problemática dos processos de codificação e significação, abordados pelas correntes da semiótica, do estruturalismo, da lingüística e do pós-estruturalismo. Tais correntes evidenciam a impotência do “sujeito” diante do sistema da linguagem. Na perspectiva estruturalista saussuriana, as estruturas são sempre definidas a partir da relação de correspondência, de identidade pela diferenciação e pela arbitrariedade existente entre significado e significante (partes constituintes do signo, a primeira corresponde à parte mental, ao conceito, ao conteúdo, à epistemologia e a segunda corresponde à parte física, expressiva e à semiótica). Saussure articula o conceito de signo a partir da importância do conceito, diferente de Pierce (na semiótica) que articula o signo a partir de sua expressão. Partindo da introdução das mídias na vida cotidiana, as formas de expressão e representação sociais assumem uma característica midiática. Entretanto, autores do positivismo lógico, ao partirem da análise dos sistemas de informação e da física, vêem a comunicação numa perspectiva exclusivamente humana, fechada no indivíduo.
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Em programação, Tags são estruturas de linguagem de marcação que consistem em breves instruções. Enquanto metadado, Tag é uma palavra-chave ou termo associado com uma informação.
Página | 89 Para tais autores, a noção de sistema implica num modelo humano fechado em si mesmo, numa auto-referencialidade circular interna, que acaba por implicar numa desvalorização da estrutura externa, ou do social como estrutura do sujeito. De certa forma o positivismo lógico pensa o sujeito como sistema autopoiético4 e, portanto, ligado
a um modelo menos dependente das estruturas sociológicas (política, moral, economia, leis). A visão do outro, do externo, está sempre ligada à minha expectativa.
Para Heinz von Foerster (apud MARCONDES FILHO, 2007), o indivíduo é um sistema fechado que cria a realidade do ambiente exterior a partir da captação das intensidades, que por sua vez, só são percebidas a partir do interesse desse sistema (a pessoa), com capacidade para perceber determinada intensidade, pois se o sistema não está apto, ele não percebe e não registra a intensidade como informação. Dessa forma, não há comunicação fora do interesse e da possibilidade do observador. Por essa perspectiva, a comunicação não acontece de fato. Nela não existe a possibilidade de mútuo entendimento, de uma percepção, porque cada sistema tem sua própria maneira de fabricar a realidade. Isso não tira a necessidade da existência do outro, externo, responsável por impulsionar o ciclo criativo do sistema, evitando assim que se caia no solipsismo. Esse ciclo criativo só funciona quando a comunicação traz informação, ou aquilo que é capaz de trazer à comunicação o não trivial.
Ao mesmo tempo em que Maturana (apud MARCONDES FILHO, 2007) reclama que o poder limitante da linguagem causa o impedimento de um pensamento novo, acaba aceitando a verdade determinista da vertente lingüística que concebe o mundo como resultado de articulações entre os signos, só que em seu caso, referenciados no sistema – indivíduo, e não na estrutura social. Sendo assim, também concebe o indivíduo como um sistema fechado, autônomo, auto-referente, que constrói a si mesmo. Nesse sistema ocorre um esforço muito grande para manter o equilíbrio mesmo diante de uma variável, há sempre uma busca pela preservação da identidade (conceito de estabilidade em Parmênides), e da essência mesmo que mude a aparência. Não há uma finalidade que motive o viver, o ser apenas sobrevive.
Para Gregory Bateson (1987), ao contrário do que pensa Foerster, é impossível não se comunicar, pois este autor vê a comunicação como interação além da linguagem exclusivamente verbal. Para Bateson existe outro plano da comunicação que nem sempre está previsto. É um espaço, no qual outros agentes de informação atuam, que não aqueles controlados pela organização verbal. Este espaço é o lugar dos sentidos,
4 Autopoiesi – termo cunhado pelos biólogos e filósofos, Francisco Varela e Humberto Maturana – exprime a
Página | 90 das expressões extralingüísticas. Dessa forma concebe a comunicação a partir da relação entre sistemas (homem e coisas) abertos. Ele percebe a importância do ambiente como componente da significação e do ato de comunicar criando uma nova concepção de ecologia transversal.
Diferentemente de Maturana e Foesters, Serres (2001) começa a ver na tecnologia a possibilidade de contato e troca entre as pessoas, de uma forma desordenada, sem separação entre as esferas pública e privada e sem a necessidade da utilização lingüística rígida. Para Serres, as novas tecnologias implodem essas antigas necessidades atribuídas à comunicação e às relações sociais. A escrita, a fala, e o aparelho sensório mudam a cada momento, já que interfaces novas são criadas constantemente, trazendo novo sentido à comunicação à distância, que antes não era possível. Antes, a comunicação era vista como um mecanismo, no qual a distância exercia poder através da legitimidade de suas estruturas, como a imagem do Estado- Nação. Hoje a tele presença não tem mais o mesmo peso e a mesma utilização, as distâncias foram encurtadas e não valorizadas, o contato depende das diversas temporalidades que se abrem a partir da conexão dos diferentes planos, agenciados por um sujeito híbrido, por máquinas e espacialidades abertas para estabelecerem o caminho da interação.
Diante da situação social tecnológica virtual, é necessário pensar a comunicação como um acontecimento complexo, no qual não só palavras, significados ou máquinas participam. Entra também o componente humano do extralingüístico e do imprevisível, que aparecem na prática social – vista como dinâmica multifacetada e fragmentada. A situação social da virtualidade reflete o ambiente envolvente do qual fala Lévy (2000), a respeito da cibercultura.
A construção de um social em rede, caracterizado por circuitos informativos, obriga-nos a repensar as formas e as práticas das interações sociais fora da concepção funcional-estruturalista, baseada em relações comunicativas analógicas. O próprio papel da tecnologia comunicativa no interior das relações sociais deve ser completamente repensado (DI FELICE, 2008d, p. 23).
Deleuze e Guattari (2004) localizam o problema da linguagem na construção arborescente e hierarquizada de significados. A partir dessa constatação de limitação, deslocam o universo da significação da lingüística e do estruturalismo para a dinâmica da rede, que funciona como um rizoma.
Um rizoma não começa nem conclui, ele se encontra sempre no meio, entre as coisas, inter-ser, intermezzo. A árvore é filiação, mas o rizoma é aliança, unicamente aliança. A árvore impõe o verbo ‘ser’, mas o rizoma
Página | 91 tem como tecido a conjunção ‘e...e...e’. Há nesta conjunção força suficiente para sacudir e desenraizar o verbo ser. [...] Entre as coisas não designa uma correlação localizável que vai de uma pessoa para outra reciprocamente, mas uma e outra, riacho sem início nem fim, que rói suas duas margens e adquire velocidade no meio (DELEUZE; GUATTARI, 2004, p. 37).
Esses autores propõem um tipo de cruzamento epistemológico que extrapola os limites do conhecimento cartesiano e disciplinar, ao deslocar o centro das análises para a importância dos movimentos, dos cruzamentos, da fluidez e da falta de fronteiras. Essa contemporaneidade é permeada pela rede, pela ultrapassagem da barreira do tempo, pela supressão das distâncias, pela importância da não identificação, e pela circulação de informação. Pensando em constantes territorializações e desterritorializações, Deleuze e Guattari olham para um sujeito sem identidade, para um tempo sem história, e para um espaço sem arquitetura. “A lingüística e a psicanálise [...] fecham a significação, elas são representações arbóreas não rizomáticas” (apud MARCONDES FILHO, 2007, p. 90)
De forma diferente, autores contemporâneos pensam a comunicação como resultada da relação entre homem e mídia e homem e ciberespaço. Jean Baudrillard, Paul Virilio e Manuel Castells, ao analisarem a sociedade dos anos de 1990, partem do pressuposto estruturalista que vê a forma social como resultado da construção lingüística, vista como discurso e meta-narrativa. Pierre Lévy, de certa forma, aproxima-se da idéia de construção social lingüística ao conectar o conceito de virtual à representação e construção simbólica. Numa perspectiva diferente sobre o virtual, Mário Perniola estuda o conceito de simulacro, localizando-o junto ao pensamento platônico. A partir disso, o autor elabora uma a crítica à dialética que articula verdade/original versus aparência/imagem/cópia, para definir esse espaço de interação. Acaba por chegar à conclusão de que a dicotomia entre os conceitos de cópia e original não expressa a complexidade da relação entre realidade e virtualidade.