As subcategorias da interdependência positiva têm sido avançadas, na perspetiva dos autores, Silva, Lopes e Moreira (2018) e por Freitas & Freitas (2002).
Segundo Silva, Lopes e Moreira (2018), n a interdependência positiva de objetivos nos grupos cooperativos, o professor deve estabelecer objetivos que levem à participação e ao envolvimento de todos os elementos do grupo no processo de aprender. Deve incentivar o grupo a ajudar-se mutuamente de forma a melhorar a sua aprendizagem (os alunos não estão todos no mesmo estádio de aprendizagem) e a unir-se para alcançar os objetivos comuns propostos.
Para assegurar a interdependência positiva de tarefa, o professor procede à divisão de tarefas, apelando à participação ativa de cada membro do grupo, transmitindo aos alunos a noção de complementaridade das tarefas e implicando os alunos nos processos contínuos de avaliação do trabalho em curso.
Para assegurar a interdependência positiva de recursos , o professor deve fornecer poucos recursos de forma a que o grupo partilhe estes recursos e coordene a sua utilização. Este método desenvolve, do meu ponto de vista, o conceito de responsabilização para com os recursos e os membros do grupo. Efetivamente a gestão dos recursos fica ao cargo do grupo no coletivo e no individual.
Para assegurar a interdependência positiva de identidade, o professor deve manter o mesmo grupo de trabalho durante algum tempo, de maneira a que este, possa estreitar relações. Depreendo que, através desta estratégia, os alunos podem criar ligações afetivas, conhecer-se melhor, adotar comportamentos diferentes e encontrar motivações em comum, desenvolvendo assim relações de confiança e intimidade.
Para assegurar a interdependência de papéis, o professor deve atribuir papéis complementares e interligados aos alunos de forma a que trabalhem juntos, não se atrapalhem uns aos outros e não adotem uma atitude passiva ou dominante no grupo.
Percebe-se nesta metodologia de aprendizagem cooperativa que cada aluno fica a saber o lugar que ocupa no grupo, qual o papel tem de desempenhar, mas acima de tudo, fica claro para o aluno, que do seu papel dependerá o (in)sucesso do grupo enquanto grupo.
Para assegurar a interdependência de recompensas/celebrações , o professor deve criar condições que possibilitem o reconhecimento do trabalho realizado pelo grupo, reforçar no grupo a ideia de que o sucesso do trabalho realizado derivou do trabalho e empenho de cada elemento do grupo, parabenizar o compromisso mútuo do grupo no trabalho e providenciar momentos de celebração pelo êxito conseguido (Silva, Lopes & Moreira, 2018).
Na perspetiva de Freitas & Freitas (2002) na interdependência positiva o professor procura, estimular no aluno o sentimento de pertença ao grupo, permitir que o grupo se organize, sendo que cada elemento tem o mesmo valor que o outro, independentemente do lugar que ocupa ou tarefa que desempenha. O sentimento que deve ser valorizado e treinado é que seja qual for o trabalho executado individualmente é sempre em prol do grupo e que cada elemento deve ser responsável por si próprio e pelo grupo. Se um falha, todo o grupo falha.
Nainteração face a face, o professor procura permitir um tempo ao grupo para se conhecer, para que os elementos se (re)conheçam e se aceitam enquanto pessoa e
elemento pertencente ao grupo. O professor tem, nesta interação, um papel importante no desenvolvimento do espírito de interajuda e de motivação minimizando os fatores de stress que possam perturbar o equilíbrio do grupo.
Quanto à avaliação individual/responsabilidade pessoal pela aprendizagem, percebe-se que o professor deve explicar os termos da avaliação, implicar o aluno no processo de avaliação e fazer com que este entenda que da sua avaliação individual dependerá a avaliação do grupo. O professor deve consciencializar o aluno da sua responsabilidade para com este processo de avaliação e fazer com que cada aluno se motive para aprender e cumprir com as suas tarefas.
No uso apropriado de skills interpessoais e de pequeno grupo, entende-se que nesta componente a função do professor seja de desenvolver no aluno competências sociais. Cada aluno é diferente, tem caraterísticas pessoais e podem facilitar ou dificultar o estar em grupo. São identificados dois tipos de skills: os pessoais e os interpessoais. Os skills pessoais dos alunos reportam-se a “ aprender a partilhar informação, a assegurar-se que compreenderam o que estudaram, saber usar o tempo, manterem um bom nível no seu trabalho, para além de tomar notas, fazer registos, sumários, etc” (p. 31). Os skills interpessoais enquadram-se no “ser capaz de partilhar sentimentos, de ouvir sem interromper, esperando pela sua vez de intervir, de mostrar simpatia pelas ideias dos outros, ainda que não concordando com elas, de encorajar quem se mostra desanimado” (p. 31).
Finalmente, na avaliação do processo de trabalho de grupo, o professor procura estruturar uma aprendizagem que possibilita tal avaliação. A avaliação deve incidir na avaliação das interações no grupo, no feedback constante, no tempo para reflexão, na avaliação do processo em grupo turma e na demonstração de satisfação pelos progressos.
Na análise destes autores podemos aferir que a aprendizagem cooperativa distancia-se do tradicional trabalho de grupo, pela sua complexidade nas atividades e caraterísticas desejáveis no perfil do professor. O trabalho cooperativo apela, de acordo com a sua complexidade, a um plano de ação bem estruturado dentro do grupo, ao desenvolvimento de uma coesão social e a uma interação intragrupal estimuladora. Ao contrário do trabalho de grupo, o trabalho cooperativo requer responsabilidade partilhada pelo sucesso da aprendizagem, quer a nível individual quer coletivo,
privilegia uma interdependência positiva e obriga a uma preocupação com as aprendizagens dos elementos do grupo. Estas características são condições essenciais que marcam a diferença com o trabalho de grupo. Face a estas condições essenciais e necessárias, o papel do professor também é marcado pela diferença. Enquanto, no trabalho de grupo, o professor não prioriza o funcionamento do grupo, no trabalho cooperativo o seu papel é determinante para a eficácia e eficiência do grupo nas questões de perceber uma possível resistência dos elementos do grupo, a falta de envolvimento ou até mesmo a falta de comunicação.
A aprendizagem cooperativa torna-se efetivamente complexa, a partir do momento em que exige que os alunos não só, assimilem conteúdos curriculares, mas também desenvolvam competências e atitudes interpessoais e grupais que lhes possibilitam um trabalho cooperativo eficaz e eficiente. Esta complexidade estende-se ao professor porque lhe exige uma função de mediador e a manutenção do seu interesse pela aprendizagem cooperativa assim como, a manutenção do rigor exigido pela prática cooperativa.
O subcapítulo seguinte irá enquadrar o papel do professor na aprendizagem cooperativa nas disciplinas de Desenho A e História e Cultura das Artes.
2.3.2. O papel do professor na aprendizagem cooperativa nas disciplinas de Artes