desta forma mais democrático o acesso a esta.
5o - Princípios da cartograa e decalcomania
Deleuze e Guattari armam que um rizoma não é um mecanismo de decalque, mas um mapa com múltiplos lugares de entrada, em constante mutação, por isso não pode ser demonstrado por nenhum modelo estrutural ou gerativo. O decalque, para eles, seria uma cópia, uma imitação, uma representação. O rizoma se refere a um mapa que deve ser produzido, construído, sempre desmontável, conectável, reversível, modicável, com múltiplas entradas e saídas, com suas li- nhas de fuga, São os decalques que precisam se referir aos mapas e não o inverso (DELEUZE;
GUATARRI, 1995, pg. 13).
No mundo das redes do mundo real, também assemelham-se ao rizoma, na medida em que não existe um mecanismo gerativo que possa construir uma rede semelhante ao mundo real. Cientistas procuram variáveis, em ambientes de laboratório de simulação computacional, que possam reproduzir o crescimento das redes. Existem alguns avanços na descoberta de variáveis, como apresentado na revisão de literatura, na busca de elementos como o acoplamento prefe- rencial e a aptidão do nó para que possa ser simulado em computador o crescimento de uma rede. Isto nos permite, apenas, compreender melhor o crescimento da rede e não armar que esta tenha um princípio gerativo.
7.2 Conclusão do capítulo
Não é possível utilizar o conceito de rizoma plenamente como base para o conceito de rede. Este conceito foi criado de forma a ser uma antítese ao conceito de árvore, criando uma anti-árvore onde tudo é possível. O rizoma, enquanto contra-paradigma que não pode ser realizado em nenhum tempo ou cultura, serviria apenas como uma referência de libertária ao modelo hierárquico e aprisionador. A aceitação universal deste conceito, principalmente nas ciências sociais, parece ser a sedução da transgressão intrínseca a este conceito.
Em setores mais especícos como o hipertexto, já existem críticas a onipresença do conceito do rizoma como o seu paradigma fundamental. Landow e Landlow (1997) avisa que não se deve forçar demais as semelhanças da metáfora do rizoma com o hipertexto digital, visto que ela não poderia ser plenamente realizada por qualquer tecnologia que trabalhasse com palavras, imagens ou outras limitações.
Porém, deve ser considerado a riqueza deste conceito. Como foi visto anteriormente neste capítulo, alguns dos princípios de rizoma podem ser aplicados integralmente as redes. Outros podem ser podados e usados também como subsídios para a construção de um novo modelo.
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8 Ciência das Redes e Propriedades
das Redes
A elaboração de novas idéias depende da libertação das formas habituais de pensamento e expressão. A diculdade não está nas novas idéias, mas em escapar das velhas, que se ramicam por todos os campos de nossa mente.
John Maynard Keynes
O
universo das redes permeia a nossa vida, porém seu entendimento ainda é primitivo. Inici- almente, serão tratadas as denições de grafos, redes e Ciência das Redes de forma a poder situar uma posição neste mar de conceitos apresentados na revisão de literatura. Neste capítulo será apresentada uma visão e uma compilação inédita das propriedades das redes. A escolha de trabalhar com as propriedades das redes é uma forma de poder compreender melhor este objeto de estudo para termos instrumentos capazes de predizer o seu comportamento futuro.Para entender o motivo da escolha de trabalhar com as propriedades, será feita uma breve exposição de forma a mostrar a importância deste conceito na história do pensamento humano. A reunião das propriedades apresentadas nos permite visualizar as principais características das redes.
8.1 Denições
RedesO conceito de redes já foi apresentado anteriormente na revisão de literatura. A principal característica que diferencia o conceito de rede na Ciência das Redes da denição apresentada anteriormente e encontrada mais frequentemente na Teoria dos Grafos é que a abordagem tradi- cional deste conceito tende a negligenciar ou simplicar o relacionamento entre as propriedades estruturais de um sistema em rede e de seu comportamento. Isto pode ser observado no texto abaixo :
8.1 Denições 106 A noção de uma rede deve ser abstraída da sua realidade física, biológica e social em que são experimentalmente observada. ... uma rede é descrita por sua estrutura (ex: nós e ligações), sua dinâmica (atributos temporais dos nós e ligações), e de seus comportamentos (o que a rede faz como resultado das interações entre nós e ligações). Por isso pode-se dizer que a rede é sempre uma representação ou modelo da realidade observável, não a realidade em si. Isto cria questões interessantes sobre a unicidade de uma especíca representação de rede para um fenômeno particular, por exemplo, um modelo de rede para um processo metabólico. É difícil estabelecer que um modelo de rede de um processo social ou biológico é único da mesma forma que as equações de Maxwell unicamente descre- vem a propagação de ondas magnéticas independentemente dos detalhes do ambiente físico associado(NRC, 2005, p. 27 e 28).
Ciência das Redes
A Ciência das Redes pode ser denida de várias formas. Na literatura é possível encontrar diversas denições dependendo da área de origem do pesquisador. A denição mais simples encontrada provém do The Comitteee on Network Science for Future Army Applications em cooperação com o National Research Council of the National Academies(NRC, 2005) que dene Ciência das Redes como conhecimento organizado de redes baseado no estudos destas por meio de um método cientíco. Em seguida, este mesmo grupo apresenta outra denição para a Ciência das Redes: Ciência das Redes consiste no estudo das representações em rede dos fenômenos físicos, sociais e biológicos tendo em vista a criação de modelos preditivos destes fenômenos. Esta é uma denição interessante, porém limitada, na medida em que restringe esta ciência apenas a criação de modelos preditivos.
Após nalizada a revisão de literatura, chega-se a conclusão que o conceito de Ciência das Redes deve ser mais genérico, esta pode ser vista como um esforço de achar princípios universais que possam ser aplicadas a praticamente quaisquer tipos de rede, sejam elas biológicas, sociais ou tecnológicas. Por isso a denição de redes que a nosso ser mais adequada e que será utilizada neste texto é de Lewis (2009) : a Ciência das Redes é o estudo dos fundamentos teóricos do comportamento estrutural e dinâmico das redes e de suas aplicações. Após toda a análise da literatura, esta é a denição que considera-se ser a mais precisa, completa e abrangente; abordando a Ciência das Redes como uma ciência que estuda sistemas interagentes.
É importante observar que existe na literatura uma certa confusão no uso dos termos Redes Complexas e Ciência das Redes. Uma rede complexa é uma rede com propriedades topológicas não-triviais. Estas características não ocorrem em redes simples como as treliças (malhas) ou grafos aleatórios. O que pode ser armado é que o estudo das redes complexas motivou o aparecimento da Ciência das Redes.