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Para Thompson (1995), como já foi visto no capítulo teórico, estudar ideologia nas sociedades modernas é apontar os modos como formas simbólicas se entrecruzam com relações de poder, e mostrar como o sentido mobilizado no mundo social serve para reforçar pessoas e grupos em posições de poder, estabelecendo e sustentando relações de dominação (no NEGRI, concebemos que a sociedade brasileira está estruturada em torno de diversos eixos de dominação, como os de gênero, raça e idade). O autor destaca que as formas simbólicas são construções com uma estrutura interna articulada; isso significa que são construídas a partir de regras, recursos e apresentam determinados padrões de relações. A análise formal ou discursiva, proposta pelo autor como a segunda etapa da HP, está interessada na descrição dessas características que estruturam as formas simbólicas, assim como na análise e seus elementos específicos e de suas inter-relações. Nessa fase, Thompson (1995) destaca que podem ser utilizados diferentes procedimentos os quais devem ser selecionados de acordo com os objetivos da pesquisa e das particularidades das formas simbólicas.

A técnica de Análise de Conteúdo tem como objetivo descrever aspectos de uma mensagem, de forma objetiva e sistemática, “e algumas vezes, se possível, de forma quantificável, a fim de reinterpretá-la, de acordo com os pressupostos da investigação”. (ROSEMBERG, 1981, p. 70). Para a autora, essa técnica configura-se como um conjunto de procedimentos instrumentais que servem às teorias, buscando estabelecer inferências, por

meio de significados apreendidos em textos. Também é um instrumento catalogador, classificador e descritivo de uma proposta de pesquisa, assumindo a mesma posição de qualquer outro instrumento de análise nas ciência sociais.

Com relação aos procedimentos de análise, a Análise de Conteúdo sistematizada por Bardin (2011) pode ser dividida em três etapas: a pré-análise, a exploração do material e o tratamento dos resultados – inferência e interpretação.

Bardin (2011) assinala que a primeira etapa é a de pré-análise. Nela deve-se escolher o material que será analisado, ou seja, definir o corpus, formularem-se hipóteses e elaborarem- se indicadores para a fundamentação da interpretação final. O corpus “é o conjunto dos documentos tidos em conta para serem submetidos aos procedimentos analíticos [...]” (BARDIN, 2011, p. 126).

O quadro abaixo elenca os(as) candidatos(as) que participaram das eleições à prefeitura do município de São Paulo, no ano de 2012. O tempo de propaganda designado a cada candidato também foi contemplado no universo da pesquisa, pois esse aspecto limita as mensagens veiculadas. Conforme Carvalho et al. (2010), alguns partidos, como o Partido Verde (PV), divulgam somente sua posição ideológica – a preocupação ambiental –, na maioria de suas inserções. Apenas em alguns momentos, como estratégia, divulga seus políticos e candidatos em detrimento de temas locais, como fazem outros partidos. (quadro 8)

Quadro 8. Nome, partido, legenda e tempo na propaganda dos candidatos que concorreram ao cargo de prefeito do município de São Paulo, no ano de 2012. (continua)

Número Nome para urna Partido Legenda Tempo* ‘Minuto

“Segundo

1** Ana Luiza

Partido Socialista dos Trabalhadores

Unificados PSTU 89”

2**

Anai Caproni Partido Causa Operária PCO 45”

3** Carlos Giannazi Partido Socialismo e Liberdade PSOL 95”

4** Celso Russomano Partido Republicano Brasileiro PRB 2‟8”

5** Fernando Haddad Partido dos Trabalhadores PT 8‟38”

6** Gabriel Chalita Partido do Movimento Democrático Brasileiro PMDB 5‟47” 7**

Levy Fidelix Partido Renovador Trabalhista Brasileiro PRTB 97”

8** Eymael Partido Social Democrata Cristão PSDC 91”

Quadro 8. Nome, partido, legenda e tempo na propaganda dos candidatos que concorreram ao cargo de prefeito do município de São Paulo, no ano de 2012. (conclusão)

10**

Miguel*** Partido Pátria Livre PPL -

11** Paulinho da Força Partido Democrata Trabalhista PDT 1‟46”

12**

Soninha Partido Popular Socialista PPS 1‟51”

Fonte: Elaborado pela autora. *Corresponde ao tempo a que tem direito cada partido/candidato para propaganda eleitoral.

**Essa numeração auxiliou a análise formal do material. ***O candidato não tem horário na propaganda eleitoral gratuita.

A constituição do corpus ocorreu em três fases: na fase I, a propaganda veiculada em rádio, no período eleitoral, foi gravada em arquivo específico. Na fase II, foi elaborada uma audição preliminar para se confirmar se todas as mensagens veiculadas em rádio correspondiam aos objetivos da pesquisa. Foram considerados termos tais como: creche, escola, educação infantil e/ ou termos ligados à educação e ao cuidado de crianças pequenas, entre eles, babá, avó, avô ou referentes a outras pessoas encarregadas da criança na ausência da mãe. A audição inicial revelou-nos que as transcrições das gravações poderiam constituir o

corpus para análise, visto que havia depoimentos de mães ou pais, músicas, locução de

radialistas, interlocução com os candidatos fazendo referência às creches e às crianças de até 3 anos.

Na fase III, foram elaboradas regras para o recorte do material. Esse processo de recorte do texto ocorreu em função de temas-eixo; o que era expresso a seu respeito foi agrupado ao seu redor. (BARDIN, 2011, p. 136). Os trechos acerca dos temas-eixos foram recortados seguindo a delimitação: etapas da vida, educação e cuidado de crianças pequenas/bebês, instituições de ensino e função docente. Foi elaborada uma planilha do WORD a qual seguiu a categorização descrita no quadro (9). Os trechos assim tratados passaram a constituir Unidades de Informação (UIs), que são células básicas de contexto de produção do discurso na propaganda eleitoral.

Quadro 9. Regra de exploração material. (continua)

Etapas da vida Educação e cuidado da bebê e criança pequena

Bebê/bebezinho Nenê/nenezinho Criança, Criançada (s) Infância(s) Pai(s) Homem(s) Mãe (s) Mulher(s)

Avô, idoso, velho(s) Avó, idosa, velha (s) Empregada doméstica(s) Família(s)

Quadro 9. Regra de exploração material. (conclusão)

Instituições de ensino Função docente

Creche(s) Educação Educação básica Educação infantil Pré-escola(s) Jardim da infância(s) Escola maternal(s) Escola(s)

Centro de Educação Infantil (CEIS)

Centro de Educação (CEUS)Ensino fundamental

Professor(s) Educador(s)

Auxiliar desenvolvimento infantil(s) Magistério

Educador infantil Monitor

Auxiliar de creche

Fonte: Elaborado pela autora.

Uma síntese das unidades de informação que compõem o corpus da pesquisa foi descrita no quadro abaixo. Os percentuais apresentados nos resultados foram calculados sobre o total de unidades de informação coletados para cada tema-eixo. (quadro 10)

Quadro 10 . Quantidade de unidades de informação por temas-eixo.

Tema-eixo: Unidades de informação

Etapas da vida 87

Educação e cuidado de bebês e crianças pequenas 67

Instituições de ensino 210

Função docente 35

Unidades de informação

Total: 399

Fonte: Elaborado pela autora.

Foi cogitada a possibilidade de se analisar a quantidade menções por partido político. Contudo, seguindo orientações dos membros que compuseram a banca em meu exame de qualificação, a quantidade de menções por partido político/candidato não foi analisada, pois o tempo de propaganda não é o mesmo para os concorrentes ao pleito. No item abaixo foi discutido o processo de elaboração das grades ou dos manuais de análise.