuscular relacionado ao trabalho (DORT).
3.2.4 Etiologia das tecnopatias na prática odontológica
De acordo com Naressi, Orenha e Naressi (2013, p.33), a tecnopatia odontológica é gerada, dentre outros, da ação de fatores biomecânicos que incidem na região do pescoço, costas, ombros, coluna vertebral e membros superiores, devido essencialmente à postura inadequada, a repetitividade de movimentos, a compressão mecânica e a força excessiva.
Os distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT), como já falado anteriormente, é um exemplo de tecnopatia, causada por uma série de micro traumatismos osteomusculares em articulações, ligamentos, tendões, bursas, vasos sanguíneos e nervos, que se acumulam e podem se desenvolver para problemas mais graves. As consequências podem ser edema, rigidez, dor, parestesia, tendinites e tenossinovites, podendo, inclusive, evoluir para à desabilitação funcional do membro.
As áreas mais vulneráveis às tecnopatias são: região cervical, ombros, cotovelo, região lombar, mão e punho.
O contato com equipamento, materiais, substâncias químicas e radiações ionizantes durante o período da realização de trabalhos pode determinar o surgimento de alterações no organismo do cirurgião-dentista e da equipe. Tanto a proximidade com o paciente quanto o tempo de duração do tratamento, são fatores que também podem determinar contágio do cirurgião-dentista e da equipo através das moléstias nele sediadas.
A inobservância de fatores decorrentes da somatória das circunstâncias expostas pode levar ao aparecimento de moléstias de natureza mista, o que poderá agravar a condição de saúde do cirurgião-dentista e da equipe.
Outros segmentos, como aparelhos circulatório, visual e auditivo, também se ressentem fortemente da inobservância de cuidados durante a prática profissional, porém, de uma forma meramente didática, é possível classificar a etiologia das tecnopatias como decorrência dos seguintes fatores:
- postura de trabalho;
- agressão aos órgãos sensoriais; - contato com o paciente;
- materiais, substancias químicas, radiações ionizantes; - moléstias de natureza mista.
a) Postura de trabalho
Postura, segundo Naressi, Orenha e Naressi (2013, p.34), é a inter-relação dos diversos segmentos do corpo opondo-se à ação da gravidade e das forças externas, situando-nos no espeço tempo, guiando e reforçando o movimento e equilibrando-nos durante a ação.
A adequação dos equipamentos à comodidade do trabalho está, cada vez mais, sendo melhorada, decorrente do que ocorre com os cirurgiões-dentistas, que sofrem de muitas dores costais, modificações posturais e outras decorrências de condições inadequadas para a perfeita execução do movimento.
Antes dos estudos ergonômicos, os odontólogos trabalhavam em pé, o que fazia com que os equipamentos fossem projetados para trabalhos em pé, o que obrigava à flexão com rotação e inclinação da coluna vertebral, causando desequilíbrio pélvico, escoliose compensadora e discartrose, além de determinar profundas alterações na postura do profissional e comprometimento da hemodinâmica de retorno.
Com a evolução da ergonomia, ocorreu a mudança da posição de trabalho de em pé para sentada, e o seu paciente, na posição supinada para que haja uma melhor visão do paciente por conta do dentista.
A posição correta, hoje em dia, do trabalho de um cirurgião-dentista sentado em um mocho, segundo Nixon (1971 apud Naressi, Orenha e Naressi, 2013, p. 35), é a coxa paralela ao solo, ou seja, deve haver um ângulo de 90° entre o fêmur e o conjunto tíbia-fíbula. Com isso, o peso corporal estará devidamente distribuído entre a região sacral, a porção posteroinferior do fêmur, as tuberosidades isquiáticas15 e a porção plantar dos pés.
O trabalho sentado incorretamente, além de agredir a coluna vertebral, também predispõe a varizes.
b) Agressões aos órgãos sensoriais
As agressões aos órgãos sensoriais ocorrem especialmente no tato e nos aparelhos visual, respiratório e auditivo.
No tato, o odontólogo por usar o punho flexionado durante muito tempo, acaba por contrair fortes dores. Um dos exemplos é a síndrome do túnel carpal, que é decorrente da extensão e flexão do punho, em que a repetição ou esforço contínuo com desvio ulnar ou palmar gera parestesia e dor, que pode levar à inflamação (tenossinovite) e à degeneração, culminando com a desabilitação funcional, incapacitando o indivíduo à prática profissional, pois no punho, o nervo mediano e os tendões flexores passam por um canal comum, cujas paredes lateral e posterior, rígidas, são formadas pelos ossos do carpo e cuja face anterior é formada pelo ligamento transverso do carpo.
As agressões ao aparelho visual ocorrem por deficiência de iluminação ambiental e, principalmente, do refletor bucal. As lesões traumáticas e a contaminação ocorrem mediante ação de agentes físicos, radiação vinda de aparelho fotopolimerizador, e mecânicos, fragmentos de tártaro sendo destacado, fragmentos de material restaurador sendo removidos com motor de alta rotação etc., bem como a nebulização provocada pelo uso do motor de alta rotação atingindo o globo ocular. Por isso, é indispensável o uso de protetor visual no fotopolimerizador e óculos de proteção ou pantalha, que protege todo o rosto.
As agressões ao aparelho respiratório ocorrem através de aerossóis e moléstias do paciente, também pela poluição ambiental decorrente do óleo lubrificante nebulizador dos motores de alta rotação, sendo também indispensável o uso de máscaras ou pantalha.
As agressões ao aparelho auditivo se dão através de ruídos internos, que são originados dos motores de alta e baixa rotação, compressor, bomba de sucção, condicionador de ar e/ou música ambiental, sendo umas medidas preventivas para a redução do nível de ruídos internos a melhoria das condições gerais do ambiente físico de trabalho, a substituição de aparelhos ruidosos, do local do compressor e da bomba a vácuo, etc.
c) Contaminação cruzada, materiais, substâncias químicas e radiações ionizantes.
Segundo Naressi, Orenha e Naressi (2013, p.38), o manuseio de equipamentos pode vir a gerar a contaminação cruzada, que ocorre quando a equipe toca, inadvertidamente, os comandos sem a devida proteção e vai atuar na boca do paciente, sendo o contágio levado à boca e vice-versa, aumentando assim o grau de contaminação.
Por essa razão, deve-se haver o recobrimento de detalhes do equipamento: - botoneira de comando da cadeira;
- alças e interruptor do refletor;
- tubulação dos suctores;
- apoio de cabeça e espaldar da cadeira;
- puxadores de abertura de autoclave/estufa e das gavetas; - câmera intrabucal;
- disparador do aparelho de raio X e do fotopolimerizador; - comando do amalgador;
- ultrassom; - fone, etc.
As substancias químicas devem ser manuseado muito cuidadosamente pelo profissional, pois podem causar lesões na pele e mucosas ou serem alérgenas, tanto à equipe quanto ao paciente: fenol, tricresol-formol, eugenol, monômeros acrílicos, ácido ortofosfórico, desinfetantes (são tóxicos e/ou irritantes) e outros. O mercúrio deve ter um bom armazenamento, devendo ser utilizado em amalgamador de cápsula interna, para evitar possível risco de vazamento e sua decorrência, pois o mercúrio pode ser inalado pela equipe, pelo fato dele começar sua evaporação a partir de 23°C.
As radiações ionizantes tipo raios-X podem constituir agentes agressivos ao organismo, pelo fato do seu efeito acumulativo. Há várias medidas de prevenção de radiações ionizantes, como: o uso de aparelhos que tenham certificação ISO, que esteja calibrado, que tenha cabeça e colimador com dupla proteção de chumbo, além do uso de filmes com emulsões ultrarrápidas e proteção mediante avental de borracha plumbífera. Deve-se também evitar o contágio do manguito da caixa reveladora através da embalagem do filme