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Jan okt 1972.*

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Pouco praticada, ainda, devido às dificuldades de compartilhar esse espaço com o professor que, por vezes se sente “invadido” em seu fazer pedagógico, mas muito falada atualmente, a observação em sala de aula é uma ação que precisa ser colocada como interesse de atuação da Coordenação Pedagógica.

O papel da coordenação pedagógica é melhorar a prática docente na formação continuada na escola. E, para saber das necessidades da equipe para ensinar melhor, quem exerce essa função tem inúmeros recursos (...). Contudo, existe uma ferramenta que vai direto ao ponto e permite um conhecimento mais estreito dos problemas didáticos: é a observação feita na sala de aula (HEIDRICH, 2010, p.43).

O objetivo dessa ferramenta de formação é analisar as interações que são construídas entre o professor, os estudantes e os conteúdos trabalhados e também de observar as estratégias metodológicas utilizadas pelo professor.

Esta prática é importante porque “o professor está sempre tão envolvido que, às vezes, não consegue enxergar o que salta aos olhos de um observador externo” (WEISZ, 2002, p. 97).

Para isso, é preciso aprender a “olhar”. Muitas vezes a mesma situação é vista de diferentes maneiras por diferentes pessoas, dependendo do seu ponto de vista e do seu interesse de observação.

Observar não é invadir o espaço do outro, sem pauta, sem planejamento, nem devolução, e muito menos em encontro marcado...

Observar uma situação pedagógica é olhá-la, fitá-la, mirá-la, admirá-la, para ser iluminada por ela (FREIRE, 1996, p. 14).

É preciso educar o olhar para sair de si e ver o outro sem julgamento, mas com o objetivo de entender o que está por trás de cada ação e o que poderia ser melhorado. Isso quer dizer que observar não é vigiar, mas estar atento àquilo que precisa ser desvelado ou, ainda, àquilo que precisa ser valorizado.

Dalcorso e Allan deixam isso claro quando apontam que:

De início, é necessário definir de maneira clara o papel do observador na sala de aula. O observador deve encontrar um campo específico de interesse, observar o fluxo de informações, sem influenciar demasiadamente nos mesmos, sem se tornar cúmplice dos fatos observados ou mesmo promover distorções nos eventos. Ou seja, o interesse do observador deve ser observar um evento e registrar o que realmente ocorre. Deve cuidar para não fazer juízo de valor em sua descrição e sim em descrever os fatos observáveis de acordo com o interesse escolhido (2010, p. 9).

É muito importante esse cuidado para não inferir o que não está visível a todos. Os registros de observação devem conter exclusivamente aquilo que é possível ser observado e não aquilo que se imagina. Além disso, muitas vezes quem está observando vê apenas um recorte da aula, por isso, antes de fazer julgamentos é importante que ele possa conversar com o professor e esclarecer aquilo que pode causar dúvidas sobre o procedimento adotado naquele momento.

Então, a equipe de coordenação precisa se planejar antes de ir para a sala de aula. É preciso, em primeiro lugar, definir qual será esse interesse. Para isso, uma boa estratégia é conhecer previamente os objetivos, o conteúdo e as etapas do planejamento da aula e definir um roteiro de observação.

Este roteiro vai ajudar professores e coordenação a se planejarem para este momento e a torná-lo mais produtivo, instaurando, assim, um clima positivo e uma parceria que contribua para essa troca.

Embora vários modelos possam ser encontrados, hoje em dia, alguns de forma bem sistematizada, o mais adequado é que a própria equipe de Coordenação Pedagógica possa desenvolver um roteiro da escola que ajude a educar o olhar e, principalmente, a definir o que se pretende com essa ação.

Alguns pontos que merecem destaque são: a organização do ambiente onde ocorrerá a ação pedagógica, que poderá ser a sala de aula ou outro; a apresentação da proposta da aula feita pelo professor de forma a despertar o interesse dos alunos; a atitude dos alunos diante da proposta apresentada; as atividades desenvolvidas; o tempo gasto com cada uma delas; a forma como os alunos a desenvolveram e o desfecho da aula. Isso para que se crie um clima propício para que o processo de ensino e aprendizagem aconteça (BRITO, 2009).

Mas, apesar da dificuldade de instaurar essa prática nas escolas, ela não acaba no momento em que a coordenadora sai da sala de aula. Durante a observação a coordenadora deve fazer anotações pertinentes que possam contribuir numa discussão posterior.

A devolutiva destas observações é uma das etapas mais importantes nesse processo, pois é nesse momento que a Coordenação Pedagógica irá aproximar os conteúdos das formações com as ações pedagógicas desenvolvidas em sala de aula cumprindo, ao lado dos professores, seu papel de parceiro mais experiente que poderá contribuir para a reflexão da prática e as mudanças necessárias.

Essa devolutiva deve ser feita por escrito, servindo como um registro dessa interlocução e do percurso do grupo com relação a essa prática. Caso seja possível dentro da organização da escola é importante, ainda, que haja um momento de devolutiva individual onde professores e coordenação possam trocar ideias sobre o que foi observado e o que está sendo proposto na devolutiva. É nesse momento, também, que a coordenação irá contribuir para ampliar as possibilidades de escolha do professor de estratégias diferenciadas para o desenvolvimento do conteúdo observado durante a aula.

Vale destacar que essas devolutivas devem acontecer, no máximo, dentro de uma semana, sob a pena de perder seu impacto e importância sobre aquele momento observado.

Apesar de todo o trabalho até aqui apontar a formação de professor como principal atribuição da Coordenação Pedagógica, esta não é uma tarefa simples. Inúmeros desafios se põem diante dessa tarefa, alguns deles fora mesmo da governabilidade do coordenador, como veremos a seguir.

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