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O nosso tempo no terreno divide-se entre a realização de entrevistas centradas ou histórias de vida, quando a disponibilidade dos festeiros assim o permitiu. Entre estes momentos são encetadas as mais variadas conversas, à mesa ou no areal, descontraidamente, e que contribuem de igual forma para este trabalho. A aprendizagem em terreno é permanente por via da observação participante. Se o gravador ou máquina de filmar não estão ligados, o caderno de campo está à mão e anota-se no final o que assim merecer ser registado. À excepção do presente ano, tivemos sempre a preocupação metodológica de filmar o ritual, os momentos de lazer, as refeições e brincadeiras, bem como a grande maioria das entrevistas. São cerca de 30 horas de gravações. Do acompanhar deste processo através da imagem resultará, quando o terreno assim o ditar, a realização de um filme etnográfico, que cumule o processo fílmico e as preocupações de quem o realiza. Faremos uma breve referência ao porquê da escolha do género e às suas premissas base. A história do filme etnográfico é parte da historia do próprio cinema, mais particularmente do documentário, e depende directamente do desenvolvimento da etnografia e da disciplina antropológica (Heider: 1976; Costa: 1992; MacDougall: 1998; Loizos: 1993; Henley: 1996) alcançando alguma maturidade nos anos 20. O filme etnográfico desenvolveu-se sobretudo nos Estados Unidos, França, Austrália e com maior intensidade ainda em Inglaterra. Nos anos 60, o aparecimento dos equipamentos portáteis com som síncrono, essenciais ao terreno, viriam a permitir a gravação

simultânea de som e imagem55, o que revolucionou a forma de os fazer bem como as

condições em que esta decorre. O filme etnográfico é considerado pela generalidade










55 Para Karl Heider (1976) a inserção do som após a recolha etnográfica, no momento da edição do filme, retirava-lhe autenticidade etnográfica. Compreendemos que este desfasamento não seja desejável quando a tecnologia permite que ele não aconteça, no entanto, o desenvolvimento do filme etnográfico tem na sua origem um conjunto de filmes que quer pelas suas características descritivas, quer pelas visões implícitas dos seus realizadores, têm no seu corpus o enunciar da etnografia de um determinado conjunto de práticas e/ou pessoas, tendo sido inspiradores e instigadores do desenvolvimento desta pratica fílmica.

da literatura produzida como um subgrupo dos documentários56 no sentido lato da suas múltiplas definições. Cinema Etnográfico foi um termo utilizado pela primeira vez em 1926 por John Grierson, cineasta e sociólogo escocês, com o propósito de distinguir a captação da realidade de entre vários tipos de filmes produzidos sobre a mesma. Incorpora muito daquilo que deve ser o papel da imagem enquanto auxiliar da pesquisa antropológica no terreno, enquanto segundo caderno de campo, que regista o que não é registável por palavras ou que se limita a dar corpo, e voz, ao confinamento da melhor escrita antropológica descritiva possível. Subjacente à sua prática, o filme etnográfico é marcado pelas ideias de proveniência de uma tradição realista. Está implícita a ideia de que é a câmara e não as pessoas que filmam, e, por último, assume um papel preservacionista, de culturas, de mundos em extinção, que poderão resultar numa espécie de arquivo visual de formas culturais vivas ou em perigo de extinção (Costa: 1992). Para Jay Ruby (1975 cit. por Loizos, 1993) o que distingue filme etnográfico de documentário é a satisfação de quatro critérios basilares; devem ser filmes sobre culturas “completas” ou porções definidas de culturas; terão que ser suportados por teorias de culturas implícitas ou explicitas; exigem transparência acerca das metodologias utilizadas na recolha etnográfica e no processo de filmagem e, por último, deverão utilizar um léxico antropológico que os distinga. Loizos (1993) considera que quer os filmes, quer a etnografia estão cada vez mais a ser compreendidos como textos provisórios, pois surgem em realidades contestadas e plurais. As linhas gerais que Jay Ruby enunciou relativamente à distinção entre filme etnográfico documentário, devem ser, para o autor, tidas em conta numa perspectiva geral e não condicionante, acabando por formular aquilo que designa por atitudes, enquanto formas de fazer e pensar o filme dentro do género etnográfico. Estas atitudes prendem-se com a influência do realismo no género documental e implicam, sucintamente; um desejo de mostrar o mundo social como ele é, para conseguir a fidelidade das vidas como são vividas; subentende uma abertura para a totalidade das experiencias humanas: nenhuma exclusão pode ser permitida; envolve um mundo que possui um status epistemológico que em principio é explicito, e que pode ser descrito com precisão; evita géneros ficcionais, do palco ou do cinema. 








56 Desde os primórdios da história do cinema discute-se continuamente as diferenças entre filmes documentários e filmes de ficção. Grierson e Rotha argumentaram sobre as diferenças fundamentais entre os dois cinemas, atribuindo ao documentário um carácter superior. Muitos autores têm enfatizado elementos em documentários que se assemelham a filmes de ficção como a narrativa de suspense e o fechamento de continuidade na filmagem e montagem (Loizos, 1993).


 54 O filme etnográfico lida exactamente com as mesmas questões do realismo57 que se apresenta enquanto condicionante do teoria e da prática fílmica, mas também como resultado do domínio da hipervisualidade na contemporaneidade. Vertov inicia nos anos 20 a consciencialização, radical, da sistemática e obrigatória relação entre a imagem e o real, enquanto modus operandi. As suas premissas viriam a influenciar largamente o cinema-verdade de Jean Rouch, quarenta anos depois. Quer seja com o propósito de recolha de dados para arquivo, muito presente nos primórdios da recolha de imagens em contextos etnográficos, ou com ambições mais generalistas de captação do universo em estudo, diferenciações patentes naquilo que MacDougall distingue por ethnographic filming e ethnographic footage, o filme etnográfico prende-se ao real, ao evento pró-filmico (Loizos:1993), ao desdobramento da realidade em frente à câmara tal como se desdobra em frente ao nós e ao caderno de campo. Esta é a maior condicionante da sua existência e também a mais consensual. Afinal, o que pretendemos é tratar do real e transmitir, com maior ou menor dose de condicionamento, no momento da captação, montagem e edição, um elevado nível de fidedignidade em relação ao nosso objecto.

Os festejos em honra da Nossa Senhora do Rosário de Tróia iniciam-se três dias antes da partida para a caldeira de Tróia. Nestes três celebra-se o tríduo, orações em honra da Santa e dos marítimos que já pereceram na Igreja de São Sebastião, em Setúbal, à noite, com inicio geralmente por volta das 21h30. Nos cartazes de divulgação da festa encontra-se sempre o apelo a que as famílias de marítimos e festeiros de Nossa Senhora de Tróia participem também nestes dias de oração. Certo é que a afluência à missa que antecede a partida para a caldeira, no primeiro dia de festa efectivo, é sempre muito maior do que a afluência às orações nocturnas nos três dias que a antecedem.

Aquando do dia da partida para a caldeira já várias famílias se instalaram no seu território, o habitual, repetindo ano após ano os lugares em que acampam58.










57 O realismo documental, para Nichols (1991 cit por Loizos 1993) ultrapassa o género cinematográfico, trata-se de um código profissional, uma ética particular, um ritual.

58 “A memória e os desdobramentos do tempo: práticas, contagem e processos mnemotécnicos” Fabienne Wateau, 2011, IELT, Sala Multiusos: A conferência proferida pela investigadora foi extremamente enriquecedora na compreensão dos processos de divisão e contagem do tempo e do espaço, ainda que de forma intuitiva. Fabienne Wateau argumenta que a capacidade de contar, medir, aferir, dividir, somar, e por aí adiante, não fazem parte da disciplina cientifica mas sim do quotidiano social. Através do estudo dos sistemas de rega, trabalho sobejamente conhecido da autora, bem como

Apesar da restrição e redução do tempo de acampamento por parte dos novos proprietários do território, aqueles que têm história no terreno conseguem sempre arranjar maneira de um, ou até mesmo dois dias antes iniciarem o carregamento dos seus pertences para o local do acampamento. Estas famílias são possuidoras de embarcações, famílias de pescadores e pescadoras, algumas no activo, outras já não, e possuem, legitimidade para com os restantes, de proceder de forma privilegiada nos dias de hoje.

A data da realização da Festa de Nossa Senhora não é constante no calendário, varia de acordo com os humores do rio e marés. No primeiro ano de trabalho de campo realizou-se nos dias 4, 5 e 6 de Agosto e neste último, 2012, nos dias 18, 19 e 20. A variação é portanto lata no tempo e obriga à estruturação dos quotidianos familiares para que seja possível estar presente na festa para aqueles que marcam essa mesma presença, ano após ano. O dia de Sábado, dia da partida oficial para a caldeira, inicia-se com a missa solene na Igreja de São Sebastião em honra da Santa. Antes do inicio da missa sente-se um vibrar nas ruas adjacentes à Igreja, como se elas próprias adquirissem vida durante a ocasião. As pessoas organizam-se em grupos, encetam conversas sobre o seu ano, sobre a festa, sobre os familiares presentes e ausentes. Fitam-se procurando os rostos que se habituaram a ver, em busca do cumprimento efusivo de quem não se vê há muito ou mesmo de quem se encontra todos os dias, na rua do bairro, antecipando grandes festejos e emoções para os três dias vindouros. A Comissão de Festas percorre o espaço incessantemente, de um lado para outro, garantindo que todos os preparativos estão a postos. Aproximamo-nos do espaço da Igreja ao som da afinação dos instrumentos da Charanga de Sarilhos e da Fanfarra dos bombeiros. Há definitivamente qualquer coisa de diferente, a festa começou. Entramos no espaço sagrado com a solenidade que o momento exige. Observamos as largas dezenas de pessoas que preenchem o espaço da Igreja, ela própria bastante grande e imponente. Muitos estão de pé, junto da porta, tal como nós, por já não terem lugar sentados. Pessoas de todas as idades, famílias inteiras, homens e mulheres










de outros projectos de investigação que tem vindo a realizar ao longo do seu percurso profissional, mostra-nos, de forma bastante clara e elucidativa que a matemática faz parte do quotidiano das populações e que este facto não mantém relação com a presença ou ausência de escolaridade mas sim com a necessidade dos indivíduos de dominarem o seu espaço e tempo adoptando para as suas linguagens sistemas convencionais ou alternativos que lhes permitam contar, medir e aferir. Esta relação e necessidade tornou-se bastante clara quando reflectimos sobre a forma de acampar e sobre a permanência de determinadas famílias nos mesmos lugares, milimetricamente definidos, próximos e


 56 ouvem atentamente as palavras do Padre Victor Portugal, pároco da Igreja de São Sebastião, que alterna a missa entre a formalidade do discurso litúrgico com os votos e conselhos que antevêem os próximos três dias de devoção. O final da missa em honra da Nossa Senhora do Rosário de Tróia é feito com canções por parte do coro que acompanha toda a cerimónia. Verificamos que nem todos os participantes da festa entram na Igreja, alguns preferem permanecer no lado exterior, o pátio, onde encetam conversas e descansam à sombra das árvores aguardando a saída da procissão59. Assim que a eucaristia termina inicia-se o reboliço logístico necessário à realização da procissão pela cidade. Homens e mulheres dirigirem-se à zona adjacente ao altar, onde se encontram os andores com os respectivos santos e santa majestosamente ornamentados com uma incrível variedade de plantas e flores. É necessário coordenar as alturas dos homens e mulheres que carregam os andores bem como a distribuição dos mais resistentes pelos andores mais pesados, como é o caso do andor da Santa. Durante o percurso da procissão é permitido que haja trocas entre os romeiros para

evitar o cansaço ou até mesmo para dar lugar a todos os que queiram e necessitem60

de carregar os santos. Os santos primeiro e a santa por ultimo são seguidos pelo Pálio carregado pelos acólitos, e termina com o padre da paróquia que leva a cruz de Cristo nas mãos, ao peito. Centenas de pessoas seguem o aparato, atrás e à frente, com um










59 Em 2007, enquanto permanecíamos no exterior apercebemos da chegada de uma menina, com cerca de seis anos, que não nos deixou indiferentes. Transfigurada de menina a santa, envergava silenciosamente as vestes da Nossa Senhora do Rosário, acompanhada pela mãe e avó. Nós estávamos com a máquina de filmar na mão, ligada, e ela posou, durante breves segundos, para a nossa lente, com um sorriso tímido e um olhar curioso. Voltámos a encontrá-la no final da procissão pela praia, já na Caldeira, no dia seguinte, à chegada à capela de Nossa Senhora do Rosário de Tróia. Terminada a missa e com a ajuda de uma familiar, a menina despiu o vestido e manto deixando a descoberto o seu biquíni cor-de-rosa com chinelos a condizer. Ainda se estavam a realizar as arrumações na capela após a missa já a menina corria em direcção ao rio. “É promessa”, sussurrou-nos alguém próximo. Em 2008 encontrámos novamente uma menina vestida de santa de Tróia. Sensivelmente da mesma idade que a anterior percorreu as areias quentes da caldeira, durante a procissão pela praia, acompanhada pela mãe, também ela muito nova, entre outros familiares. A situação voltou a repetir-se no corrente ano, em 2012. A menina que surgiu na procissão em Setúbal vestida de Nossa Senhora faz parte de uma família que nos habitamos a ver no terreno, ainda que não tenhamos tido contacto directo com os próprios. No entanto, este olho treinado, detectou na composição desta família a ausência de um dos seus componentes mais idosos, o que despoletou a associação imediata, quase que ao nível do inconsciente, entre estas duas ocorrências.

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Segundo uma das nossas informantes, Sandra (2008), carregar os santos não tem só a ver com a organização logística da procissão. Para a própria trata-se de uma necessidade para estar em paz com ela própria. Conta-nos o episódio de um ano recente no qual a data de realização da festa coincidiu com a sua saída do hospital, onde teve que ser submetida a uma intervenção cirúrgica, e, embora desaconselhada pelos médicos compareceu ainda assim na Caldeira para as festividades. Nesse ano carregou o andor da Santa, por breves segundos, na procissão pela praia. Dizia-nos, com a clarividência de quem crê que tinha de o fazer, tinha de sentir o peso da santa nos ombro. Assim que o cumpriu passou o testemunho ao seu irmão. O pagamento de promessa associa-se ao transporte de andores, entre outros actos de fé.

passo lento em jeito de oração. A procissão desce as ruas das Fontainhas, passa a linha do comboio e atravessa parte da Luísa Todi em direcção ao cais onde aguardam as embarcações. Seguida pela Polícia de Segurança Pública em terra e pela Polícia Marítima no rio a primeira procissão de Nossa Senhora do Rosário de Tróia dura cerca de quarenta e cinco minutos. O percurso percorrido é na realidade bastante curto mas o ritmo a que se desenrola dita a sua duração. A música está presente durante todo o percurso acrescentando dramatismo ao espectáculo a que assistem centenas de pessoas, nas varandas dos prédios envolventes, à porta dos cafés e restaurantes, no edifício do Despachante Oficial, ao longo da avenida e na despedida no cais. Quando a procissão chega ao seu último destino, o caís das Fontainhas, também conhecido como Doca do Comércio, as embarcações já estão a preparadas para receber os andores. Quem ruma à caldeira para a Festa junta-se aos santos e solicita boleia aos mestres dos barcos. Geralmente estes vão lotados com pessoas, conhecidas ou não dos mestres, e famílias a quem pertencem as embarcações. É o nosso caso. Previamente acordado com o presidente da Comissão da Festa, Armando, seguimos viagem no barco que transporta a Santa e o corpo eclesiástico. Os santos e santa são colocados nos barcos, geralmente à proa, com imenso cuidado, tarefa geralmente atribuída aos homens, dentro e fora dos barcos, com a supervisão do Armando. A distribuição dos mesmos foi previamente estabelecida nas semanas que antecedem a festa.

Soam as buzinas dos barcos e iniciam-se as despedidas entre quem vê partir e quem parte, denunciada pela frequente utilização dos lenços brancos. No entanto os ânimos no momento da partida são muito diferentes dos que se vivem à chegada. Sente-se um frenesim nos tripulantes, uma alegria em partir que não está presente na hora de regressar, dando lugar a um sentimento de comoção generalizado entre a assistência61 e tripulações. Os barcos são instruídos para cruzarem o rio devagar, e as demais orientações ou transgressões vão sendo dadas ou assinaladas durante a viagem. O barco que transporta a Nossa Senhora lidera o percurso com alguma distância das embarcações que lhe seguem e essa deverá ser sempre mantida durante todo o círio marítimo.

Durante cerca de meia hora, conversa-se, ri-se, acertam-se pormenores logísticos relacionados com o acampamento, trocam-se galhardetes com os barcos que 








61 Por diversas vezes, à chegada, presenciámos manifestações sentidas de pesar entre os que aguardam a chegada dos barcos.


 58 nos ladeiam e contempla-se a viagem. O rio Sado veste-se de um azul profundo em sintonia com o azul da Santa. À proa, a imagem parece ganhar vida com a ondulação da viagem, facto que preocupa os seus guardiões que viajam à proa a seu lado,

assegurando uma viagem tranquila62. Na chegada à caldeira ouvem-se foguetes

anunciando a chegada das embarcações. Espera-nos uma imensidão de campistas, já previamente instalados. A comunicação entre os mestres dos barcos, o Armando e os pescadores que aguardam dentro dos seus botes, à borda de água, ou viajando em círculos, num certo frenesim, é feita praticamente em surdina, com gestos e olhares que reconhecem em silêncio o seu sentido. Estão habituados uns aos outros e sabem com quem contar. Os botes aproximam-se das embarcações de grande calado e inicia- se a transferência das imagens e pessoas a quem as embarcações concederam boleia. Os mestres, familiares e amigos procurarão, já sozinhos no barco, as zonas de entrada na praia que mais convêm aos seus barcos e à sua dimensão. As imagens são levadas para a capela de Nossa Senhora, onde ocorre nova missa, de menor duração, que termina com algumas recomendações para os dias que se seguem. O som é propagado por todo o areal através de vinte altifalantes com ligação directa à cabine do som que se localiza no centro da festa. Os que já lá estavam dirigem-se à capela para ouvirem as palavras do Padre Victor Portugal que oscilam entre recomendações para os festejos e votos de renovação de fé no local sagrado. Outros, em menor numero, permanecem nas tendas ou no pequeno bar que se localiza no centro. Mesmo não estando no espaço, todos terão que ouvir o sermão ou a musica da rádio pois os altifalantes não deixam as mentes sossegarem. Assim que o momento solene termina os devotos acorrem ao interior do espaço da capela para saudarem as imagens e benzerem-se perante a Nossa Senhora. Por baixo das imagem está uma pequena caixa que recebe donativos, onde pode ler-se “É o que quiser dar”. À sua frente encontra-se um caixote com velas que se podem acender e deixar numa estrutura metálica para o










62 Durante os círios seguem sempre junto da Santa dois a três homens de forma a garantir que não acontece nenhum percalço. Quando o rio está picado a proa tende a levantar durante a viagem devido à velocidade das embarcações. Dá à ré, devagarinho, com calma, são expressões frequentemente gritadas pelos homens durante o círio, percorrendo toda a extensão do rio, boca a boca, barco a barco. Com o andor da Santa, pela sua dimensão e altura, há sempre uma preocupação acrescida. Seja pela velocidade do barco, ondulação do rio ou simples esvoaçar do seu véu. Por diversas vezes vimos e