Del II Regjeringens mål for
12.4 Ivaretakelse av sosialt ansvar
A produção de imagens depende sempre de determinadas finalidades: intenções de comunicar; umas de natureza mais subjetiva resultantes de condições psicológicas momentâneas, não explicitamente dirigidas (imagens artísticas); outras mais objetivas, orientadas para determinados fins e implícita ou explicativamente dirigidas a públicos específicos (publicidade, moda, etc.).
Apresentam-se, seguidamente, três aspetos da utilização funcional das imagens: o primeiro baseado nos estudos realizados por Scheaffer (1990) e Dubois (1992) a partir da experiência fotográfica; o segundo apresentado na obra de A. Moles, como aplicação da imagem funcional na comunicação científica e, por último, a utilização da imagem numa perspetiva mais plurifuncional, nomeadamente estética e simbólica, mesmo que integrada noutras funções de natureza epistémica (Aumont, 1989 e 1990). Estas três abordagens apresentam-se como complementares e igualmente úteis no tema que se propõe abordar: a antropologia visual, uma nova abordagem da imagem.
Jean Marie Scheaffer parte do estatuto ambíguo do signo fotográfico, para a definição de funções e de estratégias de comunicações baseada na imagem, possuindo um número
indefinido de estados que se poderão situar ao longo de uma linha continua polarizada pelo Índice e pelo Ícone, representando a tensão entre uma função indícial e a sua presença icónica.
Scheaffer aponta assim oito funções da imagem que servem estratégias comunicacionais baseadas na natureza do signo e na relação com o objeto ou com o recetor e com o interpretante, em que as quatro primeiras funções são do domínio de exploração, predominadamente denotativas e as quatro seguintes do domínio de exposição, predominadamente dependentes dos códigos de experiencia adquirida, conotativas.
Sinal – baseia-se na casualidade do objeto no registo e pode funcionar como método de descoberta ou como procedimento de confirmação. São exemplo a fotografia de descoberta ou exploração;
Protocolo de experiencia - a imagem funciona como prova desse protocolo. São exemplo desta função o radar para controlo de velocidade;
Descrição – esta função funciona como substituição gráfica e representação do objeto; Testemunho – função que se apresenta distinta da descrição por substituir ou representar acontecimentos, ações e reações, essencialmente narrativa. Harmonização de uma imagem e de uma mensagem narrativa;
Recordação – a imagem, predominantemente icónica, é reflexiva, e atua como estímulo elegíaco, sugerindo uma resposta emocional, pouco condicionada por esquemas interpretativos, funcionando mais como identificação, projeção e transferência. Esta função é frequentemente utilizada no cinema.
Rememoração – esta função é mais racional, sujeita a esquemas de interpretação, releitura e reanálise de algo que aconteceu.
Apresentação – a estratégia de apresentação institui a imagem como manifestação do apreendido.
Demonstração – propõe representar a plenitude da realidade dos acontecimentos através da representação icónica, algo preexistente, uma tese ou uma hipótese.
A. Moles (1987 e 1990) distingue a utilização artística cujo papel principal é ser bela e sedutora e a motivada pela moda intelectual, da imagem funcional: aquela que serve para, baseada na identificação do problema e na resposta em termos de eficácia, eficiência e adequação. Tender para a iconicidade ou tender para abstração é um dos grandes dilemas que se colocam à construção da imagem. A iconicidade é a aptidão da imagem para
representar, da maneira mais concreta, um elemento conhecido do mundo real, para tornar- se figurativa, facilitando a nossa capacidade de identificação com objetos universais conhecidos como pertencendo a este mundo. A abstração é pelo contrário, o movimento do inteligível que substitui as coisas em si por referências a categorias a priori, muito independentes da imagem figurativa do mundo. O raciocínio, a dedução, a predição fazem-se em grande número a partir de esquemas abstratos que privaram a imagem de todos os elementos considerados a priori como não pertinentes para o fim que é procurado.
Aumont (1990), não distingue nem separa as utilizações diversificadas pressupostas por Moles, a integração das funções simbólicas e estéticas na comunicação funcional e dentro desta na comunicação científica ou didática parece-nos do maior interesse. As funções da imagem, que ao longo da história visam estabelecer a relação com o mundo, são essencialmente três: função simbólica, função epistémica e função estética. A função simbólica, característica das sociedades religiosas, de manifestação de acesso ao divino, sobrevive nas sociedades laicizadas. São imagens que, podendo ser realistas, não pretendem fazer-nos crer na realidade objetiva das visões que transcrevem, constituindo uma reserva de imagens que alimentam as imagens que possam advir, são imagens com valor emblemático. A função epistémica transporta informações sobre o mundo, permite conhecê-lo. Esta função geralmente atribuída à imagem e cuja utilização se desenvolve com as sucessivas evoluções ou revoluções tecnológicas suscitou, da parte das instituições científicas, algumas reservas e resistências. Estas habituadas à linguagem escrita ou à linguagem matemática, resistiram à introdução de novos produtores de imagens. O uso do instrumento cinematográfico apenas se impôs na antropologia à custa de uma rude batalha ao longo da qual se confrontaram violentamente, por vezes de forma caricatural, os partidários do escrito e da imagem. A imagem tem como função primeira assegurar, fortalecer, consolidar e precisar a nossa relação com o mundo visual; tem um papel de descoberta do visível, do apreensível através dos mecanismos da visão. A função estética apresenta uma grande variedade de sentidos, ligada inicialmente às sensações e sentimentos produzidos, no espectador pela obra de arte, ligada ao criador e à atividade criativa e a teorias filosóficas do belo. A imagem, mesmo a funcional é utilizada como instrumento de informação para um público, e é muitas vezes vista como uma forma de extensão da imagem artística. A função estética consiste num sistema de escolhas de composição de imagem.