Chapter 2 – Background of the study
2.6. Izutsu’s (2008) system of interpreting the three but meanings
Para traçar uma estratégia eficiente na reabilitação energética de edifícios é necessária uma caracterização da eficiência energética do parque edificado, apresentando-se de seguida uma caraterização do desempenho energético dos edifícios de habitação, excluindo-se os edifícios de comércio e de serviço.
A Figura 2.17 apresenta o consumo de energia das habitações para diversos países da UE, em condições climatéricas normalizadas. É pois notório que as habitações portuguesas apresentam necessidades energéticas baixas. Apenas Malta apresenta necessidades energéticas mais baixas que Portugal. 88,8% 83,9% 82,5% 83,3% 81,2% 76,1% 79,4% 79,4% 71,5% 60% 65% 70% 75% 80% 85% 90% 95% 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013
Figura 2.17 – Unidade de consumo por habitação, extraído de Odyssee, citado por (IEE, 2015, p. 25). Em 2008, Lombard et al. refere que o consumo de energia das habitações está principalmente relacionado com o clima, projeto arquitetónico, sistemas de climatização e, por fim, com o poder económico dos ocupantes das habitações. Os autores mencionam também que o tamanho e a localização das habitações são elementos chave para consumo de energia, sendo que as habitações mais pequenas necessitam de menos energia, porque a sua área de transferência de calor, é menor. Atualmente procura-se criar uma simbiose entre as soluções construtivas das habitações e o próprio clima da localização onde estão implantadas. Isto é possível, através da integração de tecnologia inovadora (no interior da envolvente exterior), de modo a alterar as suas propriedades térmicas e, desta forma, ser possível uma adaptação ao clima, reduzindo as cargas térmicas impostas aos edifícios e consequente diminuição do consumo de energia. (PARK, SRUBAR III, & KRARTI, 2015)
Se se considerar dois países da UE, por exemplo Finlândia e Portugal, e se compararmos os consumos de energia por habitação, com base na Figura 2.17, verifica-se que as habitações na Finlândia consomem mais do dobro da energia do que em Portugal. Sendo pertinente levantar as seguintes questões:
1) O elevado consumo de energia nas habitações na Finlândia torna este país, comparativamente a Portugal, um país ineficiente energeticamente?
2) O consumo de energia das habitações em Portugal seria inferior, igual ou superior se Portugal possuísse o mesmo clima9 que a Finlândia?
As respostas serão realizadas, de uma forma expedita, através de um dos conceitos mais fundamentais no comportamento higrotérmico dos edifícios, nomeadamente o coeficiente de transmissão térmico10 (U) da envolvente construída (quer sejam paredes exteriores, pavimentos,
9Clima subártico, classificação de Koppen. Temperaturas mínimas e máximas absolutas variam entre os -42 ºC e os 31 ºC, respetivamente, no Inverno e no Verão. (Finnish Meteorological Institute, 2015)
10Define-se como sendo uma medida da quantidade de calor por unidade de tempo que atravessa uma superfície de área unitária de um elemento da envolvente por unidade de diferença de temperatura entre os ambientes que este separa.
coberturas ou vãos envidraçados), sendo que a envolvente construída deve ter qualidade para minimizar as trocas térmicas entre o interior e o exterior, tornando a habitação acolhedora e confortável. Tendo em conta o Quadro 2.3, verifica-se claramente uma discrepância notória entre os valores de coeficiente de transmissão térmico entre os dois países. De acordo com a equação da temperatura superficial, quanto menor for o valor de U e a diferença entre as temperaturas, maior será a temperatura superficial, e consequentemente menor será o consumo de energia para manter uma temperatura de conforto térmico.
Quadro 2.3 - Valores de coeficiente de transmissão térmico médio da envolvente de Portugal e Finlândia. (IEE, 2014)
Coeficiente de transmissão térmico (W/m2.K)
Envolvente Portugal Finlândia
Pavimento 1,95 0,41
Parede 1,44 0,43
Cobertura 2,58 0,29
Janelas 4,08 1,96
Desta forma, as respostas às questões anteriores são evidentes:
1) Finlândia é efetivamente um país eficiente energeticamente, por causa dos reduzidos valores de U.
2) Portugal apresentaria um consumo de energia superior à Finlândia, não fosse o clima, tendo em conta os elevados valores de U.
Estas respostas são facilmente sustentadas, pelo fato de Portugal deter uma alta taxa de excesso de mortalidade (cerca de 28%) no Inverno, devido à má qualidade do ar interior e à falta de isolamento das habitações. Países como a Finlândia e a Suécia, são considerados como países exemplares quanto à eficiência térmica no interior das habitações, onde a totalidade das habitações têm vidros duplos ou triplos e isolamento térmico nas coberturas, paredes e pisos, indo de encontro com o que se pretendeu demonstrar noexemplo anterior. (LUSA, 2009)
Cerca de 70% do parque habitacional português foi construído antes de 1990, sendo que desses, cerca de 45% foram construídos nas décadas de 60, 70 e 80 (rever Figura 2.4). Todavia, as soluções construtivas utilizadas no passado, antes de 1990, data da primeira publicação do RCCTE, apresentam uma deficiente qualidade térmica e energética, que se traduz, essencialmente, em envolventes com um isolamento térmico insatisfatório ou inexistente. A inadequada qualidade térmica da envolvente dos edifícios provoca a ocorrência de situações anómalas, designadamente as condensações superficiais, temperaturas ambientes excessivas ou reduzidas, a ventilação insuficiente ou excessiva, a ineficácia
Os consumos energéticos das habitações têm registado um crescimento significativo desde 2000, particularmente o consumo de eletricidade, assumindo um papel muito relevante no setor doméstico à medida que também se regista um aumento da aquisição de equipamentos consumidores de energia. A Figura 2.18 mostra a tendência do consumo médio de eletricidade11 por habitação, em diferentes países. Em países como Finlândia, França, Suécia e Noruega, o uso da energia elétrica destina-se sobretudo ao aquecimento do espaço interior ou aquecimento de águas quentes sanitárias, enquanto que Portugal e Itália essas mesmas ações têm um peso significativamente menor.
Em Portugal, estima-se que o compartimento de serviço, isto é, a cozinha, apresenta a maior parcela de consumo de energia (40,5%), seguida dos equipamentos elétricos (32.9%) e depois a iluminação (13,6%). No entanto, consoante o tipo de uso, a fonte de energia dominante difere dado que na cozinha domina a utilização de eletricidade, enquanto no aquecimento de águas é predominantemente utilizado gás natural e em garrafa. Mais uma vez, se pode confirmar que existe uma “poupança” de energia, por parte dos portugueses, relativamente ao aquecimento e arrefecimento do ambiente no interior das habitações, correspondendo a cerca de 10,7%. Contudo, o consumo de fontes de energia renováveis (carvão vegetal, lenha e solar térmico) no sector doméstico representa cerca de 25% do consumo total de energia nos alojamentos, sendo a contribuição da lenha o fator mais revelante no que diz respeito ao aquecimento do ambiente. (INE, I.P & DGEG, 2011)
Figura 2.18 - Tendências do consumo médio de eletricidade por habitação em 2012, em diferentes países, extraído de Odyssee, citado por (IEE, 2015, p. 29).
2.3.2 Principais anomalias que contribuem para a ineficiência energética nos