Segundo Braga et al. (2003), as tentativas de construção de indicadores de sustentabilidade seguem três vertentes principais: a vertente biocêntrica, que consiste principalmente na busca por indicadores de equilíbrio ecológico de ecossistemas, a vertente econômica, que consiste em avaliações monetárias do capital natural e do uso de recursos naturais e uma terceira vertente, que busca construir indicadores de sustentabilidade que combinem aspectos do ecossistema natural, econômico e da qualidade de vida humana, levando em consideração, também, aspectos dos sistemas político, cultural e institucional.
A CNUCED, realizada no Rio de Janeiro, criou a Comissão de Desenvolvimento Sustentável (CSD – Comission on Sustainable Development) que tem como principal objetivo monitorar tudo o que é feito a caminho de um futuro sustentável. Nesses encontros, levantou- se a questão da necessidade de criar padrões, bases comuns, que sirvam como referência para medir o grau de sustentabilidade e os avanços em direção a um futuro sustentável (BELLEN, 2002).
Um dos obstáculos, porém, como mencionado, é o de se chegar a um consenso a respeito do conceito de sustentabilidade e de quais e como devem ser seus indicadores. A CDS estabeleceu elementos básicos que devem ser considerados para o desenvolvimento e emprego de indicadores de sustentabilidade no nível nacional. Já para Meadows (1998), citada por Bellen (2002), bons indicadores devem ter as seguintes características, apresentadas no Quadro 1.
1. Devem ser claros nos valores. Não são desejáveis incertezas nas direções que são consideradas corretas ou incorretas.
2. Devem ser claros em seu conteúdo, devem ser entendíveis, com unidades que façam sentido. 3. Devem ser suficientemente elaborados para impulsionar a ação política.
4. Devem ser relevantes politicamente, para todos os atores sociais, mesmo para aqueles menos poderosos. 5. Devem ser factíveis, isto é, mensuráveis dentro de um custo razoável.
6. Devem ser suficientes, ou seja, é preciso achar um meio-termo entre o excesso de informações e as informações insuficientes, para que se forneça um quadro adequado da situação.
7. Deve ser possível a sua compilação sem necessidade excessiva de tempo.
8. Devem estar situados dentro de uma escala apropriada, nem super nem subagregados.
9. Devem ser democráticos; as pessoas devem ter acesso à seleção e às informações resultantes da aplicação da ferramenta.
10. Devem ser suplementares; devem incluir elementos que as pessoas não possam medir por si próprias. 11. Devem ser participativos, no sentido de se utilizar elementos que as pessoas, os atores, possam mensurar por si próprios, além da compilação e divulgação dos resultados.
12. Devem ser hierárquicos, para que os usuários possam descer na pirâmide de informações se desejarem, mas, ao mesmo tempo, transmitir a mensagem principal rapidamente.
13. Devem ser físicos, uma vez que a sustentabilidade está ligada em grande parte a problemas físicos, como água, poluentes, florestas, alimentos. É desejável, na medida do possível, que se meça a sustentabilidade através de unidades físicas (toneladas de petróleo e não seu preço, expectativa de vida e não gastos com saúde).
14. Devem ser condutores, ou seja, devem fornecer informações que conduzam a ação. 15. Devem ser provocativos, levando à discussão, ao aprendizado e à mudança.
Quadro 1- Características necessárias para a construção de sistemas de indicadores adequados
Fonte: Meadows, 1998, apud Bellen , 2002.
Para esta autora, são necessários, além dos indicadores, sistemas de informações coesos e apropriados para informar sobre a sustentabilidade de um sistema. Os indicadores fazem parte de um sistema de informação que deve recolher e gerenciar informações e fornecê-las para a ferramenta de avaliação (BELLEN, 2002).
Bossel (1999) afirma queo sistema total do qual a sociedade faz parte é formado por uma série de sistemas componentes e que o sistema somente funciona corretamente, é viável e sustentável, se os sistemas individuais também forem. Desta forma, para que o desenvolvimento sustentável seja atingido, é necessário identificar os sistemas componentes essenciais e definir indicadores que podem prover informações confiáveis sobre cada sistema individual e sobre o sistema total.
Cherchye; Kuosmanen (2002) discutem a aplicação do benchmarking a vários tipos de projetos de desenvolvimento sustentável, principalmente no campo da administração pública, em nível de comunidade local.
Benchmarking é uma ferramenta bem sucedida de mensurar e comparar o desempenho
de organizações públicas e privadas que geralmente começa com a identificação de parceiros que exemplificam a melhor prática em alguma atividade, função ou processo. São comparadas empresas em um mesmo setor ou outras unidades organizacionais comparáveis (CHERCHYE; KUOSMANEN, 2002).
De acordo com estes autores, o benchmarking pode promover desenvolvimento sustentável através da difusão de experiência e técnica de nações que estão à frente em sustentabilidade aos países menos desenvolvidos e com performances inferiores.
A prática do benchmarking, para a construção de índices de desenvolvimento sustentável, é tipicamente baseada em índices de desempenho que agregam várias dimensões em uma única figura numérica. Conseqüentemente, uma literatura completa tem emergido na construção de um índice operacional de desenvolvimento sustentável que deve ser de fácil compreensão e uso no contexto das decisões políticas. Porém, embora se reconheça a importância de um índice de sustentabilidade bem definido, e embora esforços tenham sido feitos visando construir um índice ideal, há ainda um longo caminho a percorrer para alcançar consenso sobre padrões de indicadores e metodologias de benchmarking (CHERCHYE; KUOSMANEN, 2002).
Vários outros autores argumentam sobre a importância dos indicadores a partir de diferentes perspectivas que levam a concluir que os indicadores são importantes meios de apoio às políticas e aos tomadores de decisão em diversos níveis.