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Iverksettingsapparatet: Ansvars· og myndighetsforhold

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Hva forklarer oppfølgingen av tiltak?

4.4 Iverksettingsapparatet: Ansvars· og myndighetsforhold

Uma questão peculiar da cultura circense, como já citado, é o fato de que o ensinamento das técnicas, o aprender a ser circense, tradicionalmente, passa de geração a geração entre pais e filhos que já nascem dentro do circo. Pude perceber isso em entrevista com o Palhaço Fuxiquinho que conta que já aos 16 anos se apresentava como malabarista e trapezista. Sua história de iniciação como palhaço se deu após o sumiço do único palhaço que a companhia do seu pai tinha. Segundo Fuxiquinho, ao mudarem de cidade, o palhaço:

Foi embora fugido, sumiu. No dia da estreia, sexta-feira, cadê o palhaço? Nada de palhaço meu pai falou “quem vai é você”. Falei “vou nada”, eu tímido que só a... Num vou, vai, num vou, vai... Estreei aqui na Paraíba na Catingueira. Minha sorte é que fazia 18 anos que não vinha um circo pra lá. Assim que entrei o povo já ria. Me jogaram lá dentro já cheguei tropeçando derrubando tudo. O povo já riu. Aquele palhaço “hã”, “oi”, “é”... Aquele negócio bem sem noção.

A formação do artista circense tradicional se faz, como no caso de Fuxiquinho, através da família tendo também o desenvolvimento de várias atividades diferentes como característica.

A forma familiar e coletiva de constituição do profissional artista, baseada na transmissão oral dos saberes e práticas, que não se restringia à aquisição de um simples número ou habilidade específica, mas se referia a todos os aspectos que envolviam aquela produção e que implicavam um processo de formação/socialização/aprendizagem, bases de estruturação e identidade. Mesmo que o artista circense resolvesse seguir carreira individual e fora do circo, o seu processo de formação acontecia neste modo de organização e de transmissão do saber coletivo (SILVA, p. 24, 2007).

Henrique do Real Circo é um bom exemplo dessa forma de transmissão de conhecimento. Hoje trabalha no circo como soldador entre outras funções, mas é de família tradicional de circo e foi trapezista durante muito tempo. Já não se apresenta mais como trapezista, no entanto, me disse que estava ensinando seus dois filhos pequenos que vivem com ele no Real Circo a arte do Trapézio para que também se tornem trapezistas um dia.

A transmissão de conhecimento circense se deu por muito tempo através unicamente das famílias tradicionais, no entanto, o aprendizado destas técnicas não está mais sendo exclusivos dessa tradição. Hoje são muitas as oficinas e workshops baseados nas técnicas circenses que possibilitam o seu aprendizado para aqueles que não nasceram no circo. O ensinamento das artes circenses fora das lonas se deu, inicialmente, com a criação, em 1978, da Academia Piolin de Artes Circenses em São Paulo e com a Escola Nacional de Circo, em, 1982 no Rio de Janeiro (SILVA, 2009; RUIZ, 1987). Sobre esta nova forma de transmissão, Rocha considera que:

Se, tradicionalmente, a mediação era feita principalmente de dentro para fora, agora parece estar se invertendo o polo da relação quando a invasão ocorre de fora para dentro. Antes o circo invadia as cidades, e muito dos seus artistas migravam para o cinema, o teatro e a televisão; agora são as cidades, com os seus performers de classe média e adolescentes em situação de risco, que estão invadindo o circo (ROCHA, 2013, p. 25).

A fala de Rocha (2013) torna claro o processo de expansão da cultura circense para além das organizações familiares tradicionais. A consequência disso é uma proliferação de artistas ligados às técnicas circenses e uma crescente utilização de sua arte por outros meios. Outra vertente de manifestação da cultura circense citada por Rocha são os projetos sociais que partem da perspectiva do Circo Social como forma de transmitir cidadania para crianças em situação de risco. Um destes espaços é o Centro Cultural Piollin em João Pessoa – PB. A

filosofia do Circo Social busca unir a cultura circense com educação social:

Educar com o circo é apostar na alegria e recuperar todo o potencial civilizatório de uma arte milenar, que desde suas origens, teve por base a diversidade, a aceitação do outro, o sentimento do fantástico e do mágico, a superação dos limites, a convivência e criação coletivas e acima de tudo, a brincadeira e o jogo levados a sério. São estes alguns dos elementos que baseiam a concepção do Circo Social. O Circo Social sonha com um mundo diferente, integrado e solidário, que se aceite como o que é: um lugar de todos, redondo, itinerante e a céu aberto (BARRÍA, 2006).

Entre as possibilidades de aprendizado oferecidas nestes novos espaços de saberes circenses estão o malabarismo, as oficinas aéreas (tecido, trapézio) e, claro, as oficinas de palhaço. Se no mundo tradicional circense a criança já cresce aprendendo as esquetes clássicas, e assim como Fuxiquinho, entra no picadeiro sob o tradicional empurrão, métodos teatrais foram buscar no explorar do ridículo, representado pelo clown, uma forma de desenvolvimento para os atores através do teatro. Jacques Lecoq teria sido o responsável pelo método que consiste no explorar desse ridículo para revelação do seu próprio “eu”.

A construção do clown7, para Lecoq (2010, p. 213), é feita a partir da exploração do próprio ridículo do ator, uma vez que “o clown não existe fora do ator que o interpreta. Somos todos clowns. Achamos que somos belos, inteligentes e fortes, mas temos nossas fraquezas, nosso derrisório, que, quando se expressa, faz rir” Esse processo conduz o ator a encontrar a sua identidade clown, uma busca por suas próprias fraquezas e a sua exposição através da figura do palhaço que ao serem expostas, provocam o riso. Portanto, o clown “não é personagem. Ele é simplesmente” (BURNIER, 2009, p. 217).

Existe diferença nas formas de aprendizado entre o palhaço do circo tradicional e dos formados no teatro (através também de oficinas e workshops) que podem ou não ser atores por formação8. O que há em comum sobre o uso do palhaço em ambos os espaços é o caráter

subjetivo dado ao personagem que junta a personalidade individual daquele que o interpreta com o conjunto de informações visuais que compõem a imagem tradicional do palhaço (BOLOGNESI, 2003).

É possível notar, portanto, que ambas as correntes trabalham a formação do palhaço de formas diferentes, o que acaba refletindo em suas formas de atuação. O elemento “ridículo”, no entanto, está presente em ambas as vertentes por ser um elemento próprio do “ser 7

Veremos ao longo do trabalho que os termos clown e palhaço, embora sinônimos, tem origens e significados diferentes.

8 As oficinas, geralmente, não são destinadas apenas para atores profissionais mas também para curiosos que buscam aproximar-se da arte clownesca mesmo sem estar em um curso de teatro (meu caso).

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