6. Conclusion
6.3. Issues for further research
Embora o risco de preço já esteja incluído no modelo teórico apresentado, neste item dar-se-á um tratamento mais detalhado ao risco por ser este o foco do presente trabalho.
GITMAN (1997) define o risco, em seu sentido fundamental, como a possibilidade de prejuízo financeiro. Os ativos que possuem grandes possibilidades de prejuízos são vistos como mais arriscados que aqueles com menos possibilidades de prejuízo. De maneira mais formal, o termo risco é usado para referir-se à variabilidade de retornos, associada a um dado ativo.
Quando se assumem riscos, aposta-se em resultados que serão conseqüência de uma decisão que se tenha tomado, embora não se saiba ao certo qual será o resultado. O problema está nas conseqüências das decisões, e não nas próprias decisões. Por isso, os riscos precisam ser administrados. Analisando a administração de risco, BERNSTEIN (1997) destaca que “a essência da administração de risco está em maximizar as áreas onde temos certo controle sobre o resultado, enquanto minimizamos as áreas onde não temos absolutamente
nenhum controle sobre o resultado e onde o vínculo entre causa e efeito está oculto de nós”.
Para ZISSWILLER e QUINTART (1994), todo investimento real comporta um risco e a noção de risco é relativa e variável de situação para situação. O risco está associado à possibilidade da ocorrência de acontecimentos considerados incertos ou aleatórios que definem estados da natureza ou do mundo; é determinado pela variabilidade ou pelo desvio previsível do valor esperado de uma variável, em função da ocorrência desses acontecimentos. Sabe- se que esses estados possíveis da natureza são numerosos e que todo agente econômico enfrenta, de fato, essa situação complexa, devendo esforçar-se para conhecê-la, e procurando avaliá-la antes de tomar decisões.
Ao retratar as atitudes ante o risco, EATON e EATON (1999) afirmam que as pessoas assumem posturas diferentes em relação a correr riscos: algumas mostram-se perfeitamente dispostas a investir em ações baratas, altamente especulativas, ao contrário de outras que não se aventuram em negócios mais arriscados. Um modo conveniente de se pensar nessa variação de atitude, é classificar as preferências individuais em uma destas três categorias: aversão ao risco, neutralidade ao risco e inclinação ao risco.
Uma forma de mostrar o comportamento em relação ao risco é relacionar o risco ao retorno exigido, ou retorno esperado. Esta forma é apresentada por GITMAN (1997), conforme a Figura 7.
Fonte: GITMAN (1997:205).
Figura 7 - Preferência com relação ao risco.
Risco Retorno
exigido Aversão ao risco
Indiferença ao risco Tendência ao risco
Na medição do risco de um ativo individual é útil avaliar o risco do ponto de vista comportamental e quantitativo. A análise de sensibilidade pode ser usada para se ter uma noção do risco, enquanto que probabilidades, distribuição probabilística dos retornos, desvio-padrão e coeficiente de variação podem ser usados para uma avaliação mais quantitativa do risco. Na análise de sensibilidade verifica-se o impacto de variações percentuais em determinados fatores nos retornos. São considerados de maior risco, os fatores mais sensíveis às mudanças, ou seja, para uma mesma mudança percentual em diferentes fatores (como por exemplo: preços, taxas, etc.) são os que provocam maiores alterações nos retornos.
A identificação dos vários tipos de risco aos quais estão sujeitas as instituições e as empresas é objeto de estudo do G307, conforme apresentado por SILVA NETO (1998), este grupo define o risco global em quatro grandes grupos: mercado, crédito, operacional e legal. O risco de mercado, foco de análise desta pesquisa, está relacionado com o preço e valor de bens, serviços, índices, commodities, etc. Ele está diretamente ligado à forma pela qual o preço de um bem varia no dia-a-dia. É o que pode-se ganhar ou perder quando se assume uma posição num determinado ativo, pela simples mudança em seu preço. Quanto aos outros riscos, destaca-se: o risco de crédito refere-se aos riscos de não recebimentos de valores por inadimplência dos devedores; o risco operacional tem a ver com questões que envolvem as operações da empresa, como, por exemplo, estrutura de custos fixos e variáveis; e os riscos legais envolvem questões relativas ao sistema jurídico e aos contratos.
BRIGHAM (1999) relaciona o risco ao retorno no contexto de distribuição de probabilidades. O risco isolado é definido como o risco a que um investidor estaria exposto se possuísse um único ativo. O risco de um único ativo é uma parte do risco total, sendo a outra parte o risco que pode ser eliminado pela diversificação. A relação entre risco e retorno é tal, que nenhum investimento será feito, a menos que a taxa de retorno esperada seja suficientemente alta, para
7 O G30-Global Derivatives Study Group, grupo criado no âmbito do G30, que em julho de 1993
compensar o investidor pelo risco percebido pelo investimento. Um investimento com risco poderia efetivamente não produzir sua taxa de retorno esperada, pois se os ativos sempre produzissem seus retornos esperados eles não apresentariam nenhum risco. Formalmente, se todos os eventos possíveis, ou resultados, são relacionados, e se é atribuída uma probabilidade para cada evento, tem-se a distribuição de probabilidades. Assim, quanto mais estreita a distribuição de probabilidades dos retornos futuros esperados, menor será o risco de um dado investimento.
Uma situação que surge no contexto da análise retorno/risco é quando se tem que fazer uma escolha entre dois investimentos que proporcionam os mesmos retornos esperados, mas desvios-padrão (riscos) diferentes. Neste sentido, BRIGHAM (1999) afirma que a maioria das pessoas, dado o retorno esperado, escolheria o investimento com o menor desvio-padrão, e, portanto, com o risco mais baixo. De modo semelhante, na escolha entre dois investimentos com o mesmo risco, mas com retornos esperados diferentes, os investidores, em geral, prefeririam o investimento com o retorno esperado mais alto. Quando ocorre uma situação em que na análise de dois investimentos, um deles tem o retorno esperado mais alto e o outro tem o desvio-padrão mais baixo, necessita-se de um outro conceito de medida de risco. Pode-se utilizar o conceito de coeficiente de variação, que é o desvio-padrão dividido pelo retorno esperado.
Para GITMAN (1997), o retorno sobre um investimento é medido como o total de ganhos ou prejuízos dos proprietários, decorrentes de um investimento durante determinado período de tempo. É comumente determinado considerando- se as mudanças de valor do ativo mais qualquer recebimento ou distribuição de caixa, sendo expresso como porcentagem do valor do investimento no início do período. A expressão para calcular a taxa de retorno obtida sobre qualquer ativo durante o período t, Kt, geralmente é definida como:
1 t t 1 t t t P C P P K − − ± − = (10)
em que Kt é a taxa de retorno esperada durante o período t; Pt é o preço do ativo
no tempo t; Pt-1 é o preço do ativo no tempo t-1; Ct são valores recebidos ou
desembolsados do investimento no ativo no período de t-1 até t.
GITMAN (1997) também destaca que o valor do início do período, Pt-1,
e o valor do final do período, Pt, não são necessariamente “valores realizados”.
Eles podem ser “não realizados”, o que significa que embora o ativo não tenha sido efetivamente comprado no tempo t-1 e vendido no tempo t, os valores Pt-1 e
Pt poderiam ter sido realizados se tivessem sido adquiridos e vendidos nos
períodos mencionados.
Em síntese, na análise da viabilidade de determinada posição assumida deve-se levar em conta os fatores que influenciam os retornos e também os riscos envolvidos.