• No results found

Issued in the series Discussion Papers

Diversos fatores influenciam o grau de efetividade alcançado por estratégias de cooperação. Para Porter (1999), a maior parte dos elementos que garantem o sucesso de um aglomerado competitivo possui algum vínculo com o tipo de relacionamento estabelecido entre agentes, principalmente quando ocorre uma ampliação da relevância da empresa enquanto entidade isolada, alcançando uma percepção de seu papel frente à comunidade. A colaboração solidária, por exemplo, além de possuir um papel econômico relevante para o desenvolvimento local, também abrange aspectos relacionados à ética e ao posicionamento político

dos cidadãos, ao proporcionar meios pelos quais possam se posicionar perante a sociedade, buscando alternativas de sobrevivência através da transformação do contexto social. (MANCE, 1999).

Para a análise dos aspectos que possibilitam o sucesso em determinados setores, basta considerar o modelo da análise das cinco forças competitivas de Porter (1986), o qual avalia como determinante do nível de competitividade de uma indústria a análise dos entrantes potenciais, ou seja, o nível de entrada de novos competidores no setor em questão; o poder de negociação dos fornecedores junto às organizações; o poder de negociação dos compradores; a ameaça de introdução de novas tecnologias, produtos ou serviços que possam atuar como substitutos no segmento de atuação da organização; e a concorrência na indústria, ou seja, a dinâmica através da qual são estabelecidas as disputas entre as diversas companhias. Desse modo, a metodologia demonstra a diversidade de aspectos a serem considerados na avaliação do grau de competitividade e lucratividade, não sendo possível afirmar que as alianças ou quaisquer outras estratégias de cooperação entre organizações sejam suficientes para garantir o sucesso em determinado setor.

Outra forma de avaliar a dinâmica de um setor é oferecida pelo Instituto Alemão de Desenvolvimento - AID, apresentado por Casarotto Filho (2001) citando Lanzer (1997). Tal visão afirma que um setor deve ser analisado sob diversos níveis: em um nível macro, deve-se avaliar todo o aspecto macroeconômico, incluindo infra-estrutura, legislação e políticas vigentes em um determinado mercado e que impactam diretamente no modo como os empresários dirigirão seus negócios. Em um segundo nível, denominado micro, refere-se ao grau de competência dos empreendimentos em termos de qualidade dos produtos e processos de produção, o que determinaria seu nível de competitividade frente aos demais clusters ou competidores de outras localidades. A seguir, verifica-se o nível meso, composto pelas características da região na qual está localizada a indústria, avaliando as instituições existentes e as formas de cooperação disponíveis. No último nível, denominado meta, avalia-se a cultura da localidade e as características sociais que acabam por determinar a forma como as estratégias de cooperação são estabelecidas.

Em uma linha de análise semelhante, o GEM adota um modelo no qual considera-se que a competitividade de empresas é reflexo das condições apresentadas no cenário nacional, sendo avaliados como essenciais fatores como a qualidade das leis que regem os setores, as políticas trabalhistas, a abertura ao comércio exterior, entre outras variáveis. Também são avaliados índices denominados Entrepreneurial Framework Conditions - EFCS, ou “condições nacionais que afetam o empreendedorismo”, os quais verificam o contexto do país para o estabelecimento de pequenos empreendimentos, tais como o nível de educação de uma região e recursos financeiros disponibilizados. Considera-se ainda o conceito de “mentalidade empreendedora”, avaliando a existência de um ambiente em que se valoriza o estabelecimento de novos negócios, bem como os riscos inerentes a essas atividades. O pressuposto da organização é de que seria possível avaliar as características e o grau de desenvolvimento econômico de uma região a partir da análise do modo como a cultura e o governo local gerenciam e fomentam micro e pequenas empresas ao longo dos anos. (GRECO, 2006).

De acordo com Porter (1999), uma economia somente atinge um estágio adequado de rentabilidade quando as empresas aprimoram o perfil da competição, oferecendo produtos e serviços inovadores e diferenciados, baseados em intangíveis, superando a preocupação restrita com os custos de mão-de-obra e preços finais. Os aglomerados possuem papel importante para que esse estágio de competição seja alcançado, ao permitir o alcance de maior produtividade e um número elevado de empresas atuando no setor, o que auxilia no processo de inovação necessário ao alcance de efetivo desenvolvimento econômico.

Esse estágio de maturidade somente será alcançado, porém, caso a localidade também possua uma cultura que permita o estabelecimento desse tipo de iniciativa de forma dinâmica. Caso a estrutura de aglomerados mantenha uma tendência de manutenção da mentalidade vigente e de comportamentos já estabelecidos, não será obtido o cenário necessário à promoção de inovações. Porter (1999) denomina essas organizações entre empresas como “aglomerados competitivos”, e considera que esse tipo de dinâmica encontra-se em um estágio

intermediário entre as visões de organização em rede e competição. Os aglomerados são característicos em economias desenvolvidas, pois possuem maior amplitude, não se restringindo apenas ao atendimento do mercado local. Nos países em desenvolvimento, os aglomerados são compostos de um número menor de empresas, as quais interagem pouco entre si:

Os aglomerados representam, nitidamente, uma combinação de competição e cooperação. A competição se trava na conquista e na preservação dos clientes. A presença de muitos rivais e de fortes incentivos geralmente acirra a intensidade da competição nos aglomerados. [...] A competição e a cooperação coexistem porque se verificam em diferentes dimensões e entre diferentes participantes; a cooperação em algumas dimensões contribui para o êxito da competição em outras. (Porter, 1999: 236).

Os riscos inerentes à aplicação dessa estratégia também estão fortemente relacionados à qualidade do relacionamento existente entre as partes. Isso ocorre porque, caso uma das empresas envolvidas passe por algum tipo de problema relativo à sua imagem, isso acaba se refletindo na empresa cooperada. Também pode ocorrer de uma das partes envolvidas não fornecer todas as informações ou ativos acordados no momento em que se estabeleceu a aliança, fazendo com que os resultados alcançados sejam inferiores ao almejados na fase de planejamento. No entanto, a maior parte dos problemas decorre da possibilidade de formar alianças de modo pouco formal, sem o estabelecimento de um contrato em que esteja estabelecido o papel e as obrigações de ambas as partes. Essa característica limita as alternativas existentes para controle e avaliação das atividades, o que reduz os efeitos positivos das estratégias de cooperação. (HITT, 2003).

Além das variáveis abordadas, características da cultura local também exercem forte influência na determinação do sucesso alcançado por ações de cooperação, tornando-se uma variável crítica no estabelecimento de iniciativas duradouras.