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In document Viking, 58(1995) (sider 89-103)

Os aspetos metodológicos referem-se aos processos utilizados para atingir um determinado fim, ou que permitem produzir ou chegar ao conhecimento numa determinada área11. Assim, com o intuito de adquirir e desenvolver competências ao nível de enfermeiro especialista, e tendo por base os objectivos definidos, foi feito uso da metodologia projeto para a estruturação do EC.

3.1. Metodologia Projeto

A metodologia projeto tem como objectivo principal a resolução de problemas, possibilitando que, ao longo desse processo de elaboração e concretização de projetos numa situação real, se adquiram capacidades e competências. Baseia-se, então, na investigação centrada num problema real identificado, e na implementação de estratégias que se pretendem eficazes para a sua resolução, constituindo-se em cinco etapas: (1) diagnóstico de situação, (2) definição dos objectivos, (3) planeamento, (4) execução e avaliação e (5) divulgação de resultados (Ruivo, Ferrito e Nunes, 2010).

Esta é, então, uma metodologia que parte da prática, que analisa a experiência de modo contextualizado e que, tendo com suporte o conhecimento teórico, reconstrói saberes e cria novas competências que serão, novamente, devolvidos à prática. Por assim ser, a metodologia projeto é promotora de uma prática fundamentada e baseada na evidência (Boutinet, 1996; Ruivo, Ferrito e Nunes, 2010).

3.1.1. Operacionalização do Projeto de Intervenção

Foi com base na metodologia projeto que se implementou o Projeto de Intervenção com vista à mudança das práticas no SU. O Projeto começou a ser elaborado no 2º Semestre, no âmbito da Unidade Curricular Opção II, em cujo relatório final foram apresentados os procedimentos e os resultados das primeiras três etapas da metodologia: diagnóstico de situação12, definição de objectivos e planeamento das atividades para a concretização dos objectivos do Projeto. Como é próprio desta metodologia, e de acordo com Leite, Malpique e Santos (1991, p.77), quer os objectivos definidos quer as atividades planeadas funcionaram como “uma antevisão

da estrutura do trabalho, […] para romper fronteiras no caminho a percorrer”. Em conivência

com o defendido por estas autoras, o plano de ação delineado funcionou como guião e, como

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http://www.significados.com.br/metodologia/, acedido a 6/4/2013

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tal, foi sujeito a reformulações mediante os imprevistos do contexto, as solicitações da prática e as necessidades do grupo. Também os objetivos foram polidos no desenrolar do Projeto, tendo sido definidos pelo grupo consoante as suas intenções e prioridades. O documento final encontra-se esquematizado em apêndice (Apêndice VII).

Partindo de uma situação problemática – a contenção do doente idoso confuso – foi feito um diagnóstico de situação, através do qual foi possível comprovar a existência de um problema real – a fraca evidência, ao nível dos registos de enfermagem, de boas práticas referentes ao procedimento de contenção na pessoa idosa.

Esta situação, bem como a proposta de intervenção referente, foi previamente apresentada à Enfermeira-Chefe do SU e, após o seu aval, foi apresentada aos enfermeiros de uma das equipas do SU. Perante os resultados do diagnóstico de situação, e dando continuidade à abordagem de sensibilização dos enfermeiros iniciada no 2º semestre letivo, foi-lhes feita a proposta/desafio para constituírem a equipa piloto (EP) de um Projeto com vista à mudança das práticas no âmbito da contenção do doente idoso, a qual foi prontamente aceite.

Em concordância com o defendido por esta metodologia de trabalho, a experiência e o saber destes enfermeiros foram valorizados nas etapas subsequentes, tendo as tomadas de decisão sido sempre feitas com eles. Em equipa, foram então definidos os objetivos com vista a uma melhoria efetiva das práticas de enfermagem, e que se traduziram em:

1) Melhorar o registo de enfermagem relativo à contenção de doentes.

2) Dar visibilidade, nos registos de enfermagem, ao recurso a medidas de contenção mecânica no cliente idoso como intervenção última.

3) Dar visibilidade, nos registos de enfermagem, aos cuidados de enfermagem prestados, implícitos à situação de contenção.

Ainda em equipa, foram negociados e definidos os itens de registo (Apêndice VIII), com base nas respostas dadas pelos enfermeiros ao questionário aplicado na fase de diagnóstico, nas recomendações encontradas na evidência e em função do preconizado na Orientação nº 021/2011 da DGS13 (pontos 6 e 10). Também o local de registo foi decidido em conjunto – a área de escrita livre Novas Intervenções –, uma vez que a folha de registo informatizado em uso no SU não contemplava este procedimento, facilitando assim a localização da informação pretendida.

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Foram também determinados os aspectos de operacionalização e de avaliação do Projeto, decidindo-se:

· O período de implementação do Projeto (6 semanas de intervenção, com início a 11 de

Outubro e término a 25 de Novembro de 2012);

· O sector do SU onde se iniciará a implementação do Projeto – Unidade de Observação

(UO) –, e a natureza dos registos a realizar nos Balcões de Atendimento Geral14 (facultativo e referindo somente a causa de contenção);

· O modo de identificação dos casos para análise (feita pelo chefe de equipa, no final de

cada turno, ou pelo próprio enfermeiro, sinalizando-se os doentes em risco de contenção e com contenção);

· Os momentos de balanço e avaliação intercalares face aos resultados (reuniões de

trabalho com a equipa a cada 2 semanas para análise e discussão dos registos referentes à contenção, e reajuste da intervenção);

· O modo de disponibilização da informação referente às etapas do Projeto e às decisões

tomadas em equipa – reuniões de trabalho e atas correspondentes, disponíveis para consulta na pasta da equipa –, garantindo assim a sintonia e a atualização dos enfermeiros face ao decurso do Projeto;

· Os indicadores de avaliação (IA), apreciáveis em função dos itens de registo definidos:

(1) o registo efetivo dos procedimentos referentes à contenção (medidas preventivas, efetivação da contenção, vigilâncias e cuidados acrescidos);

(2) a utilização correta dos dispositivos de contenção (observável através de uma minimização ou inexistência de intercorrências associadas ao uso dos mesmos); (3) a diminuição do recurso à contenção efetivação e tempo de uso (conseguida

através da optimização e sucesso das medidas preventivas implementadas e da sistematização da reavaliação da necessidade de contenção).

A monitorização das práticas e dos registos foi efetuada através da consulta dos processos dos casos identificados, recorrendo-se a duas grelhas de análise de modo a facilitar a organização da informação. A cada um dos casos foi atribuído um número, de modo a permitir a sua identificação em ambas as grelhas.

A primeira grelha visa o Registo Inicial, e remete para os registos efetuados pelos enfermeiros da EP quando são estes a identificar o problema e a iniciar medidas preventivas

ou de contenção. Para além dos elementos que possibilitam a caracterização da amostra e a determinação do turno da ocorrência, compõem esta grelha os itens que permitem a avaliação do quadro do doente, as intervenções levadas a cabo com o intuito de evitar a contenção e a causa da sua concretização, ou seja, os aspectos que legitimam o procedimento de contenção. A descrição e justificação dos componentes da grelha encontram-se em apêndice (Apêndice IX).

A segunda grelha visa o Registo de Vigilâncias/Cuidados, correspondendo aos registos posteriores, de continuidade, efetuados pelos enfermeiros da EP. Os componentes desta grelha estão especificados no Apêndice X.

Os peritos foram um recurso contemplado para a otimização de todo o processo de implementação do Projeto. Assim sendo, todas as etapas foram validadas com a Enfermeira de referência no local de estágio, tendo-se realizado reuniões de aferição do planeamento (as atas das reuniões encontram-se compiladas no Apêndice XI). Todo o decurso do Projeto foi igualmente acompanhado e supervisionado pela Professora Orientadora, tendo-se concretizado momentos formais de orientação, individuais e em grupo (com os pares do mestrado). As principais aprendizagens decorrentes destas reuniões ficaram registadas em atas (compiladas no Apêndice XII).

As datas e duração das atividades desenvolvidas e encontram-se discriminadas em cronograma15.

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