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Joyce Travelbee og interaksjonsprosessen

In document Angst hos døende (sider 6-9)

segundo as quais ela é qualificada

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. Essas são o enredo, os caracteres, a

124O binômio caráter/pensamento parece indicar mais um vínculo entre a Poética e a ética aristotélica.

Aristóteles, ao abordar as virtudes, na Ética Nicomaquéia, divide-as em virtudes éticas (êthikê aretê) – coragem, liberalidade, etc... – e virtudes intelectuais ou dianoéticas (dianoethikê aretê) – temperança, sabedoria, etc..., divisão em que se baseia também o binômio caráter/pensamento. Mas se na ética é uma virtude intelectual, a temperança, que opera sobre as virtudes éticas, na Poética a equação é um tanto diferente, como notou Blundell (1992): a temperança, na tragédia, não ocupa o primeiro plano e dá lugar às virtudes éticas. Não é à toa que o caráter é, na tragédia, uma parte mais importante que o pensamento.

125 Alguns tradutores suprimem a frase “por natureza duas são as causas das ações: pensamento e caráter” (Else e

Halliwell, por exemplo) talvez por considerá-la uma glosa posterior. Dupont-Roc e Lallot, que não a suprimem, comentam que ela pode ser tomada como uma “explicação incidente” (ARISTÓTELES, 1980, p. 195-196). O que poucos notam, entretanto, é o caráter um tanto circular raciocínio que se fecha com a primeira frase do parêntese. Senão, vejamos:

a. a mímese é mímese de uma ação b. se há a ação, há o agente

c. o agente será tal ou tal de acordo com o caráter e o pensamento POIS d. as ações também são tais ou tais de acordo com o caráter e o pensamento

Talvez esse ‘lapso’ não se deva a uma desatenção dos comentadores, mas a um certo entendimento da relação entre ação e agente dentro da ética aristotélica. O assunto é controverso. Dupont-Roc e Lallot, por exemplo, longe de considerarem que haja uma certa circularidade no raciocínio, sustentam que, no domínio da Poética, há uma inversão de prioridade entre agente e ação em relação ao domínio da ética. Eles tomam o ‘pois’ da frase c como um ‘pois’ explicativo forte, após terem comentado que “do ponto de vista da ética...uma ação humana não pode receber qualificação moral senão em relação às disposições éticas do sujeito que a realiza” (ARISTÓTELES, 1980, p. 196). Para afirmarem isso, tomam como prova o trecho que se inicia em 1105 a 30 do livro II da Ética Nicomaquéia. Nesse trecho Aristóteles estabelece as diferenças entre a virtude técnica e a virtude ética. Na técnica, argumenta ele, a virtude está inteira no resultado da ação: se o resultado é bom, a ação foi boa. Na ética, por sua vez, não basta o resultado ser bom: ele deve ser atingido por alguém que sabia o que estava fazendo, que o fez tendo escolhido o fim desejado e que agiu de maneira segura e firme. De maneira alguma o texto sustenta que a ação é justa somente se foi praticada por um homem justo, ou corajosa somente se praticada por um homem corajoso. Se fosse assim, ao homem corajoso, por exemplo, não caberia outra ação senão a ação corajosa. Tanto a covardia como a temeridade estariam interditadas a ele, o que enfim suprimiria nele o conflito ético e, paradoxalmente, a própria virtude. Feitas essas considerações, não têm razão Dupont-Roc e Lallot quando defendem, entre Poética e ética aristotélica, uma inversão de prioridades nos papéis do agente e da ação (para uma análise mais pormenorizada do tema, veja-se a Introdução).

126 A definição de ‘caráter’ na Poética (ta de êthê (legô) kath’ho poious tinas einai phamen tous prattontas –

1450 a 5) deve ser confrontada com a definição de ‘qualidade’ nas Categorias: poiotêta de legô kath’hên poioi

tines legontai (8 b 25). Ou seja, no vocabulário aristotélico, ‘justiça’ é uma qualidade, ao passo que ‘justo’ é uma

qualificação. Isso fundamenta a escolha de verter poius tinas por ‘certas qualificações’. Essa norma foi observada quando possível.

127 É controverso o arranjo sintático do trecho que se inicia com “Uma vez que a mímese é mímese de uma

‘uma vez que’. O fato é abordado por Dupont-Roc e Lallot no seu comentário à passagem (ARISTÓTELES, 1980, p. 197-198, nota 8). Três são as orações que poderiam fazer o papel de oração principal: “por natureza duas são as causas das ações: pensamento e caráter” (solução adotada por Hardy, Gernez, Bruna e Eudoro), “o enredo é a mímese da ação” (solução adotada por Dupont-Roc e Lallot, seguindo sugestão de Rostagni, e por Halliwell) e “é necessário então serem seis as partes da tragédia” (solução adotada por Else, Kassel, Lucas). Há ainda a solução de Gallavotti, que Dupont-Roc e Lallot não chegam a considerar: a frase principal seria “os quais necessariamente são qualificados segundo o caráter e o pensamento”. Dupont-Roc e Lallot rejeitam a solução de Hardy, que, segundo eles, equivaleria a atribuir a Aristóteles uma petição de princípio. Por outro lado, consideram válida a solução de Else, Kassel e Lucas, ainda que prefiram a proposta de Rostagni. Eles não negam, entretanto, que qualquer das duas pode ser alvo de objeções. Se se adota “o enredo é a mímese da ação” como frase principal não se pode deixar de notar uma certa circularidade entre prótase e apódose: “uma vez que a mímese é a mímese de uma ação ... o enredo é a mímese da ação”. A essa objeção eles respondem que a distância entre prótase e apódose, com várias orações intercaladas, levou Aristóteles a

sublinhar, com uma repetição, que a existência da história (enredo) como parte da tragédia se deduz da primeira causal somente; por outro lado, a repetição coloca em evidência, o que não é sem importância, que a história (enredo) se define nos mesmos termos que a tragédia: “representação de ação” – não haverá surpresa então em notar em seguida que a história (enredo) é a parte ‘mais importante’ (50 a 15) e ‘como que a alma da tragédia’ (50 a 38). (idem, ibidem).

Se se adota “é necessário então serem seis as partes da tragédia” como oração principal, nota-se

que o conteúdo dessa principal – a necessidade de seis partes da tragédia – excede o que implicam logicamente as causais que a preparam, a saber, a possibilidade de deduzir três partes correspondentes aos objetos de representação: história (enredo), caráter e pensamento. Ainda que essa objeção não seja talvez dirimente (Aristóteles poderia eventualmente ter empilhado dedução lógica e recapitulação) ela nos faz preferir a solução de Rostagni. (idem, ib.).

Analisando o próprio texto, deve-se observar que esse parágrafo e o precedente faze m a passagem, dentro do capítulo 6 da Poética, dos elementos pelos quais diferem as diversas artes miméticas, elementos anunciados já nas primeiras linhas do tratado e desenvolvidos nos capítulos 1, 2 e 3 – os meios de imitação, a coisa imitada e o modo de imitação – para as seis partes da tragédia enunciadas sob forma de conclusão/recapitulação, ao fim dos parágrafos em questão. Essa passagem tem o caráter de uma dedução, sendo esses dois parágrafos são iniciados justamente da mesma forma, com a conjunção explicativa e)pei\ de/ (‘uma vez que’). Examinando o primeiro parágrafo mais atentamente, podemos dividi-lo em uma prótase (“uma vez que são pessoas agindo que realizam a mímese”), sua apódose (“uma parte da tragédia será necessariamente o arranjo do espetáculo”) seguida de um acréscimo (“depois o canto e a elocução”) que não se deixa apreender pela mesma necessidade apodíctica com que se estabelece o arranjo do espetáculo como parte da tragédia. Que o canto e a elocução não decorrem necessariamente do fato de que são pessoas agindo que realizam a mímese, a exemplo do espetáculo, demonstra- o o caso da dança: nessa, há pessoas agindo, mas não há nem canto nem elocução (visto que a dança se utiliza apenas do ritmo; cf. 1447 a 26-28). Esse fato justifica a conjunção com que se articulam os membros da frase (prîton m• n...e•ta, como se se tratasse de uma enumeração – cf. Le Grand Bailly, dictionnaire grec-français, verbete e•ta) e a necessidade da explicativa: ‘pois é com esses meios que os personagens’. Em seguida, o texto esclarece o que se entende por elocução e por canto. Esquematicamente, teríamos:

Prótase: ™peˆ d• pr£ttontej poioàntai t¾n m…mhsin,

Apódose: prîton m• n ™x ¢n£gkhj ¨n e‡h ti mÒrion tragJd…aj Ð tÁj Ôyewj kÒsmoj: Acréscimo: e•ta melopoi…a kaˆ lšxij,

Explicativa do acréscimo: ™n toÚtoij g¦r poioàntai t¾n m…mhsin.

Definições: lšgw d• lšxin m• n aÙt¾n t¾n tîn mštrwn sÚnqesin, melopoi…an d• Ö t¾n dÚnamin faner¦n œcei p©san.

Ora, o segundo parágrafo tem estrutura semelhante exceto pelo fato de que as prótases são duas e as três partes da tragédia que são introduzidas se deixam deduzir dos elementos que as precedem. Vejamos:

elocução, o pensamento, o espetáculo e o canto. Duas são as parte que servem

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