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Jordskifteretten sitt forhold til forvaltinga

2. Bakgrunnsmateriale, lovreglar og annan litteratur

2.2 Om jordskifteretten

2.2.1 Jordskifteretten sitt forhold til forvaltinga

Natural da cidade de São José da Lagoa Tapada/PB, a 462 km de João Pessoa/PB, Seu Araújo tem 67 anos. Residindo na zona rural desse município localizado no sertão paraibano, Seu Araújo passou por uma experiência de infância difícil, com trabalho árduo, mas reconhece o empenho da família, especialmente o pai, na melhoria das condições de vida.

Na minha vida, eu sou um privilegiado, eu nasci na roça e consegui chegar onde estou. Meu pai era agricultor de subsistência e eu tenho um irmão que era seminarista. A cultura da gente era muito baixa. Ele perguntou: „Você quer ser padre?‟. Eu nem sabia o que era ser padre. Mas era melhor do que sofrer aqui na roça, né? E vim aqui pra João Pessoa, sai de 462 km de São José da Lagoa Tapada, e vim pra cá. Foi um choque cultural violento (Seu Araújo, Informação Verbal).

Na década de 1950, saiu do sítio aos nove anos de idade e migrou para a capital do estado. Migrou da zona rural para zona urbana. De uma experiência como agricultor, junto ao pai, passou a ser “office boy” (porteiro) em um Seminário Maior da Igreja São Francisco. Saiu de uma escola “primária”, estudando o “ABC”, no sítio em que morava, numa sala de aula única que agrupava estudantes da alfabetização a quinta série, e começou a estudar no 2º ano do Colégio Pio XII. Esse “choque cultural” relatado por Seu Araújo é explicitado na medida em que os modos de viver, as relações de sociabilidade, contato com trabalho e instituições educacionais distintas condicionaram um amadurecimento repentino na sua vida. Assim, mesmo em meio às dificuldades que surgiram, ele relata:

Consegui galgar o primeiro lugar no Pio XII, bem espremidinho, mas consegui. Só que tinha um problema: o meu pai disse: „Tu vai estudar, mas se não passar, tu vai voltar pra enxada‟. Então, eu se quisesse ficar por aqui, tinha que acelerar. E terminei meu curso técnico em eletrotécnica, depois terminei administração e trabalhei em várias áreas. Primeiro, numa empresinha pequena de construção, depois fui pra outra cearense trabalhar com plástico, mas sempre na área técnica, e depois entrei na Saelpa, com eletrotécnica e depois me aposentei lá (Seu Araújo, Informação Verbal).

Estudou, trabalhou, casou, teve filhos. A vontade de conquistar outros patamares na vida pessoal e profissional fez com que Seu Araújo se esforçasse para suprir as ausências de recursos educacionais que se apresentaram no seu lugar de origem. No seu último emprego, na Saelpa – antiga empresa estatal de eletricidade –, manteve um padrão de vida que havia conquistado ao longo dos anos de atividade profissional. A aposentadoria, contudo, atuou como uma ruptura no estilo de vida e impactou também sobre a renda mensal. Novas formas de viver e se manter ativo no mundo do trabalho, segundo Seu Araújo, foram necessárias para a manutenção das suas práticas cotidianas pessoais e familiares.

Hoje eu sou aposentado. Porém, se a gente for viver de aposentadoria, nesse país, a gente morre de fome. Então, eu comecei a construir essas casas pequenas do „Minha Casa, Minha Vida‟ e é como eu tô sobrevivendo, porque meu salário do INSS é R$ 3600,00. Como é que você vai fazer feira hoje, morar, pagar água, pagar luz, com isso? Aí eu tive que além da aposentadoria, fazer uma atividade extra (Seu Araújo, Informação Verbal).

Ainda residindo em João Pessoa, participa do Centro de Convivência do Idoso há mais de 1 (um) ano. É casado, mas frequenta o espaço sozinho. Empenhado nessas atividades empreendedoras na área de construção civil, Seu Araújo procurou o Centro para ampliar sua rede de sociabilidade, na medida em que pode interagir com outros idosos participantes, além de exercitar o corpo, em uma das atividades existentes no espaço. De acordo com Moragas Moragas: “Todo fato que origina um novo status é acompanhado de ritos que proporcionam um marco comunitário que facilita a aceitação de um novo papel” (2010, p. 208- 209). Assim, o entrevistado reconhece que:

Eu procurei esse espaço primeiro porque é uma necessidade do idoso, porque é interação. A gente é uma nova família que se integra. A nossa professora dispensa elogios, porque ela é uma pessoa agradável, ensina por amor. E pra manter o organismo em ordem, né? Eu faço só hidroginástica, mas aqui tem outras atividades. A vida modificou em termos de mobilidade, porque antes da ginástica eu me sentia assim todo travado, o joelho, os braços. Hoje a mobilidade melhorou (Seu Araújo, Informação Verbal).

Reconhece a mudança na sua vida após a inserção no CCI e o fato de que está conhecendo pessoas diferentes das que tinha contato durante a vida profissional e familiar. Mas, embora não participe das atividades externas ao espaço, como congressos e conferências, Seu Araújo afirma ter consciência das leis que resguardam seus direitos: “Eu sou atualizado porque eu leio, eu escuto a mídia televisada, a mídia de rádio, a mídia escrita. Sobre o Estatuto, tudo isso é muito bonito no papel”.

Na sequência, Seu Araújo relata também que percebe as irregularidades do local, mantido pelo poder público, afirmando que até mesmo nas atividades mais simples, faltam objetos indispensáveis para exercer com maior segurança as práticas solicitadas. Na piscina tão divulgada nos meios de comunicação do Governo do Estado, por exemplo, faltam os “macarrões” flutuadores para apoio durante a hidroginástica. Algo que não demanda gastos excessivos, mas que explicita parte do descaso com o atendimento das pessoas idosas que frequentam o CCI. Através dessa experiência no

Centro, Seu Araújo afirma que não compram esses itens básicos, argumentando que é contenção de despesa, contudo, só diminuem as despesas na “base da pirâmide”, visto que os gastos com os gestores são mantidos: transporte, auxílios alimentícios, recursos humanos e materiais em geral. Por outro lado, faltam itens básicos nos postos de saúde comunitários e atendimento médico quando se é necessário.

Se eu pudesse mudar a realidade aqui era que todos esses programas de idosos saíssem do papel. (...) Então, se tudo isso fosse possível, porque hoje o Brasil é um dos países que mais pagam impostos e menos devolvem a sociedade. A tripé básica, segurança, educação e saúde, não existe nesse país. Como é que você vai dar aula, ganhando 1 (um) salário mínimo? Não tem condições... por exemplo, o Estado está fazendo umas praças, com aparelhamento, mas não bota um profissional pra orientar. Muitas vezes, você vai fazer um exercício errado e é pior pra você (Seu Araújo, Informação Verbal).

Desta forma, a perspectiva que Seu Araújo demonstra em relação aos direitos e deveres revela a desigualdade que existe no Brasil no cumprimento dos mesmos, especialmente, no caso dos idosos. Para tanto, ele cita o reajuste da aposentadoria, que apresenta desnível em termos de inflação, ao passo em que a sociedade acompanha sistemáticos aumentos nos vencimentos de outras categorias, como o judiciário, por exemplo.

Veja bem, eu tenho uma visão péssima do idoso. Quem fez o idoso, esqueceu de dar ao idoso, pra poder tirar. Porque você está idoso, tiram a saúde que você já não tem. Tiram o dinheiro, quando a sua aposentadoria já é baixa. Então, tudo no idoso vai se exaurindo. Vai sumindo, quando o idoso não tem pra dar. Aí o povo diz: „Mas o idoso tem experiência‟. Mas não tem saúde, não tem mobilidade, aí pra que experiência? (Seu Araújo, Informação Verbal).

Tradicionalmente associada à velhice, a experiência é um dos traços subjetivos mais ressaltados quando se observam os elementos “positivos” do ser idoso. Entretanto, o relato de Seu Araújo revela que sem outros aspectos relevantes para se viver em sociedade de forma plena e digna – saúde, educação, renda adequada, entre outros – a “experiência” adquirida, por si só, não contempla as necessidades vitais e subjetivas da pessoa idosa. Por fim, a fala proferida por Seu Araújo, a respeito da condição de vida na velhice, é enfática: “É horrível, preferia estar com quinze anos, liso, papai pagando as contas e sem experiência, do que estar velho”.